sábado, 31 de outubro de 2015

Parede em branco

Eu sei que esse momento pede que eu seja dinâmica, competitiva, que "mostre serviço". Eu sei que todo mundo tá correndo atrás do seu espaço no mercado de trabalho e que todos estão se capacitando, fazendo sua clientela e seu nome. Eu sei de tudo isso e enquanto o mundo corre contra o tempo eu quero paciência, calmaria.
Aham, tô ligada que o mundo não pára para que eu conserte minha vida e que enquanto eu fico aqui encarando essas paredes meus colegas estão correndo atrás dos seus futuros, coisa que, inclusive, eu deveria está fazendo, mas como posso pensar no futuro se meu passado ainda se faz presente e o presente é uma desordem total? Como posso avançar uma casa se me sinto estancada?
Eu nunca parei, sempre fui uma pessoa elétrica que nunca para de estudar, sair com os amigos, cantar, escrever... sempre estou fazendo um milhão de coisas, quase sempre ao mesmo tempo, mas estando nesse momento de transição eu me dei o direito de parar. Me permiti parar para refletir e respirar e acho que foi a melhor coisa que fiz em anos.
Hoje acordei e dei uma boa olhada ao meu redor, vi duas pilhas de roupas no canto do quarto e penteadeira bagunçada, havia louça na pia da cozinha, sandálias e tênis na sala junto com bolsas e livros por todo o espaço. Os móveis estavam cheios de poeira e casa precisava ser pelo menos varrida há umas duas semanas. Vi que minha casa precisava de mim e estava tão bagunçada quanto eu.
Aquela desordem me incomodou e eu nem sabia desde quando aquilo estava assim então comecei a fazer o que precisava ser feito. Era um trabalho de formiguinha mas eu também não estava com pressa. Levei meu tempo para colocar cada coisa em seu lugar.
Comecei pela sala. Sendo minha casa tão pequena este espaço acaba sendo o multifuncional e ponto de recepção e reuniões com amigos, é o primeiro ambiente da casa. Tirei os objetos da estante, limpei cada peça, mudei os móveis de lugar, mudei tudo de lugar e depois limpei cada pedaço do chão e das paredes. Percebi a sala maior, ficou tudo muito mais claro e eu acabei ganhando uma enorme parede totalmente branca, que parecia estar esperando ser ornamentada e ganhar vida.
A cozinha foi a parte mais fácil. Lavar, organizar cada coisa em seu lugar, reabastecer os armários, isso me deu muito tempo para divagar em meus pensamentos e colocar algumas coisas no lugar. Depois das compras a casa parecia ser habitada novamente (por pessoas, não vampiros). De lá segui para o mais difícil: o quarto. Lá não havia só roupa espalhada, haviam lembranças. Respirei fundo e comecei.
Coloquei toda a roupa suja no cesto da lavanderia, toques os lençóis, organizei meus cremes, perfumes e bijuterias; abri o guarda-roupas e organizei as peças lá dentro. Abri algumas caixas escondidas e lá estavam, as lembranças. Havia um monte de coisa desorganizada, muitas que nem precisavam estar mais aqui. Olhei cada peça, cada papel, cada carta, cada foto. Haviam texto que escrevi e outros que recebi. Os que escrevi me lembraram quem fui, quem eu queria ser e quem eu era agora, vi que mudei muito (envelheci bastante com o processo). Revi tudo, lembrei dos detalhes da época... Algumas pareciam tão surreis, como se nunca tivessem existido, mas as recordações estavam ali, para provar que eram verdades em algum momento. Vi algumas fotos de pessoas que pareciam ser amigas, outras de pessoas que eu nem achava que era amigas mas que estão comigo até hoje. Vi fotos minhas da infância e ri do meu sorriso de criança. Eu era uma criança meiga e fofa, afinal, quem diria?! Revi o rosto dele em algumas fotos, fazia tanto tempo que não o via! E sabe o que acabei percebendo? Que já não havia emoção ao olhar o rosto dele. A lembrança era viva, a foto foi tirada no dia da pré estreia de um filme que fomos assistir. Durante toda a sessão trocamos carinhos, sorrisos e ele fazia questão de me dar pipoca na boca a todo instante. Ele era um bom cara. Guardei a foto.
                 "Tem umas coisas que a gente vai deixando de ser e nem percebe." 
                                                     Caio Fernando Abreu

Após duas horas apenas com aquela caixa, joguei muita coisa fora, partes da minha história que não se encaixavam mais. A caixa ficou meio cheia (ou meio vazia?), abrindo espaço para novas partes de minha história que estão por vir e isso me fez sorrir. Limpei tudo e olhei para o quarto, estava visivelmente mais leve e alegre e eu também me sentia assim.
Por fim lavei o banheiro e, após, me dei ao prazer de tomar um belo banho sem pressa (desculpa Terra, economizei o máximo que pude). Lavei e hidratei o cabelo e o rosto. esfoliei a pele, usei meu óleo de banho favorito. Ao sair da banho, ainda enrolada em uma toalha com cabelo pingando, olhei para minha casa: limpa, simples, organizada e apresentável. Era um espaço aconchegante e que me fazia sentir bem por estar aqui.
Enquanto penteava os cabelos, batendo aquele papo com meus cachos, percebi que minha casa é um reflexo de mim. Eu estava uma bagunça ambulante, me sentia mal e não tinha vontade de fazer nada. Colocar as coisas no lugar em minha casa me deram tempo e estímulo para colocar as coisas no lugar dentro de mim, faz algum sentido? Simultaneamente a ordem veio, junto com a alegria e leveza. Sinto me, pronta para sair por essa porta e seguir as metas que tracei há não muito tempo, sinto que posso fazer muitas coisas e viver tantas outras,
Agora só uma coisa me incomoda: aquela parede branca pedindo para ser alegrada. Seria ela meu novo estado de espírito? Uma tela prontinha para receber histórias, cores e amores? Ainda não decidi se colocarei prateiras coloridas, fotos ou uma pintura bem viva. Talvez todos.
Agora minha casa está pronta para receber amigos e família, agora eu estou pronta para receber sorrisos e afetos. E que venham os amores!





"Eu hoje joguei tanta coisa fora
Eu vi o meu passado passar por mim
Cartas e fotografias gente que foi embora
A casa fica bem melhor assim"

Tendo a lua - Herbert Vianna

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Por mais pessoas que façam sentir (e não sentido)




"Se fiquei esperando meu amor passar. 

Já me basta que estava então longe de sereno.
E fiquei tanto tempo duvidando de mim. 
Por fazer amor e por fazer sentido."
Legião Urbana




Com esse mundo tão caótico e caminhando para ficar cada vez pior, encontrar pessoas que sentem algo é quase como acertar os números da loteria, sério, as pessoas perecem estar amortecidas com tanto absurdo, tanta dor, traumas e medos.
Há um tempo que agora parece muito distante, eu achava que sentir era coisa de gente fraca. Amor, paixão e medo não existiam para mim, ou pelo menos não deveriam existir. Minha vida era uma loucura naquela época e para uma adolescente vivendo em uma fase conturbada na família o não-sentir era a melhor opção para manter a sanidade (e as coisas funcionando em casa).
Mas o tempo passou e a evolução veio. Pude ver que sentir é na verdade um presente, mesmo que seja triste, mesmo que seja dramático, enquanto eu tiver emoções e puder senti-las estarei feliz. Isso atesta que ainda estou vivia e querendo viver mais. Sabe, as artes de modo geral (incluindo a linda sétima arte) são um verdadeiro presente para nossa existência. Através delas podemos encontrar partes adormecidas ou até inexistentes dentro de nós. Me sinto bem ao ler um texto ou livro que consiga transformar palavras em sorrisos, lágrimas, raiva, angústia, felicidade. Me encanta o poder que algumas pessoas tem de tocar outras com sua arte, seja ela qual for. É simplesmente mágico sentir através do prisma de outro alguém. Agora mesmo sentada nesse carro, olhando a vegetação nativa que passa veloz pela janela e ouvindo essa música com guitarras e tambores sinto felicidade e paz. Uma paz tão branda que parece que tocará a todos aqui, quem sabem até toque as pessoas nos outros carros que passam por nós, como se não houvesse um fim para ela.
Fazer sentir não é uma exclusividade dos artistas, não mesmo. Algumas pessoas tem o poder de nos fazer isto apenas com gestos simples. Uma amizade sincera, um abraço acolhedor, tudo isso nos faz sentir únicos e quero me cercar de gente assim, quem sabe até um amor. Não que eu passarei a vida esperando alguém perfeito mas, ficaria bem feliz se algum dia alguém me fizesse sentir só por ser quem é. Que me aqueça meu peito com um sorriso, sabe? Que me faça sentir como se os pés não tocassem o chão ao ouvir sua voz e as vísceras resolvessem dançar ao simples encontro dos olhos.
Me encantaria esbarrar com alguém em um lugar simples e corriqueiro e ali, entre prateleiras de supermercado por exemplo, eu consiga ver algo a mais em algum desconhecido e assim, torná-lo alguém para mim e vice-versa. Ter alguém que te faça sentir sem que precise mover céus e terras para isso deve ser gratificante, um verdadeiro presente.
Não que eu vá esperar eternamente mas seria bom que viesse por aqui algum dia, assim, só por vir mesmo. Até lá vou sentindo com as minhas artes, meus amigos, minhas paixões. Que venha o amor para fazer-me sentir mais. (Mais o quê? Descobrirei em breve!)
Com esse mundo tão caótico e caminhando para ficar cada vez pior, encontrar pessoas que sentem algo é quase como acertar os números da loteria.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Preciso me encontrar

Há muito tempo não me sinto tão bem, porém ainda não encontrei a paz que tanto busco. É certo que reencontrar àquela que tanto amei e ainda descobrir uma filha adorável foi um enorme presente em minha vida sem lembranças.
Não sei quem fui, não sei se tenho família. As memórias vêm das mesma forma que se vão, mas sempre lembro dela, minha amada. Não lembro bem como nos conhecemos nem quando, mas sei do que sentimos e isso é suficiente para que eu acredite nas palavras que ela me diz, embora eu ainda creia que há muito para lembrar, há muitas brechas, lacunas vazias.
Passei muito tempo em uma prisão requintada. Havia salas arejadas e limpas, jardins, porém eu não podia sair e era altamente medicado. Não lembro quanto tempo passei ali nem da vida que um dia devo ter tido. 
Consegui, após várias tentativas frustadas, sair daquele lugar mas, agora olhando essas grades enquanto caminho por este jardim tudo que sinto é o desejo de fuga. Não sei para onde mas preciso está do outro lado deste portão alto e enferrujado com correntes e cadeados enormes, querem me prender de novo.
Andando por entre as árvores, mato e folhas secas andei sem rumo, perdido em pensamentos tentando juntar as peças, tentando lembrar da minha vida, sinto que tenho tanto a lembrar...  
À frente encontrei uma lápide, não parecia abandonada embora estivesse tão longe de qualquer lugar. Havia um nome, duas datas e uma foto emoldurada. Sentei-me. Olhei a foto de um jovem, com barba e me vieram lembranças: aqueles rapaz com uma moça, ele argumentando com sua mãe sobre seu amor mesmo sendo tão moço e o mesmo rapaz sofrendo um acidente. As lembranças eram tão fortes e os sentimentos tão intensos que me pus a chorar. Ali, diante da lápide com meu nome (ainda que não soubesse se esse era mesmo meu sobrenome) eu chorei. Chorei por mim, por quem fui, quem era e por não poder ser quem eu queria. Aquela lápide era minha e tudo que eu queria eram as lembranças que parecem jazer ali. Senti raiva, angústia, medo, dor... era tanta coisa que as lágrimas acabaram sendo bem vindas. Ao menos eu descobri um sobrenome e lembrei alguns acontecimentos importantes ainda que dolorosos.
Sinto que cada vez mais me aproximo da junção deste quebra-cabeças que tanto me atormenta. Um homem sem memória alguma não tem raízes, não sabe quem é e nem mesmo para onde vai. Só quero me encontrar, me entender. Sentir paz.


*Inspirado em uma cena da novela "Além do tempo" 
exibido em 07.08.2015 pela rede globo."


"Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Depois que me encontrar"

Preciso me encontrar - Cartola

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Véia

Conheci muita gente durante a graduação. Gente de vários lugares, várias histórias e sotaques. No meio do curso apareceu uma mulher, um pouco mais velha que a maioria das pessoas da turma (tinha quase o dobro da minha e idade) e com uma vasta experiência de vida. Quando todos pensávamos em respostas óbvias para certos problemas ela vinha com uma visão completamente diferente, um ângulo que poucos utilizavam. Ela quase sempre era do contra mas na maioria das ocasiões pensava e defendia o melhor para pessoas que não estavam presentes mas era as mais interessadas: o paciente e sua família. Nós que escolhemos cuidar do próximo temos que ter essa visão geral, do melhor pro próximo, mas muitos se alienam com pensamentos egoístas de notas e reconhecimento. 
A visão humana sempre foi o que mais admirei na Véia (apelidos que pode não parecer, mas é bem carinhoso sim). Isso e sua força de vontade incomparável. Ela teve muitas oportunidades de abandonar seus objetivos mas mesmo assim foi em frente e nunca baixou a cabeça para ninguém. Atrevida que só ela, sempre defendeu as causas que achava justas e isso fez dela uma pessoa única. Alguém que de fato sabe o que é olhar para o próximo como se olhasse para sua mãe, filha ou neto. Alguém que quero levar sempre comigo como um modelo de amor ao próximo.
Faz pouco tempo que findou-se a convivência diária e já sinto saudade dela. Dela e de mais um monte de gente. Mas acredito que pessoas assim são sempre presentes, nas lembranças, em algum gesto. Sempre lembro dos meus amigos mas dela eu lembro sempre que vejo a almofadinha verde que fica frequentemente sobre minha cama. Um objeto cheio de significado e carinho, Uma lembrança que a faz sempre presente.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Black is Power, baby!


Sempre fui uma garota tipicamente negra. Desde a infância curtia meus cachos, me encantava pela história afro e tudo a respeito. (Já era uma nerd ligada em história muito cedo).
Na escola muita gente gostava do meu cabelo, elogiavam, diziam querer um. Outros diziam que era feio, pixaim ou coisas assim, porém nunca me importei muito. Mas eu não entendia muito bem as "molinhas" que eu carregava na cabeça. Queria elas compridas e elas sempre subiam mais e mais. Ai eu conheci a química. Ela fez os cachinhos descerem porém diminuíram também. Não havia volume e isso sempre me incomodava um pouco, mas logo ele voltava (junto com a necessidade do retoque) e foi assim por mais de 10 anos.
Mesmo com os produtos fétidos eu ainda tinha meus cachos. As vezes fazia tranças e me amava com elas, achava que exaltava minha cor, minhas raízes. Nunca os quis lisos, achava sem graça e não combinaria comigo de todo modo. Ainda assim pessoas vinham me perguntar porque eu não alisava de uma vez, que ficaria muito bonita ¬¬
O fato é que há cerca de um ano as coisas começaram a mudar. Fui numa reunião de cacheadas, crespas e afins e isso me abriu os olhos. Elas levaram músicas, textos, suas histórias e a história do povo negro. Isso tudo mexeu comigo. Também comecei a ouvir umas músicas novas para mim: Rap, novos reggaes. Como curiosa assumida que sou, pesquisei mais músicas, mais histórias, fui à Africa, EUA, movimento Black Power nos anos 60. Descobri que essas duas palavras não são só um estilo de cabelo, o cabelo é só uma representação. O movimento mesmo enfatizava o orgulho racial. E depois de tanto ler, tanto ouvir, tanto sentir, cara, que puta orgulho senti!Orgulho por ser quem sou, de trazer em meu DNA uma cultura tão rica!
Conhecer seu cabelo, assumi-lo como ele é significa se entender, compreender de onde veio e para onde pode ir. Sabe, depois que compreendi que meu cabelo pede volume, pede cuidados diferentes, isso me mudou. Ele tem naturalmente estilo e excentricidade, assim como eu. Sou um pouco rebelde, sempre fui meio contra a correnteza, gosto de agir conforme meus pensamentos e odeio que tentem me conter, me controlar. Se eu sou assim como posso querer "domar" meus cachos, "controlar" meu volume? Meu cabelo merece a liberdade e leveza que eu quero para mim. Ele grita para ser livre e tudo que posso fazer e libertá-lo. Libertar dos produtos mágicos, dos grampos e amarras. 
Ter o cabelo natural me fortalece a identidade. Não é só uma moda, é um movimento de compreensão, aceitação e liberdade de dogmas e esteriótipos e tendências da mídia. Empoderamento é a palavra. É gostar de si e parar de lutar contra uma essência. Um ato político, uma forma de enfatizar e fortalecer uma história e cultura cada vez mais esquecida, de um povo que muito fez e quase nada tem. Por mais que você mude, seu cabelo cresce mostrando que faz parte de ti e sempre será.
Nem sempre é fácil. Nem todo mundo entende, até mesmo a família e amigos mas, se você sentir essa necessidade dentro de você, não haverão argumentos que te impeçam de florescer tal como és. Entender que isso é uma forma de crescimento pessoal e evolução da sociedade (que cada vez mais tem pessoas assumindo raízes) é fantástico, é do caralh#! O black é power, bebê!


sábado, 3 de outubro de 2015

Traição, Posse e Modernidade

Há uns dois meses fui para uma festa com alguns amigos. De lá, todos bem embriagados, fomos continuar a festa em outro lugar (a noite é uma criança, né?) e acabou que entre uma dose e outra alguns acabaram em beijos e carícias. O álcool dá aquela coragem e as coisas rolam, acontece. O problema foi que alguns estavam "em relacionamento sério" com pessoas que certamente estavam em suas casas, dormindo. Nem preciso dizer a dimensão da polêmica que isso tudo causou.
Hoje em dia vejo que as pessoas querem não só o amor, mas sim posse. Querem ser donos do ser que dizem amar, invadem a privacidade, amizades... Estão em absolutamente tudo. É irritante. Sério, se você for um@ namorad@ ciment@ e/ou possessiv@ reveja seus conceitos, quer um amor ou um passarinho engaiolado?
Penso que a traição em si não é o grande "X" da questão e que pode ser perfeitamente compreendida e perdoada. Mas calma, não tão simples assim! Conversa e sinceridade são a chave da coisa toda. Acredito que o pior da traição é o motivo que levou o cara (ou garota) a trair, o grau de exposição e mentira (ou omissão). Se te traíram uma vez, porque havia bebido demais e isso não foi lá muito exposto não considero tão grave assim, suficiente para o fim de uma relação sabe?! Claro que dá para ficar com raiva porque o cara deu margem bebendo excessivamente e não respeitou a relação que têm mas o pior é não falar a verdade, esconder o fato. Isso sim é inadmissível. Me sentiria muito mais desrespeitada e exposta se fosse enganada. Prefiro saber qualquer tipo de traição e o porquê do que permanecer na ignorância de um relacionamento de contos de fadas.
E depois que ele disser o que aconteceu ainda pergunto como ela era, se era bonita, como foi, o quanto ele gostou. (sério, já fiz isso). Só não quero permanecer no escuro, nas dúvidas, suposições e receios. Vão dizer que sou doida, pra frente, insensível... Eu sei, eu sei, não importa, mas o saber é essencial para mim. Não suporto a ideia de ser enganada, carregar uma icógnita. Essa é a pior traição para mim. 
Obvio que essa é minha humilde opinião. Não diminuo dor e amor de ninguém dizendo que traição é algo simples. As vezes não é. As vezes o cara trai porque se atrai por outra, mais de uma vez, mente e isso sim é prova que o cara não está tão afim assim. Mas se tratando de um evento pontual, tendo a sinceridade de admitir o erro, mostrar todo o arrependimento e renovação do compromisso, acho justo acreditar mais uma vez, dar uma nova chance. Tropeços, erros e lágrimas fazem parte do amor, assim como o riso, acertos e perdão. O amor é muito mais complexo que tudo isso. E mais singelo também.

"Eu vejo um novo começo de era
De gente fina, elegante e sincera
Com habilidade
Pra dizer mais sim do que não
Hoje o tempo voa, amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
Não há tempo que volte, amor
Vamos viver tudo que há pra viver
Vamos nos permitir"

Tempos Modernos - Lulu Santos

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Tan-tan

Adivinha só, tenho uma amiga que adora as bobagens que escrevo e gosta bastante das coisas que escrevi sobre um certo cara que passou por minha vida. É, "passou" é modo de falar porque mesmo ausente acho que ele nunca se foi.
Ao longo nos anos escrevi muitas linhas por ele e para ele então reli tooooodas as postagens desse blog e separei aquilo que refere-se àqueeele cara e outras coisas que eu gostaria que ele lesse. Claro que ele nunca lerá nada disso porque perdemos o contato e há anos não nos vemos.
Durante a leitura ri e refleti bastante. Vi que cresci muito, amadureci na escrita e no comportamento. Vi as nuances e oscilações dos sentimentos destinados à ele. Vi as contradições entre uma carta e outra e lembrei dos momentos que escrevi as cartas. Vi o quanto estive tan-tan da cabeça e do coração.
No começo era um sentimento confuso, incompreendido e novo. Sabe, criei esse blog inicialmente para postar o que escrevia para ele, na esperança de um dia mostrar. Depois, quando começamos a nos envolver mais, as cartas surgiram e nelas eu expunha todos os receios que vinham com o sentimento e das mudanças que estavam acontecendo que não eram poucas! 
E então veio a confusão toda que eu mal sabia explicar e tudo acontecia rápido demais de modo que o fim chegou. Aí os textos eram cheios de desculpas, mágoas e tudo mais. Essas duraram um bom tempo mas passaram, como quase tudo na vida passa.
Veio o tempo bom também. Escrevi cartas leves, sentindo saudade da sua amizade, falando de como estava minha vida e me perguntando sobre como estaria a sua. Descobri novas pessoas, vivi novas aventuras, escrevi cartas para novas pessoas e também para mim. Cresci muito mas ainda faço cartas para você. Já não peço desculpas nem quero que volte para vivermos alguma história semelhante mas, nas cartas relembro o que passou, lembro de nós e isso já não dói. Sabe, só acho estranho não poder falar com você, não saber qual seria sua reação se eu dissesse "oi" em alguma rede social ou até pessoalmente. Sei lá, só lembro. E é bom saber que tive uma história legal ainda que tenha sido imatura para vivê-la. 
Enfim, separei um cantinho só dele por essas páginas e honestamente espero não nutri mais essa marcação com tanta frequência, mas sinto que ainda haverão cartas por que histórias marcantes são fontes inesgotáveis e para uma pessoa que se inspira com tudo (e com nada) como eu... 

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Sobre nostalgias, amassos e mágoas











Esses dias uma amiga veio me falar da saudade que sentia de um cara que lhe marcou. Pedi que não fizesse isso, mas ela insistiu. Não tive escolha, guardei meus anseios no bolso e a ouvi, afinal, quando amigos precisam falar a gente segura as nossas pontas e escuta. Bastou ela começar para que eu inevitavelmente lembrasse dele e de nossas aventuras.
Naquele tempo éramos tão imprudentes e sonhadores... Era muito divertido está com você. Falando com ela lembrei dos nossos tantos beijos intensos. Lembrei das vezes que meu quarto, meus pensamentos e meu corpo eram tomados por sua presença. 
Lembrei dos nossos carnavais, viagens e planos. Lembrei de tantas besteiras que fizemos e que foram se acumulando até culminar no fim irremediável. Dividimos muita coisa e um sentimento (Paixão? Amor?) tão forte que é difícil crer que se quer foi vivido em sua plenitude. 
Apesar de desafinado, lembro de cada música, cada trecho que você cantou para mim. Ainda lembro do teu gosto e do teu cheiro. Não esqueci dos teus gestos e teu sorriso torto, nem do seu jeito confiante e esperto demais (e você sabia disso!).
Como será que você está hoje? Será que já se apaixonou de verdade de novo? Ainda lembra de mim as vezes? Ainda mora nessa cidade? hahaha você ainda tem aquela cadela perturbada? Sua mãe ainda faz aqueles bolos de se comer rezando? Ah, são tantas coisas que eu gostaria de saber sobre você, sua vida... Tanta coisa deve ter acontecido ai desse lado.
De verdade, eu não queria mais escrever sobre você ou se quer pensar em ti, mas a verdade é que não consigo. Deixo ali, guardadinhas numa numa caixa imaginária no fundo das minhas lembranças, mas ao menor sinal de romance ou saudade todas elas voltam tão vivas quanto as recordações do dia de ontem.
Eu queria poder gastar esse sentimento todo através dos textos que escrevo mas parece que ele vai sempre existir em mim, como um objetivo nunca alcançado, uma meta inatingida, um riso que não veio, um brinquedo de natal que nunca apareceu embaixo da árvore.
Queria poder rasgar, te arrancar de mim, só por me atormentar vez por outra. Por mais que minha vida siga, por mais que conheça outros caras e viva outras histórias, as nossas sempre são lembradas. Você sempre é lembrado. Mas, com o passar dos anos, uma coisa boa aconteceu: Já não dói pensar ou falar de você. Acabou se tornando uma lembrança boa. Como umas ondas sabe, que de vez em quando chegam na praia. Nossa história vai, mas sempre volta aqui para me lembrar que já vivi um sentimento forte, porém não realizado ou parcialmente realizado pelo menos. (Vai ver eu deva dar nome a esse sentimento forte, mas qual? Será que foi amor ou uma paixão avassaladora? Acho melhor deixar sem nome mesmo...).

Espero, de coração mesmo, que a vida tenha sido gentil com você mas ainda espero um dia ter aqueeele meu amigo de volta. Quem sabe você até leia as tantas cartas que te destinei. Seria uma viagem no tempo, certamente, mas também acho que apagaria muitas mágoas e confusões, lacunas que ficaram pelo caminho.


"Foi tanta força que eu fiz por nada, 
Pra tanta gente eu me dei de graça 
Só pra você eu me poupei 
Será que o tempo sempre disfarça, 
Tomara um dia isso tudo passa 
Desculpa as mágoas que eu deixei"

Dublê de corpo - Leoni

Se liga, mulher!


Olha, só você é capaz de mudar a vida que tem. E não é dando um fim. Você pode tomar as rédeas e mudar aquilo que não te traz felicidade. Mas para isso é preciso coragem. Basta coragem para aceitar e admitir que não está certo, e não jogar tuuuuudo para debaixo de um pano invisível. Você é capaz de fazer muitas coisas boas na vida ainda, (sem esse papo que tá velha, por favor) mas precisa se importar mais com si. Ser dona da sua vida. Se valorizar. 
Mude de vida se é isso que você quer mas não me venha com papo de "dá próxima vez não vai falhar", não seja uma pessoa covarde que foge dos problemas. Aprenda que não dá para fugir, você corre aqui e paga mais na frente (preço alto viu?!)
Eu sei que você pode fazer escolhas mais certas e nessas eu te apoiarei. NAS CERTAS! Se te maltratam é porque você permite (não permita!)
Só quero seu bem, tanto quanto você quer o meu então ponha-se no meu lugar, imagine-se lendo um texto tão deprimido e cheio de raiva assim, o que você faria?! 
Se mova! Faça o q te faz feliz! A vida é um presente, um presente tão lindo para ser desperdiçado com tristeza e aceitação dos problemas.
"Vamos viver nossos sonhos, temos tão pouco tempo" já dizia Chorão. Você pode fazer tantas coisas boas mas infelizmente não enxerga, não se vê capaz e só pensa em soluções negativas. 
Pense, pense, pense. Você tem um presente nas mãos e o poder de fazer com ele aquilo que desejar. Faça o bem, Confio em você.

"Oiiii, tudo bem?"

Ahhh merda, esse papo de novo não! É sempre assim e depois dessa parte clássica eis que a "conversa" pára. Sério, você também sente que não flui?
Por vezes esperei você falar comigo ou abri a janela para falar com você, mas ai eu parava e pensava: "Porquê?"
Sendo bem sincera, acho descobri porque sempre perdemos o contato. É essa nossa conversa que é muito, muito sem graça. É, sem sal.  Não sei se não estamos à vontade um com o outro ou se o papo não bateu mesmo mas o fato é q não é atrativo. Não dá vontade de continuar, de conversar mais e até de te ver. Sei lá, conversas (boas) me prendem sabe?! Atraem-me tanto quanto um sorriso bonito e muito mais do que músculos. 
Tá, você tem um sorriso lindo nas fotos, um queixo que me chama muito (nunca tinha me atraído por um queixo antes, juro!), tem também uma voz deliciosamente sedutora mas, eu preciso mais que isso para me atrair de fato por você. Isso só não basta para que eu te encontre, achei que sim, mas não basta. É que eu não sei me envolver pouco, gosto de conhecer, saber a história... Coisa que não descobri em todo esse tempo. 
Eu queria ter essa esperança que o encontro físico pudesse mudar as coisas, que ali rolasse aquela química toda tão desejada, mas não encontro essa fé. Pela nossa conversa digo que não renderemos e eu não gosto de ler um livro quando já sei o que esperar do final. Não é convidativo.


- Vou bem, e por aí, tudo certo?

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Sapiosexual

Alguém que,sente-se atraído  pela inteligência, pela maneira que o outro vê o mundo e por sua cultura. A palavra deriva do Latin Sapien, significando inteligência; e sexualis, que tem ligação com a palavra sexo.


Conheci um certo rapaz via redes sociais, faz um tempinho já e pretendemos nos encontrar em breve, mas agora já não sei se quero mesmo esse encontro. Não, não o vejo como um risco a minha segurança física mas sim como um sério risco a minha santidade, meu autocontrole emocional, sabe?! Porque? Porque ele é fisicamente atraente, engraçado, tem uma voz deliciosa e que sorriso é aquele, meu pai? Ele é a perdição do juízo de qualquer garota e eu não sou excessão a regra. Não mesmo.
Acontece que, no começo nos demos bem, conversamos um pouco, mas logo perdemos contato. Retomamos um mês depois e desde então temos conversas espaçadas. Já passamos mais de um mês sem nos falar.
Sim, ele é um cara interessante, mas percebo que nossa conversa é vaga, rasa, cansativa até. Não há fluidez, não existe aquela coisa de conversar sem perceber o tempo passar e é uma pena por que acho que não estamos nos mostrando de fato ou não combinamos mesmo no fim das contas.
Por mais que eu me esforce a falar de música, assuntos polêmicos, questões pessoais e outros assuntos corriqueiros, não sinto reciprocidade. Um "tudo bem" e "sou eclético" não me diz nada, é uma resposta vaga e tudo fica no zero a zero.
Ainda não compreendo porquê insisto nisso, de continuar com essa conversa, se vejo que não estamos falando a mesma língua. Talvez seja a curiosidade. Ou ainda a esperança que com o contato físico faça diferença e assim, fiquemos mais à vontade para nos abrir em conversas. Não sei bem, mas confesso que tenho pensado muito em deixar tudo de lado e esquecer essa história, pois, por mais que o encontro seja bom, ainda creio que será meio superficial.
Essa falta de afinidade mínima me deixa meio desmotivada para seguir com isso tudo,s sabe?! A verdade é que uma boa conversa me atrai tanto quanto um sorriso e muito mais que músculos salientes. E ele é um cara de um lindo sorriso e músculos saltantes, o que me complica.
Não sei o caminho que vamos seguir, se vamos nos ver ou não, mas eu queria pelo menos começar a entender esse cara que já está me tirando o juízo com tantas idas e vindas...

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Olhos fechados, mente aberta

Esses dias tantas coisas têm passado por minha mente que fica difícil acompanhar as ideias e mais difícil ainda, é fazer essa transição do pensamento para o papel. Novos caminhos, metas a traçar, angústias, medos... tanta coisa que o melhor seria escrever, porém não é mais tão simples assim.
Ultimamente minha visão tem estado pior, bem pior. É gradativo. Meus olhos têm me traído. O simples ato de enxergar essa tela me cansa a ponto de dificultar a escrita completa de um texto. Mesmo usando óculos constantemente preciso fazer caras e bocas para ler uma ou duas linhas e isso me cansa muito. Não só os olhos, mas a musculatura da face de modo geral e é claro, psicologicamente. E os amigos, muitas vezes sem querer, perguntam se eu tô vendo tal coisa numa distância ridícula de tão perto mas a reposta é quase sempre negativa, quase absurdo não vê algo tão evidente em uma distância tão pequena.
Tá, é bem engraçado, confesso. Todo mundo rir e eu, como gosto de fazer piada, escracho-me um pouco mais. Rio, mas no fundo sei que as coisas não vão bem.
Ok, pode parecer um auto boicote, não está desesperada procurando médicos com urgência. Mas... não sei. Minha família já tem tantas preocupações, minha mãe tem um psicológico tão fraco, que temo muito contar a real situação e ela surtar como em outras ocasiões. Eu sei que ela ama os filhos como uma leoa e sofre por antecipação. Claro que vou procurar um médico logo mas não desesperada, não parecendo frágil, causando pena. Odeio pena. Uma coisa é compreensão e empatia com problema do outro e outra bem diferente é pena. Sentir pena é ver a outra pessoa como uma coitadinha que não tem forças ou apoio (moral ou emocional). Pena diminui as pessoas. Já sou fisicamente pequena, não aceito que tente diminuir meu ser.
Sinto que meus olhos estão desistindo da luz. Por vez se fecham, vencidos pelo cansaço, embora eu não queira parar de tentar tão cedo. Vai chegando o momento que os outros sentidos se desenvolvem. Por vezes fecho os olhos para tatear, para cheirar e ainda para ouvir.
Fui para um show dia desses e meu óculos quebrou. Tudo bem, eu já não estava enxergando bem mesmo, mas ficou pior. Pensa que eu fiquei mal humorada por não poder mais ver o show? Não mesmo. Não desisti do meu show, fechei os olhos e me concentrei nas canções; Senti o arrepio causado pelos acordes, senti alegria. Sorri. Mesmo sem ver aproveitei tanto quanto pude e os amigos vez ou outra me chamavam para uma localização melhor, para ver o músico principal, mas na real, eu nem me importava. Ouvir era mais importante naquele momento.
Vejo tanta gente por ai em situações tão piores. Não, não penso que só por isso devo ignorar a dimensão do problema mas também não quero colocar esse problema como o centro dos meus dias, minha grande preocupação e objetivo de vida.
Por mais que faça essa pose de durona e tudo mais, me incomoda. É claro que me incomoda não poder ler meus livros como antes, ver alguém a distância, escrever... Porra, até flertar é difícil. Mas creio que há um tempo certo para todas as coisas.
No tempo certo encontrarei a solução e, quem sabe um dia, possa enxergar razoavelmente bem. Vai saber, né? Não é isso para isso (também) que a fé existe? 

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Sobre um cara que floresce


Lembro-me que na época em que o download virou febre eu trocava muitas músicas com meus amigos. Entre essas trocas uma amiga me veio com a Banda Eva. Sim, eu já havia ouvido há muito tempo, na época da Ivete, uma vez que meu pai tinha um disco em casa, porém as músicas que ela me indicou eram cantadas por um cara, um tal de Saulo Fernandes. Nunca tinha ouvido falar, mas gostei das músicas. Montei uma playlist com umas onze, doze músicas e ouvi por um tempo. Eram boas mas não me tornei fã.
Depois desse primeiro contato, já esbarrei com a voz de Saulo outras vezes, por indicações de outros e fazendo parte da minha trilha sonora em momentos específicos, mas foi o Baiuno que me aproximou de vez. Esse álbum traz muito mais que música, Traz a essência de Saulo e da Bahia, ou vice-versa, tanto faz. Há beleza branda, simplicidade, pureza, alegria, luz e amor, muito amor. É simplesmente lindo e eu, como fã assumida de música boa brasileira, não pude resistir e me apaixonei logo nos primeiros acordes. Para completar vi alguns vídeos de músicas, shows e entrevistas de Saulo e constatei que ele é um cara especial.
Na maioria das vezes usava roupas largas em tons claros e chinelos. Falando ele mais parecia declamando poesia: baixo, suave, sem pressa e carregado de sotaque. Um cara simples, humilde, mais que tudo isso um cara humano. Não, eu não sou tiete, não sei da história dele, muito menos de todas as música, álbuns e agenda de show. Sei muito pouco na verdade, mas me encanta a leveza dele e principalmente sua sensibilidade. Ele sente muito tudo ao seu redor e consegue filtrar e canalizar sentimentos bons através de sua música. E num mundo como o nosso, sentir é algo tão raro que impressiona. Hoje em dia a grande maioria da população está completamente insensível as dores do próximo e aos absurdos causados pela falta de respeito e amor. 
Saulo mostra, sem querer (ou querendo mesmo), que o mundo tem jeito. Mostra que amar seu povo e suas raízes te fazem entender muito mais de si e do mundo que você está. Mostra que o saber, educação e gentileza fazem diferença e que o bem que você faz sempre volta pra você. O universo realmente presenteou o nosso povo quando nos enviou um cara com tanta alegria, sensibilidade e simplicidade justamente nessa época de novinhas recalcadas, falsetes, menor de idade matando por trocado e político com amnesia absurda.
Nosso país tem sim músicos fantásticos mas conheço poucos caras, com a projeção dele, tão simples. A maioria ou torna-se soberbo por saber que é bom ou que compõe duas ou três músicas de sucesso e já se consideram melhores que Cartola ou Caymmi.
Amo música e sempre que posso procuro saber sobre seus compositores, cantores, a história. O processo que há por trás da criação me encanta tanto quanto ou mais que a composição em si. A essência das pessoas me fascina, acho que já comentei isso aqui. É compreender o lado de dentro.
Ir a um show de Saulo e vê sua luz brilhar de perto, vê ele fazendo aquela mágica de levar amor e leveza através da voz me encantou demais. Repetiu o coro em favor da alegria. Fez florescer sorrisos. Onde ele estiver haverá carnaval.

É um grande orgulho (e alívio) saber que existe pessoas como ele, tão singulares e diversificadas ao mesmo tempo. 
É tempo de se fazer prece ao coração.
Enraizar e emanar o bem. 
Levar luz.
Axé!

Por onde for floresça
Serena que nem água de poço

Risque a palavra feia

E que não falte fé

Converse com o céu

E convença o universo

A girar no seu tempo

Por onde o vento assoviar



Navegue em maré que flui
Como cafuné em silêncio
Ama o sol que é tão bonito
E ainda acredita no mundo



Que o amor é a melhor companhia

E a luz do abraço cresceu o desejo

De eternizar a respiração

Por onde for... será seguro
Estarei com você
E tudo que a gente aprendeu é liberdade
Por onde for... leve seu guia... o coração
Floresça - Saulo

Axé: saudação utilizada para desejar votos de felicidade e boas energias.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

A noite

Qual é o peso da culpa que eu carrego nos braços
Me entorta as costas e dá um cansaço
A maldade do tempo fez eu me afastar de você

Te contei tantos segredos que já não eram só meus
Rimas de um velho diário que nunca me pertenceu
Entre palavras não ditas, tantas palavras de amor
Essa paixão é antiga e o tempo nunca passou

E quando chega a noite e eu não consigo dormir
Meu coração acelera e eu sozinha aqui
Eu mudo o lado da cama, eu ligo a televisão
Olhos nos olhos no espelho e o telefone na minha mão


Tiê