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quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Estiagem

Faz mais tempo do que eu gostaria de admitir, eu sei.
É amargo dizer mas, após os últimos acontecimentos, achei que escrever seria uma das coisas que amo e que eu não faria mais. Meu lado criativo se fechou e a fonte secou, mesmo tendo muito o que gritar, não conseguia. Nem torto, nem nada, nada mais saia de mim. Era triste sentir tudo acumulando sem um escape decente, com isso eu tive alguns surtos de tristeza profunda, euforia, muitas ideias soltas de uma vez só e nada de constância. Não me fazia bem, eu sentia e doía muito não ter a tão fiel companhia das palavras, minhas ou de outros autores que eu gostava de ler.
As vezes eu achava que me faltava fé, que as coisas precisavam de tempo para se ajustar e eu era impaciente, mas ai eu lembrava que já passei por tantas outras situações, piores até, e sempre pude contar com um bom livro, caderno e caneta. Outras vezes pensei que exigi muito de mim mesma ao dedicar por tanto tempo seguido à produção científica. Enfim, não saberei dizer tão cedo onde esta o X da questão, o fato é: nos últimos dias coisas que eram comuns em outros tempos ressurgiram, trazendo a sensação de algo inédito e me enchendo de uma esperança que eu jã nem lembrava. 
Eu nunca deixei de amar livros e por isso mesmo sempre passeava nas livrarias, admirava nas prateleiras alguns títulos e levava para casa na esperança de despertar a leitura de novo. Isso me rendeu uma estante cheia de livros não lidos em casa. Na última semana, no entanto, despretensiosamente foi avassalada por um livro nas primeiras linhas. Não me contive e levei para casa, em menos de duas horas, devorei. Devorei como a muito não fazia, como se estivesse num deserto e tivesse encontrado um incrível oásis. Era como se tivesse faminta por cada verbo, cada oração, cada jogo de palavras. E estava mesmo, mas só me dei conta do tamanho quando terminei o livro e vi que não lembrava da última vez que tinha lido um livro de uma vez e o quanto eu valorizava leituras instigantes, que me prendiam e me davam muitas ideias e mostravam que eu poderia pesquisar mais sobre alguns temas que traziam. 
Eu conhecia aquela onda quente. Explosão. Processo criativo.
Queria gritar pro mundo todo: Senhoras e senhores, voltei!, mas não era bem assim, não podia me antecipar dessa forma, afinal poderia ser só euforia. 
Peguei aquele livro que desde o ano passado havia iniciado leitura e não terminara. Não era um livro ruim: história envolvente, personagens cativantes, temática central atrativa, descrições detalhadas. Era tudo que eu apreciava em um livro. Ele era bom e eu que não estava tão bem assim. Aos poucos fui lendo e esta noite terminei. Nas últimas páginas eu estava tão emocionada por enfim estar terminando que chorei. Já chorei com outros livros mas dessa vez era diferente, não era pela história mas sim por está conseguindo virar a página, literalmente, desse meu período que apelidei "carinhosamente" de  Idade Média. Muitas coisas ficaram pelo caminho do ano passado para cá, muitas coisas inacabadas, esse livro era uma delas, a representação da minha leitura inexistente. O fim de um dos meus hobbies, uma das minhas válvulas de escape inoperante e aparentemente obsoleta, uma lembrança boa. Concluir esta leitura foi importante e marcante para mim, após tanto tempo, eu precisava disso. Chorei com o coração aquecido, por sentir que aos poucos as coisas vão se ajustando, um passinho por vez, sem afobação. Esse texto veio junto com o sentimento que me encheu, do ser capaz de. Capaz de terminar, capaz de escrever. Capaz. 
Meu bem e amigas, obrigada por sempre me incentivarem mesmo que eu resmungasse que não podia mais. Obrigada por acreditarem mais em mim do que eu mesma. Obrigada por dividirem a fé de vocês comigo quando estou sem.

Esse provavelmente não é o meu melhor texto, mas certamente é um dos importantes. Marca o fim de uma estiagem que eu nunca tinha passado no quesito Escrever. Vou chover ainda, preparar essa terra com paciência e só então florir. Com calma, em paz. 

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Cores e concreto

Eu fui dormir com a cabeça cheia. Muitas ideias, sonhos, projetos e o duro baque da realidade "não da tempo", "não tem grana para isso", "vai ter que esperar", "onde está seu juízo, criatura?"
Foi muita coisa para um único dia e eu resolvi não conversar com ninguém, ficar na minha um tempinho (já alugo muito meus amigos com minhas neuras) e então apaguei.
O dia começou e apesar do peso, o lado sonhadora falou mais alto. Comecei a cogitar ideias, conversei com minha mãe e ela, que sempre espera mais de mim, ficou preocupada com o tanto de ideias boas e grandes, oportunidades que estão me surgindo e disse "apoio tudo que você quiser fazer, mas não se cobre para dar conta disso tudo. Não se mate, olhe por usa saúde, sua alimentação". Ok, ponto para ela, nessa altura no ano e o tanto de coisa que deve ser finalizado em outubro e até dezembro, qualquer pessoa pode duvidar da minha capacidade. Eu mesma, inclusive.
Até ai, tudo bem mas falar com ele foi o que me deixou assim, o que me botou aqui para escrever e tirar isso de mim (só assim volto para os projetos). No começo ele até tava na minha vibe, com ideias e tal, mas rapidamente a coisa muda quando ele diz (usando fala mansa e tentando amenizar as palavras) que eu estou fazendo muitas coisas e não me especializando em nada, que assim eu nunca vou ser boa em uma coisa, não dar o meu melhor em algo porque divido meu foco em muitos assuntos.
Eu, que estava verborrágica na hora do almoço, calei. E estou assim ainda, em poucas palavras, pensando no que está acontecendo comigo, com esse tal relacionamento. Eu não sei, mas não é de hoje que tenho receio em dividir minhas coisas com ele, que é tão "realista" e um tanto pessimista também. Não vibramos na mesma frequência. Eu, que tanto sonho fiquei assim, com essa sensação estranha de uma tristeza comigo mesma por me questionar sobre o que estou fazendo, por ter conversado sobre minhas metas de vida as quais obviamente ele não tem visão para visualizar esses sonhos comigo e, principalmente o que nos prende um ao outro.
Pode ser a TPM atacando? Pode, mas não acho que seja só isso.


******

Nota Mental: Não dividir meus sonhos com quem não sonha comigo. Não ter filhos com gente negativa. Pensar muito antes de casar (tipo, muito mesmo. Aliás, se puder nem casar! Obrigada, de nada).

sábado, 25 de agosto de 2018

A luz que o outro traz

Acordei já me sentido cansada, assim como ontem, anteontem, semana passada... Os dias não têm sido como eu imaginava. As vezes me pergunto se estaria me sentindo assim se tivesse feito outras escolhas, sei lá, nem vale muito a pena né?! É aqui onde estou agora.
Saio cedinho e as alegrias do dia ainda estão em ajudar os outros, ainda bem que posso, mesmo que o tanto que eu faça não seja reconhecido e eu seja tratada com mais desdém que uma aluna de primeiro período e não como a profissional que me esforço para ser.
Fiquei feliz que esse dia chegou, cheio de atividades externas, o que me proporciona sair daquele ambiente que me desanima. Mesmo tento um turno lá pelo menos eu estaria bem ocupada dessa vez.
Cheguei para meu atendimento no horário habitual, organizei minhas coisas, vesti o jaleco e esperei os prontuários chegarem. Enquanto não vinham, observei a sala. Um espaço de mais ou menos 3m², teto alto, paredes pintadas de amarelo com várias partes caindo, deixando transparecer o branco de uma tinta anterior e cheias de infiltrações. A iluminação também não é muito boa e há um cheiro de mofo e insetos quando ligo o ar condicionado (antigo, barulhento e que pinga dentro da sala), o que deixa o ambiente pouco confortável até mesmo para mim que mal noto o lugar hoje me dia. Acho que me habituei. 
As cadeiras são antigas, de metal, pintadas em um tom marfim e se arrastadas fazem um barulho bem irritante. A mesa á minha frente tem um tampo de granito cinza e é instável, de modo que se eu não me apoiar corretamente quando for escrever ela fica pendendo para um lado e para outro. Por mais que eu soubesse (ou achasse que soubesse) da realidade da atenção básica no país, não imaginava que estaria numa lugar assim. Dei mais uma rápida olhada, suspirei e decidi que já era hora de começar.
O primeiro caso foi uma senhorinha fofa, com cara de vó que faz bolo e crochê pros netos, sabe?! A consulta foi proveitosa pois vi nela vontade de mudar e permissão para que eu possa ajudar e isso vai me dando doses de alegria, por saber que estamos plantando uma boa sementinha ali, que o tanto que estudei e estudo vai servir para dar qualidade de vida a alguém que pouco conheço mas me importo.
Parcialmente revigorada, chamo o segundo paciente do dia, e ai vem ele. Mal sabia o que me esperava: um rapaz educado, inteligente, de 6 anos, acompanhado por sua mãe. 
Ele usava um óculos com armação estilosa, tipo de nerd e estava todo arrumadinho. Uma graça. Contou-me sua história muito bem e sozinho, conversava bem e eu já estava animada com aquela criança. Sabe, materno-infantil é uma área que eu gosto bastante e pretendo seguir; atender crianças me faz entrar num outro modo da minha profissão, no qual eu tento deixar essa criança o mais confortável possível, não usado palavras difíceis, brincando e respeitando suas preferencias dentro do possível para exercer meu papel.
Em determinado momento a mãe me contou que ele havia comentado em casa que, caso eu o restringisse de algo que ele gosta muito, não ia querer me ver mais e, por mais que fosse algo que eu não indico, era algo que poderia ser mantido por enquanto. Com isso ganhei a confiança do rapaz a minha frente. Ponto pra mim.
Terminei minha avaliação, sondando o que ele gostava e não gostava e fiz alguns acordos, tentando melhorar o que ele gostava. Ao final ele parou, solenemente, e disse: Tudo bem, eu vou fazer tudo isso que você pediu, estou fazendo um juramento com você." Nesse momento ele estendeu a mão direita com quatro dedos flexionados, mantendo apenas o mindinho estendido. Sim, ele estava fazendo um juramento do dedinho (aliás, do mindinho, como ele mesmo me corrigiu) comigo.
Aquilo me pegou de surpresa. Aquela inocência e seriedade que ele estava depositando no nosso momento me desconcertou de um jeito que eu não estava preparada, só em lembrar sinto as lágrimas arderem nos olhos. Sabe quando você esta fazendo um esforço colossal para se manter firme e vem alguém sorrindo e diz algo que lhe conforta de algum modo? Foi tão revigorante, tão belo, mesmo naquela sala de pouca ambiência, mesmo no local que eu pouco sou reconhecida pelo meu trabalho, ali com o dedinho estendido aquela criança brilhou. Brilhou de um jeito que na simplicidade (para muitos) do seu gesto foi a luz que eu precisava e não sabia, ou sabia e fingia que não precisava por não saber onde encontrar.
E quantas pessoas a gente encontra disposta a iluminar nossos dias, não é?! Quantas vezes a gente corre da luz com medo de cegar, nos acostumamos a sofrer calados ou reclamar sem ação, sem tentar mudar.
Crianças são a representação do recomeço, esperança, são verdeiras, tão e transmitem sinceridade. Nos últimos dias eu me encontrava num estado de cobrança e autocobrança frequente, pensando no futuro e me sentindo inerte, sem certezas. Tenho me desgastado com situações que me fazem mal e por mais que eu tente não pensar, hora ou outra elas vêm. Momentos como esse, com essa criança de 6 anos, que durou menos de um minuto, mudou minha energia e eu duvido que em sua inocência ele soubesse que poderia tanto com aquele dedinho solene.
Segurei-me para não chorar ali, mas em casa me permiti senti, deixar ir o que me incomodava e não merecia estar mais em mim. Fiz um juramento comigo mesma: lembrar daquele momento ou similar, quando me sentir esgotada. Buscar pessoas que transmitam luz e levar aos outros também. Estar entre iluminados nos afasta das sombras e reacende o caminho que vez ou outra some.
Rapazinho, muito obrigada por confiar em mim e me relembrar do bem que uma criança pode fazer. Já estou ansiosa por sua próxima visita.

"Vamos fazer o juramento do dedinho mindinho

Juntar o meu mindinho com o seu mindinho 
Então fechou o trato tá feito."

terça-feira, 31 de julho de 2018

Casa

Acordei no horário habitual, li algumas notícias e levantei para me cuidar para ir pro trabalho e resolvi caprichar um pouco, só para chegar diferente. 
Coloquei uma playlist que gosto e deixei no aleatório, até que tocou aquela música, aquela, e me trouxe a discussão de ontem com meu namorado por causa da minha mãe, da discussão com ela há alguns dias, e do tempo ruim.
Trata-se de uma música cristã que questiona Deus como pode nos amar tanto mesmo sendo o que somos. Ela sempre me emociona muito e hoje não foi diferente, fui as lágrimas.
Lembrei do tempo que frequentava casa dEle como visitante, claro. Nunca foi minha morada também. Lembro que no tempo ruim eu gostava de ir lá, orava, chorava, cantava e me sentia bem, preparada para a semana pelo menos. Minhas válvulas de escape já não eram suficientes e eu me sentia uma senhora de 89 anos quando tinha apenas 15, 16, cansada como se carregasse o mundo nas costas (e era mais ou menos isso mesmo, meu mundo, o que eu conhecia, dependia muito de mim). 
Em casa haviam muitos problemas e cada um lidava como conseguia, eu assumi características permanentes como um ar de independência que chega a incomodar e dificultou algumas coisas na minha vida. Como não teria essa característica se eu tinha q assumir responsabilidades, se não tinha como contar com outros, para quem justificar? Pai, mãe? Não eram opções. Irmãos mais novos? Eu era a referência...
Frequentar a casa dEle me fez bem e eu até chamava minha família e até que eles foram algumas vezes, mas... o problema do meu pai com álcool me afastou de lá. 
Ele começou a ficar diferente, querendo ser todo certo mas n conseguiu vencer o vício então deixou de frequentar. Na igreja começaram a me perguntar por ele, porque ele não estava indo e até comentando que o haviam visto (eu bem sei o estado que ele estava quando o viam baseando-me pela forma que ele chegava em casa) aí eu parei de ir. Não quero parecer ingrata após ser acolhida mas  sentia-me envergonhada por ele ter chamado tanta atenção e logo saiu, por todos olharem para mim perguntando por ele.
Passei muito tempo sem entrar em uma igreja novamente e das vezes que entrei não me senti bem como antes. Não culpo minha família também, eu não quis mais ir no fim das contas, mas, ali na cozinha ouvindo aquela música enquanto fazia vitamina e chorava me lembrou da igreja e da sensação de estar lá e me senti abraçada a todo instante. Acolhida, consolada em paz. Mesmo que tivesse que voltar correndo para casa ou passar a noite acordada num hospital, imaginando uma diferente, ou lembrando coisas.
O que somos hoje é consequência de uma série de erros e acertos, escolhas, pessoas e situações. 
Como pode me amar, Deus?
Fui para o trabalho pensativa e acho que agora, após escrever, acalmarei um pouco minha mente.

 A música: 

Como pode me amar, Deus?
Conhecendo o meu pecado
Sabendo o que eu faço de errado
Como pode me amar assim?

Como pode me amar, Deus?
Sabendo que eu sou falho
E que o meu coração já não bate
Mais como já bateu?

Como pode me amar, Deus?
Sabendo que eu fugiria
Se a porta estivesse aberta
Como pode em mim confiar?

E ainda me pega quando estou caindo
E me abraça quando estou chorando
E segura as minhas mãos
E me leva pra perto das chamas de amor
Que ardem em Teu coração e não se podem conter

Como uma flecha que estoura em meu peito
E me traz de joelhos enquanto eu choro
Tenha o meu coração
Minh'alma soluça
Quando eu percebo o contato de Seus olhos com os meus

Como pode me amar, Deus?
Sabendo o que eu diria
Sabendo que eu me frustraria
Como pode me amar assim?

Como pode me amar, Deus?
Sabendo que eu Te culparia
Pelo que não foi como eu queria
Como pode me amar assim?

Como pode me amar, Deus?
Sabendo que eu me fecharia
Quando Você quisesse entrar
Como pode em mim confiar?

E ainda me pega quando estou caindo
E me abraça quando estou chorando
E segura as minhas mãos
E me leva pra perto das chamas de amor
Que ardem em Teu coração e não se podem conter

Como uma flecha que estoura em meu peito
E me traz de joelhos enquanto eu choro
Tenha o meu coração
Minh'alma soluça
Quando eu percebo o contato de Seus olhos com os meus

Me leva pra casa
Eu quero voltar
Pois longe de Ti
Não é o meu lugar

Eu corro depressa
Pra Te encontrar
De braços abertos
Como alguém que esqueceu

Me leva pra casa
Eu quero voltar
Pois longe de Ti
Não é o meu lugar

Eu corro depressa
Pra Te encontrar
De braços abertos
Em meu lugar

Me Leva Pra Casa - Israel Subirá

domingo, 24 de junho de 2018

Ela e Eu por mim



É engraçado como começou isso tudo. Lembro que a conhecia da escola e até estudamos numa mesma turma por vários anos e, mesmo tendo amigos em comum e frequentando os mesmo lugares, só nos aproximamos no último ano da escola e isso só cresceu quando acabou, o que também é curioso já que a tendência é se afastar depois que a rotina muda, os hábitos, ares. Mas nós não, somos do ar e isso nos une, quero dizer a astrologia foi um dos assuntos que nos trouxe para perto uma da outra, assim como música, vinhos, escrita, livros, mar, fotos, crises existenciais e conversas profundas noite a dentro. 
Na escola não éramos amigas. Ela era do tipo popular enquanto eu tentava passar despercebida, mas confesso que sempre achei que seria uma amizade interessante porque eu curtia as ideias dela, a vibe. Ela parecia ter uns pontos de vistas mais elaborados que o resto da turma e dava para imaginar as conversas indo longe a partir daquele ponto. Hoje em dia somos amigas do tipo “muito amigas”, do tipo que conversa sobre cada acontecimento relevante não importa o dia nem a hora. Do tipo que eu considero a voz dela como a da minha consciência e, se eu tiver meio desorientada falo com ela, o que ela aconselhar eu faço sem questionar o que é interessante porque sou do tipo rebelde e questionadora, mas não com ela. Por que eu confio, sabe? Acho que ela me conhece como poucas pessoas, pois tem uma sensibilidade aguçada (acho que é esse Marte, mercúrio...) tem interesse. Ela funciona como um diário que fala e anda, qualquer coisa de mim, acredite, ela sabe. E minhas viagens, ela entende (nem eu sei como, já que nem sempre eu mesma entendo).Mesmo com a rotina diferente, mesmo com profissões diferentes e morando e cidades diferentes, somos amigas-irmãs.
Da escola para cá muita coisa aconteceu, muita coisa mudou. Hoje eu consigo ser mais aberta, sincera, contar mais com as pessoas. Hoje eu a vejo feliz apesar dos perrengues, vejo a mulher forte, que ela sempre foi, enfrentando um leão por dia e rindo. Vejo ela ficar cada vez mais serena e em paz com sua espiritualidade e é feliz ver isso pois eu acompanhei uma parte de seus obstáculos até aqui, e sei que não foi fácil. Espero estar presente em mais momentos, seja para comemorar ou para consolar, chorar junto, porque somos assim: estamos e somos uma para a outra, não importa o dia ou hora.
Gratidão a Deus e a vida por ter alguém assim no meu caminho, na minha história. Amo você, viu?! 💗
O outro texto, na versão dela, está aqui!

P.S.: Amiga, desculpa a demora, no WhatsApp o porquê.
P.S 2: Sou muito sem jeito para falar de mim, cês entendem, né?!

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Aconchego

Cheguei tão cansada da viagem que acabei dormindo sem estudar, jantar ou falar com ele.
Acordei na madrugada com sede e com a consciência pesada por não ter estudado. Fui beber água, fui ao banheiro e ao voltar para o  quarto e deitar, percebi a cama tão maior! Bateu saudade. Saudade dele, claro.
Inevitavelmente lembrei das noites anteriores nas quais dormimos dividindo um colchão pequeno e é tão engraçado perceber que, logo eu, que nunca gostei de grude, que nunca fui muito chegada a longos abraços apertados, me vejo assim: amando dormir junto dele, dormir enrolando braços e pernas,toda entrelaçada, tão juntos que mal se pode respirar. E eu me sinto bem, em casa, em paz.
É engraçado como eu gosto de estar entre os braços dele e como encontrei em seu peito o melhor lugar para tirar um cochilo: é macio, quentinho e eu fico ouvindo coração dele batendo numa sincronia certinha, sístole, diástole, sístole, diástole... Às vezes até nossas respirações se sincronizam e eu então percebo o quanto estamos cada vez mais alinhados.
Pensar nessa sincronia toda me faz pensar como tem acontecido tanta coisa em nossas vidas, tantas mudanças que eu não tenho escrito, não tenho conseguido pensado e quando lembro me assusto as vezes ("Como chegamos aqui?"). Não raramente me perco no quanto nos aproximamos, no quanto estamos bem e como eu gosto de estar com ele. Eu não imaginei em nenhum momento que ficar junto assim me faria tão bem e faria tanta falta também! Justo comigo, a rainha da independência, a aquariana livre, leve e solta nesse mundão, doida para voar.

Enfim, ao deita na cama tentei da melhor forma possível substitui-lo com um travesseiros e almofadas, mas nem deu, né?! Não tinha aquele aconchego, nada tinha o calor dele. Ai resolvi ligar e dizer isso, aposto que ele ia gostar de acordar no meio da madrugada assim. Ou talvez amanhã, meu sono está voltando.

*Durmo e sonho com ele, alguma coisa que não lembro, mas sei que ele estava. Como sei? Bom, ele foi a primeira pessoa que lembrei, antes mesmo de abrir os olhos e acordei leve. É, certamente ele estava por lá sim.

Nem preciso dizer que amo você né?!

sexta-feira, 21 de julho de 2017

"O que você sente quando te olho?"

A pergunta veio assim mesmo, do nada. Sabe que eu ainda não tinha pensado sobre isso?! É tanto que protelei a resposta, para poder pensar sobre, analisar de um, dois ou vários ângulos.
Passamos muito tempo longe e, honestamente, não me parece difícil. Sim, é foda às vezes, mas no geral levo bem, sem neuras porém, quando vai se aproximando o dia da viagem, fico um pouco ansiosa. Quando te encontro pronto, passou. Sei lá, estar perto de você causa uma certa agitação em mim (nem parece né?!, eu sei). Você tenta, sem sucesso, me fazer rir com piadas bestas que nem consegue terminar de contar antes de rir (e gosto quando rir, acho divertido) e acabo rindo, então meu riso, seu riso, tudo se mistura e eu fico ali, rindo como besta, ainda que tente o contrário.
Você tem hábito de me olhar já com um riso bobo e eu pergunto "Tá olhando o quê?". Fico me perguntando "Do que esse bocó tá rindo?", às vezes eu pergunto em voz alta mas nunca recebo resposta além de um "nada" risonho ¬¬. Eu não gosto de ser encarada, me incomoda mas, quando vem de você eu não ligo, as vezes até me agrado de um olhar de contemplação e felicidade que eu vejo ali naqueles olhos fundos e puxados.
Quando você me olha eu penso "o que estamos fazendo? Será que algum dia serei recíproca a tudo que ele sente?", "por quê estou rindo tanto?", "caramba, que cara sortudo!", "por quê tá demorando para me beijar?"
Quando você me olha fico feliz de te ter por perto comigo e para mim, por você sair de casa ao meio dia só para passar meia hora comigo (este pequeno ser andando de um lado para o outro arrumando uma mochila as pressas), fico feliz por saber que você se preocupa com meu bem estar e saber que eu me preocupo com você também, por saber que estou aqui para você. Quando nos olhamos eu sinto algo crescer entre nós (e não é um bloco de gelo) e isso me faz rir.
Na troca de olhares há incertezas, sim, mas há alegria, bastante, por isso não paro de rir, nem quero então pode continuar me olhando. :)

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Quando as estrelas se alinharam

Sim, faz tempo que não escrevo.
Não, não estou com tempo livre, mas quero escrever mesmo assim.
Sim, eu arranjo tempo quando quero.

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Lavando a louça eu penso em tanta coisa! Esses dias mesmo estava lembrando de algumas situações e conversas e me veio o conteúdo desse texto-conversa. Sei lá, é tão engraçado como nos aproximamos de pessoas e como mantemos o contato apesar de todas as agendas e estilos de vida. Para hoje tenho uma história engraçada.
Não lembro mês ou ano, mas eu tinha passado a tarde na casa de uma amiga conversando muito, ela me acompanhou metade do caminho de volta para minha casa e, no ponto final, paramos e ficamos conversando mais e mais. É sempre assim, se deixar a gente conversa por hooooras e nem sente, flui bem, tanto as ideias quanto as viagens. Lembro que no meio dessa conversa fomos parar nos signos e eu, que sempre gostei muito, falei sobre ascendente, lua, mapa astral... BUM! Foi o suficiente para arranjamos uma forma de "endoidarmos" mais.
Desde criança sempre gostei de coisas exóticas: quiromancia, astrologia, grafologia, linguagem corporal, (sabe como é, meu aquário comporta muita coisa) esse lance todo de auto conhecimento, interpretação de tendências e traços de personalidade são assuntos que me fascinam há tempos mas nunca me aprofundei em nada. Até aquele dia.
Pouco tempo depois já fizemos o mapa dela e encontramos muitas semelhanças com o meu mapa. Começamos a estudar e logo esse virou um tema fixo nas nossas conversas, pessoalmente ou online e era muito bom porque nessas conversas acabávamos falando mais e mais e assim nos aproximando, nos conhecendo (nunca se conhece alguém completamente, não importa o tempo que se conheçam). Um dia, reunidas com outras amigas dos tempos de escola, alguém entrou no assunto astrologia, e eu lembro que tentei não ser a louca dos signos, mas não tinha mais jeito, eu era. E descobri que todas eram! Como é bom encontrar pessoas para viajar nas ideias com você. Por mais que pareça absurdo eu gosto de pensar que os astros podem me mostrar alguma coisa, algo "escrito nas estrelas", sabe?! Gosto disso.
Logo criamos um grupo via WhatsApp e quando possível nos reunimos também (o que é raro, com as vidas corridas - todo mundo correndo atrás do seu crescimento e desenvolvimento no mercado de trabalho, aliás, na vida). Temos uma agenda de estudos astrológicos e, de verdade, eu jamais imaginaria que me aproximaria tanto de vocês, depois de tantos anos, através da astrologia, sério. Posso contar a história de cada uma de vocês na minha vida? (Dãã, claro que posso! O texto é meu), vou seguir a ordem cronológica e não darei nomes para manter o perfil anônimo da página.
(Corta, estou com preguiça. E nem sou obrigada.)
De modo geral todas nos conhecemos na escola: uma no fundamental I, e as outras duas no II. Engraçado que durante toda a fase escolar eu era bem próxima de uma, me afastei um pouco de outra e mal tinha contato com a terceira. Já na faculdade, mantive o contato com a primeira, me afastei ainda mais da segunda e incrivelmente me aproximei bastante da terceira (hoje, inclusive, é uma das minhas melhoras amigas). Com a descoberta dos nossos interesses por astrologia nos aproximamos significativamente e voltamos a fazer parte da vida e dos dias uma das outras. Nunca mais fomos as mesmas Astros fazem parte de um dos assuntos, mas através deles pudemos compartilhar nossas histórias engraçadas, neuras e frustrações, nos fizemos amigas novamente e isso, em tempos de hoje, é incrível!
Se eu passasse cada segundo do ciclo de Saturno agradecendo por tudo que tenho, seria pouco. Sou extremamente grata, entre outras coisas, por estarmos alinhadas, assim como nossas estrelinhas e por podermos aprender juntas, seja sobre astros, nós, nossos boys ou sobre a vida. Agora eu sei o que significa uma vênus em áries ou aquário, uma lua em câncer e um ascendente em capricórnio, coincidentemente (ou não) agora entendo um pouquinho mais sobre vocês também.
Estamos juntas (em movimento direto), ainda que a lua esteja em leão, que a Vênus ou Mércurio estejam retrógrados ou algum planeta em Peixes; ainda que a vida seja zueira, mesmo que sem tempo e "adultecendo".

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Amor, humor e paciência

Hoje, contei para algumas amigas que, oficialmente, estou namorando. Não que não já estivesse, só não tinha nome ainda. Elas estavam mais empolgadas que eu e acabaram dando algumas dicas sobre relacionamentos. E todas poderiam ser resumidas em três palavras: amor, humor, paciência.
Eu me considero uma pessoa paciente, divertida e até fofa mas nunca juntei isso tudo num relacionamento. Na verdade eu não encontrei a mescla no ponto, sabe?! Resolvi tentar de novo, vai que o tempo tenha me melhorado, né?"
Acho que essas três palavras sintetizam bem o essencial num relacionamento. Claro que há outras coisas que também são muuuito importantes mas, sem essas, acho que não dura não. Pessoalmente falando, acho que a paciência é o mais importante, pois para estar em um relacionamento, seja romântico ou mesmo profissional, temos que nos adaptar aos hábitos, costumes e defeitos do outro. As vezes eu não compreendo a mim, avalie o próximo! Paciência é um exercício diário, se ela não existe a vontade que dá é de jogar tudo pro ar e dizer "Cara, isso não é para mim, vou ali procurar alguém mais simples. Sorte ai". Inclusive já falei essa frase, mais de uma vez haha e o outro, meu par, foi a paciência em pessoa com meu jeito impaciente de ser quando o assunto é relacionamento. Tentar ser mais paciente, relevar algumas coisas, dialogar mais tem me ajudado a ser alguém melhor, mais compreensiva. Eu gosto dessa versão de mim que vem se moldando e querendo ou não, ele tem me ajudado nisso.
Humor, aaah, como é bom rir! Riso deixa a vida leve, ameniza dores devido a liberação de hormônios de bem estar, a ciência comprova (mas nem precisaria né?! se você já esteve em um roda de amigos, certamente comprova o bem estar advindo do riso). Rir para mim, é a solução de 80% dos problemas, não que resolve, calma, mas ele nos tira do pensamento negativo que bloqueia as ideias boas, as possíveis soluções. Rir é vida! Ambiente de trabalho, casa, relacionamento... sem uma boa dose de humor diária nos mata lentamente. A vida corrida nos priva de muita coisa, nos consome e a gente entra no piloto automático esquecendo de viver. Rir nos tira desse ciclo vicioso da rotina. Nos lembra que a vida é mais que esse feijão com arroz insosso que a gente insiste em comer porque é prático. Ter alguém do seu lado para rir junto, te fazer rir, rir de você, ah rapaz, é um verdadeiro presente! Por mais que o dia seja cansativo, depois de uma boa gargalhada os problemas vão até parecer pequenos.
E o amor? Ah, o que falar sobre ele?! Eu não sei definir. Ouvi uma música que dizia que o amor é a estrada em que o sonho acontece. Achei isso tão bonito que guardo em mim desde então. O amor não se define, nem se explica mas há várias formas de ser amor, de sentir amor e de cultivar amor. Esse tal amor, a meu ver, pode estar presente desde o começo ou ir nascendo aos poucos, como um brotinho.
Amor, humor e paciência formam a tríade da boa convivência, aquela que dura e é boa, sabe?! Eu nunca tentei em um relacionamento mas acredito nas minhas conselheiras e também acredito piamente que esses três juntos nos levam bem longe, talvez onde eu nunca cheguei.


quarta-feira, 15 de março de 2017

Ciclos

(Ao som de Leve com você - Natiruts)

A vida é cheia deles, uns mais floridos, outros mais sofridos, uns no piloto automático e tem também aqueles que passam a sensação de "O que tá acontecendo aqui?".
Tem o ciclo do fim da escola, troca de emprego, fim da faculdade, início/término de relacionamento e claro, o do aniversário.
Hoje eu encerro um ciclo e começo outro. Estou com uma vontade enorme de escrever e, como não sou me conter, cá estou. Eu sempre penso sobre o ciclo passado e o que eu quero para o próximo. Penso e deixo na mente, dessa vez quero escrever para que possa avaliar melhor, no futuro. Vamos lá?
No ciclo passado aconteceu tanta coisa, foi tão importante na minha vida e tão corrido, tão puxado, cresci tanto... nossa! Parando assim para pensar... o texto vai ser longo! hahaha
No ciclo dos 23 eu engordei muito (e perdi tudo também!), fiz minha primeira tatuagem, montei meu primeiro negócio, cometi erros no investimento também. Ano passado firmei mais ainda as amizades antigas e fiz novas. Ri com amigos, conheci lugares novos, fui inspiração para outras pessoas (isso foi lindo), Perdi meu primeiro amigo pet :/ Ganhei um novo amigo pet tão lindo e carinhoso quanto o outro (talvez até mais carinhoso). Ano passado eu me decepcionei com pessoas, tentei ser uma pessoa melhor, comecei a mostrar mais meus textos e até "publiquei" meu primeiro livro físico (edição única e limitada à um exemplar - presente de aniversário para minha mãe). 
Quando paro para pensar que cresci tanto como pessoa fico besta aqui rindo para essa tela. Consegui se mais aberta a conversas, a tentar ser mais quem eu sou e deixar que vejam. Conheci um cara muito gente boa e fico feliz com a paciência que ele tem tido com meu "jeitinho meigo" de ser.
Sabe, me vi como alguém capaz de fazer mais, por tantos, por todos, por mim. Sim foi um ciclo feliz e quero que esse que está começando seja, uma continuidade das mudanças positivas. Que a felicidade e o crescimento estejam presentes e que eu possa voltar aqui com novas ideias e histórias sobre dias (incríveis) que virão.


Não importa se só tocam

O primeiro acorde da canção
A gente escreve o resto em linhas tortas
Nas portas da percepção
Em paredes de banheiro
Nas folhas que o outono leva ao chão
Em livros de histórias seremos a memória dos dias que virão


Exército de um homem só - Humberto Gessinger

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Eu escolhi você

Ó, só pra você saber, eu escolhi você.
E, por favor, não me venha com gracinhas falando daquela música da Clarice Falcão. Sério, aposto que você não acredita mas, sim, eu te escolhi. Fica quieto ai e me deixa ser fofa.
Quando aparecestes eu estava conhecendo outros caras, confesso. Nada grandioso, só passando tempo, afinal, eu não estava fazendo nada mesmo... Bom ai você apareceu, e eu ignorei educadamente. Uma, duas vezes. O terceiro "Oi" me deixou intrigada, como esse cara ainda insiste véi?! Vou ver qual a dele, pensei e foi o que fiz (e fico feliz por isso). Por que te escolhi? Você veio com aquela história que me observava desde os tempos de escola (isso já faz tanto tempo!) e eu achei tão estranho. E original. E criativo. E bonitinho (ainda que pudesse não ser verdade). Foi um elemento surpresa, sabe?! Eu não esperava algo assim e isso me despertou curiosidade. De cara achei você muito corajoso ou muito louco (ou um pouco dos dois), por que dizer coisas assim, numa primeira conversa... É de uma verdade tão crua que assusta pessoas que não estão muito afim de coisas sérias (como eu).
Ok, continuando... E ai, conversa vai, conversa vem, não demorou muito para que víssemos nossas diferenças ideológicas e eu gosto tanto de conversar sobre tudo, mas quando começávamos... não dava muito certo e por vezes achei que era hora de parar mas, porque continuei? Primeiro porque você é insistente/persistente e segundo porque acho que, podemos tentar nos ajustar. Não para caber um no outro, mas sim para somar, expandir horizontes para ideias e vivências novas a partir da tentativa de enxergar o mundo do outro, testar um novo ângulo. 
Eu escolho você, não por não ter outras opções, mas por achar que você é a melhor opção, agora. Por você ter essa paciência, essa sinceridade crua de criança, esse jeito todo sentimental que equilibra um pouco meu lado insensível (mais insensível que uma mula, não é mesmo?). Eu gosto da sua perseverança, essa coisa de achar que todas as coisas podem dar certo quando eu me estresso e quero jogar tudo pro ar (porque não tenho paciência mesmo). Eu gosto dessa mansidão que freia meus devaneios. Gosto do teu olhar forte que às vezes se faz pidão querendo beijo. 
Por que escolho você? Porque desde as primeiras conversas senti que deveria tentar, que poderia valer e até agora, não estou arrependida. Se estou apaixonada? Não, ainda não. Se quero que acabe? Não, pelo contrário: quero mais disso tudo, mais de você. Quero aprender a ser carinhosa e fofinha (kkkkkkkkkkkk). 
Vai me ajudar, pessoa?

Beijo!

P.S.: Ainda vai demorar muito? Tô com um pouquinho de saudade.
Sério, venha logo.

 P.S ²: essa última estrofe da música (defeitos, jeito torto, confusão...) combinada mais comigo do que com você.

Quem vive de princípios
Não tem meios, nem fins

Eu quebro as minhas leis
Pois só assim elas pertencem a mim



E eu que sempre fui da turma do talvez
Me joguei sem paraquedas no sim



E eu escolho você com todos seus defeitos
E esse jeito torto de ser
Eu escolho você, destino imperfeito
Todo carne, osso e confusão

Escolho você - Sandy

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Belo estranho dia

Eu estava com medo, essa é a sensação mais gritante que consigo lembrar daquela tarde. Não haviam ônibus nas ruas e elas estavam parcialmente iluminadas. O desespero estava estampado nas poucas faces que eu encontrava nas ruas, todos tentavam se esconder ou encontrar alguém querido que se perdeu ao ouvi aquele som estrondoso. O caos havia tomado a cidade e o ar continha uma tensão estranha, algo que eu nunca tinha sentido antes. Pavor. Parecia algo que eu gostava de ver na infância nos filmes de terro ou suspense, a diferença era que era real e eu não estava gostando. Estava sozinha e não sabia como chegar em casa, não por está perdida mas por não saber o trajeto menos perigoso para chegar lá. Me sentia num jogo do Mario Bros, surreal.

A noite já caia quando começou a chover e tentei me abrigará em uma marquise de uma loja, logo a quantidade de gente diminuiu e me vi como um alvo fácil. Ouvi o som de de motor potente, risos e música alta e senti o meu calor se dissipar. Corri, tentei correr, tanto quanto minhas pernas e pulmões permitiam e consegui abrigo na portaria de um condomínio, acho que o porteiro sentiu pena de mim.
Lá dentro observei que haviam outras pessoas, pessoas que eu conhecia até, lá... Ele estava ajudando muita gente mas não poderia fazer isso por muito tempo. Ao cessar a queda das pingos tivemos que sair, em grupo mesmo, para uma garagem subterrânea, não muito longe dali. Eu, pedida como estava, fui assim mesmo. Chegando lá encontrei rostos amigos e familiares e ao percebermos que estávamos bem após tamanha tensão, rimos abraçados. 
Naquela garagem vi pessoas que estavam brigadas conversando, pessoas amigas rindo, alguns até dançavam. Ali, naquele cantinho quente e abafado vi, que por mais que esteja tudo um caos, há esperança. Há possibilidades de ser melhor. Era confuso ver aquele clima fraterno e de paz quando a cidade estava em chamas, imersa em violência descaso e medo. O caos está lá fora mas, aqui dentro existe um pequeno grupo que está se consertando, pensei. Se ajudando, se perdoando, se alegrando. Tá tudo errado externamente mas enquanto existir disposição para ser melhor internamente, temos chance. Que belo estranho dia pra se ter alegria, não é mesmo?!
Com esse pensamento esperançoso abri os olhos. Estava em minha cama quentinha naquela manhã de sábado chuvosa. 
Passava das 7 e eu tinha aula. 
Hora da realidade. 
Hora de fazer melhor e diminui o caos, em algum lugar.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Não é sua culpa

Olha, hoje não estou em um bom dia, de modo que, desculpa, mas vou desabafar aqui mesmo, com você, que não tem nada a ver com isso, só está passando por aqui, eu sei, mas vai ser você.
Só escrevi três linhas até agora e já estou irritada porque não consigo distinguir as letras que digito. Nem o teclado estou vendo bem, avalia a tela. 
Queria continuar, mesmo agora, sendo aquela pessoa que faz as piadas mais escrachadas de si, mas hoje... não dá. Tô bad!
Ouvir, aos 23 anos, que perdeu mais de 75% da visão em ambos olhos não é algo muito animador. Faz pensar no futuro e dá medo, muito medo. Pensar no quanto preciso dos meus olhos e sentir que eles simplesmente não estão aptos para continuar vendo cores e traços é desanimador. Muito foda.
Eu queria fazer de conta, até para mim, que estou animada com as alternativas, mas não. Hoje eu só queria passar o dia deitada, com os olhos fechados para não ter que ver esses borrões por todos os lados, se quer meu rosto me é nítido no espelho. Estou tão amarga! Quero brigadeiro para adoçar a vida e as expectativas. Quero nitidez para ler meus livros, estudar, assistir tv ou cumprimentar as pessoas sem fazer careta tentando reconhecer seus rostos à distância mínima. Hoje estou cansada de me esforçar tanto para enxergar e vê apenas rascunhos mal feitos, borrões de uma realidade que não me quer. Parece que corri uma maratona e ainda estou extremamente longe da linha de chegada. Cansada, acabada e ainda perdedora.
Quero mais do que esse tão pouco que há, quero tanto que até estou escrevendo isso para provar para mim mesma que posso escrever, mesmo que com enormes borrões, apesar da fonte ampliada. Quero ter força para dizer a essa patologia "ei colega, sei da sua existência aqui, mas eu posso com você! Sou durona, viu?!" mas hoje não vai dar. Hoje ela está ganhando. Ontem também. Tá, há algum tempo ela vem ganhando.
Desculpa chegar aqui assim e despejar essa energia tão negativa em você, que não queria, juro, mas não posso falar essas coisas para os que me amam, eles torcem tanto... Não gosto de roubar esperanças. Acontece que tá foda ser forte por mim e por todos, então hoje eu resolvi descansar, por mim. Mas ó, obrigado por me aguentar durante esses 6 anos, sempre em todos os momentos. Você é um ótimo "ouvinte" e é por isso que amo tanto você, Páginas-de-um-diário-real. Na próxima visita vou tentar te trazer palavras (e sentimentos) mais alegres. 
Beijo!


P.S..: desculpe os erros ortográficos.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Senta aqui, vamos falar sobre saudade

Ontem saudade foi o assunto que mais vi nas redes sociais, disseram que 30 de janeiro é o dia dela. Engraçado, um dia para lembrar a existência da saudade. Quem sente, sentiu ontem, sente hoje, sentirá amanhã... Não há dia, nem hora para a saudade. A safada chega quando bem quer, sem nem mesmo ser convidada.
Li muita citação bonitinha e fui dormir pensando sobre. Fiquei pensando, há tanta saudade nesse mundo e tanta ainda a ser. Eu tenho tanta saudade em mim que me admira não viver em nostalgia. Há saudade de momentos, sentimentos, pessoas, lugares, cheiros, sabores, sensações, músicas que ouve-se uma vez no rádio e nunca mais. Saudade daquele riso que veio do nada ou do arrepio em reação a um cheiro. Saudade do que não se viveu, do que não riu. Saudade de quem se foi e de quem virá.
É tanta saudade que pode caber em uma pessoa que me pergunto se isso significa que tem se vivido uma vida boa, com um passado bom de se lembrar ou se indica um presente mal vivido, sem sal. O que é a saudade? Tem remédio? Tem contra indicação? Ao persistirem os sintomas que médico deve ser consultado? 
Pensar sobre saudade dar margem a tantas perguntas... Saudade tem nome e endereço? (Sim! Ou pelo menos, quase sempre) Saudade mata se apertar demais? E por falar em saudade, quando é que ele vem? Tenho que o entregar uns tantos beijos que ainda não dei... 
Saudade é uma coisa que quando aperta só cessa com abraço apertado, demorado. Saudade nos leva, ainda que distantes, para onde queríamos estar. Essa tal saudade é coisa de gente que sente, sente muito e sente tudo. Gente doida, eu hein...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

2017 (só vem!)

Primeiro texto do ano! Tanta coisa acontecendo de uma vez que, sinceramente, nem tô processando tudo, nem tô escrevendo para organizar em mim. Vai ver por isso que me sinto o tanto perdida, estranha, sei lá. Poderia escrever sobre um monte de coisas mas, para o primeiro texto do ano, queria algo "pra cima", algo que me desse mais que pessimismo. Quero esperança. E por isso resolvi listar aqui minhas metas para o ano. Geralmente escrevo em uma agenda que fica guardadinha, longe dos olhos curiosos mas, não custa mudar um pouco vez ou outra. Vamos lá?

- Estudar, estudar, estudar. Quero estudar mais e melhor os assuntos abordados na minha pós, quero estudar mais SUS, atenção básica... Quero estudar para concursos e inglês também. Estou pensando em um mestrado para o ano que vem então preciso me preparar desde já, com um projeto bacana, cursos capacitantes... Esse ano quero me dedicar mais ainda aos meus pacientes, seja onde for;

- Escrever mais. Ano passado coloquei na cabeça que devo escrever mais sobre aquilo que gosto: minha profissão. Quero que o ato de escrever seja mais que um hobbie, que isso possa levar informações concretas para pessoas da área e curiosos. Pretendo usar mais as redes sociais e todas as mídias possíveis para divulgar meu trabalho, o que não é tarefa fácil mas vamos tentar!

- Escrever mais aqui também e nos meus outros blogs ;*

- Cuidar mais de mim. Isso inclui meus cachos, minha pele e meu corpo torto e flácido kkkkkk Quero melhorar meu condicionamento físico e força e claro, se possível, não sentir vergonha de usar um biquíni de vez em quando.

- Ah, me alimentar melhor também! Talvez eu procure um nutricionista para me ajudar.

- Ler. Eu amo ler mas a cada ano que passa tenho lido menos livros no ano. Em 2016 foram 16, o que pode não parecer ruim mas se considerar que em outros anos minha média era 45, então sim, 16 não é tão bom. Queria ler no mínimo 2 livros por mês e a Bíblia, que quero ler no decorrer do ano por completa. Ler é um habito que me faz muito bem, melhora minhas ideias, falas e escrita, me acho nas palavras. E não se engane, eu sempre estou lendo muito, artigos científicos, contos, crônicas, poemas, poesias... mas quando falo ler, refiro-me aos livros, coisas longas sabe? Romances. Eu gosto de entrar nas histórias, viver um pouco daquelas vidas.

- Ver meus amigos. Quando eu estava na escola via todos os dias meus amigos, aqueles que não estudavam comigo eu via vez ou outra, nas férias, mas sempre nos víamos. Depois veio a faculdade e agora a vida adulta e com isso, as agendas que não se batem. É difícil, com a nossa ânsia por ter entrar (e se firmar) no mercado de trabalho e estabilidade financeira, não entrar no piloto automático e simplesmente passar pela vida. A gente faz isso muitas vezes, embora não queira e quando nos damos contas já não somos convidados para sair, já não lembramos quando foi a última vez que conversamos na calçada de casa ou quando jogou aquela pelada com os amigos. Cabe a nós reservar um tempo para o que importa. Há uns anos essa meta faz parte das minhas prioridades e tenho cumprido bem: Encontrar cada amigo meu pelo menos duas vezes no ano. Nem que seja só um açaí no fim da tarde ou uma cervejinha pós trabalho na sexta. Um tempinho para ver, abraçar e rir um pouco com as histórias antigas e novas também. Reunir todos é uma missão ainda maior (porém melhor) mas seu eu conseguir ver, nem que seja um de cada vez, já fico feliz. Vejo muita gente mais velha que eu com poucos amigos e quando questiono o porquê dizem "Ah, eu tinha muitos mas, comecei a trabalhar, depois casei ai vieram os filhos... Perdemos o vínculo". Eu preciso dos meus amigos, gosto do vínculo e, mantendo-os, não me sinto atropelada pela vida.

- E por falar em amigos quero visitar pelo menos uma das minhas amigas que está morando longe (tipo longe mesmo!)

- Ah, uma meta bem importante desse ano: deixar que gostem de mim. Eu tenho o péssimo hábito de está na defensiva (sempre) e com isso afasto muita gente. Afasto mané com certeza mas assim também se vão os bons. Eu não sei, acho que temo que gostem e eu não saiba lidar com isso, não sei ser recíproca com relação a esses sentimentos. Sou recíproca com minha família, meu cachorro, meus amigos, pacientes, mas com os caras... Devo ter algum problema, só pode. Oooou não achei meu cara ainda, vai saber. Esse ano quero sentir essa coisa que faz pessoas andarem de pantufas em lugares públicos felizes só por estarem do ao lado do ser quem amam e nem ligarem por olhares alheios que dizer "Olha lá aqueles doidos!" Quero ser uma louca assim também, louca feliz e amada (que ame também). 

Hm....Acho que é basicamente isso. Não que não faltem metas mas pensando no macro, tá tudo aqui. E caso não esteja, eu volto para completar. Ao final do ano faço um outro texto contando se as metas foram batidas (ou não).

E você, quais suas metas?


Acrescentando:
1) 30.01.2017:
- Permitir-me gostar também. Tenho percebido que não "baixo a guarda", e isso não facilita muito as coisas no quesito relacionamentos. Acho que temo o que esse mundo novo e pouco explorado tem a me oferecer. Acho que não sei navegar nessas águas pouco lógicas e sem controle. Permitir deixar que gostem de mim é dar oportunidade para que se apresentem, mas me permitir gostar não é só estar disponível para sair de vez em quando, mas sim deixar que me conheçam e entre no meu universo, meu infinito particular, que vejam além do que mostro ao mundo, saca? Deixar que me dispam no sentindo de conhecer até o primeiro texto escrito e raramente lido, dos medos, sonhos e anseios. Deixar que me vejam sem máscaras, o que é uma puta missão quase impossível, mas (querer) tentar não mata né?! Vamos lá!

sábado, 24 de dezembro de 2016

O murchar daquela planta

Hoje o dia foi atipicamente cheio e cansativo. O que foi ótimo, considerando que eu precisava de outros assuntos para ocupar minha mente, que não seja aquele que ronda desde ontem. Agora estou sentada diante da tv assistindo o primeiro filme que apareceu na netflix, comendo brigadeiro de panela após tomar dose de vodka só para esquentar um pouco essa noite estranhamente fria nessa cidade. Percebo agora que mal comi hoje o que também não é problema, não há fome aqui mas, vamos ao que interessa né?!, suponho que você espera por um posicionamento meu após tudo que disse e sei que esperar deve ser horrível. Espero não está sendo precipitada com minhas próximas e longas linhas.
Primeiramente quero que saiba e grave bem em sua mente que não me incomoda o fato de você ter sido casado e que possa ter uma filha fruto dessa relação. Isso não me incomoda, ok?! E, respondendo a sua pergunta mais frequente, não estou chateada. Na verdade, chateada é um adjetivo muito simplista para tudo que há em mim e que ainda não há nome mas, que se tivesse algum, seria algo próximo de decepcionada, desapontada ou coisa assim.
Sabe, o que mais me estarreceu em tudo que você disse foi o fato de insistir em uma relação que desde o início dava sinais de fracasso (Porque isso?), ainda assim casar e com tudo que aconteceu durante o casamento continuar insistindo e pior, após o início do processo de divórcio ainda se encontrarem. Em minha cabeça isso tudo soa tão absurdo que eu não consigo entender. Tipo, porra, cadê seu amor-próprio, seu respeito por si? Insistir em migalhas é tão triste e de uma pequinês tão... sério, essa é a pior parte disso tudo para mim; não é a o casamento, nem mesmo a criança, é isso. Isso é o que começou a murchar o tal brotinho que falei em outro texto, isso é o que implica na minha decisão.
Eu não posso lidar com isso. E sabe o que é engraçado? Lembrar que ontem mesmo eu estava começando a pensar que talvez fosse você. Começando a achar que você era o cara que eu estava esperando, o que eu ia apresentar para minha família, veja só. Achei que te mostraria um monte de músicas e textos que leio vez ou outra ou até mesmo te ler todos os textos que te fiz, mas agora não faz mais sentido para mim. Impressiono-me como tudo pode mudar tão rapidamente. Eu estava a pensar que sua incansável insistência era por me querer demais o que te fazia passar por coisas que, eu no seu lugar não aceitaria de jeito nenhum. Mas agora vejo que talvez a insistência seja um padrão seu e, o que parecia ser algo bom passou a ser péssimo. É como se você insistisse não só pelo que vale mas também pelo que te destrói. Eu não gosto de pessoas autodestrutivas e não quero isso para você, não quero isso para mim também. Não sei se você é assim ou foi assim. Como vou saber?
Eu gosto de você, tenho carinho, me preocupo e por isso mesmo te digo que você precisa rever suas ações e seu posicionamento diante das pessoas e até mesmo da vida. Você não pode aceitar pouco, migalhas. Você merece coisas boas, leves e inteiras e não deve aceitar menos que isso. Não aceite que te pisem, não implore presença, se ame. Se baste. Quando você for completo com si e conseguir se sentir bem em sua companhia ai você poderá está com alguém e assim, compartilharem alegrias. Eu gosto de você mas parece que você não se gosta tanto assim e, desse jeito, eu não quero e é por isso que não quero continuar. Que fique claro, não pelo casamento ou filha, mas por isso.
Espero que não leve isso como mais uma história que não acabou bem. Espero que consiga tirar algum proveito disso. Eu ficaria muito feliz se isso te fizesse pensar a respeito de si e te mudar nesse sentido, se achar que precisa, claro. No mais, sei que não é o tipo de texto que queria ler, se há algum consolo nisso, esse é o último.
Fique bem com tudo isso e, se você for o pai, seja o ótimo pai que acredito que pode ser.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Mutantes

Não sei como vim parar aqui está amanhã. De verdade, estava lendo uns textos na minha página e vi que esta página estava entre as favoritas - deve ter sido há um milhão de anos, obviamente.
Bom, chegar e dar de cara com esse texto me trouxe algumas lembranças amargas e lágrimas também. Chorei por (1) agora ser uma pessoa emotiva, lide com isso kkkk e (2) porque acompanhei tudo e sei que o sofrimento era bem maior do que as palavras tão bem colocadas aqui poderiam descrever. Eu sofri com você e fico feliz por saber que essa fase se foi para nunca mais voltar. Obviamente você não lerá nada que há aqui (o que é bom) e abandonou isso como um pedaço da memória que foi esquecido - e deve ser assim mesmo.
O que estou escrevendo é uma forma de expor o que sinto agora, lendo esse texto de um alguém que um dia foi você. Esse alguém não existe mais e sou imensamente grata, de todo coração, a Deus pelas bençãos em sua vida. O "você" que eu conheci, morreu e, sem antes eu falava isso com amargura em cada sílaba, hoje cantarolo de alegria - ele morreu!
Devo ser extremamente trouxa por isso, uma vez que você desprezou minha melhor parte (minha amizade) sem a menor consideração, mas tudo bem. Isso não dói, não mais. Também já não sou aquela que você costumava conhecer. Hoje somos dois completos desconhecidos. E fico feliz com isso, sinal que a vida é mutável e nós somos seres em evolução, mutantes.
Este trechinho que você escreveu particularmente me chamou atenção: "Espero um dia me sentir um pouco feliz, ao menos um pouco, não completamente, por que nunca acho que ninguém conseguiu esse feito."
Espero que tenhas "quebrado a cara" nesta afirmação. Que sim, você esteja feliz, completamente feliz e que tenha visto que isso é possível sim. Com Deus somos mais fortes.

De uma desconhecida que deseja luz em teus caminhos,
Charlote

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Brotinho

Cada vez que te vejo é uma novidade. É como se estivéssemos aguando algo que só cresce, um brotinho de sentimentos bons. Dessa vez fomos para um show, e talvez tenha sido um dos nossos encontros mais longos. Pudemos passar bem mais tempo juntos e com isso percebi o quanto senti sua falta e o quanto eu estava feliz por estar com você (não conseguia parar de sorrir, caso não tenha percebido). Eu não queria me soltar de ti, o que é raro, uma vez que eu geralmente não gosto de grude. Geralmente. Não com você, pelo visto.
Dessa vez pude ver também que você também não conseguia manter as mãos (e lábios) longe de mim - e eu estava feliz com esse arranjo. Vi e senti o tanto de carinho que você me tem e só posso dizer que provavelmente é recíproco. As amigas dirão que é uma piada, que só eu poderia dizer "provavelmente" quando na verdade é algo óbvio, pra elas, mas, sei lá, não sou de muitas certezas, sabe como é, geralmente enjôo rápido. E por falar nelas, amigas, me desculpem, não consigo dar mais detalhes com relação ao último encontro. Não que eu não queira mas, quando procuro as palavras... elas simplesmente não vêm (veja só, logo eu que tenho essa relação de puro amor com as palavras!). Acho que, inconscientemente, quero guardar isso pra mim, entendem? Não é uma questão egoísta (eu acho), só não consigo descrever o quê senti ali, nem como. Acho que não encontraria as termos certos nem que fosse a própria Jane Austin, C. Lispector, Marchado de Assis, Mia Sheridan, G. Lacombe...
Em resumo, foi divertido, agradável e me deixou na expectativa de mais. Mais dos beijos (que variavam do carinhoso à quente) dos abraços, de presença... mais.

domingo, 13 de novembro de 2016

Nota de esquecimento

Desculpa, ainda não sou capaz de curar minhas próprias mágoas.
E eu ainda sustentei uma esperança de que não era você falando daquela forma, agindo de tal maneira. E realmente não era. Você deixou de ser você, de ser quem eu conheci na infância, há muito tempo e eu não quis acreditar que alguém pudesse ser tão sem personalidade e caráter assim; Eu acreditava que seriamos amigos até perdermos os dentes e ganharmos netos.
Eu precisava viver isso para aprender que não devo dar à alguém tanta importância em minha vida sem ter a consciência que posso passar por outras duras lições.
Não posso obrigar ninguém a ficar. E, sabe, mesmo que pudesse, acho que não quereria. Permanecer deve sempre ser um ato espontâneo e, além disso, você não me parece mais tão bom amigo e agradável quando costumava ser.
Então é isso, não te contarei mais sobre minhas viagens, nem mandarei meus textos, assim como não saberei das suas crises emocionais. E sinceramente, acredito que ficaremos bem longe um do outro.
Fique bem.
Mas bem longe de mim, que fique claro.

Carta de até logo

Eu poderia te escrever um texto no computador e publicar, sei que leria. Mas por algum motivo acredito que esse modo tão milenar de comunicação é de uma cumplicidade e pessoalidade muito melhor. Aqui há minha letra cursiva e garranchuda, meu modo de terminar as linhas, minhas inúmeras vírgulas, expressões e erros.
Espero não chorar enquanto escrevo, até porque o papel entregaria. Não quero que fique melancólico também por que, como eu disse no texto da nossa colação de grau "o que pode parecer um ponto final é também um ponto de partida".  Esse é o ponto final de uma fase cheia de emoções, né amiga?! (Re)conhecermos amigos, perdemos pessoas, rimos, fomos muito felizes. Estivemos juntas em várias ocasiões. Mas o ciclo se encerra aqui. Que esse seja o ponto de partida seja escolhido por Deus para te guiar rumo à felicidade. Que em sua nova estrada você encontra paz e sossego, amigos (não melhores que eu, vale ressaltar), que você possa curtir sua família, que encontre um emprego bacana e tenha pacientes e colegas maravilhosos. Capacite-se muito! Aposto que vc ainda volta para ser professora da UFRN hahaha. Ah, e que você encontre O cara por lá, aqueeele cara dos sonhos, porque você merece um cara muito, muito legal e ele será um sortudo! (Se casar, quero ser madrinha!).
Quando a saudade tiver demais, não se acanhe, ligue a qualquer hora do dia ou da noite. Ou melhor ainda, venha nos ver ou nos chame pra passar uns dias aí. Tendo uma rede vou pra qualquer lugar. Ah, não esqueça dos nossos mochilões hein?! Quando encontrarmos nossos Caras vamos viajar muito. Ou sem eles também (quem precisa de homem pra viajar e se divertir?!)
Quero saber todos os detalhes da sua vida, tal como aconteceu ao longo desse ciclo. A tecnologia está aí pra isso e, você sabe, preciso de informações pra poder escrever meu livro, né?!
Só te desejo coisas boas, chega dessa coisa de filme de ação e suspense, passa ai pros filmes de romance e comédia. Muita luz pros próximos caminhos. Estarei aqui sempre que precisar ou não. Fique bem.
Sabe, acho que só existe uma partida sem volta, que é a morte. Enquanto estivermos vivas há a chance do reencontro e eu acredito que nos veremos em breve. Vai seu estranho sair sem minha consciência, mas sobreviveremos e nos encontraremos logo.
Beijo.