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terça-feira, 31 de julho de 2018

Casa

Acordei no horário habitual, li algumas notícias e levantei para me cuidar para ir pro trabalho e resolvi caprichar um pouco, só para chegar diferente. 
Coloquei uma playlist que gosto e deixei no aleatório, até que tocou aquela música, aquela, e me trouxe a discussão de ontem com meu namorado por causa da minha mãe, da discussão com ela há alguns dias, e do tempo ruim.
Trata-se de uma música cristã que questiona Deus como pode nos amar tanto mesmo sendo o que somos. Ela sempre me emociona muito e hoje não foi diferente, fui as lágrimas.
Lembrei do tempo que frequentava casa dEle como visitante, claro. Nunca foi minha morada também. Lembro que no tempo ruim eu gostava de ir lá, orava, chorava, cantava e me sentia bem, preparada para a semana pelo menos. Minhas válvulas de escape já não eram suficientes e eu me sentia uma senhora de 89 anos quando tinha apenas 15, 16, cansada como se carregasse o mundo nas costas (e era mais ou menos isso mesmo, meu mundo, o que eu conhecia, dependia muito de mim). 
Em casa haviam muitos problemas e cada um lidava como conseguia, eu assumi características permanentes como um ar de independência que chega a incomodar e dificultou algumas coisas na minha vida. Como não teria essa característica se eu tinha q assumir responsabilidades, se não tinha como contar com outros, para quem justificar? Pai, mãe? Não eram opções. Irmãos mais novos? Eu era a referência...
Frequentar a casa dEle me fez bem e eu até chamava minha família e até que eles foram algumas vezes, mas... o problema do meu pai com álcool me afastou de lá. 
Ele começou a ficar diferente, querendo ser todo certo mas n conseguiu vencer o vício então deixou de frequentar. Na igreja começaram a me perguntar por ele, porque ele não estava indo e até comentando que o haviam visto (eu bem sei o estado que ele estava quando o viam baseando-me pela forma que ele chegava em casa) aí eu parei de ir. Não quero parecer ingrata após ser acolhida mas  sentia-me envergonhada por ele ter chamado tanta atenção e logo saiu, por todos olharem para mim perguntando por ele.
Passei muito tempo sem entrar em uma igreja novamente e das vezes que entrei não me senti bem como antes. Não culpo minha família também, eu não quis mais ir no fim das contas, mas, ali na cozinha ouvindo aquela música enquanto fazia vitamina e chorava me lembrou da igreja e da sensação de estar lá e me senti abraçada a todo instante. Acolhida, consolada em paz. Mesmo que tivesse que voltar correndo para casa ou passar a noite acordada num hospital, imaginando uma diferente, ou lembrando coisas.
O que somos hoje é consequência de uma série de erros e acertos, escolhas, pessoas e situações. 
Como pode me amar, Deus?
Fui para o trabalho pensativa e acho que agora, após escrever, acalmarei um pouco minha mente.

 A música: 

Como pode me amar, Deus?
Conhecendo o meu pecado
Sabendo o que eu faço de errado
Como pode me amar assim?

Como pode me amar, Deus?
Sabendo que eu sou falho
E que o meu coração já não bate
Mais como já bateu?

Como pode me amar, Deus?
Sabendo que eu fugiria
Se a porta estivesse aberta
Como pode em mim confiar?

E ainda me pega quando estou caindo
E me abraça quando estou chorando
E segura as minhas mãos
E me leva pra perto das chamas de amor
Que ardem em Teu coração e não se podem conter

Como uma flecha que estoura em meu peito
E me traz de joelhos enquanto eu choro
Tenha o meu coração
Minh'alma soluça
Quando eu percebo o contato de Seus olhos com os meus

Como pode me amar, Deus?
Sabendo o que eu diria
Sabendo que eu me frustraria
Como pode me amar assim?

Como pode me amar, Deus?
Sabendo que eu Te culparia
Pelo que não foi como eu queria
Como pode me amar assim?

Como pode me amar, Deus?
Sabendo que eu me fecharia
Quando Você quisesse entrar
Como pode em mim confiar?

E ainda me pega quando estou caindo
E me abraça quando estou chorando
E segura as minhas mãos
E me leva pra perto das chamas de amor
Que ardem em Teu coração e não se podem conter

Como uma flecha que estoura em meu peito
E me traz de joelhos enquanto eu choro
Tenha o meu coração
Minh'alma soluça
Quando eu percebo o contato de Seus olhos com os meus

Me leva pra casa
Eu quero voltar
Pois longe de Ti
Não é o meu lugar

Eu corro depressa
Pra Te encontrar
De braços abertos
Como alguém que esqueceu

Me leva pra casa
Eu quero voltar
Pois longe de Ti
Não é o meu lugar

Eu corro depressa
Pra Te encontrar
De braços abertos
Em meu lugar

Me Leva Pra Casa - Israel Subirá

sábado, 18 de novembro de 2017

Rainha das limonadas

Há alguns anos falei aqui como era difícil ser a Pedra, a Rocha da casa, que aguenta tudo, por todos. Na época eu estava no meio do furacão que durou alguns anos da minha vida, os que deveria ser os mais divertidos - infância II e adolescência.
Hoje em dia eu tenho esse assunto como um passado; chato, doloroso e importante passado e falar dele ainda é algo que requer organização das ideias, embora eu esteja me saindo relativamente bem ao longo das tentativas.
Quando eu tinha uns 10 ou 11 anos fiquei sabendo, sem entender bem, que minha mãe não estava feliz no seu trabalho, já tinha um tempo, e estava sendo acompanhada por psicólogo e psiquiatra, fazia terapias individuais e grupais. Pouco tempo depois eu aprendi o que era assédio moral e que ela passava por isso com sua chefe. Uns dois anos mais tarde, quando minha avó paterna faleceu, aprendi o que era depressão, TOC e bipolaridade. E medo.
Eu tinha muito medo: medo de perder a pessoa que mais amo dessa vida, medo de sair de casa e acontecer alguma coisa, medo das variações de humor, medo do conteúdo das próximas frases, medo de perder a paciência e falar ou fazer o que não deveria... era tanto medo que tirava-me o sono, a paz. Eu tinha pesadelos constantemente e não queria sair de casa, ou se saia era com pressa para voltar, porque eu tinha que pelo menos ficar de olho, por perto, atenta (sempre alerta!). Isso na adolescência é um saco porque é nessa época que você, geralmente, vai descobrindo as coisas da vida, é quando você apronta e faz as histórias que contará para as próximas gerações. Eu não, não tenho muito para contar. Naquela época eu mal via minha mãe, ela dormia o dia todo, quer dizer, vivia dopada, e quando acordava era madrugada. Andava pela casa toda e só nos via dormindo. Ela, que costumava fazer nosso café só voltou com a prática anos depois e mesmo hoje em dia, com todos crescidos e independentes, ela faz questão de preparar.
Bom, mas voltando àquele tempo, sem entrar mais em tantos detalhes, essa fase foi difícil para todos: meu pai se jogou com vontade na bebida, minha irmã arranjou mil e uma ocupações, meu irmão, na época uma criancinha passava o dia assistindo ou jogando e, a medida que foi crescendo foi tomando várias responsabilidades para si e hoje parece um velho: não sai de casa, poucos amigos, mania de limpeza e organização. Cada um procurou sua válvula de escape, sua forma de se adaptar e levar a vida até que as coisas melhorassem. Aposto que você está se perguntando por mim, o que esta que vos fala fez: Arranjei minha válvula também, ué: me lancei nos fones, livros e cadernos. Passei a escrever tudo que sentia, refletia ou queria sentir. Inventei histórias, criei novos meios, novos finais e, na boa, acho que não escrevo tão ruim (hoje em dia, pelo menos). Ah, além de arranjar minha válvula e acabei virando pedra, digamos assim, porque né, vamos combinar, era foda, muito difícil encontrar um pontinho de equilíbrio então eu não deixava ninguém mais entrar na minha vida (de problema e choro já bastavam os meus, né mores?!).
Há um tempo, li um texto que dizia que, para se relacionar, as pessoas precisam baixar a guarda, afinal, se você não precisa de ninguém (nunca, para nada) por quê alguém vai querer está perto de você? Autossuficiência em relacionamento é furada pois você se torna uma pessoa que nunca encontrar alguém a sua altura. Sabe que eu achei interessante e até concordei?! Não tinha pensado nisso, mas faz bastante sentido e me identifiquei. Sei lá, pensei na minha vida. Bom, eu me fiz (ou fui feita) dura. Penso que precisei o ser. Era isso ou isso. Sentir medo e pedir colo para a mamãe? Orientação do papai? Nem pensar. Alguém brigou comigo na escola, chorar por isso? Não mesmo (dá teus pulos, garotinha!).
Na falta, eu tinha que me virar e ainda ser essa pessoa pros meus irmãos mais novos. Eu acho que virei uma pessoa que não precisa, emocionalmente de ninguém, criei várias barreiras, cascas e foi isso. Me viro como dá, aprendi a usar os limões que a vida me trouxe, sou a rainha das limonadas (e caipiroskas também).
Alguém tinha que segurar as ponta né, então eu fui. Por mim e por eles. No meio do processo ouvi muita coisa injusta, palavras ásperas carregadas de raiva, do tipo que magoa mesmo e dói sempre que lembrada (por isso bloqueei-as). Chorei quieta e sozinha várias vezes, procurando/pedindo soluções/direções. 
Hoje as coisas são mais "leves". Hoje eu já falo mais sobre isso, procuro textos e filmes emocionais exatamente para isso: para sentir, não ser mais tão dura. Tenho praticado essa coisa de permissão também. Me deixar precisar, querer, não ser uma pedra. Ser mais flor. Kkkkk pode rir, é engraçado. Não sei ser fofa, nem meiga, nem carinhosa. Não cresci assim, segui mais a linha do "ser forte, resiliente, cuidadosa e protetora", mas estou tentando ser mais carinhosa, embora seja um desastre nisso. Atualmente, quando vejo que temos mais dias bons que o contrário, quando a vejo rir não tenho mais medo que após a euforia venha a tristeza profunda e amarga. Hoje sorrio e respiro orgulhosa e aliviada por termos saindo daquela, por ela ter vencido, por estar ali, rindo tanto que chega a chorar.
Sim, hoje estamos bem.

P.S.: Foi um verdadeiro "parto" escrever esse texto. Parir cada frase dessas, que me lembram essa fase. Cada letrinha foi carregada de incontáveis memórias. Por sorte os partos não trazem só dor, há principalmente a alegria do novo, do nascimento, da mudança. Uma nova perspectiva, um novo ciclo se iniciando.

sábado, 28 de outubro de 2017

Tentando explicar

- Por que você não diz que me ama se o sente?

- Porque não posso.

- Por que não pode?

- Porque não.

- Poxa, tenta explicar pelo menos.


(Respira profundamente) 

- Porque não posso dizer algo assim quando penso frequentemente em terminar. Penso que ex é alguém do passado, que passou e não existe isso de ser só amigos em nome dos bons tempos. Não. Existe. Amigos dá para ter aos montes e ainda arranjar uma dúzia novinha. Você foi ainda mais longe, não tem amizade mas tem uma criança, o que leva a um vínculo para o resto da vida com a digníssima ex esposa.
(Inspira profundamente de novo porque percebe que falou tudo em uma única expiração) 
Eu nunca quis algo assim para minha vida e não vejo-me adaptando a isso, também não vejo como você poderia não ter esse contato porque é impossível. Não é uma realidade que eu me sinta à vontade, de boas e quero que entenda que por isso que a tal frase nunca vem, acredito que as vezes verbalizar em alto e bom som tornam as coisas muito concretas e, você sabe posso ir a qualquer momento e pode ser uma merda porque nos gostamos então não posso dizer que o amo e na semana seguinte, por exemplo, te tornar um ex, e você já sabe o que penso sobre ex.
Entenda que aguentar algo e ficar remoendo não é mais algo natural para mim. Frequentemente penso que  não posso mais ficar no meio disso porque não há forma de ser diferente, aí fico porque gosto de você mas isso fica guardado em mim, me incomodando, acumulando. Veja bem, eu acho muito mais digno levantar da mesa e bater a porta ao sair quando algo não está bom para mim e é isso que sempre faço. E é o que penso em fazer quase sempre.
Pronto, falei.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Tem que ser inteiro e não pela metade


Hoje acordei assim, sei lá, "bugada". Não sei. Na verdade fui dormir assim.
Fico pensando em como tudo está e como você vai me ganhando mesmo que eu dificulte todo o processo. E eu vejo o quanto você é  bom e não tem culpa dessas peças que a vida nos prega mas a cada mês eu sinto isso (e não é TPM). Eu não consigo me sentir à vontade com alguém do seu passado tão presente, tão futuro. Tão mais fixo do que eu. E por isso eu tento a todo custo colocar na minha cabeça que não devo me preocupar com isso, que sou passageira, que logo seremos só um capítulo na história um do outro. Nada é, tudo está.
Eu tento com tudo que posso guardar partes de mim: histórias, amigos, família, declarações importantes. Eu tento propositalmente não ser inteira, enquanto você se dar com tudo que pode. Eu queria que fosse pouco menos assim atencioso, preocupado, persistente, presente, carinhoso. Eu queria que você tivesse uns defeitos mais gritantes, suficientes para eu usar como armadura para sair daqui. Não consigo e sinto que a cada dia você arranca mais um pedacinho de mim e isso vai tomando proporções que fogem ao meu controle cético. 
Eu entendo seu lado e que você precisa e deveria ser tão amado quando ama. Eu queria não ser assim, queria aceitar tudo de forma amena, leve. Eu compreendo tudo, toda a situação mas, não consigo me sentir bem com tudo isso, por mais que eu esteja tentando. 
E não digo as coisas que sinto para que, caso o fim chegue logo, não doa tanto em nós. Evito que você conheça todos e tudo de mim para que não doa tanto em nós. 
Eu sou tão distante para não doer tanto em mim.
Uma covarde, eu sei, eu sei. Mas você já viu quantas vezes eu tentei seguir sem você? Quantas vezes argumentei e ainda assim você aparece com essa mania de querer consertar tudo com paciência... ai eu não aguento. Na verdade você conserta tudo enquanto desmonta minhas armaduras e armadilhas.
Preciso que me deixe ir, não consigo ir sozinha. Além disso, eu não sou a melhor pessoa para você, eu sou metade e você inteiro. E sou ausências e você presente. Você é do "eu te amo" e eu "uhum, eu sei".
Ainda que eu sinta, não posso dizer, não é justo quando eu penso dia-a-dia em terminar ao passo que me vejo fazendo planos e te incluindo em conversas. Para o nosso problema não há solução que venha se não por uma mudança em mim, a qual tento há meses e nada progride. A única parte em nós que me faz mal poderia ser a que nos afastaria?


Essa não é mais uma carta de amor
São pensamentos soltos traduzidos em palavras
Pra que você possa entender
O que eu também não entendo
Amar não é ter que ter sempre certeza
É aceitar que ninguém é perfeito pra ninguém
É poder ser você mesmo e não precisar fingir
É tentar esquecer e não conseguir fugir, fugir
Já pensei em te largar
Já olhei tantas vezes pro lado
Mas quando penso em alguém é por você que fecho os olhos


O que eu também não entendo - Jota Quest

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Eu escolhi você

Ó, só pra você saber, eu escolhi você.
E, por favor, não me venha com gracinhas falando daquela música da Clarice Falcão. Sério, aposto que você não acredita mas, sim, eu te escolhi. Fica quieto ai e me deixa ser fofa.
Quando aparecestes eu estava conhecendo outros caras, confesso. Nada grandioso, só passando tempo, afinal, eu não estava fazendo nada mesmo... Bom ai você apareceu, e eu ignorei educadamente. Uma, duas vezes. O terceiro "Oi" me deixou intrigada, como esse cara ainda insiste véi?! Vou ver qual a dele, pensei e foi o que fiz (e fico feliz por isso). Por que te escolhi? Você veio com aquela história que me observava desde os tempos de escola (isso já faz tanto tempo!) e eu achei tão estranho. E original. E criativo. E bonitinho (ainda que pudesse não ser verdade). Foi um elemento surpresa, sabe?! Eu não esperava algo assim e isso me despertou curiosidade. De cara achei você muito corajoso ou muito louco (ou um pouco dos dois), por que dizer coisas assim, numa primeira conversa... É de uma verdade tão crua que assusta pessoas que não estão muito afim de coisas sérias (como eu).
Ok, continuando... E ai, conversa vai, conversa vem, não demorou muito para que víssemos nossas diferenças ideológicas e eu gosto tanto de conversar sobre tudo, mas quando começávamos... não dava muito certo e por vezes achei que era hora de parar mas, porque continuei? Primeiro porque você é insistente/persistente e segundo porque acho que, podemos tentar nos ajustar. Não para caber um no outro, mas sim para somar, expandir horizontes para ideias e vivências novas a partir da tentativa de enxergar o mundo do outro, testar um novo ângulo. 
Eu escolho você, não por não ter outras opções, mas por achar que você é a melhor opção, agora. Por você ter essa paciência, essa sinceridade crua de criança, esse jeito todo sentimental que equilibra um pouco meu lado insensível (mais insensível que uma mula, não é mesmo?). Eu gosto da sua perseverança, essa coisa de achar que todas as coisas podem dar certo quando eu me estresso e quero jogar tudo pro ar (porque não tenho paciência mesmo). Eu gosto dessa mansidão que freia meus devaneios. Gosto do teu olhar forte que às vezes se faz pidão querendo beijo. 
Por que escolho você? Porque desde as primeiras conversas senti que deveria tentar, que poderia valer e até agora, não estou arrependida. Se estou apaixonada? Não, ainda não. Se quero que acabe? Não, pelo contrário: quero mais disso tudo, mais de você. Quero aprender a ser carinhosa e fofinha (kkkkkkkkkkkk). 
Vai me ajudar, pessoa?

Beijo!

P.S.: Ainda vai demorar muito? Tô com um pouquinho de saudade.
Sério, venha logo.

 P.S ²: essa última estrofe da música (defeitos, jeito torto, confusão...) combinada mais comigo do que com você.

Quem vive de princípios
Não tem meios, nem fins

Eu quebro as minhas leis
Pois só assim elas pertencem a mim



E eu que sempre fui da turma do talvez
Me joguei sem paraquedas no sim



E eu escolho você com todos seus defeitos
E esse jeito torto de ser
Eu escolho você, destino imperfeito
Todo carne, osso e confusão

Escolho você - Sandy

sábado, 24 de dezembro de 2016

A expectativa

Eu estava aqui relendo aquela conversa e fiquei imaginando como seria o fim se o meio tivesse sido diferente. Se você tivesse dito as coisas certas, os argumentos certos, será que teria sido diferente? Será que me faria ficar? Pensei em coisas que você poderia ter dito. Segue abaixo:

O que tenho para falar não é fácil, é uma exposição de uma parte que eu temo e não gosto mas que faz parte da minha história.
Eu namorava uma garota e a gnt brigava mt mas insisti em levar adiante e casar pq n eram só brigas, tínhamos bons momentos e era isso que me mantinha. E eu gostava dela e, as vezes ela parecia tb gostar de mim. Mas no dia q ela disse q pensou em outro estando comigo, parei de insistir. Não podia continuar, por mais q a amasse, se ela n estava comigo, se n era mais minha (se é q um dia foi).
Após EU dar início ao processo de divórcio ELA continuou a me procurar, dizendo me amar, estar arrependida, querendo tentar novamente e... eu fui fraco. Cedi porque queria acreditar nela, acreditar q ela estava sendo sincera, acreditar q eu n tinha me enganado tanto assim ao escolher ela para ser minha Mulher. Mas, com todas as tentativas não foi possível, não era p ser no fim das contas (só hoje vejo isso) e depois de um tempo ela me apareceu dizendo estar grávida e isso, essa possibilidade me ronda e essa história toda me assusta pois cada vez que eu tentar conhecer alguém isso pode aparecer e eu não sei como explicar e me fazer entender e fazer com que fique apesar da minha história. 
Eu n acho que seja uma parte boa da minha vida, não tenho felicidade em contar, mas ela faz parte de mim e me ajudou a ser quem eu sou hoje. Serviu de aprendizado e diante de tudo, eu sei que não é fácil, mas eu quero que você fique. Quero você na minha vida e quero aprender coisas novas com você. O passado tá ali mas quero o presente e o futuro com você. Eu sei que é muita informação, que não é fácil mas te quero. E ai, topa?


Eu só queria entender e precisava que você tentasse me explicar. Eu sei que dirá que não escreve assim, como eu, mas eu queria que tentasse do seu jeito me dizer aquilo que importa.
Porra véi, se dissesse algo assim, se pelo menos tentasse explicar eu tentaria entender melhor... o fim não precisaria ter sido ontem, nem daquele jeito. Mas preciso reforçar (de nooovo) em mim que você não é assim e eu não posso te mudar. Então eu não posso continuar, não por gostar pouco ou por ser incompreensível. Não é isso, mas você se valoriza muito pouco e esse pouco me incomoda. Não que você seja ruim comigo mas como foi/é com você mesmo.

O murchar daquela planta

Hoje o dia foi atipicamente cheio e cansativo. O que foi ótimo, considerando que eu precisava de outros assuntos para ocupar minha mente, que não seja aquele que ronda desde ontem. Agora estou sentada diante da tv assistindo o primeiro filme que apareceu na netflix, comendo brigadeiro de panela após tomar dose de vodka só para esquentar um pouco essa noite estranhamente fria nessa cidade. Percebo agora que mal comi hoje o que também não é problema, não há fome aqui mas, vamos ao que interessa né?!, suponho que você espera por um posicionamento meu após tudo que disse e sei que esperar deve ser horrível. Espero não está sendo precipitada com minhas próximas e longas linhas.
Primeiramente quero que saiba e grave bem em sua mente que não me incomoda o fato de você ter sido casado e que possa ter uma filha fruto dessa relação. Isso não me incomoda, ok?! E, respondendo a sua pergunta mais frequente, não estou chateada. Na verdade, chateada é um adjetivo muito simplista para tudo que há em mim e que ainda não há nome mas, que se tivesse algum, seria algo próximo de decepcionada, desapontada ou coisa assim.
Sabe, o que mais me estarreceu em tudo que você disse foi o fato de insistir em uma relação que desde o início dava sinais de fracasso (Porque isso?), ainda assim casar e com tudo que aconteceu durante o casamento continuar insistindo e pior, após o início do processo de divórcio ainda se encontrarem. Em minha cabeça isso tudo soa tão absurdo que eu não consigo entender. Tipo, porra, cadê seu amor-próprio, seu respeito por si? Insistir em migalhas é tão triste e de uma pequinês tão... sério, essa é a pior parte disso tudo para mim; não é a o casamento, nem mesmo a criança, é isso. Isso é o que começou a murchar o tal brotinho que falei em outro texto, isso é o que implica na minha decisão.
Eu não posso lidar com isso. E sabe o que é engraçado? Lembrar que ontem mesmo eu estava começando a pensar que talvez fosse você. Começando a achar que você era o cara que eu estava esperando, o que eu ia apresentar para minha família, veja só. Achei que te mostraria um monte de músicas e textos que leio vez ou outra ou até mesmo te ler todos os textos que te fiz, mas agora não faz mais sentido para mim. Impressiono-me como tudo pode mudar tão rapidamente. Eu estava a pensar que sua incansável insistência era por me querer demais o que te fazia passar por coisas que, eu no seu lugar não aceitaria de jeito nenhum. Mas agora vejo que talvez a insistência seja um padrão seu e, o que parecia ser algo bom passou a ser péssimo. É como se você insistisse não só pelo que vale mas também pelo que te destrói. Eu não gosto de pessoas autodestrutivas e não quero isso para você, não quero isso para mim também. Não sei se você é assim ou foi assim. Como vou saber?
Eu gosto de você, tenho carinho, me preocupo e por isso mesmo te digo que você precisa rever suas ações e seu posicionamento diante das pessoas e até mesmo da vida. Você não pode aceitar pouco, migalhas. Você merece coisas boas, leves e inteiras e não deve aceitar menos que isso. Não aceite que te pisem, não implore presença, se ame. Se baste. Quando você for completo com si e conseguir se sentir bem em sua companhia ai você poderá está com alguém e assim, compartilharem alegrias. Eu gosto de você mas parece que você não se gosta tanto assim e, desse jeito, eu não quero e é por isso que não quero continuar. Que fique claro, não pelo casamento ou filha, mas por isso.
Espero que não leve isso como mais uma história que não acabou bem. Espero que consiga tirar algum proveito disso. Eu ficaria muito feliz se isso te fizesse pensar a respeito de si e te mudar nesse sentido, se achar que precisa, claro. No mais, sei que não é o tipo de texto que queria ler, se há algum consolo nisso, esse é o último.
Fique bem com tudo isso e, se você for o pai, seja o ótimo pai que acredito que pode ser.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Alguém tinha que falar

Sabe, estava aqui lendo alguns textos que fiz esse ano e vi alguns que fiz para você. Isso me fez refletir que faltam duas semanas para o ano acabar e estamos nessa: afastados de novo por conta de (mais) um desentendimento. Pergunto-me quantos desentendimentos ainda virão para que possamos nos entender de verdade, se teremos paciência de esperar até lá, se vale a espera, e claro, se algum dia nos entenderemos de fato. Não gosto desse tipo de situação porque não sei como resolver nem se posso tal feito. Posso, podemos?
Acho que precisamos colocar pontos em alguns I's por aqui, essa situação tem sido desgastante e sinceramente não nos leva a lugar algum, pelo contrário, nos prende, estanca. Quer ter esse tipo de conversa e resolver isso também, ou esse será um texto inútil?


Resolveu continuar a ler? Ok, então vamos lá.

Uma coisa que não gosto: superficialidade. Isso me irrita profundamente, sério, é broxante. Cada vez que você vem com algo físico, apenas físico, fico irritada (e isso faz com que eu erga mais o muro). Vamos ser francos, corpo por corpo há um monte nas baladas da vida (sarados, altos, baixos, gordos, magros, feios, bonitos... o cardápio é extenso). O que diferencia uns dos outros é o conteúdo e é isso que estou procurando. Pode me dar? Isso é o que me atrai e já te deixei ciente disso.


Não há problema em sentir desejo (juro, pode sentir, eu gosto de estar com você também) nem expressar o que sente mas não precisa ser tão direto. Use e abuse das entrelinhas. Siga menos a linha "funk" e mais "MPB", amor. Menos Malandramente, Bumbum granada e mais O meu amor (Chico Buarque), Soneto do teu corpo (Leoni/Moska). Cada vez que você fala coisas que "forçam" intimidade eu subo alguns tijolos nesse murinho que me afasta aos poucos de você e sinceramente eu não quero isso, mas é o que acontece. 

Eu sempre carreguei um orgulho gigante em mim, do tipo que mesmo errada não admitia, do tipo que morria e não falaria o que realmente importa e, veja só como mudei, estou aqui te chamando para uma conversa séria, é até engraçado, sério. Cá estamos afastados de novo e eu me pergunto se você fica na ânsia de falar ou receber alguma mensagem minha ou se está pouco ligando, sabe? Mas eu realmente não tenho mais tanta paciência como tive no passado de aguardar que as pessoas venham a mim para resolver aquilo que ME incomoda. Tipo, se me incomoda eu que tenho que me mexer, afinal estar em paz com si não tem preço, né?

Já percebeu que estamos em um ciclo vicioso? É assim ó: (1) passamos muito tempo sem ver, (2) Saímos e é legal, (3) voltamos a conversar de boas, (4) rola um desentendimento, (5) não tentamos discutir sobre isso então nos afastamos, (6) do nada aviso que estarei ai, (7) voltamos a nos falar, (8) nos vemos - e ai começa tudo outra vez. É um ciclo cansativo, não acha? Consegue ver onde está o passo errado? Acho que é o 5, hein. E eu fico aqui pensando se devo insistir ou não porque, sei lá, eu tenho a impressão que vale a pena, só precisamos de ajustes. Outras vezes eu acho perda de tempo.
Eu odeeeeeio essas conversas chatas, não aguento mesmo, acho, inclusive, que nunca tive tantas assim com outro alguém além de você. E porque já tivemos tantas? Porque eu ainda me importo. Ainda estou nisso.

Mas não sei até quando e caso queira, não somos obrigados. Podemos não mais estar.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Mutantes

Não sei como vim parar aqui está amanhã. De verdade, estava lendo uns textos na minha página e vi que esta página estava entre as favoritas - deve ter sido há um milhão de anos, obviamente.
Bom, chegar e dar de cara com esse texto me trouxe algumas lembranças amargas e lágrimas também. Chorei por (1) agora ser uma pessoa emotiva, lide com isso kkkk e (2) porque acompanhei tudo e sei que o sofrimento era bem maior do que as palavras tão bem colocadas aqui poderiam descrever. Eu sofri com você e fico feliz por saber que essa fase se foi para nunca mais voltar. Obviamente você não lerá nada que há aqui (o que é bom) e abandonou isso como um pedaço da memória que foi esquecido - e deve ser assim mesmo.
O que estou escrevendo é uma forma de expor o que sinto agora, lendo esse texto de um alguém que um dia foi você. Esse alguém não existe mais e sou imensamente grata, de todo coração, a Deus pelas bençãos em sua vida. O "você" que eu conheci, morreu e, sem antes eu falava isso com amargura em cada sílaba, hoje cantarolo de alegria - ele morreu!
Devo ser extremamente trouxa por isso, uma vez que você desprezou minha melhor parte (minha amizade) sem a menor consideração, mas tudo bem. Isso não dói, não mais. Também já não sou aquela que você costumava conhecer. Hoje somos dois completos desconhecidos. E fico feliz com isso, sinal que a vida é mutável e nós somos seres em evolução, mutantes.
Este trechinho que você escreveu particularmente me chamou atenção: "Espero um dia me sentir um pouco feliz, ao menos um pouco, não completamente, por que nunca acho que ninguém conseguiu esse feito."
Espero que tenhas "quebrado a cara" nesta afirmação. Que sim, você esteja feliz, completamente feliz e que tenha visto que isso é possível sim. Com Deus somos mais fortes.

De uma desconhecida que deseja luz em teus caminhos,
Charlote

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Brotinho

Cada vez que te vejo é uma novidade. É como se estivéssemos aguando algo que só cresce, um brotinho de sentimentos bons. Dessa vez fomos para um show, e talvez tenha sido um dos nossos encontros mais longos. Pudemos passar bem mais tempo juntos e com isso percebi o quanto senti sua falta e o quanto eu estava feliz por estar com você (não conseguia parar de sorrir, caso não tenha percebido). Eu não queria me soltar de ti, o que é raro, uma vez que eu geralmente não gosto de grude. Geralmente. Não com você, pelo visto.
Dessa vez pude ver também que você também não conseguia manter as mãos (e lábios) longe de mim - e eu estava feliz com esse arranjo. Vi e senti o tanto de carinho que você me tem e só posso dizer que provavelmente é recíproco. As amigas dirão que é uma piada, que só eu poderia dizer "provavelmente" quando na verdade é algo óbvio, pra elas, mas, sei lá, não sou de muitas certezas, sabe como é, geralmente enjôo rápido. E por falar nelas, amigas, me desculpem, não consigo dar mais detalhes com relação ao último encontro. Não que eu não queira mas, quando procuro as palavras... elas simplesmente não vêm (veja só, logo eu que tenho essa relação de puro amor com as palavras!). Acho que, inconscientemente, quero guardar isso pra mim, entendem? Não é uma questão egoísta (eu acho), só não consigo descrever o quê senti ali, nem como. Acho que não encontraria as termos certos nem que fosse a própria Jane Austin, C. Lispector, Marchado de Assis, Mia Sheridan, G. Lacombe...
Em resumo, foi divertido, agradável e me deixou na expectativa de mais. Mais dos beijos (que variavam do carinhoso à quente) dos abraços, de presença... mais.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Assim, sei lá

Oi!
Olha esse vídeo, uma amiga me mandou e achei tão linda essa música, lembrei de você. Talvez por sua religião, bom, enfim, ouve aí.
Sei que eu sugeri que nos afastássemos mas não tem sido muito fácil do lado de cá, sei lá, me habituei ao teu bom-dia-bb. Acho que nunca comentei com você, com receio que se sentisse mal e tal mas, eu não gosto que me chamem por nada diminutivo: nem variações do meu nome ou que remetam a pequenices. Já sou naturalmente pequena e quando me chamam assim sinto-me ainda menor. Pouca gente eu deixo que me chamem assim, alguns parentes e amigos queridos porque sei que dizem em legítima demonstração de afeto e... você. Desde sempre e isso nunca me incomodou, pelo contrário, vindo de você eu até gosto e se não vem até faz falta.
Não vai acreditar, mas alguns parentes seus subiram no ônibus agora. Que coincidência! - mas poderia ser você.
Sim, pois é. Estou viajando hoje para fazer aquela prova. Desde quinta tento viajar e acontecem contratempos dos mais variados: fiquei doente do nada e fiquei boa do mesmo modo, pedi a hora, o carro quebrou... fico até pensando que por algum motivo não devo ir, queria ter comentado isso com você antes de ter saído, sei lá, agora a operadora não pega.
Eu queria ter te visto para aquela conversa. Queria ter te abraçado e tentado olhar nos teus olhos também, mas acho que não tenho essa maturidade e autocontrole todo não, antes de começar a falar já teria desistido.
Provavelmente isso de não querer mais tentar por causa de nossos posicionamentos ideológicos te pareça coisa de doida, e é. É que eu sinto que a troca mental é essencial em tudo, você precisa ver quando eu me empolgo em uma conversa, ganho a aparência de uma criança vendo presente de natal. Informações novas e diferentes, me encantam. Eu gosto das linhas de pensamentos exclusivas, do que mostra um ponto diferente entre os clássicos preto e branco. Isso tudo me atrai tanto! E eu queria que tivéssemos isso. Queria que trocássemos ideias sobre tudo e que você me encantasse com algo que eu nunca tenha pensado antes, e eu possa dizer "mas num é que faz sentido?" Queria que você dissesse: olha eu não estou muito certo disso mas vou ler em outras fontes de depois continuamos - e continuássemos de fato.
É difícil tudo isso. Talvez eu tenha te idealizado algo irreal por querer que funcionássemos e eu sinto muito por isso, por ter te esperançado um futuro mais duradouro.
(Essa coisa toda tá ficando meio bad. Nota mental: não enviar nem a pau)
Ainda assim, não consigo parar de falar contigo e você não deixa meus pensamentos, nem mesmo durante o sono. Será que isso passa? Porque tenho a sensação de estar tomando uma decisão errada? 
Vamos ver o que o Sr. Tempo faz.
Fique bem, beijo.

Hein?!

Sabe, eu gosto de você e não tenho me cansado de dizer isso, talvez para convencer esse meu lado teimoso que é dominante. Não sei bem como nem porquê, mas gosto. Com o tempo aprendi a te admirar, ver qualidade que nem sei se você as reconhece em si. Aprendi a te respeitar, me preocupar com você e querer bem. E fico feliz em sentir essas coisas por você, te acho integro suficiente para ter minha afeição.
E acho que esse gostar tem me confundido um pouco, por exemplo, tem acontecido umas coisas estranhas desde que você apareceu e mais ainda depois que nos afastamos. Eu sempre fui uma pessoa bem desprendida, bem de boas. Ciúme não é uma palavra que faça parte do meu vocabulário. Ou não era mas, ultimamente tenho visto seu perfil mais vezes do que o tradicional "uma vez na vida". Vejo quase todos os dias e não me reconheço quando saio olhando os comentários das postagens. E mais, não sei que voz é essa na minha cabeça que fica perguntando "Quem é essa?" quando ver algum comentário de alguma garota. Sério, essa não sou eu, o que você está fazendo comigo?
Deve ser fase né?! Vai passar, sim vai, sempre passa.
Mas se ligue nessas amiguinhas, ai hein?!

domingo, 13 de novembro de 2016

Nota de amorzinho

O dia de hoje foi, sem dúvida, contraditório. Como pode alegria e tristeza habitarem o mesmo ser ao mesmo tempo?
Você foi embora e a casa imediatamente tornou-se um vão... Tá tão vazio agora, é uma sensação tão estranha não te encontrar no sofá da sala me chamando de "meu amor", puxando o R dessa forma que eu achava irritante, com esse sotaque tão seu que até aprendi a gostar.
Apesar disso me alegro ao pensar nos nossos dias juntos. Vinte e um dias podem parecer nada mas nós dois sabemos que eles foram suficientes para nossas certezas em nosso amor e na veracidade dele.
Eu sei, a distância vai doer tanto aqui quanto aí, mas nós vamos superar essa "pequena barreira," afinal nós fomos escolhidos por Deus para viver essa história e Ele há de nos fortalecer para superarmos as adversidades.
Em breve estaremos juntos de novo, vamos ser fortes. Nos falamos mais tarde, assim como temos feitos todas as noites, desde que começamos a nos falar.
Fique bem, amo você!

Nota de esquecimento

Desculpa, ainda não sou capaz de curar minhas próprias mágoas.
E eu ainda sustentei uma esperança de que não era você falando daquela forma, agindo de tal maneira. E realmente não era. Você deixou de ser você, de ser quem eu conheci na infância, há muito tempo e eu não quis acreditar que alguém pudesse ser tão sem personalidade e caráter assim; Eu acreditava que seriamos amigos até perdermos os dentes e ganharmos netos.
Eu precisava viver isso para aprender que não devo dar à alguém tanta importância em minha vida sem ter a consciência que posso passar por outras duras lições.
Não posso obrigar ninguém a ficar. E, sabe, mesmo que pudesse, acho que não quereria. Permanecer deve sempre ser um ato espontâneo e, além disso, você não me parece mais tão bom amigo e agradável quando costumava ser.
Então é isso, não te contarei mais sobre minhas viagens, nem mandarei meus textos, assim como não saberei das suas crises emocionais. E sinceramente, acredito que ficaremos bem longe um do outro.
Fique bem.
Mas bem longe de mim, que fique claro.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Quando a presença pesa mais

É interessante como me sinto bem perto de você.
Sei lá, eu gosto de estar, mesmo quando há silêncio sem fim. Nós nos olhamos, depois olhamos para os lados, rimos e continuamos ali, contidos no silêncio, no abraço, no carinho. Quando a gente não fica muito à vontade perto de alguém e falta assunto, rola um silêncio constrangedor, irritante e todo mundo busca algum assunto, qualquer um, para matar o silêncio. Eu não, eu amo silêncio. Nos falamos sempre mas quase não nos vemos e quando isso acontece eu quero sentir sua presença. Ficar abraçados, fazer carinho, mexer no cabelo um do outro... não precisamos de palavas para sentir presença.
Lembro de uma vez que saímos, acho que foi a primeira (e única) vez que saímos de verdade, sem a pressa, sem olhar a cada minuto pro relógio. Éramos só duas pessoas se encontrando para passar um bom tempo juntos numa tarde de sábado. Nesse dia eu estava mais à vontade que nunca, minhas roupas falavam por si: short, camiseta básica e chinela. Depois fiquei pensando "Sério que eu sai como se fosse no supermercado?", sim, sai. E não estava largadona por não me importar mas sim por me sentir à vontade ali, com você. Não tinha aquela sensação de causar uma boa impressão, nem seduzir, nem da nada assim, só me sentia bem de um jeito que não precisava ficar desconfortável de forma alguma, nem pensar em cabelo, salto ou maquiagem. Bem de um jeito que eu só fico perto dos amigos e família, ou seja, dos que quero e me fazem bem.
Não sei você, mas eu me sinto bem com o silêncio entre nós, dá uma sensação de estar em casa após um dia cansativo. Sabe aquela paz de enfim chegar em casa após um dia ralado no qual você acordou tarde, perdeu ônibus, levou puxão de orelha do chefe, ficarou até mais tarde no trabalho, pegou busão lotado na volta e ao fim do dia (enfim!) poder tomar um banho, comer, deitar e assistir sua série favorita? Então, é isso que sinto. E é engraçado sentir isso com você mesmo com todas nossas diferenças, nos conhecendo há tão pouco tempo e nos vendo menos ainda. Não sei, só... parece tão certo estar ali!
Não entendo essa coisa toda e isso de distância... não sei lidar, mas faz assim ó, me aluga teu abraço para eu morar um tempo lá? Coisa pouca, bem simples, nem vai atrapalhar. Prometo ser uma boa inquilina, pago direitinho e faço a manutenção do espaço.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Já nem sei se tem fim

Já passa da meia-noite, então já é segunda e eu estou aqui, escrevendo sobre você quando deveria está dormindo, já que amanhã é dia de trabalhar. Para falar a verdade, tenho pensado muito em você, há dias e é confuso por eu mesma ter sugerido que nos afastássemos, eu sei, não deveria te enviar nada disso porque se é confuso para mim, imagina para você. Não quero que pense que estou brincando com você, mas é que eu sou essa pessoa contraditória mesmo: o que eu penso, falo, sinto e faço quase nunca estão em concordância, pelo contrário, é cada um por si e isso dá uma confusão... te contar viu?!, mas, tenho trabalhado para não ser tããão assim. Por isso não falo com você sempre que penso, estaríamos nos falando o dia todo se assim fosse.
Eu não queria te escrever, nem pensar em você mas eu não controlo e uma coisa leva a outra. Eu sinto falta de dividir meus dias contigo, ainda que à distância, pois eu sabia que você estava ali para ouvir, opinar, apoiar e sei que você vai dizer que continua ai, mas se eu disse que devemos nos afastar então devo manter, pelo menos até que tenha certeza que podemos de fato tentar algo (isso se algum de nós não conhecer antes alguém que mude tudo). Disse-te que tenho o hábito de estragar as coisas né?! Pois bem.
Pensando analiticamente ainda acho que não combinamos tanto assim. Mas, pensando com carinho, até que poderíamos caso eu me esforçasse um pouquinho. Aliás, ambos. Acredito que tudo é uma questão de encarar que, sim, somos diferentes e ter disposição para tentar entender o lado do outro, entrar um pouco nesse mundo novo e permitir a entrada também. A troca é mútua, mas entenda, é difícil para mim isso, de abrir as portas do meu mundo. Me fiz uma pessoa meio dura, desconfiada de tudo, cética e nada disso combina com relacionamentos. Já disse que gosto de você? Certamente não vai acreditar, mas é verdade. Nem sei porquê mas, sei lá, só gosto. 
Sabe, tanta coisa que eu queria te dizer esses dias que mal nos falamos e é engraçado pensar em quanta coisa quero dividir com você: Queria te contar que mostrei aquele texto para minha avó e ela chorou de tanta felicidade; que se aquela prova que fiz fosse sobre você eu certamente teria conseguido a vaga, porque... eu só pensava em ti, lembrando das vezes que nos vimos e das suas piadas ridículas; que estou "montando" meu livro; que sinto falta do seu "bom dia bb"; queria te contar que já sonhei com você, não uma, nem duas mas várias vezes; te contar dos meus sonhos, projetos e metas; queria te mostrar uns trechos de um livro que eu amo e, quem sabe, te convencer a lê-lo; queria te contar das histórias dos tempos da faculdade, dos amigos que perdi, dos amores que passaram, das cicatrizes que carrego. Queria que soubesse que sempre leio nossas conversas e acordo ouvindo as músicas que você me mandou (inclusive, pode mandar mais se quiser), ah, que sinto falta dos teus abraços e carinhos. Queria dividir tudo isso e que você dividisse sua vida comigo também. Queria te ajudar a ser mais confiante, a resolver suas questões com seus amigos, entender seus pensamentos e te fazer bem.
Só queria te deixar ciente que eu pedi para nos afastarmos mas não consigo te afastar e nem sei se quero de verdade também. Aproveitando o ensejo, quero te deixar ciente que não precisa ficar esperando eu resolver minha vida, até porque nem sei como fazer isso, e que torço para que essa situação se resolva logo, seja lá como for, não gosto dessa sensação.
Provavelmente não te enviarei isso e talvez seja melhor assim, para não gerar expectativa (ou raiva mesmo rs).
Mas se eu enviar... desculpa não te deixar me esquecer.
Fique bem, sinto sua falta.
Beijo.
(E quando mando beijo é na boca mesmo)

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Meu jeito (meio sem jeito) de dizer o que importa

Oi Moço! 

Só queria te deseja boa noite mas me deu vontade de te dizer mais umas coisas, então lá vai. 
Eu sei que não tenho sido a pessoa que você merece no sentido de reciprocidade. É que sou meio ogra sabe (Segundo Shrek, somos cheios de camadas), não sei ser carinhosa, doce ou meiga, mesmo que eu goste muito não sou sentimental, o que não diminui meu gostar. Longe disso. Acho que até aumenta uma vez que acabo pensando mais e escrevendo sobre. É que eu sinto muito, tudo, e por vezes não sei demonstrar. No que se refere à maturidade emocional sou tão desenvolvida quanto uma ameba, não sei lidar com emoções.
Várias vezes quis te chamar de formas carinhosas como "meu bem", "carinho", "meu menino" "querido", "dengo" e vários outros adjetivos igualmente bregas preditos por pronome possessivo. Sempre odiei pronomes possessivos mas estranhamente sinto vontade usá-los com você, meu rapaz. Quis usar mas não consigo, sei lá, não me vejo falando coisas assim ainda que queira, nem eu estou me entendendo ultimamente "pane no sistema, alguém me desconfigurou".
Odeio clichês também mas estou começando a ver que é difícil fugir deles quando se gosta de alguém. É como se não houvessem palavras exclusivas para definir o que se deseja com aquela intensidade além das mais utilizadas, sabe? 
Não sei, acho que essa coisa toda é meio nova para mim e antiga também. Dessa vez quero que der certo, mesmo que não devesse querer, afinal temos várias barreiras intransponíveis como tempo e distância. 
Sem contar que sou cheia de defeitos incompatíveis com relacionamentos, anota aí ó: fria, habitante do mundo da lua, grossa, amante da solidão, pouco carinhosa, pouco emotiva, bem chata e com uma enorme preguiça de conhecer pessoas também. Uma pessoa maravilhosa, não é mesmo, meu bem? Não gosto de gerar expectativas e nem decepções. Gosto de ter controle da minha vida mas quando coloca-se sentimentos no meio, pronto, acabou meu controle. Não controlo emoções, fico totalmente perdida nesse meio uma vez que sou uma pessoa prática e lógica. E não existe nada disso nos sentimentos.
Enfim, com essa enrolação toda só queria que soubesse que gosto de você, do meu jeito meio torto, meio sem jeito mas gosto assim mesmo. E sei que você precisa se sentir querido por mim, mas não se preocupa não, estou trabalhando aqui, vou dar um jeito nisso também. Agora dorme bem, bons sonhos.

Estabelecendo comunicação

Sabe, viajar de ônibus é muito bom, me dá bastante tempo para pensar enquanto olho pela janela os vultos de casas, carros e pessoas que eventualmente apareceram e o céu que hoje está azul com poucas nuvens. Vez ou outra oscilo o olhar e me distraio com minhas unhas dos pés pintadas de vermelho, as mesmas que todo mundo acha meio estranho, mas eu adoro assim mesmo. 
Fiquei pensando em muitas coisas: trabalho, as viagens que quero fazer até o final do ano, residência, amigos, vida e morte, família e você. As vezes eu acho que a gente se fala mas não se comunica, não se entende, por isso escrevi assim, com todas as letras, pontos e vírgulas. 
Entre um pensamento e outro me perguntei o quanto você quer que eu entre em sua vida. Eu sei que só nos falamos há uns meses e nos vimos umas poucas vezes mas é que no chá de panela que fui no sábado fiquei imaginando se você iria me acompanhar no casamento em dezembro. Será? Sei que disse que não estar disponível para relacionamento quando começamos a nos falar e ainda sinto não estar, sendo bem sincera,  devido as barreiras tempo/distância, mas caso restem dúvidas: eu não estaria nessa durante tanto tempo se não acreditasse que podemos ser mais se quisermos, que podemos ter um futuro, um futuro bem assim, cheio de verbos conjugados em primeira pessoa do plural. 
Eu não faço jogo, nem c* doce, nem quero ser santa. Só acho que podemos construir algo invés de pensar só na diversão do maravilhoso agora. Eu até gosto de viver o momento puro e simples sem qualquer presença de sentimentos mas é que já tive minha cota disso, e acho até que não combina muito comigo. Acho que sou mais do tipo que aparecia uma boa companhia para programas simples como maratona de séries na netflix, tomar vinho só porque deu vontade ou engordar comendo coxinha e brigadeiro de panela, e não de sair para a balada e pegar o maior número de caras que conseguir numa noite.
Falar nisso, não sei que impressão (te) passo, mas eu não faço sexo por diversão. É que isso, para mim, envolve uma ligação emocional bem maior que a física. Não quero com você isso, não só isso. Por atração física é bem fácil achar um cara, mas minha busca é por algo maior. 
As vezes eu acho que a gente se fala mas não se comunica, não se entende, por isso escrevi assim, com todas as letras, pontos e vírgulas. E agora, estamos entendidos?

domingo, 19 de junho de 2016

Piadinhas de Hipnos e Morfeu

Acordei me sentindo quente. Normal, já passava das 10 horas e aqui no nordeste tá quente mesmo. Mas não era apenas isso, tinha a ver com a piadinha sem graça que meu subconsciente fez te trazendo pro meu sonho. 
Já se somam duas noites de visitas suas e por mais que faça muito tempo, isso ainda me incomoda. Incomoda porque me afeta. Sabe, sonho mesmo é com o dia que sonhar, pensar ou falar sobre você não mexa tanto comigo. Eu não sei dar nome ao que tivemos mas sei que até hoje "isso" levanta voou das borboletas que tenho no estômago, as quais sempre pensei que morriam após 24 horas de vida. Imaginar te encontrar por acaso me causa aflição, tremor e um gelo que percorre toda minha coluna vertebral. Sonhar com você traz muitas lembranças, não que sejam ruins (de forma alguma) mas também não precisa ser tanto assim. Depois que acordo me sinto mal. Mal por isso tudo ainda parecer tão real. A vida segue, as coisas mudam e isso permanece. É frustrante!
Desde a última carta que fiz para você, já sonhei outras vezes mas me recusei a dar dimensão a isso, preferi abafar, sufocar e agora, depois desse sonho, sinto-me sufocada, prendendo a todo custo as tantas palavras que guardei para ti. Como se as imagens que vi fossem aquelas que eu queria ter visto, vivido. Como se com aqueles jeitos eu quisesse ter me comunicado, te falado nas entrelinhas.
Por falar nisso, recordo-me agora que recentemente, em uma aula, descobri que tenho alguma alteração na vesícula biliar sem nenhuma causa aparente. Estudando metafísica descobri ainda que as vezes algumas emoções afetam determinados órgãos. O desejo de falar algo e deixar a oportunidade passar afeta por exemplo, olha que interessante, afeta a vesícula biliar. Justo ela? Quando li pensei logo em você. Aliás, principalmente em você, tenho muita coisa guardada para falar pra muita gente, mas nesse quesito, meu caro, você ganha em disparado. Tanto pelo tempo quanto pela quantidade de palavras destinadas.
Queria ter deixado claro o quanto me sentia bem com você, o quanto eu gostava de você quando éramos criança, o quanto quis morar mais perto de você; depois morar em você, queria fazer minha casa no teu cangote, e dizer ainda o quanto eu tinha preguiça de sair dali.
Eu queria sentir menos, mas eu sinto muito.
Sinto tanto que sonho demonstrar "essa coisa" tão abertamente. No da última noite nós estávamos rindo, tranquilos nos abraçando de vez em quando e trocando carinho de dedo e olhares sem que nos importasse quem estava perto, olhando. Na última noite sonhei com os beijos que outrora foram reais e que já procurei em tantas bocas algum, unzinho se quer, melhor melhor que o seu. Nunca vou saber explicar aqueles beijos mas sempre tinha algo mais, sempre eram mais que apenas beijos. A melhor definição que encontrei é que "eram beijos do tipo que davam vontade de tirar a roupa". Simples assim. Intenso assim.
Depois do sonho acordei me sentindo quente, mas não era apenas pelo calor do nordeste. Hipnos e Morfeu te trouxeram pro meu sonho. Um me botou para dormir e o outro colocou você ali, só de pirraça para me perturbar.
Aliás, a culpa foi sua. E eu sinto muito por isso também.

*Na mitologia grega Hipnos é o deus do sono e Morfeu dos sonhos

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Girassol

Ah menina, muitas lágrimas ainda cairão até que a vida esteja do jeito que você sempre desejou, Aliás, desconfio que a vida nunca é do jeito que sonhamos na infância/adolescência, sabe?! Do lado de cá, "vida adulta", as coisas são meio burocráticas e a gente aprende a moldar situações até que estejam no ponto de nos fazer feliz. Não perfeito, mas feliz.
Olha menina, você ainda vai ver que ser dona de um nariz requer muito mais do que ter um nariz. Requer responsabilidades e coragem, muita coragem. É possível que você ainda demore a entender isso, o que te levará a bater de frente com alguns muros antiiigos, mas que depois você entenderá o valor e importância deles.
Sabe, espero que em breve você descubra que chorar não soluciona nada, mas ajuda a extravasar as emoções. Por isso chore está noite até que o sono venha. Não te perguntarei o motivo das lágrimas, embora tenha ideia do que seja, mas prometo te levantar desse chão, lavar seu rosto e te cobrir com uma coberta quentinha com poderes medicinais e protetora contra as dores do mundo. Verdade, juro.
Amanhã, junto com o sol, surgirá uma nova oportunidade, cheia de frases clichês te lembrando que poderá ser um dia melhor. Saia desse quarto, não se esconda da luz, você não é dessas. Você é tal qual um girassol. É, um girassol, menina! 
Essa flor exalta alegria e beleza, só de olhar para ele dá vontade de sorrir. Além disso ela, dizem, acompanha a luz solar. Inclina-se para onde houver luz, onde houver vida. 
É possível que ainda venham muitos dias de sombras e lágrimas, mas isso passará. Sempre passa, nada é para sempre nessa vida. Nem as coisas boas, nem ruins. Nada é, tudo está. Você ainda vai mandar nesse nariz, vai ser dona da sua vida, vai agradecer esse momento ruim e sorrir muito, inclusive de toda essa situação

Seja como um girassol, 
minha flor, 
minha irmã.