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quarta-feira, 25 de março de 2026

Tá nas bases

Hoje sai de casa com muitas missões, muitas burocracias a resolver e umas coisas para comprar. Tratei de vestir uma roupa coringa e confortável (aquele macacão verde lindo!), arrumei o cabelo e fiz uma maquiagem bem básica. Olhei no espelho e aprovei o resultado, lembrei da última vez que usei esse macacão e o sorriso sumiu por alguns microssegundos.

Enfim, segui com minhas coisinhas e enfim chegou o momento das compras. Gosto muito da sensação de gastar meu suado dinheiro. Não por simplesmente gastar, mas por ter condições de comprar o que quero/preciso na hora da minha vontade/necessidade. Entrei em uma loja, bem serelepe, com óculos escuros, fone no ouvido ouvindo Metal contra as nuvens, da Legião Urbana e bolsa pendurada até que uma (des)querida confundiu-me com uma funcionária (queria saber onde tinha alguma coisa). Mesmo eu estando de óculos, bolsa e com uma roupa que nada tinha a ver com o uniforme da loja. 

Sabe o nome disso? Racismo estrutural. Não foi a primeira, nem a última. Mais um “caso isolado”.

O racismo estrutural é uma forma de descriminação enraizada na sociedade que normaliza desigualdades raciais através de práticas políticas, econômicas, jurídicas e sociais. Ele funciona como a engrenagem base da organização social, favorecendo um grupo racial e prejudicando outros, sendo um fenômeno coletivo e sistêmico, não apenas individual. Assim disse o Google. Na prática, isso diz que corpos negros são vistos como subservientes com muita naturalidade. A tal mulher provavelmente não pensou antes de perguntar pelo item que buscava no impacto da frase, não pensou em porquê achou que eu, com aquela skin, poderia ser uma funcionaria disponível a servi-la. 

Eu já passei por isso outras vezes, nem teria como contar quantas, mas essa foi a primeira vez que eu respondi. Quando ela perguntou eu estava em movimento e não parei para responder, mas disse "não, estou com bolsa e de óculos, tenho cara de está trabalhando aqui?" não olhei para trás nem esperei resposta, mas espero ter devolvido o desconforto.

Espero que da próxima vez (por que sempre tem a próxima) eu consiga responder melhor. 

Espero que demore mais até a próxima vez.

Espero que meus filhos não passem por isso (ou sejam melhores de resposta do que eu).


"(...) vi meu povo se apavorar
E às vezes eu sinto que nada que eu tente fazer vai mudar
Autoestima é tipo confiança, só se quebra uma vez
Tô juntando os cacos (...)
Sou antigo na arte de nascer das cinza
Tanto quanto um bom motorista é na arte de fazer baliza
Eu tô na arte de fazer"
Corra - Djonga 


Com a fé de quem olha do banco a cena
Do gol que nós mais precisava na trave
A felicidade do branco é plena
A pé, trilha em brasa e barranco, que pena
Se até pra sonhar tem entrave
A felicidade do branco é plena
A felicidade do preto é quase

Olhei no espelho, Ícaro me encarou
Cuidado, não voa tão perto do Sol
Eles num guenta te ver livre, imagina te ver rei
O abutre quer te ver de algema pra dizer: Ó, num falei?!

No fim das conta é tudo Ismália, Ismália
Quis tocar o céu, mas terminou no chão

Ela quis ser chamada de morena
Que isso camufla o abismo entre si e a humanidade plena
A raiva insufla, pensa nesse esquema
A ideia imunda, tudo inunda
A dor profunda é que todo mundo é meu tema
Paisinho de bosta, a mídia gosta
Deixou a falha e quer medalha de quem corre com fratura exposta
Apunhalado pelas costa
Esquartejado pelo imposto imposta
E como analgésico nós posta que
Um dia vai tá nos conforme
Que um diploma é uma alforria
Minha cor não é um uniforme
Hashtags PretoNoTopo, bravo!
80 tiros te lembram que existe pele alva e pele alvo
Quem disparou usava farda (mais uma vez)
Quem te acusou, nem lá num tava (banda de espírito de porco)
Porque um corpo preto morto é tipo os hit das parada
Todo mundo vê, mas essa porra não diz nada

Olhei no espelho, Ícaro me encarou
Cuidado, não voa tão perto do Sol
Eles num guenta te ver livre, imagina te ver rei
O abutre quer te ver drogado pra dizer: Ó, num falei?!


No fim das conta é tudo Ismália, Ismália
Quis tocar o céu, mas terminou no chão
Ter pele escura é ser Ismália, Ismália
Quis tocar o céu, mas terminou no chão
(Terminou no chão)

Primeiro, sequestra eles, rouba eles, mente sobre eles
Nega o Deus deles, ofende, separa eles
Se algum sonho ousa correr, cê para ele
E manda eles debater com a bala que vara eles, mano
Infelizmente onde se sente o Sol mais quente
O lacre ainda tá presente só no caixão dos adolescente
Quis ser estrela e virou medalha num boçal
Que coincidentemente tem a cor que matou seu ancestral
Um primeiro salário
Duas fardas policiais
Três no banco traseiro
Da cor dos quatro Racionais
Cinco vida interrompida
Moleques de ouro e bronze
Tiros e tiros e tiros
Os menino levou 111 (Ismália)
Quem disparou usava farda (meu crime é minha cor)
Quem te acusou nem lá num tava (eu sou um não lugar)
É a desunião dos preto, junto à visão sagaz
De quem tem tudo, menos cor, onde a cor importa demais

"Quando Ismália enlouqueceu
Pôs-se na torre a sonhar
Viu uma Lua no céu
Viu outra Lua no mar
No sonho em que se perdeu
Banhou-se toda em luar
Queria subir ao céu
Queria descer ao mar
E, num desvario seu
Na torre, pôs-se a cantar
Estava perto do céu
Estava longe do mar
E, como um anjo
Pendeu as asas para voar 
Queria a Lua do céu
Queria a Lua do mar
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par
Sua alma subiu ao céu
Seu corpo desceu ao mar"

Olhei no espelho, Ícaro me encarou
Cuidado, não voa tão perto do Sol
Eles num guenta te ver livre, imagina te ver rei
O abutre quer te ver no lixo pra dizer: Ó, num falei?!

No fim das conta é tudo Ismália, Ismália
Quis tocar o céu, mas terminou no chão
Ter pele escura é ser Ismália, Ismália


Ismália - Emicida

quinta-feira, 19 de março de 2026

"Quem eu sou para você?"

 Sim, ele teve a audácia de perguntar. Depois de tudo. E eu respondi:

Acho que você foi uma pessoa bem importante no meu caminhar. O primeiro o qual permiti que me conhecesse com toda a bagunça que era/sou e na minha vida como estava/é. Eu me permiti, a partir de sua chegada, me colocar no lugar desconhecido e desconfortável que pode ser estar em um relacionamento. Não quero com isso dizer que relacionamentos são ruins mas sim que viver um tem desconforto. Desconforto em mudar para haver equilíbrio, de entender o outro por mais que não faça sentido na própria perspectiva, mudar por realmente precisar mudar mas só o contato com o outro tornar isso evidente. 

Eu permiti que entrasse em minha vida, despi minha alma e isso é muito importante, era algo muito difícil para mim. Você foi uma pessoa importante na minha vida. Importante até mesmo por quebrar toda essa confiança e espaço conquistado e construído no decorrer dos anos. Ninguém poderia me magoar tanto sem que tivesse permissão de me conhecer tão de perto.

E agora eu sinceramente não sei se você pode continuar sendo alguém importante ou se deve ter o reconhecimento da relevância e ficar no passado, como parte da minha história

Pensando na alma e na confiança me veio uma analogia simples mas bem eficaz para exemplificar isso: 

É como se eu tivesse um cristal enorme, muito reluzente e frágil. Carreguei a vida toda com muito cuidado. Vc chegou, achou bonito e pediu para ver. Com desconfiança deixei que visse, mas na minha mão. Vc continuou ali, pedindo para segurar, ressaltando que era capaz e tomaria cuidado, até que um dia, enfim, deixei. Mas ficava de olho a todo instante, atenta e sempre avisava “cuidado para não cair”, “está seguro?”, “se vc quiser descansar me avisa e me devolve”, mas você não soltava e seguimos. 

Com o passar do tempo eu fui deixando cada vez mais tempo você com esse cristal e já não ficava tão atenta. Você começou a deixar numa mesinha, numa cadeira, um dia até caiu de leve, mas por sorte não quebrou. Outro dia você até arriscou fazer embaixadinha e olha só, parece que não era tão frágil assim. Talvez tentasse chutar qualquer dia desses e brincar de bola. Quem sabe? Com tudo isso, você talvez tenha esquecido o valor daquilo, sobretudo para mim. 

Um dia vc estava distraído e sem perceber, deixou cair. Dessa vez quebrou. Nem você acreditou, como pode, não quebrou com uma queda, nem embaixadinha, como quebrou de forma tão simples?

Eu sei que você sente saudade e quer que eu diga o mesmo. Acho que sinto falta da certeza no futuro que eu achava que tinha com você. Eu sei que com essas perguntas você busca algum tipo de certeza que há sentimentos, que o ajude, mas é que eu não tenho que te dar certezas e segurança quando você as tirou de mim. A gente teria muito custo com nossos sonhos? Sim, mas estaríamos juntos. O mundo caminha para o fim? Sim, mas estaríamos juntos. A gente está envelhecendo? Sim, mas estávamos juntos. E agora, agora não há certezas para o futuro. Você espera que eu sinta saudade mas eu sinto... Vazio. 

Um imenso vazio.


domingo, 9 de dezembro de 2018

O redator - Zimbra

Eu vi você pulando a minha página
Talvez você só queira ler depois
Não fiz tanta questão de ser direto assim
Talvez você perceba isso depois
Eu sempre fui tratado muito bem
Nos meios dessas linhas que eu já fiz
Seguiam pelas coisas que eu falei
Mas a metade mesmo diz
Que é tudo versificação
De alguma história que eu refiz
Me lembro de ter que explicar
Como é que essas coisas funcionam
Evito de ter que pensar
Que as melhores frases se foram
E não voltarão pro lugar
Pro mesmo rascunho que entrega
Milhares das informações
Que nem todo mundo
Pensei em anotar tudo que você diz
Daria uma bela matéria no jornal
Na parte de entretenimento ou coisa assim
Já que você não chega até o final
Me lembro de ter que explicar
Como é que essas coisas funcionam
Evito de ter que pensar
Que as melhores frases se foram
E não voltarão pro lugar
Pro mesmo rascunho que entrega
Milhares das informações
Que nem todo mundo se apega
Tá tudo bem com você?
Faz tempo que você não escreve
Eu sinto tanta falta de ler
Seus textos fabricados em série
Escreva alguma coisa, por favor, meu bem
E lembra de assinar no fim da folha

A primeira vez com ele

"Já faz um tempo mas eu gosto de lembrar" 

Depois que transei primeira vez, esse trecho de "Não é sério", do CBJr., nunca mais foi o mesmo para mim, pois me remete àquela noite que eu gosto de lembrar. Aquela...
Estávamos junto há um tempo e eu já o queria mais para além dos beijos. Ele, queria bem mais que eu, porém era paciente e compreensivo, respeitando meu tempo. Eu pensava vez ou outra como seria, o quanto eu queria e o quanto poderia ser bom apesar de todas avisarem que era ruim a primeira vez, porque doía, contando suas experiências. Sim, não era só a primeira vez com ele, era também a primeira vez na vida!
Apesar de toda pressão que há sobre esse assunto tão polêmico e que deveria ser pessoal, eu estava tranquila. Ciente da possível dor eu não me "traumatizaria", nem iria com receios, "moça, só relaxa e..." vocês sabem.
Lembro bem desse dia: Eu coloquei aquele vestido canelado com listras que me veste bem apesar de estarem dispostas na horizontal (todo mundo sabe que engorda, mas eu estava plena mesmo assim), um sapato confortável, fiz uma maquiagem leve e amadora (ler-se batom e rímel) e arrumei a mochila: Nela estavam alguns itens de trabalho para realizar o atendimento agendado para o fim de tarde e o necessário para dormir fora, afinal, seria noite das meninas e assim que acabasse de trabalhar ia para a casa de uma delas para uma super noite de pizza, vinho, música, conversas e gargalhadas. E assim aconteceu.
A pizza estava ma-ra-vi-lho-sa! Para quem tinha trabalhado a tarde toda e pode desfrutar de uma bela massa com bordas recheadas... não tinha preço! A conversa, nem se fala, sempre é uma delícia estar com elas que tanto me fazem bem. O riso é sempre certo nos nossos encontros, mesmo que comece com frustrações o desabafos. Ah e claro, o vinho sempre será uma ótima pedida para nossos encontrinhos, mesmo que uma delas não beba.
Não lembro se foram uma ou duas garrafas mas sei que postei fotos, vídeos, em todas as redes sociais (coisa que eu nem costumava fazer, vale lembrar) fiz chamadas de vídeo... tudo que atestasse que eu estava ali, para poder fugir em paz, caso eu assim decidisse fazer.
Aproximando-se da meia noite alguém falou em ir para uma balada, acho que foi o irmão da amiga-anfitriã da noite. A possível balada seria numa região mais central da cidade, um tanto longe de onde estávamos. O povo começou a se animar, menos uma que teria aula no dia seguinte. Ai eu pensei "Que tal hoje?" Sim, eu havia decido e ele obviamente não acreditava nenhum pouco que eu iria para lá. A anfitriã e seu irmão já estavam prontos para pedir o uber, a moça da aula decidiu que ficaria lá mesmo para ir cedinho para a aula, dispensando a balada e eu disse que ia para a casa dele. Todo mundo ficou sem entender, porque eu disse do nada. O irmão da amiga ficou dizendo coisas do tipo "Que namorada massa, indo uma hora dessas pra casa do cara" e as meninas um tanto chocadas pois sabiam que eu nunca tinha feito isso e estava muito tranquila e decidia pelo mesmo motivo. Por volta das 2h pedir um uber para minha amiga e seu irmão irem para a balada e a amiga que ficou em casa pediu um uber para eu ir para a casa do sortudo da noite (nada de deixar rastros da fuga. Garota esperta.). Entrei no  uber e segui conversando normalmente, não me importando com os fatos que geralmente me preocupariam: (1) estar num carro sozinha com um desconhecido, (2) estar num carro sozinha com um desconhecido na madrugada e (3) estar num carro sozinha com um desconhecido na madrugada indo para um lugar que eu nunca fui. É possível que o álcool tenha dado uma dosezinha de coragem? Sim, é possível mas, até aquele momento eu não estava arrependida.
O motorista era um cara romântico e foi o caminho todo me contando a sua história de amor com sua esposa, desaprovada por seus pais. Mostrou-me fotos do filhinho deles e foi muito gentil por toda a viagem, que era um pouco longa mesmo sem trânsito e passando por todos os sinais. Deu até para apreciar a cidade: tranquila, iluminada na maioria dos trechos que passamos, pude notar algumas placas e fachadas que nunca tinha visto até então, mesmo já tendo passado por boa parte do caminho, coisas da nossa vida corrida. Ao me aproximar do destino final nos perdemos e isso me deixou um tanto preocupada, afinal, eu não estava num bairro tranquilo. O sortudo estava no meio da rua, aposto de incrédulo e assim facilitou o término da viagem. Cheguei, é isso.
Ele pegou minha mochila e entramos. Não dava para ver muitos detalhes mas uma espécie de vila, com alguns carros estacionados ali onde parecia uma ruazinha sem saída. Subimos vários lances de escada até chegar na varanda dele, que era bem arejada. Tinha uma lavanderia e um lugar para armar rede. Parecia ser um espaço bom para churrasco e reuniões reservadas. A porta era de vidro e havia uma pequena antessala. Subindo um degrau tinha-se a cozinha e depois, a suite. Coloquei minha mochila numa mesinha, avisei as minhas cúmplices que havia chegado bem e fui ao banheiro lavar as mãos para tirar as lentes. Feito isso, ele não perdeu tempo e começou a me beijar. Quando vi já estava deitada, e enquanto ele subia em mim, aquele calor subia junto. Meu vestido, pobre vestido, já estava amarrotado e eu só pensava em como ficaria mais confortável sem ele. Concordamos então o tirei. Enquanto tirava pude notar rapidamente que havia uma tevê ligada e que tinha um filme passando, perguntei qual era e comecei a rir ao notar que estava em outro idioma, mandarim  se não me falha a memória. Não lembro qual filme era mas acho que gostaria de assití-lo só para saber se era melhor do que o que estávamos fazendo ali. Duvido.
Ok, então, depois de nos livrarmos das roupas tão desnecessárias ali, ele me mostrou o quanto a boca dele pode ser boa quando usada para outras coisas além de falar e beijar minha boca. Ganhei beijos no pescoço, costas, barriga, pernas... Onde você imaginar e tudo era bom. Vez ou outra ele perguntava porque eu estava rindo, ora era porque estava bom e outras vezes por cosquinha (igualmente bom), eu estava feliz ali. Chegada a temida hora eu comprovei: sim, dói, mas nada de desistir. Eu fui lá para isso mesmo, certo? Pois bem, mostre que você é decida, garota! 
Ele tentava ser delicado e dizia coisa que me acalmassem mas eu sempre fui desbocada e dizia "C@r@lho, isso dói" e ele, na tentativa de amenizar minha tensão todo sem graça disse "tá, mas é um" eu, com toda minha delicadeza meio que gritei que, iria dar um "consolo" para ele de presente para ele saber como doía uma coisa dessas num lugar inexplorado. Ele teve crise de riso, eu tive crise de riso e a gente quase parou de tanto rir. Mas não paramos. Confesso que fiquei surpresa com o tanto de sonoplastia que proporcionei e com o volume também (por sorte não eram meus vizinhos).
Rimos a noite toda. Estava alvorecendo quando fomos tomar banho juntos para poder dormir. Acordei poucas horas depois, dentro do abraço dele, numa conchinha. Não imaginei que dormir junto seria bom, mesmo me mexendo muito consegui dormir bem (por sorte foi só o começo de nossas conchinhas).
Ao amanhecer, comemos alguma coisa e ele foi me deixar na parada. Peguei o ônibus errado, para variar e inventei uma história para justificar minha decida numa parada nada a ver. Cheguei em casa moída, da caminhada e da noite. Dormi logo e acordei com ele já na porta lá de casa, fingindo estar me vendo só agora. Cara de pau, não sei quem de nós dois era o melhor ator.
Sim, mesmo sendo a primeira vez, eu aproveitei a viagem, "cheguei lá" e depois disso as coisas só melhoraram, a cada dia que passa a gente descobre algo novo, testa e se diverte. Hoje em dia não é só transa, também tem amorzinho, sexo selvagem, sexo acrobático, para fazer as pazes... Podemos ter nossas brigas e divergências mas, nesse aspecto... sempre nos demos bem. E é bom lembrar de como tudo começou: foi um momento louco e de muita coragem por me aventurar noite adentro saindo de outra ponta da cidade, de muito riso, companheirismo e amor. Foi uma coisa beeeem aquariana? Foi.
Foi tão leve quando eu gostaria que fosse e, mesmo que terminemos algum dia, o que espero que não aconteça, eu sempre terei esse sorrisão no rosto quando lembrar da primeira vez com ele.



Esse é um texto da série que faço com a Liz, onde escrevemos o mesmo tema sob a perspectiva de cada uma. Para ler o texto da dela clica aqui.

sábado, 27 de outubro de 2018

Ansiedade

Os dedos doem pelas unhas exacerbadamente roídas, as vezes sangram, inclusive.
Meu rosto entrega as seguidas noites mal dormidas.
A playlist "Na bad" já triplicou seu número de canções.
As pessoas notam minha boca calada e esse riso amarelo no lugar da gargalhada sempre alta.
O que não como já faz falta nas minhas roupas, cada dia mais vazias de mim.

A mente, outrora ágil e ativa, hoje mal consegue produzir além das frases melancólicas sobre esse tema batido:
Ele, eu, nós.
Fico pensando nas brincadeiras, nos planos feitos e não concretizados, nas viagens que não fizemos, mas vitórias que não comemoramos, nos amigos e familiares que não conhecemos, histórias que não dividimos e tudo isso só me deixa assim, sem cores, com essa palpitação que não me deixa dormir (presença cativa aqui), junto com o aperto no peito, falta de ar... então eu roou mais uma vez as unhas que já não tenho.  

E como explicar que eu quero ficar mas preciso ir?
E como mudar sem nos ferir?
Como continuar sem achar que estamos nos prendendo por medo de ficar sem o outro?
São tantas dúvidas, tantas perguntas sem respostas que eu fico assim, nesse mundo meio cinza pensando em tudo isso que tem a ver com nós.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Merthiolate

A gente não foi a Pipa, Galinhos ou Monte das Gameleiras.
Não fomos a Argentina, Canadá ou Japão.
Não fomos a nenhum casamento de amigos nossos.
Você não me deu um anel de cocô ou de ouro.
Não comemoramos aprovação e posse em algum concurso.
Não comemoramos sua habilitação.
Não conheci sua filha.
Não conhecemos a família distante um do outro ou as histórias que nos fazem.
Tanta coisa não vivemos e queríamos ter vivido que dói pensar e mais ainda se pensar no que ainda poderíamos sonhar. O difícil não é tomar decisões e sim sustentá-las quando se ama, quer bem, se importa. 
Não pense que tá sendo ótimo do lado de cá. Cada pensamento nostálgico, seja do passado ou do futuro, é como se fosse Merthiolate (dos meus tempos de infância obviamente) num arranhão dos mais enormes que já consegui: Arde e faz chorar.

sábado, 20 de outubro de 2018

A Raiva que deu

Estávamos deitados numa rede naquela sala pequena pós almoço de domingo. Não dava para nos mexer muito pois minha cabeça poderia bater na estante, as costas dele no sofá... então ficamos quietinhos, aguardando o tão esperado momento.
A semana toda, duas semanas da verdade, caiu de mim uma venda que eu mesma havia posto e, ao me dar conta disso não me senti confortável com tudo como estava. As coisas precisavam mudar e tinha quer ser logo se não eu mesma me mudaria. Fiquei dias e dias pensando na vida, distante, estranha. Ele estava com muito receio, prevendo o fim assim como eu, que tentava ao máximo encontrar um momento certo, as palavras certas, e já era domingo de tarde e nada havia sido dito. Em poucas horas eu viajaria e nada mudaria.
Ele me beijou e depois de um tempinho, eu cedi ao beijo e foi bom mas começou e me subir uma... uma raiva, e eu comecei a bater nele com uma almofada (e não só ficou por ai, boatos que teve até paus e pedras) por me fazer gostar tanto mesmo sendo tão diferentes um do outro. Ele, por sua vez não estava entendendo nada e só conseguia rir, porque eu estava engraçada (já ouvi isso outras vezes, que quando eu estou irritada fico engraçada pois começo a falar alto, gesticular demais...)
Na verdade, minha raiva maior era de mim mesmo, por estar numa situação desconfortável e não conseguir mudar ou sair. Não gosto de me sentir vulnerável e gostar dele faz isso comigo, me deixa de uma situação que eu não aceitaria de forma alguma em outros tempos, uma eu de uns anos atrás. E o que fiz com essa raiva? Dissipou mas a venda caída me deixa a cada dia um pouco mais desgostosa com tudo isso e as possibilidades de futuro com tamanhas diferenças.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Cores e concreto

Eu fui dormir com a cabeça cheia. Muitas ideias, sonhos, projetos e o duro baque da realidade "não da tempo", "não tem grana para isso", "vai ter que esperar", "onde está seu juízo, criatura?"
Foi muita coisa para um único dia e eu resolvi não conversar com ninguém, ficar na minha um tempinho (já alugo muito meus amigos com minhas neuras) e então apaguei.
O dia começou e apesar do peso, o lado sonhadora falou mais alto. Comecei a cogitar ideias, conversei com minha mãe e ela, que sempre espera mais de mim, ficou preocupada com o tanto de ideias boas e grandes, oportunidades que estão me surgindo e disse "apoio tudo que você quiser fazer, mas não se cobre para dar conta disso tudo. Não se mate, olhe por usa saúde, sua alimentação". Ok, ponto para ela, nessa altura no ano e o tanto de coisa que deve ser finalizado em outubro e até dezembro, qualquer pessoa pode duvidar da minha capacidade. Eu mesma, inclusive.
Até ai, tudo bem mas falar com ele foi o que me deixou assim, o que me botou aqui para escrever e tirar isso de mim (só assim volto para os projetos). No começo ele até tava na minha vibe, com ideias e tal, mas rapidamente a coisa muda quando ele diz (usando fala mansa e tentando amenizar as palavras) que eu estou fazendo muitas coisas e não me especializando em nada, que assim eu nunca vou ser boa em uma coisa, não dar o meu melhor em algo porque divido meu foco em muitos assuntos.
Eu, que estava verborrágica na hora do almoço, calei. E estou assim ainda, em poucas palavras, pensando no que está acontecendo comigo, com esse tal relacionamento. Eu não sei, mas não é de hoje que tenho receio em dividir minhas coisas com ele, que é tão "realista" e um tanto pessimista também. Não vibramos na mesma frequência. Eu, que tanto sonho fiquei assim, com essa sensação estranha de uma tristeza comigo mesma por me questionar sobre o que estou fazendo, por ter conversado sobre minhas metas de vida as quais obviamente ele não tem visão para visualizar esses sonhos comigo e, principalmente o que nos prende um ao outro.
Pode ser a TPM atacando? Pode, mas não acho que seja só isso.


******

Nota Mental: Não dividir meus sonhos com quem não sonha comigo. Não ter filhos com gente negativa. Pensar muito antes de casar (tipo, muito mesmo. Aliás, se puder nem casar! Obrigada, de nada).

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Parto (e não sei se volto)

Esse não será um texto fácil de parir.

Eu tentei ficar.
Desde o começo eu tento.
Hoje acho que não consigo mais, não é justo conosco.

Oi, chegou bem? Já tá deitado? Cá estou no meu antigo quarto sem sono, acho que não deveria ter tomado aquele café forte... agora estou aqui sem ter muito o que fazer e inevitavelmente penso em nós e nesse futuro tão mais incerto.
Desde aquele dia despertaram em mim dúvidas que eu só senti no começo de tudo, coisas que ignorei para poder continuar o que nem tínhamos ainda. Fechar os olhos ajudou muito a chegarmos até aqui mas, não sei se posso continuar com eles assim, ainda mais quando você fala em casamento. Casar é um ato tão sério, e que envolve muito mais gente que apenas dois, que até pouco tempo atrás eu nem ousava pensar sobre. Quando você começou eu surtei pois não conseguia nos ver nessa posição e não entendia porque já que o amo, isso é uma consequência óbvia do amor, né? Talvez não devesse ser. Começo a ver que amor é muito importante mas só ele não basta para manter duas pessoas juntas para sempre, há outros aspectos tão importantes quanto: valores, gostos, opiniões, religião, hábitos, hobbies... quando mais pontos em comum mas fácil seguir a relação. A vida já é tão difícil, o mundo já anda tão complicado, porque complicar mais?
Se eu algum dia casar, quero que seja com alguém que eu me sinta à vontade para falar sobre tudo sem que haja uma briga depois; quero não ter restrições de temas porque sei que não vamos a lugar nenhum com o debate; quero que tenha opiniões parecidas com as minhas, até porque, se vierem filhos, como vai ser? Eu não quero filhos que pensem que discussões raciais ou feministas são mimimi; não quero ter que chorar sempre com minhas amigas porque a pessoa que “está” comigo não consegue me entender e dar o suporte que preciso.
Sabe, e isso tudo vale para você também. Você precisa de alguém que fique bem com você, uma amorosa, carinhosa, que vá para a igreja junto, sonhe em casar e ter uma dúzia de filhos. Por mais que a gente se ame seria egoísmo seguir sem questionar esses pontos. Eu não gosto de seus posicionamentos sobre questões que julgo importante e você não tem que mudar por mim, até porque isso está enraizado em você e eu não posso mudar isso.
Tentei de te trazer para minha vida e entrar na sua. Tentei me entregar com tudo que posso, das qualidades aos defeitos, das histórias boas às ruins, do corpo a mente. Por mais que seja bom, e realmente é, não é o suficiente para me manter segura e bem. Eu sempre fico com isso martelando na minha cabeça e é tão perturbador!
Eu não sei o que vamos fazer com isso, mas sei que não dá para seguir em frente com esse tanto de sirene e alarmes de segurança apitando em mim, não é bom para nenhum de nós dois continuar com isso ressoando e lá na frente não ser mais suportável. Não da p empurrar com a barriga ou fechar os olhos, não quero mais fazer isso e nem posso. Não poderia ter feito mas já está e agora... E agora?


P.S.:Um pequeno esboço desse texto foi escrito e esquecido há muito tempo e achei que nunca o concluiria pois as coisas fluíram entre nós. Fiquei triste em vê que ele era válido.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

O abraço dele

Há tempos quero escrever sobre esse que considero um tema muito importante. Sempre que eu o encontro, o abraço apertado e as vezes ele fica sem entender o porquê, fica preocupado achando que tô chorando desesperada ou coisa assim, mas não (nem sempre, pelo menos) é só porque eu gosto do abraço dele.
A gente mora longe e isso por si só já é motivo suficiente para abraçar apertado, de olho fechado quando encontra, mas acho que entendo o motivo da surpresa dele quando isso acontece. Quando nos conhecemos eu não era essa pessoa que agora escreve, acho que ontem mesmo eu não era essa, pois evoluo dia a dia. No início eu era uma pessoa muito desprendida, do tipo que acha que nunca vai se apaixonar ou desejar tão desesperadamente ter alguém por perto, um alguém específico, ah menina boba!, só achava mesmo. Hoje sente, sente tanto que quando encontra tal alguém, não solta.
Amo tanto abraçá-lo! Abraço quando o encontro, quando estamos dormindo, quando ele esta fazendo o almoço, no supermercado, parada de ônibus... Não sou louca mas, em minha defesa, ele tem um abraço com cara de casa, entende?!
Ao abraçá-lo eu sinto coisas tantas coisas boas que nem minha melhor descrição seria fiel ao que sinto: uma paz ao ouvir os batimentos dele (vantagem de ser uma pessoa compacta), conforto (ele é macio), uma paz tão grande que as vezes da vontade de chorar, como se eu tivesse andado muito e já perdido a esperança de chegar, então cheguei, entende? Como se eu ansiasse por esse momento a minha vida toda, mesmo que só tenham se passado algumas horas que o vi. Nesse mesmo abraço sinto segurança acolhimento, amor. São braços quentes que quero que estejam ao meu redor o máximo de tempo possível. Quero tanto que mesmo quando brigamos eu o puxo para perto de mim e enlaço os braços a minha cintura, mesmo dormindo eu o quero perto, quero o abraço, quero estar no meu melhor lugar, minha casa.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

"Quer casar comigo?"

Meu amor, eu te amo tanto e já to com tanta saudade! Imagina quando eu voltar mais tarde pro almoço e ter que comer sozinha (se eu fizer almoço). Você é tão bom (e isso nada tem a ver com emprego, qualificações profissionais ou formação) que as vezes acho que não mereço tanto. Você é honesto, justo, atencioso, perseverante, motivador, paciente, carinhoso e a cada dia me aproxima mais de Deus (vc e Ju), e isso é muito bom.
Cada dia te admiro mais por saber de tanta coisa que você passa/passou e ainda continuar sendo doce, como um menino. Meu menino.
Eu te amo muito e quero que continue contando comigo nessa fase difícil. Logo estaremos juntos agradecendo e comemorando suas conquistas que serão muitas e seguidas, muitas bençãos para nossa família. Eu sei que você vai passar por isso e será um novo homem num novo emprego, com uma nova visão do valor e importância dele em sua vida, será o melhor em qualquer coisa que for fazer. E vai estudar p ser cada vez melhor, por que vc merece, sua filha merece, sua mãe merece.
Eu amo muito você e responderia essa sua pergunta mil vezes até que seja a real-oficial, aquela acompanhada de um anel de noivado na mão direita e depois uma aliança na esquerda. Quero quero sua força motivadora todos os dias da minha vida e quero que a gente cresça junto, por que além de tudo você consegue me fazer rir, expressar sentimentos, faz com que eu me sinta bem para ser eu mesma (inclusive brega), me motiva quando eu me sinto cansada e desestimulados, me consola e chora comigo, ora por mim, ora comigo, por ser minha melhor companhia, seja para um filme no cinema ou para andar de busão com as passagens contadas.
O amo tanto que tantas linhas que escrevi e não consegui chegar na a expressar bem isso, não consigo te fazer entender o tamanho disso, só de pensar na dimensão... sinto uma coisa estranha no meio do peito e da vontade de chorar. É tão grande o que eu sinto e só aumenta!
Eu amo você todos os dias (até com raiva) e amo cada vez mais, meu amor.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Casamento não

Hoje amanheci com a garganta doendo, como se estivesse em processo inflamatório, o que é curioso visto que tenho me sentido bem, sem febre ou dor de cabeça, me alimentado bem, comendo frutas ricas em vitamina C inclusive. Na verdade eu até sei o que pode estar causando tais sintomas, viva a metafísica!
Foi a conversa antes de dormir, claro.
Porque o assunto casamento é tão recorrente e causa tanto reboliço? É sempre assim! Eu já disse que não pretendo tal ato mas confesso que posso parecer confusa quando digo que gosto das cerimônias em si, gosto de casamentos (dos outros).
Fui comentar que serei madrinha de mais uma amiga, que dei um empurrãozinho fundamental digamos assim, aí o assunto veio todo novamente.
Eu não sou contra o casamento de modo geral, não saio por aí esbravejando "não sejam idiotas, casar não presta, só perda de tempo!" só não acho que isso seja para mim  isso me faz pensar se eu realmente não quero casar ou se não quero casar com esse tal que tem passado uma temporada em meu coração. 
Antes de conhecê-lo lembro que já não queria, estava me curando de alguns processos e talvez está tenha sido uma consequência mas, antes desses processos, em um tempo que parece outra vida, eu queria casar. 
Casar num lugar bonito, com muitas cores, um dia de alegria, celebração, união. Um dia, que seria um dos mais lindos da vida, que duraria para sempre em minha memória, com a família lá, amigos, depois fotos, discurso, choro dança, festa, vida... Amor! Eu estaria tão feliz que ia ficar com os músculos da face doídos de tanto sorrir e gargalhar, aquela  gargalhada gostosa de fazer chorar, sabe?! E depois isso um casamento tranquilo, feliz e próspero.
Hoje, não sei. Quando penso em casar com este rapaz só me vem à mente uma ida ao cartório no intervalo do almoço, usando jeans e camiseta (tá, pode ser uma camisa de botão) para deixar minha certidão de nascimento e pegar uma de união estável ou coisa assim. Algo abominavelmente sem graça para uma sonhadora como eu. Não sei se isso é o que se chama de maturidade, rabugem ou só não gostar dele. Será que isso é crescer ou dá para ter um romance de “adolescente” na “fase adulta”? Não consigo visualizar diferente e quando tento colocar isso num lugar bonito, tipo uma praia, me vejo séria, rezando para acabar logo a cerimônia, sem dança. Não é feliz e isso me entristece de um jeito que ainda não sei explicar mas dói e cria um nó na garganta, uma vontade de chorar, gritar e depois calar sem forças para sair do lugar.
Eu não sei se algum dia casarei, muito menos se casarei com ele mas, ideializar isso na minha mente é incômodo de modo que prefiro evitar se quiser continuar relacionamento que estamos. Mas aí mora o perigo: será que espero que esse desejo floresça ou estou apenas empurrando um problema com a barriga por puro comodismo ou covardia?

domingo, 25 de março de 2018

Nota sobre despertar

Oi amor,

Sei que já faz um tempo que não te escrevo, também, com essa correria toda, sorte a nossa ainda nos vermos, com mais frequência até. Na estrada fiquei pensando sobre o início do dia então resolvi escrever.
Hoje, acordei várias vezes na madrugada, o que é incomum quando bebo alguma delícia etílica antes de dormir, mas acho que isso aconteceu porque você estava do outro lado da parede e eu queria estar lá, com você. Então fui, meio sonâmbula pouco antes de amanhecer e deitei, já me encolhendo perto de você. Eu gosto dos seus braços ao meu redor, teu queixo no meu pescoço, teu corpo colado no meu. Quando acordei, quando acordamos de verdade, fiquei pensando em como é bom acordar do nosso jeito. Como nos fortalecemos no bem que fazemos um ao outro e assim, nos preparamos para o dia, seja ele leve ou desafiador.
Eu amo tanto dormir e acordar com você que as vezes me pergunto se isso vai ser sempre assim, será que dá? Para sempre? Velhinhos e tudo? hahaha
Eu gosto dos seus braços ao meu redor, teu queixo no meu pescoço, teu corpo colado no meu. Eu gosto quando nossos corpos nos obrigam a acordar e por nosso bom-dia ser tão nosso. 

(Já) Estou com saudade.
Amo você. Muito.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Aconchego

Cheguei tão cansada da viagem que acabei dormindo sem estudar, jantar ou falar com ele.
Acordei na madrugada com sede e com a consciência pesada por não ter estudado. Fui beber água, fui ao banheiro e ao voltar para o  quarto e deitar, percebi a cama tão maior! Bateu saudade. Saudade dele, claro.
Inevitavelmente lembrei das noites anteriores nas quais dormimos dividindo um colchão pequeno e é tão engraçado perceber que, logo eu, que nunca gostei de grude, que nunca fui muito chegada a longos abraços apertados, me vejo assim: amando dormir junto dele, dormir enrolando braços e pernas,toda entrelaçada, tão juntos que mal se pode respirar. E eu me sinto bem, em casa, em paz.
É engraçado como eu gosto de estar entre os braços dele e como encontrei em seu peito o melhor lugar para tirar um cochilo: é macio, quentinho e eu fico ouvindo coração dele batendo numa sincronia certinha, sístole, diástole, sístole, diástole... Às vezes até nossas respirações se sincronizam e eu então percebo o quanto estamos cada vez mais alinhados.
Pensar nessa sincronia toda me faz pensar como tem acontecido tanta coisa em nossas vidas, tantas mudanças que eu não tenho escrito, não tenho conseguido pensado e quando lembro me assusto as vezes ("Como chegamos aqui?"). Não raramente me perco no quanto nos aproximamos, no quanto estamos bem e como eu gosto de estar com ele. Eu não imaginei em nenhum momento que ficar junto assim me faria tão bem e faria tanta falta também! Justo comigo, a rainha da independência, a aquariana livre, leve e solta nesse mundão, doida para voar.

Enfim, ao deita na cama tentei da melhor forma possível substitui-lo com um travesseiros e almofadas, mas nem deu, né?! Não tinha aquele aconchego, nada tinha o calor dele. Ai resolvi ligar e dizer isso, aposto que ele ia gostar de acordar no meio da madrugada assim. Ou talvez amanhã, meu sono está voltando.

*Durmo e sonho com ele, alguma coisa que não lembro, mas sei que ele estava. Como sei? Bom, ele foi a primeira pessoa que lembrei, antes mesmo de abrir os olhos e acordei leve. É, certamente ele estava por lá sim.

Nem preciso dizer que amo você né?!

sábado, 28 de outubro de 2017

Tentando explicar

- Por que você não diz que me ama se o sente?

- Porque não posso.

- Por que não pode?

- Porque não.

- Poxa, tenta explicar pelo menos.


(Respira profundamente) 

- Porque não posso dizer algo assim quando penso frequentemente em terminar. Penso que ex é alguém do passado, que passou e não existe isso de ser só amigos em nome dos bons tempos. Não. Existe. Amigos dá para ter aos montes e ainda arranjar uma dúzia novinha. Você foi ainda mais longe, não tem amizade mas tem uma criança, o que leva a um vínculo para o resto da vida com a digníssima ex esposa.
(Inspira profundamente de novo porque percebe que falou tudo em uma única expiração) 
Eu nunca quis algo assim para minha vida e não vejo-me adaptando a isso, também não vejo como você poderia não ter esse contato porque é impossível. Não é uma realidade que eu me sinta à vontade, de boas e quero que entenda que por isso que a tal frase nunca vem, acredito que as vezes verbalizar em alto e bom som tornam as coisas muito concretas e, você sabe posso ir a qualquer momento e pode ser uma merda porque nos gostamos então não posso dizer que o amo e na semana seguinte, por exemplo, te tornar um ex, e você já sabe o que penso sobre ex.
Entenda que aguentar algo e ficar remoendo não é mais algo natural para mim. Frequentemente penso que  não posso mais ficar no meio disso porque não há forma de ser diferente, aí fico porque gosto de você mas isso fica guardado em mim, me incomodando, acumulando. Veja bem, eu acho muito mais digno levantar da mesa e bater a porta ao sair quando algo não está bom para mim e é isso que sempre faço. E é o que penso em fazer quase sempre.
Pronto, falei.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Tem que ser inteiro e não pela metade


Hoje acordei assim, sei lá, "bugada". Não sei. Na verdade fui dormir assim.
Fico pensando em como tudo está e como você vai me ganhando mesmo que eu dificulte todo o processo. E eu vejo o quanto você é  bom e não tem culpa dessas peças que a vida nos prega mas a cada mês eu sinto isso (e não é TPM). Eu não consigo me sentir à vontade com alguém do seu passado tão presente, tão futuro. Tão mais fixo do que eu. E por isso eu tento a todo custo colocar na minha cabeça que não devo me preocupar com isso, que sou passageira, que logo seremos só um capítulo na história um do outro. Nada é, tudo está.
Eu tento com tudo que posso guardar partes de mim: histórias, amigos, família, declarações importantes. Eu tento propositalmente não ser inteira, enquanto você se dar com tudo que pode. Eu queria que fosse pouco menos assim atencioso, preocupado, persistente, presente, carinhoso. Eu queria que você tivesse uns defeitos mais gritantes, suficientes para eu usar como armadura para sair daqui. Não consigo e sinto que a cada dia você arranca mais um pedacinho de mim e isso vai tomando proporções que fogem ao meu controle cético. 
Eu entendo seu lado e que você precisa e deveria ser tão amado quando ama. Eu queria não ser assim, queria aceitar tudo de forma amena, leve. Eu compreendo tudo, toda a situação mas, não consigo me sentir bem com tudo isso, por mais que eu esteja tentando. 
E não digo as coisas que sinto para que, caso o fim chegue logo, não doa tanto em nós. Evito que você conheça todos e tudo de mim para que não doa tanto em nós. 
Eu sou tão distante para não doer tanto em mim.
Uma covarde, eu sei, eu sei. Mas você já viu quantas vezes eu tentei seguir sem você? Quantas vezes argumentei e ainda assim você aparece com essa mania de querer consertar tudo com paciência... ai eu não aguento. Na verdade você conserta tudo enquanto desmonta minhas armaduras e armadilhas.
Preciso que me deixe ir, não consigo ir sozinha. Além disso, eu não sou a melhor pessoa para você, eu sou metade e você inteiro. E sou ausências e você presente. Você é do "eu te amo" e eu "uhum, eu sei".
Ainda que eu sinta, não posso dizer, não é justo quando eu penso dia-a-dia em terminar ao passo que me vejo fazendo planos e te incluindo em conversas. Para o nosso problema não há solução que venha se não por uma mudança em mim, a qual tento há meses e nada progride. A única parte em nós que me faz mal poderia ser a que nos afastaria?


Essa não é mais uma carta de amor
São pensamentos soltos traduzidos em palavras
Pra que você possa entender
O que eu também não entendo
Amar não é ter que ter sempre certeza
É aceitar que ninguém é perfeito pra ninguém
É poder ser você mesmo e não precisar fingir
É tentar esquecer e não conseguir fugir, fugir
Já pensei em te largar
Já olhei tantas vezes pro lado
Mas quando penso em alguém é por você que fecho os olhos


O que eu também não entendo - Jota Quest

sexta-feira, 21 de julho de 2017

"O que você sente quando te olho?"

A pergunta veio assim mesmo, do nada. Sabe que eu ainda não tinha pensado sobre isso?! É tanto que protelei a resposta, para poder pensar sobre, analisar de um, dois ou vários ângulos.
Passamos muito tempo longe e, honestamente, não me parece difícil. Sim, é foda às vezes, mas no geral levo bem, sem neuras porém, quando vai se aproximando o dia da viagem, fico um pouco ansiosa. Quando te encontro pronto, passou. Sei lá, estar perto de você causa uma certa agitação em mim (nem parece né?!, eu sei). Você tenta, sem sucesso, me fazer rir com piadas bestas que nem consegue terminar de contar antes de rir (e gosto quando rir, acho divertido) e acabo rindo, então meu riso, seu riso, tudo se mistura e eu fico ali, rindo como besta, ainda que tente o contrário.
Você tem hábito de me olhar já com um riso bobo e eu pergunto "Tá olhando o quê?". Fico me perguntando "Do que esse bocó tá rindo?", às vezes eu pergunto em voz alta mas nunca recebo resposta além de um "nada" risonho ¬¬. Eu não gosto de ser encarada, me incomoda mas, quando vem de você eu não ligo, as vezes até me agrado de um olhar de contemplação e felicidade que eu vejo ali naqueles olhos fundos e puxados.
Quando você me olha eu penso "o que estamos fazendo? Será que algum dia serei recíproca a tudo que ele sente?", "por quê estou rindo tanto?", "caramba, que cara sortudo!", "por quê tá demorando para me beijar?"
Quando você me olha fico feliz de te ter por perto comigo e para mim, por você sair de casa ao meio dia só para passar meia hora comigo (este pequeno ser andando de um lado para o outro arrumando uma mochila as pressas), fico feliz por saber que você se preocupa com meu bem estar e saber que eu me preocupo com você também, por saber que estou aqui para você. Quando nos olhamos eu sinto algo crescer entre nós (e não é um bloco de gelo) e isso me faz rir.
Na troca de olhares há incertezas, sim, mas há alegria, bastante, por isso não paro de rir, nem quero então pode continuar me olhando. :)

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Amor, humor e paciência

Hoje, contei para algumas amigas que, oficialmente, estou namorando. Não que não já estivesse, só não tinha nome ainda. Elas estavam mais empolgadas que eu e acabaram dando algumas dicas sobre relacionamentos. E todas poderiam ser resumidas em três palavras: amor, humor, paciência.
Eu me considero uma pessoa paciente, divertida e até fofa mas nunca juntei isso tudo num relacionamento. Na verdade eu não encontrei a mescla no ponto, sabe?! Resolvi tentar de novo, vai que o tempo tenha me melhorado, né?"
Acho que essas três palavras sintetizam bem o essencial num relacionamento. Claro que há outras coisas que também são muuuito importantes mas, sem essas, acho que não dura não. Pessoalmente falando, acho que a paciência é o mais importante, pois para estar em um relacionamento, seja romântico ou mesmo profissional, temos que nos adaptar aos hábitos, costumes e defeitos do outro. As vezes eu não compreendo a mim, avalie o próximo! Paciência é um exercício diário, se ela não existe a vontade que dá é de jogar tudo pro ar e dizer "Cara, isso não é para mim, vou ali procurar alguém mais simples. Sorte ai". Inclusive já falei essa frase, mais de uma vez haha e o outro, meu par, foi a paciência em pessoa com meu jeito impaciente de ser quando o assunto é relacionamento. Tentar ser mais paciente, relevar algumas coisas, dialogar mais tem me ajudado a ser alguém melhor, mais compreensiva. Eu gosto dessa versão de mim que vem se moldando e querendo ou não, ele tem me ajudado nisso.
Humor, aaah, como é bom rir! Riso deixa a vida leve, ameniza dores devido a liberação de hormônios de bem estar, a ciência comprova (mas nem precisaria né?! se você já esteve em um roda de amigos, certamente comprova o bem estar advindo do riso). Rir para mim, é a solução de 80% dos problemas, não que resolve, calma, mas ele nos tira do pensamento negativo que bloqueia as ideias boas, as possíveis soluções. Rir é vida! Ambiente de trabalho, casa, relacionamento... sem uma boa dose de humor diária nos mata lentamente. A vida corrida nos priva de muita coisa, nos consome e a gente entra no piloto automático esquecendo de viver. Rir nos tira desse ciclo vicioso da rotina. Nos lembra que a vida é mais que esse feijão com arroz insosso que a gente insiste em comer porque é prático. Ter alguém do seu lado para rir junto, te fazer rir, rir de você, ah rapaz, é um verdadeiro presente! Por mais que o dia seja cansativo, depois de uma boa gargalhada os problemas vão até parecer pequenos.
E o amor? Ah, o que falar sobre ele?! Eu não sei definir. Ouvi uma música que dizia que o amor é a estrada em que o sonho acontece. Achei isso tão bonito que guardo em mim desde então. O amor não se define, nem se explica mas há várias formas de ser amor, de sentir amor e de cultivar amor. Esse tal amor, a meu ver, pode estar presente desde o começo ou ir nascendo aos poucos, como um brotinho.
Amor, humor e paciência formam a tríade da boa convivência, aquela que dura e é boa, sabe?! Eu nunca tentei em um relacionamento mas acredito nas minhas conselheiras e também acredito piamente que esses três juntos nos levam bem longe, talvez onde eu nunca cheguei.


sábado, 25 de março de 2017

Para você dar nome

Bom dia! 😘 (De novo)

Hoje enfim pude, depois de semanas, acordar mais tarde. Só tenho compromisso às 14h mas, acordei antes das 8h, sem sono algum. Peguei o celular e, entre as mensagens tinha um "tá certo ❤" seu, aproveitei e mandei meu "bom diiiia!". Sabe, se eu tivesse uma tv em casa, certamente iria procurar a programação de desenhos animados e deitaria no sofá com meu lençol (se eu também tivesse sofá, claro). Eu tenho muitas coisas para ler, coisas de casa para fazer mas.. não quero. Quero curtir preguiça nessa manhã de sábado. Na verdade, queria gastar essa manhã com você.
Seria bom passar metade da manhã deitada com preguiça de levantar e assistir alguma coisa na netflix. Eu deixaria você escolher (até porque eu nunca consigo decidir algo ali) e na outra metade da manhã a gente pensaria no que almoçar (podia ser aquela lasanha que eu fiz semana passada).
E pensar sobre isso traz outros pensamentos: Eu não sei o que você é para mim, vez ou outra paro, querendo chegar a alguma conclusão e não consegui nada, ainda. Quando alguém fala em relacionamentos eu lembro de você, mesmo que a gente não tenha titulo algum. Esses dias me perguntaram se tinha namorado. Bom, teeeer, ter não tenho mas também não me sinto solteira como antes, por que tem você. Tenho você. E é engraçado pensar assim, logo eu que não quero relacionamento, porque sim, te tenho, em minha mente, como meu par.
Falar nisso, um dia desses conversando com Ju ela disse "Qual a diferença do que vocês tem para um namoro? Nomear? Vocês já estão namorando, você só não se deu conta ainda".
Sério? Não tinha mesmo pensado nisso mas tenho que admitir que ela tem razão. Quer dizer, realmente, qual a diferença? Eu não conheço sua família, nem você a minha (quer dizer, eu não te apresentei a eles 🙈), mas fora isso? Não tem muitas diferenças né?! A gente se fala frequentemente, dividimos as situações do dia-a-dia, problemas, pensamentos, soluções (pelo menos eu sim), sentimos falta e gostamos um do outro (e admitimos isso), rimos, brigamos vez ou outra também, inclusive percebo, que com o passar do tempo, temos nos ajustado um ao outro também, isso é uma evolução, meu bem! 
Não sei como você nomeia isso mas eu já estou ficando enrolada quando me perguntam (e quando me pergunto também), então me diga: O que temos aqui?


"Tu, que tem esse abraço casa
Se decidir bater asa
Me leva contigo pra passear
Eu juro afeto e paz não vão te faltar
Ai ai ai"
Trevo (Tu) - Anavitória

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Eu escolhi você

Ó, só pra você saber, eu escolhi você.
E, por favor, não me venha com gracinhas falando daquela música da Clarice Falcão. Sério, aposto que você não acredita mas, sim, eu te escolhi. Fica quieto ai e me deixa ser fofa.
Quando aparecestes eu estava conhecendo outros caras, confesso. Nada grandioso, só passando tempo, afinal, eu não estava fazendo nada mesmo... Bom ai você apareceu, e eu ignorei educadamente. Uma, duas vezes. O terceiro "Oi" me deixou intrigada, como esse cara ainda insiste véi?! Vou ver qual a dele, pensei e foi o que fiz (e fico feliz por isso). Por que te escolhi? Você veio com aquela história que me observava desde os tempos de escola (isso já faz tanto tempo!) e eu achei tão estranho. E original. E criativo. E bonitinho (ainda que pudesse não ser verdade). Foi um elemento surpresa, sabe?! Eu não esperava algo assim e isso me despertou curiosidade. De cara achei você muito corajoso ou muito louco (ou um pouco dos dois), por que dizer coisas assim, numa primeira conversa... É de uma verdade tão crua que assusta pessoas que não estão muito afim de coisas sérias (como eu).
Ok, continuando... E ai, conversa vai, conversa vem, não demorou muito para que víssemos nossas diferenças ideológicas e eu gosto tanto de conversar sobre tudo, mas quando começávamos... não dava muito certo e por vezes achei que era hora de parar mas, porque continuei? Primeiro porque você é insistente/persistente e segundo porque acho que, podemos tentar nos ajustar. Não para caber um no outro, mas sim para somar, expandir horizontes para ideias e vivências novas a partir da tentativa de enxergar o mundo do outro, testar um novo ângulo. 
Eu escolho você, não por não ter outras opções, mas por achar que você é a melhor opção, agora. Por você ter essa paciência, essa sinceridade crua de criança, esse jeito todo sentimental que equilibra um pouco meu lado insensível (mais insensível que uma mula, não é mesmo?). Eu gosto da sua perseverança, essa coisa de achar que todas as coisas podem dar certo quando eu me estresso e quero jogar tudo pro ar (porque não tenho paciência mesmo). Eu gosto dessa mansidão que freia meus devaneios. Gosto do teu olhar forte que às vezes se faz pidão querendo beijo. 
Por que escolho você? Porque desde as primeiras conversas senti que deveria tentar, que poderia valer e até agora, não estou arrependida. Se estou apaixonada? Não, ainda não. Se quero que acabe? Não, pelo contrário: quero mais disso tudo, mais de você. Quero aprender a ser carinhosa e fofinha (kkkkkkkkkkkk). 
Vai me ajudar, pessoa?

Beijo!

P.S.: Ainda vai demorar muito? Tô com um pouquinho de saudade.
Sério, venha logo.

 P.S ²: essa última estrofe da música (defeitos, jeito torto, confusão...) combinada mais comigo do que com você.

Quem vive de princípios
Não tem meios, nem fins

Eu quebro as minhas leis
Pois só assim elas pertencem a mim



E eu que sempre fui da turma do talvez
Me joguei sem paraquedas no sim



E eu escolho você com todos seus defeitos
E esse jeito torto de ser
Eu escolho você, destino imperfeito
Todo carne, osso e confusão

Escolho você - Sandy