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domingo, 19 de junho de 2016

Piadinhas de Hipnos e Morfeu

Acordei me sentindo quente. Normal, já passava das 10 horas e aqui no nordeste tá quente mesmo. Mas não era apenas isso, tinha a ver com a piadinha sem graça que meu subconsciente fez te trazendo pro meu sonho. 
Já se somam duas noites de visitas suas e por mais que faça muito tempo, isso ainda me incomoda. Incomoda porque me afeta. Sabe, sonho mesmo é com o dia que sonhar, pensar ou falar sobre você não mexa tanto comigo. Eu não sei dar nome ao que tivemos mas sei que até hoje "isso" levanta voou das borboletas que tenho no estômago, as quais sempre pensei que morriam após 24 horas de vida. Imaginar te encontrar por acaso me causa aflição, tremor e um gelo que percorre toda minha coluna vertebral. Sonhar com você traz muitas lembranças, não que sejam ruins (de forma alguma) mas também não precisa ser tanto assim. Depois que acordo me sinto mal. Mal por isso tudo ainda parecer tão real. A vida segue, as coisas mudam e isso permanece. É frustrante!
Desde a última carta que fiz para você, já sonhei outras vezes mas me recusei a dar dimensão a isso, preferi abafar, sufocar e agora, depois desse sonho, sinto-me sufocada, prendendo a todo custo as tantas palavras que guardei para ti. Como se as imagens que vi fossem aquelas que eu queria ter visto, vivido. Como se com aqueles jeitos eu quisesse ter me comunicado, te falado nas entrelinhas.
Por falar nisso, recordo-me agora que recentemente, em uma aula, descobri que tenho alguma alteração na vesícula biliar sem nenhuma causa aparente. Estudando metafísica descobri ainda que as vezes algumas emoções afetam determinados órgãos. O desejo de falar algo e deixar a oportunidade passar afeta por exemplo, olha que interessante, afeta a vesícula biliar. Justo ela? Quando li pensei logo em você. Aliás, principalmente em você, tenho muita coisa guardada para falar pra muita gente, mas nesse quesito, meu caro, você ganha em disparado. Tanto pelo tempo quanto pela quantidade de palavras destinadas.
Queria ter deixado claro o quanto me sentia bem com você, o quanto eu gostava de você quando éramos criança, o quanto quis morar mais perto de você; depois morar em você, queria fazer minha casa no teu cangote, e dizer ainda o quanto eu tinha preguiça de sair dali.
Eu queria sentir menos, mas eu sinto muito.
Sinto tanto que sonho demonstrar "essa coisa" tão abertamente. No da última noite nós estávamos rindo, tranquilos nos abraçando de vez em quando e trocando carinho de dedo e olhares sem que nos importasse quem estava perto, olhando. Na última noite sonhei com os beijos que outrora foram reais e que já procurei em tantas bocas algum, unzinho se quer, melhor melhor que o seu. Nunca vou saber explicar aqueles beijos mas sempre tinha algo mais, sempre eram mais que apenas beijos. A melhor definição que encontrei é que "eram beijos do tipo que davam vontade de tirar a roupa". Simples assim. Intenso assim.
Depois do sonho acordei me sentindo quente, mas não era apenas pelo calor do nordeste. Hipnos e Morfeu te trouxeram pro meu sonho. Um me botou para dormir e o outro colocou você ali, só de pirraça para me perturbar.
Aliás, a culpa foi sua. E eu sinto muito por isso também.

*Na mitologia grega Hipnos é o deus do sono e Morfeu dos sonhos

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Epílogo


Oi moço, como vai? Espero que bem.

Se você está lendo esse e-mail agora significa que venci algumas batalhas internas ou surtei de vez.  Aliás, mesmo assim ainda há possibilidades de não ser lido:

(1) ele pode ser encaminhado diretamente para a lixeira e não ser visto ou (2) talvez esse endereço de e-mail não seja mais utilizado.
Ainda assim me sinto bem em enviar, mesmo que não seja lido me dá uma falsa sensação de que foi só pelo fato de ter sido enviado.
Bom, vamos direto ao ponto: perdemos o contato há muito tempo e por vezes pensei se deveria, de fato, retomá-lo. Talvez devêssemos deixar por isso mesmo. Acontece que, isso tem me incomodado ao longo do tempo. Bom, toda aquela história que que passou me pareceu sem ponto final. Tive brevemente contato com o restante da sua família depois de toda a confusão, menos com você.
Quero que saiba que sinto muito por tudo. De verdade, tenho consciente que vacilei com todos. Naquela época muitas coisas aconteciam em minha vida e eu não soube conduzir tudo. Não espero que isso mude muita coisa, mas que pelo menos possa ser o início do fim de possíveis mágoas que eu possa ter deixado. 
Sinto-me um tanto patética por entrar em contato depois de tanto tempo (e dessa forma) mas não tive muitas opções, afinal.
Então é isso, posso falar mais a respeito se for do seu interesse, só queria que soubesse que não fiz nada por mal, apenas não soube lidar com a situação e falhei pela falta de diálogo.


Desejo muita luz, sucesso e felicidade. Fique bem. 
Como diria Caetano, 
um abraçaço!


OBS.: Esse e-mail, escrito há meses e nunca de fato enviado, trouxe-me, após escrito, uma sensação de leveza, como se tirasse um fardo de dentro de mim, foi um alívio e foi sincero, Pensei realmente em enviar mas soube que você estava feliz e eu também estou feliz, então porquê trazer essa história agora, não é mesmo? Com este e-mail encerro as cartas para Aqueeele Cara. Novas cartas serão escritas para outros corações e outros caras. A vida segue, as pessoas mudam. Nada é, tudo está. Felicidades, meu querido!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Bacharéis

Eu juro que não estava prestando atenção na conversa daquela senhora com o fotógrafo, juro. Mas ficar sentada diante uma tela escolhendo fotos me distraía vez por outra, ainda mais porque não levei meus fones.
Olhar aquelas fotos me fazia lembrar dos momentos exatos do flashes e ora eu ri, ora enchi os olhos com tudo que estava diante de mim. Mas a voz daquela senhora preenchia a pequena sala sem som e foi inevitável não ouvir. Pelo que pude notar ela estava resolvendo umas fotos do filho que estava terminando Direito na mesma faculdade que me formei. Ela disse ainda que queria que incluíssem o Victor nos demais eventos mas que não era mais possível. O fotógrafo sugeriu que ela falasse com o pessoal da comissão. Ele disse que o presidente da comissão era um ótimo rapaz, muito simpático e desenrolado que talvez pudesse ajudá-la. O presidente da comissão era aquele cara. Sim, aqueeele cara. Quando o fotógrafo disse o nome dele, L., eu logo liguei os pontos e percebi que era o mesmo cara que entrou naquela faculdade na mesma época que eu, que ia e voltava das aulas comigo, que ia estudar na biblioteca a noite só pra me fazer companhia.
Passou um filme rápido na minha cabeça e eu ri. De todos os assuntos, de todas as pessoas, logo o nome dele foi dito ali, e tão bem falado. Eu sei que tudo que o fotógrafo disse é verdade, L. sempre foi um cara fantástico, alguém que faz bem ter por perto.
Percebi que o tal Victor, filho daquela senhora, era também colega de turma daquele que um dia foi meu melhor amigo. Por má vontade ou ironia do destino nos perdemos um do outro e a amizade se foi. Agora dois dos caras mais importantes da minha vida estão se formando naquilo que escolheram desde a infância (lembro dos dois falando que seriam juízes na época em que aprendíamos expressões numéricas). Fico muito feliz por eles mas lamento que tenhamos nos afastado tanto e não poder estar com vocês agora. Lembro que fizemos vários planos quando entramos na faculdade, pensando nesse tempo que estamos, nas comemorações, nas músicas...
Espero, profundamente ouvir mais vezes os nomes de vocês por aí, assim como hoje, aleatoriamente. Quero ouvir as pessoas falando bem de vocês, de como são profissionais excepcionais e pessoas tão boas quando eu sei que são. Que o futuro de vocês seja cheio de luz e que sejam profissionais comprometidos com a verdade e a justiça. Espero que consigam ser juízes ou desembargadores, eu sei que podem. Os amo, viu?! Sucesso!

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Tan-tan

Adivinha só, tenho uma amiga que adora as bobagens que escrevo e gosta bastante das coisas que escrevi sobre um certo cara que passou por minha vida. É, "passou" é modo de falar porque mesmo ausente acho que ele nunca se foi.
Ao longo nos anos escrevi muitas linhas por ele e para ele então reli tooooodas as postagens desse blog e separei aquilo que refere-se àqueeele cara e outras coisas que eu gostaria que ele lesse. Claro que ele nunca lerá nada disso porque perdemos o contato e há anos não nos vemos.
Durante a leitura ri e refleti bastante. Vi que cresci muito, amadureci na escrita e no comportamento. Vi as nuances e oscilações dos sentimentos destinados à ele. Vi as contradições entre uma carta e outra e lembrei dos momentos que escrevi as cartas. Vi o quanto estive tan-tan da cabeça e do coração.
No começo era um sentimento confuso, incompreendido e novo. Sabe, criei esse blog inicialmente para postar o que escrevia para ele, na esperança de um dia mostrar. Depois, quando começamos a nos envolver mais, as cartas surgiram e nelas eu expunha todos os receios que vinham com o sentimento e das mudanças que estavam acontecendo que não eram poucas! 
E então veio a confusão toda que eu mal sabia explicar e tudo acontecia rápido demais de modo que o fim chegou. Aí os textos eram cheios de desculpas, mágoas e tudo mais. Essas duraram um bom tempo mas passaram, como quase tudo na vida passa.
Veio o tempo bom também. Escrevi cartas leves, sentindo saudade da sua amizade, falando de como estava minha vida e me perguntando sobre como estaria a sua. Descobri novas pessoas, vivi novas aventuras, escrevi cartas para novas pessoas e também para mim. Cresci muito mas ainda faço cartas para você. Já não peço desculpas nem quero que volte para vivermos alguma história semelhante mas, nas cartas relembro o que passou, lembro de nós e isso já não dói. Sabe, só acho estranho não poder falar com você, não saber qual seria sua reação se eu dissesse "oi" em alguma rede social ou até pessoalmente. Sei lá, só lembro. E é bom saber que tive uma história legal ainda que tenha sido imatura para vivê-la. 
Enfim, separei um cantinho só dele por essas páginas e honestamente espero não nutri mais essa marcação com tanta frequência, mas sinto que ainda haverão cartas por que histórias marcantes são fontes inesgotáveis e para uma pessoa que se inspira com tudo (e com nada) como eu... 

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Sobre nostalgias, amassos e mágoas











Esses dias uma amiga veio me falar da saudade que sentia de um cara que lhe marcou. Pedi que não fizesse isso, mas ela insistiu. Não tive escolha, guardei meus anseios no bolso e a ouvi, afinal, quando amigos precisam falar a gente segura as nossas pontas e escuta. Bastou ela começar para que eu inevitavelmente lembrasse dele e de nossas aventuras.
Naquele tempo éramos tão imprudentes e sonhadores... Era muito divertido está com você. Falando com ela lembrei dos nossos tantos beijos intensos. Lembrei das vezes que meu quarto, meus pensamentos e meu corpo eram tomados por sua presença. 
Lembrei dos nossos carnavais, viagens e planos. Lembrei de tantas besteiras que fizemos e que foram se acumulando até culminar no fim irremediável. Dividimos muita coisa e um sentimento (Paixão? Amor?) tão forte que é difícil crer que se quer foi vivido em sua plenitude. 
Apesar de desafinado, lembro de cada música, cada trecho que você cantou para mim. Ainda lembro do teu gosto e do teu cheiro. Não esqueci dos teus gestos e teu sorriso torto, nem do seu jeito confiante e esperto demais (e você sabia disso!).
Como será que você está hoje? Será que já se apaixonou de verdade de novo? Ainda lembra de mim as vezes? Ainda mora nessa cidade? hahaha você ainda tem aquela cadela perturbada? Sua mãe ainda faz aqueles bolos de se comer rezando? Ah, são tantas coisas que eu gostaria de saber sobre você, sua vida... Tanta coisa deve ter acontecido ai desse lado.
De verdade, eu não queria mais escrever sobre você ou se quer pensar em ti, mas a verdade é que não consigo. Deixo ali, guardadinhas numa numa caixa imaginária no fundo das minhas lembranças, mas ao menor sinal de romance ou saudade todas elas voltam tão vivas quanto as recordações do dia de ontem.
Eu queria poder gastar esse sentimento todo através dos textos que escrevo mas parece que ele vai sempre existir em mim, como um objetivo nunca alcançado, uma meta inatingida, um riso que não veio, um brinquedo de natal que nunca apareceu embaixo da árvore.
Queria poder rasgar, te arrancar de mim, só por me atormentar vez por outra. Por mais que minha vida siga, por mais que conheça outros caras e viva outras histórias, as nossas sempre são lembradas. Você sempre é lembrado. Mas, com o passar dos anos, uma coisa boa aconteceu: Já não dói pensar ou falar de você. Acabou se tornando uma lembrança boa. Como umas ondas sabe, que de vez em quando chegam na praia. Nossa história vai, mas sempre volta aqui para me lembrar que já vivi um sentimento forte, porém não realizado ou parcialmente realizado pelo menos. (Vai ver eu deva dar nome a esse sentimento forte, mas qual? Será que foi amor ou uma paixão avassaladora? Acho melhor deixar sem nome mesmo...).

Espero, de coração mesmo, que a vida tenha sido gentil com você mas ainda espero um dia ter aqueeele meu amigo de volta. Quem sabe você até leia as tantas cartas que te destinei. Seria uma viagem no tempo, certamente, mas também acho que apagaria muitas mágoas e confusões, lacunas que ficaram pelo caminho.


"Foi tanta força que eu fiz por nada, 
Pra tanta gente eu me dei de graça 
Só pra você eu me poupei 
Será que o tempo sempre disfarça, 
Tomara um dia isso tudo passa 
Desculpa as mágoas que eu deixei"

Dublê de corpo - Leoni

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

A noite

Qual é o peso da culpa que eu carrego nos braços
Me entorta as costas e dá um cansaço
A maldade do tempo fez eu me afastar de você

Te contei tantos segredos que já não eram só meus
Rimas de um velho diário que nunca me pertenceu
Entre palavras não ditas, tantas palavras de amor
Essa paixão é antiga e o tempo nunca passou

E quando chega a noite e eu não consigo dormir
Meu coração acelera e eu sozinha aqui
Eu mudo o lado da cama, eu ligo a televisão
Olhos nos olhos no espelho e o telefone na minha mão


Tiê



sábado, 11 de julho de 2015

As cartas que eu não mando

(...) Faz tempo que eu me perdi de você
Guardo pra te dar
as cartas que eu não mando
Conto por contar
Eu deixo em algum canto

Leoni

Os caras e Eu

Nunca fui boa em flertes. Nos tempos de escola, vi vários amigos paquerando e desde ali já percebi que não possuía a arte do flerte. Acho que por isso mesmo "demorei" um pouco para começar a namorar e todos os caras da minha vida vinham do convívio, dos ciclos de amizades.
Não sei, até hoje, fazer jogos de sedução. Pra falar a verdade, sempre achei perigoso esse lance de brincar de amor, apesar de ser aparentemente fria, não gosto de brincar com sentimentos.
Não me envolvi com muitos caras na vida, certamente bem menos que várias meninas de 13 anos que vejo por ai. Tive envolvimentos físicos e (principalmente) emocionais, e cada um teve sua trilha sonora na minha vida: Legião Urbana, Seu Jorge, Cássia Eller, Dorgival Dantas (haja coração!) Leoni, Djavan, O Teatro Mágico, Asa de Águia, Caetano Veloso, Engenheiros do Hawaii... todos embalaram momentos e histórias. Nem todos chegaram a um envolvimento pleno, aliás, talvez apenas um, ou nenhum.
Com esses caras aprendi muito pois, como eram meus amigos, convivíamos sem expectativas um no outro e acabavam surgindo as semelhanças e afinidades; O interesse nunca era imediato, crescia o tempo e proporcionalmente á admiração, talvez por isso tenham sido tão marcantes: era mais que aparência, muito mais. Agora, pensando em todos eles, vejo que nenhum deles era do tipo modelo, do tipo de academia, não estavam nos padrões de beleza. Todos magricelos (exceto um, que era gordinho :D), a maioria branco como velas, fora as peculiaridades de cada um (escoliose, sorriso torto, extremamente alto...), o que me atraiu em cada um deles não foi o que eu via com os olhos, era o que eu sentia com eles, o que eu ouvia, eu gostei do espírito, da essência deles. Era algo forte, coisa de ligação de mentes, intenso.
Nunca consegui me ligar apenas pela capa, eu preciso saber do conteúdo e depois, quero saber o que os levou àquele estado. Toda pessoa é o resultado das situações que vivenciou e o que fez com elas. Eu, como uma pessoa analítica que sou, gosto de entender, compreender o processo me encanta muito mais que o resultado final. Antes de me apaixonar por esses caras eu os admirei pelo que eram. Pelo que seria e pelo que poderia ser e não foram. 
O primeiro, era autêntico, despojado e amigo de todos. Era um cara muito mais maduro que os 12 anos que tinha, o mais velho da turma. Apesar da vida confortável não foi fácil encarar o divórcio dos pais e se tornar o homem da casa aos 9, tendo ainda dois irmãos menores para "cuidar e proteger". Tinha um lindo sorriso metálico (quando ele tirou o aparelho ficou melhor ainda). Era louco por rock e foi graças a ele que conheci a Legião Urbana, minha banda preferida até hoje. A legião e as letras do Renato me ensinaram muito sobre pensamento crítico e isso me ajudou muito a encarar a adolescência.
Depois do cara mais velho que não me deu bola, a história se inverteu: um cara mais novo surgiu. Doido por animais e calmaria, aprendi tanto sobre cuidado ao próximo! Aprendi como um carinho as vezes cai bem (Sábio Caetano!). Ele chegava assim, do nada, me abraçando, fazendo cafuné, massagem (que mãos!). Era um rapaz lindo, de coração tão puro e com um enorme abraço de urso! Vivia me mandando músicas e pedindo indicação de livros que, surpreendentemente, lia mesmo e vinha conversar sobre eles depois. Passávamos tardes e tardes juntos na janela do meu quarto, em silêncio, apreciando o sol se pôr.
Em paralelo a este, surgiu um mais velho que eu. Ele era muito tímido e, como eu era também, mal nos olhávamos. Era estranho, mas só depois que me mudei criamos vínculos, a distância mesmo, e descobrimos tantas afinidades. Me acordava com mensagens e trechos de músicas (iluminavam meus dias). Passamos longas madrugadas conversando sobre tudo e nada, rindo e discutindo também. Este eu fiz sofrer. Nunca foi minha intenção, sempre fui sincera quanto aos meus sentimentos, deveria ter me afastado mas já tinha tanto carinho por ele. Por fim ele se deu um tempo para organizar os sentimentos e ainda somos grandes amigos, conversamos sobre absolutamente tudo e mesmo assim, sempre há algo novo para aprender com ele e sobre ele.
Este outro rapaz, surgiu quando nem sabíamos andar, e esteve sempre ali, pertinho, sempre dividindo seus brinquedos e lanche, até que quando crescemos veio dividir comigo beijos e segredos. Eramos tão amigos que podíamos completar qualquer história que o outro começasse. Tínhamos músicas, viagens, sonhos e festas juntos (tentou me ensinar a dançar, sem muito sucesso, porém nos aproveitamos das "aulas"). Aprendi muito, ele me abriu um mundo de possibilidades quando entrou dessa outra forma em minha vida. Uma pena estarmos em momentos diferentes da vida quando esse sentimento surgiu, poderíamos ter sido um casal bem bacana.
Até agora, depois dele "os outros são os outros e só". Ainda assim, com estes aprendi mais sobre mim. Me entendi mais, foram experiências as vezes nem tão agradáveis, mas que sem elas eu não teria tantas certezas sobre o que eu quero para mim, para minha vida, e o que eu espero ou não do cara que ficará no meu lado quando nos encontrarmos pela vida.
Agora estou numa fase de sonhos e dúvidas. Sonhar com alguém aparentemente tão "sua pessoa" e tão perto é meio perturbador, até onde a realidade se confunde com o sonho? Até onde pode-se confiar nos "sinais"?
Sou muito feliz pelos caras que surgiram na minha vida e contribuíram para a formação da mulher que sou hoje, sinto que estou cada vez mais pronta para viver uma histórica com o tal cara certo, O cara, se é que me entendem.

"Me espera amor que estou chegando
Depois do inverno é a vida em cores
Espera amor nossa temporada das flores"
Temporada das flores - Leoni

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Acasos (?)

Acordei correndo, mais uma vez atrasada. Por sorte não trabalho hoje (folga no meio da semana, uhu!). Desde que consegui (enfim) tirar minha habilitação, meu despertador deixou de funcionar, é impressionante como consigo perder a hora! Hoje marquei de ir para a praia com as meninas, e sabendo que elas são tão atrasadas quanto eu, é capaz de eu chegar antes delas. 
Começa a tocar uma música MA-RA-VI-LHO-SA no som e eu me empolgo, como sempre. Acontece que eu sou do tipo que fechas os olhinhos quando canta empolga, algo não muito bacana de se fazer quando se está dirigindo. Não deu outra, o sinal abre e quando vou trocar a marcha, sei lá o que acontece, e o carro morre. Nisso o carro que vinha atrás, bate. Ah, lá se vai minha manhã na praia.
Desço descalça e com um vestidinho de praia branco, que por sorte não é transparente, imediatamente paro ao olhar para a cara do furioso (e agora confuso) homem que bateu na traseira do meu pequeno cherry vermelho.
Ele usava um terno cinza muito bem passado, um relógio bonito e uma barba cerrada bem cuidada, dirigia um C4 e ainda usava aquele perfume. Poderia não o ter reconhecido, se não fossem os olhos puxados e os dentes levemente tortos que ele não corrigiu. Agora, me olhando a raiva sumiu um pouco e deu espaço ao espanto e curiosidade. Despertamos do transe com as buzinas e logo fizemos o que qualquer pessoa envolvida numa batida faz: discutimos. Eu começo;
- Ah, maravilha! Bom dia para você também!
- Você não viu que o sinal abriu, qual o seu problema?
- Bom, o carro estancou. Isso acontece. Você, com pressa quis passar por cima. Deu no que deu. E agora, como resolvemos? Meu seguro cobre esse tipo de coisa.
- O meu também
Ótimo então, problema resolvido, certo? Cada um conserta o seu e fim de papo. Agora, eu preciso correr.
- Vai trabalhar assim? - disse ele sorrindo debochado e com malícia 
- Ha-ha, engraçadinho. Tenho folga hoje, um pequeno privilégio, e estou indo a praia.
Ele riu mais ainda e disse: - Bom, acho que você vai atrasar um pouco mais. Olha, o pneu furou.
Era tudo que eu não precisava agora. Além de está ali, falando com ele depois de anos como se nada tivesse acontecido, ainda tinha que trocar pneu. Eu nunca troquei pneu na vida!
Ok, ok eu aprendi isso na auto escola, não deve ser tão difícil assim: step, macaco, chaves, tudo bem.
Comecei a abrir a mala e tirar o material, totalmente desajustada. 
- O que foi, não tem mais o que fazer não? - Perguntei ao ouvir uma gargalhada dele.
- Tenho, e muita, mas eu precisava ver você tentar fazer isso. Vai, sai daí. - E veio jogando o paletó em cima de mim, dirigindo-se para a troca de pneu.
Enquanto ele cuidava do pneu, peguei minha bolsa, procurei o celular e avisei que iria demorar (se ainda fosse) e expliquei por alto a situação.
Ao terminar de trocar o bendito pneu, ele estava todo sujo e decidiu avisar que não poderia ir ao trabalho naquela manhã. Fiz o mínimo que podia fazer.
- Muito obrigada, acho que eu teria demorado um pouco mais para fazer isso,
- Um pouco? Você não teria feito, admita.
- Qual é? Vai tripudiar agora? Bom, muito obrigada! Como já perdi minha praia e você o trabalho, aceita sair desse sol e tomar uma água pelo menos? 
- É, pode ser. - Disse olhando para o relógio.
Não muito longe dali havia um quiosque e umas mesinhas. Pedi uma água de cocô e ele uma coca. Quebrei o silêncio chato.
- Hey, soube da OAB, parabéns! - ele ficou visivelmente surpreso, mas tentou desfaçar.
- As mães trocaram informações né?
- Bem, sim, mas quando ela me contou eu já sabia. Vi a lista no dia que saiu.
- Viu? Porque?
- Oxi, lembrei que você faria esse ano e você não é a única pessoa que conheço que faz direito!
- Desculpa, é que eu não esperava... Já faz tanto tempo que nos afastamos.
- Faz mesmo, mas nem por isso sou alheia a vocês. Lembro dos aniversários, torço pelas conquistas... Só não estou perto. A vida tem dessas.
Longo silêncio. Ele recomeça.
- Me conte, como você está? Me atualize.
- Estou bem, tenho dois empregos, estou terminando minha especialização e pretendo começar meu mestrado ano que vem. Depois da formatura fiz um estágio voluntário e intercâmbio. Moro só, quer dizer, com meus filhos, duas cadelinhas lindas.
- Você com cachorro, intercâmbio? Uau, agora fiquei impressionado!
- hahaha, besta! Você não sabe como mudei.
- Curioso eu já estou. - ele ficou sério - O que aconteceu naquela época?
Eu sabia do que ele falava e tentei escolher as palavras. Por mais que eu tivesse ensaiado esse momento durante anos, elas nunca vinham de iguais. Cada tentativa um texto novo.
- Aquele foi um tempo complicado, Era um período de transição e muita coisa estava acontecendo ao mesmo tempo. Eu não soube me organizar em meio a tudo isso. Acabou que te deixar de lado pareceu a melhor opção no memento, mas não foi fácil. E talvez nem tenha sido a melhor.
- Pareceu fácil.
- Mas não foi. Acha que não sei dos erros que cometi?  Sei de todos e sinto muito. Não sou tão insensível, afinal. As coisas não saíram como eu esperava. Tudo virou uma confusão sem tamanho e por isso hoje estamos como estamos, conversando como desconhecidos. E nem precisa dizer, eu sei que boa parte da culpa foi minha. Veja bem, não toda. Você deveria se posto no meu lugar uma vez ou outra. Eu sei que você fez bem mais que sua parte para as coisas darem certo... Só que não era o meu momento, eu não estava em ordem com meus pensamentos e sentimentos.
- E agora?
- Agora estou. E já faz um tempo.
- Eu passei meses tentando entender o que aconteceu. Você nunca falava nada e agora falou mais frases juntas do que consegui ouvir sair de uma vez só de você desde que nos conhecemos, e isso é muito tempo, você sabe. Eu passei dias e noites reavaliando tudo que lembrava até encontrar pontos negativos, coisas que eu tenha feito para te afastar, mas não achei. Acabei desencadeando uma raiva que já não cabia em mim. Vê você em qualquer lugar me irritava, pela mágoa que você deixou. Perfeito eu sei que não sou, mas fui um cara legal com você, - tentei falar, mas ele não deixou, estava botando pra fora anos de mágoa acumulada então deixei que falasse. Ele precisava daquilo tanto quanto eu no fim das contas.- não merecia que você resolvesse pular fora, sem uma breve explicação ao menos. Acho que merecíamos um fim mais amigável. Me senti um cachorro velho e de rua. - Ele suspirou profundamente e continuou - Se você não estava bem era só falar. Você só precisava conversar comigo, eu poderia ter ajudado, ter entendido. Acha que eu consigo adivinhar? Esse era o maior problema: você nunca falava, guardava tudo para si, e eu ficava de fora tentando consertar tudo que eu conseguia ver mas, você nunca me deixou ultrapassar suas barreiras, te entender de fato. Acho que eu estive sozinho desde o começo, tentando (em vão) nos fazer funcionar.
Eu não podia descordar de nenhuma palavra, afinal ele estava certo mesmo. Nunca fiz nada por nós. Após um longo silêncio falei:
- Eu sinto muito por tudo, de verdade. Tudo me serviu como um aprendizado e se não tivesse passado por tudo isso não seria quem sou. Espero que o mal que te causei não tenha te tornado um homem frio ou insensível. Espero que não tenha se fechado. Como disse, eu mudei muito, mas uma coisa que se mantem é minha paixão pela literatura, que você nunca soube. Ler e escreve é um binômio que me fascina e me ajudar a entender o mundo externo e interno. Ao longo desses anos escrevi muito sobre nós e sobre você.
- Como é a história? hahaha (Essa frase é muito a cara dele!)
- É são cartas, pensamentos soltos... besteiras minhas.
- Eu gostaria de ler.
- Eu também gostaria que você lesse. Quem sabe um dia.
Conversamos sobre amenidades até que o tempo voou e a vida de gente grande nos chamou. Trocamos contatos e saímos com a certeza de enfim ter nos livrado das mágoas e virado uma página, além da promessa vaga de um reencontro.
Eu sabia que não ia acontecer, ou pelo menos achava que não, até chegar em casa e vê o paletó dele no banco de trás.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Palavras inquietas

Oi, como vai? 

Você não sabe como foi difícil tentar não te escrever mais uma carta. Resisti em quanto pude, mas a verdade é que eu já não podia aprisionar essas palavras que são tão suas quanto minhas. 
Ontem saiu o resultado de uma prova importante que há anos você se preparava para fazer, desde o nosso tempo e agora vi que você passou. Não sabes o quanto fico orgulhosa por você! 
Sempre soube do seu esforço e dedicação para alcançar seus objetivos e sei também da sua ganância e desejo de reconhecimento. Sei que vai chegar exatamente onde queres na vida, pois, você sempre batalhou por seus sonhos. Queria poder te abraçar e comemorar junto mais essa conquista mas esse  (nosso) tempo já passou. Um tempo que não devia ter existido, se é que de fato existiu, vai saber.
Pensar nisso me fez lembrar de você naquela época: sempre focado nos estudos, sempre dando orgulho a sua mãe e mesmo cursando duas graduações como um CDF conseguia me fazer bem e até saia com os amigos de vez em quando. Um menino prodígio.
Soube também, através das nossas mães, que você passou com pontuação máxima e quase cai da cadeira, tamanha minha necessidade ficar em pé, como se eu fosse correr ao teu encontro para te parabenizar. Não fiz isso mas mentalmente fiz. Sorri por tua vitória e pedi silenciosamente por sucesso em seus caminhos. Que sejam prósperos e que te levem a felicidade e grandes realizações.
Fiquem bem, muita luz.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

O que me atrai

Esses dias estava lembrando, sem saudades, dos tempos em que éramos "nós". Eu via você chegar com aquela cara de sono e cheirinho de banho recém tomado para me dá um beijinho de bom-dia. Não, você não era bonito, mas eu gostava daquela sensação de casal antigo, sabe?! Não algo sem graça, mas algo habitual, algo concreto apesar de tudo. Morria de rir quando você vinha me vê assim com uma cara de quem não quer nada, mesmo que ambos soubéssemos muito bem o que queríamos. Era divertido, leve. E mesmo você não sendo nada parecido com os padrões que eu buscava num cara, eu gostava de você. 
Havia um charme que me atraia, não sei se eram os dentes levemente tortos, a autoconfiança que transparecia na sua postura (mesmo com a hipercifose torácica) ou seu jeito de andar. Ríamos juntos, partilhávamos momentos, amigos, músicas, desejos. Mesmo com o fim irremediável, vejo que fomos felizes dentro dos nossos dias limitados.
Hoje vejo que o que me atrai num cara não são os músculos salientes, nem o sorriso branco e impecável. Isso hoje mais me parece um boneco de plástico. Acho bonito mas não desejo do meu lado para dividir meus dias. Não faz meu tipo, e nunca fez na verdade.
Gosto dos caras divertidos, que gostam de música e tem algum hobbie (seja lá qual for, desde que seja algo que ele goste muito. com paixão), dos que não se importam com o superficial, dos que sabem do charme que têm mas não se acham por isso. Gosto dos caras, inteligentes, com um papo envolvente (daqueles que te mantem pressa da conversa por horas e horas), simples, completos.
Um cara que confie em si e saiba fazer uma garota sorrir não deve ser tão difícil de achar, certo?

E você, meu ex-sempre-grande-amor, fique bem e espero que ainda conserve seu charme e confiança. Tenho certeza que há alguém por ai que gosta deles tanto quanto eu gostei um dia. 

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Encontros

De letra em letra,
de verso em verso
me perco em palavras
e quase sempre
acabo por me encontrar
nas entrelinhas
dos tortos versos que escrevo.
É como se o mundo, meu mundo,
pudesse ser resumido no encontro
do lápis com o papel,
corpo e mente,
eu e eu.
Todos livres.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Outra Eu

Pensando na pessoa que iniciou o ano de 2014, vejo que hoje sou outra. Claro que certas coisas não mudam, mas consigo ver o quanto amadureci, o quanto cresci profissionalmente e como pessoa. Conheci pessoas, lugares, reconheci amigos, me afastei de outros e vi que isso me fez bem e estou feliz com a nova-eu.
A nova-eu gosta de conversar e falar o que pensa e o que sente, coisa que a antiga eu não fazia nunca, nem com os amigos. A nova gosta de cantar e nem liga quem tá olhando e ouvindo, brinca com cachorros alheios, faz amigos facilmente e sai sem se preocupar com companhia. A nova-eu ama seu cabelo naturalmente do jeito que é e gosta de fazer atividades físicas. A nova está pronta para amar e abrindo as portas, dando chances para esse sentimento louco. Não tem mágoas, mas também não é mais besta e nem leva desaforo para casa: bateu, levou. Ela rir sem se importar quem ouvirá suas gargalhadas altas, não tem medo de gritar sua felicidade.

Bem vinda nova-eu e faça morada fixa em mim.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Palavras Repetidas

Outra noite, encontrei seus pais aqui perto de casa. De cara tomei um susto, afinal, tivemos alguns desentendimentos e falamos (e ouvimos) coisas desagradáveis. Todos saímos magoados daquela situação de alguns anos atrás. Conversa vai, conversa vem, fiquei sabendo (sem querer) que você não gosta mais da nossa terrinha, que só vem  "nas últimas". Eu já imaginava, mas fiquei meio triste quando sua mãe disse... sei lá, tudo começou aqui, nos divertimos tantos por essas ruas!
Não bastou pensar em você no resto da noite, acabei sonhando contigo (isso precisa acabar logo. Um novo amor pra ontem, gente!). No sonho você chegava sorrateiro, como se nada tivesse acontecido mas dizia que lembrava mas só queria esquecer aquilo e começar de novo. Nos apresentávamos um ao outro como dois desconhecidos de fato e acabamos conversando muito, rindo e nos conhecendo de novo, afinal, muita coisa mudou em nossas vidas. No fim lembrávamos das nossas histórias de criança e das viagens em família. Era uma sensação tão boa te ter por perto, bem. Antes de tudo acontecer éramos amigos, confidentes. Acordei com uma sensação de vazio... É triste uma história como a nossa acabar assim. Sem telefone, sem redes sociais, sem notícias e desviando caminhos para não nos cruzarmos, :\

sábado, 23 de agosto de 2014


"Sabe... Sonho demais com você

Tem teu perfume em meu cobertor
Sabe... Tchurururu
Vem vindo ao que eu sou"


Sorriso ao Sono - Phill Veras

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Ainda não passou, mas vai passar.



Eu sinto muito. Por tudo.

Já faz muito tempo eu não nos falamos e que tudo foi por água a baixo mas eu errei e sinto muito por isso. Queria ter falado antes, mas nunca tive coragem, ao invés disso escrevi cartas. Você sabe, eu nunca fui boa pra falar. Hoje eu sei exatamente onde errei e, apesar de não significar mais nada, queria que você soubesse.
Eu reconheço tudo que você fez por mim e, de verdade, obrigada por tudo, foi muito importante na formação de quem sou hoje. Naquela época (hoje parece que foi há uma década) era tudo muito novo... tudo estava acontecendo de uma vez só. Sair de casa, novos hábitos, novas pessoas, nova casa... e você. Era novidade demais e eu meio que me desorientei. Eu sempre fui de lógica e eu não entendia o que sentia por você e isso me deixava maluca. Eu também não achava nossa situação correta... Omitindo tudo de todos, logo a gente, amigos desde crianças... Além disso, tudo estava indo muito rápido. Sim, eu tive medo.
Senti medo de gostar demais, de perder a razão, de descobrirem, enfim, medo. E pra completar eu não falava nada, ficava pensando muito em tudo isso e não te contava. Eu tinha a ideia (errônea) que falar de meus problemas demonstraria fraqueza ou coisa assim. Ah, esse foi meu maior erro... se tivesse falado, talvez tivéssemos resolvido tudo isso de forma diferente. Devia ter confiado mais em você, que sempre foi, antes de tudo, meu amigo. Companheiro de todas as horas. Sinto tanto sua falta nesse sentido. Aconteceu tanta coisa que eu quis dividir com você e simplesmente não pude. Por exemplo: amadureci muito nos últimos anos, perdi meu medo de cachorro (pasme, tenho um agora!), já consigo falar em público (dar aulas tem suas vantagens), danço em festas, bebo socialmente, coloquei um Piercing.
Não sei se teríamos dado certo, mesmo se eu tivesse feito tudo direito. No fim, acho que ambos temos nossa parcela de culpa (mesmo a minha sendo maior). Provavelmente nunca mais seremos amigos de novo, mas eu te quero bem ainda,
Fique bem. Beijos.

domingo, 13 de julho de 2014

Janela Interna

Esses dias uma amiga perguntou por você, por nós. Ela queria saber como tudo começou e como acabou. Pra falar a verdade, não sei se ela perguntou por realmente se importar ou só por curiosidade. Acho que a segunda opção, já que quando o ex começou a falar com ela no whatsapp ela logo esqueceu esse assunto.

O fato é que as perguntas que ela fez tinham respostas. Eu tinha todas pra mim e não contei para ela. Eu poderia dizer como e quando começou, do primeiro beijo, dos carinhos, dos risos, das discussões e do estranho fim, mas não. Oras, nossa história é só nossa e isso ninguém tasca. Tudo bem, é um assunto a ser analisado por mais de um ângulo, eu sei, mas se for para dividir com mais alguém que seja com alguém que realmente se importe, concorda?

Enquanto ela se agitava frente á tela do celular com a janela do ex aberta, eu pirava com minha janela interna, pensando em nós. Fazia tanto tempo que eu não pensava naquele tempo que foi estranho sentir aquelas coisas de novo. O peso da dúvida, os sentimentos sem nome, a culpa. Ainda não organizei os pensamentos, mas acho que isso passa. Tudo passa.

Lembrar de tudo que passou é como lembrar de um sonho, algo que só existiu na minha cabeça. No fundo eu sei que foi tudo real.

Depois disso tudo, acho que estou com saudades.
Fique bem, meu bem.



"O nosso amor a gente inventa
Pra se distrair
E quando acaba a gente pensa
Que ele nunca existiu"
Cazuza

domingo, 9 de março de 2014

Carnaval, carnaval

Senti saudades de você este carnaval. Estou cansada de sentir sua falta, mas não consigo controlar. Antigamente era mais intensa, hoje dói pouquinho, só de vez em quando. A última vez foi no carnaval.
Lembra que sempre saíamos juntos? Todos os dias, o dia todo, lá estávamos nós, eu segurava sua bebida e você minha cintura. Eu tomava conta de você e você de mim, sempre perdíamos alguém do grupo no meio da muvuca mas nunca um do ao outro. Éramos assim. Éramos.
O carnaval acabou sendo para mim a nossa festa, nossa data comemorativa, a época em que passávamos mais tempo juntos. Quando passamos perdi o gosto pelo carnaval. Não tinha mais graça sem você, não era a mesma coisa. Ai parei de brincar.
Esse ano eu cansei de sofrer no carnaval, vesti minha roupa e fui atrás do trio. Foi muito, muito bom, mas ainda havia lá no fundo aquela saudadezinha chata de você. Quando ela vai me esquecer, hein?! u.u 
Fiz um monte de coisas que eu não fazia na nossa época, como dançar muito, rir descontroladamente, beijar sem me importar com quem estava olhando, o que diriam ou se minha mãe saberia... essas coisas.
No penúltimo dia de festa conheci um carinha que me lembrou muito você: não tão alto, magro (mas não magricela, fortinho), branquinho e com um sorriso bobo. De cara fiquei besta, alguns minutos depois lembrei de você. Mas as semelhanças não pararam por ai... Você tinha que ver como ele cuidava de mim, você teria feito o mesmo, tenho certeza. No fim, não poderia ser diferente: fiquei com aquele cara da forma que deveria ter ficado com você nos nossos anos de carnaval. Andamos de mãos dadas, rimos juntos por tudo (e por nada também), dançamos...
Apesar de ter lembrado muito de você, joguei as nossas lembranças do lado e fui aproveitar. Eu consegui, enfim, entender que eu ainda posso aproveitar muita coisa, mesmo sem você. Eu ainda posso curti e até me apaixonar outra vez (a melhor parte). Me senti tão bem naquele momento, como se uma nova fase começasse ali, espero que seja isso mesmo porque, nós já passamos há muito tempo, acho que eu também tenho o direito de tocar a vida, conhecer mais gente, escrever outras cartas para outras pessoas. 
Espero que seu carnaval tenha sido tão bom quanto o meu e, se você tiver lembrado de mim, que não tenha sido com mágoas. Te quero bem, apenas o bem.
Fique bem, Beijo!

"Mas como começar de novo
Se a ferida que sangrou

Me acostumou a me sentir prejudicado?
É só você lavar o rosto
E deixar que a água suja
Leve longe do seu corpo
O infeliz passado (...)
E viveram felizes... para sempre
E eles estavam livre da perfeição que só fazia estragos"

A minha gratidão é uma pessoa - Nando Reis


Reconciliação

Era uma sexta-feira como outra qualquer, eu havia passado no supermercado e estava indo para casa após um longo dia quando o vi. Estava meio sentado, meio deitado na mesa de um barzinho aqui perto de casa. Fiquei na dúvida se era ele mesmo ou não, afinal, meus óculos não estão valendo nada. Cheguei mais perto e confirmei, era ele mesmo. Perguntei ao garçom o que tinha acontecido com ele, o rapaz falou "ah, ele tá assim faz um tempinho, Veio com uns amigos na hora do almoço e ficaram ai bebendo ai os amigos pagaram a conta e ele quis ficar pra beber mais, ai ficou assim." ótimos amigos, pensei. 
Meu plano era ligar para um dos irmãos dele e avisar onde ele estava para buscá-lo já que ele não tinha a menor condição nem de andar, quem dirá dirigir mas, acabei não resistindo e me aproximando. Tantos anos sem nos falar, depois de tanta confusão e lá estava eu, tentando acordá-lo.
Ele foi acordando aos poucos e quando se deu conta que era eu quem estava ali, ficou confuso. Expliquei que ele havia bebido a mais e que ligaria para o irmão dele. Ele pediu um tempinho para melhorar, mas eu sabia que não seria assim tão rápido. Pedi uma água para ele, paguei a conta, avisei pro irmão dele onde o carro estava e onde eu morava e o trouxe para casa. Ele conseguiu ficar em pé (Graças a Deus) e eu consegui o trazer, já que era bem pertinho. Ele ficou calado a maior parte do tempo mas de vez em quando perguntava porque eu estava fazendo aquilo.
Nem eu sabia ao certo, mas me sentia na obrigação, afinal, ele já fez tanto por mim... eu não poderia dar as costas agora que ele estava precisando de alguém.
Chegando em casa o joguei no sofá e dei um copo grande de água-de-coco, depois empurrei chocolate e mais água e então esperei, deixei ele descansando no sofá e fui guardar as compras. Ele foi tornando e me chamou "Sabia que hoje faz 3 anos que tudo acabou pra gente?". Eu congelei, revi o calendário mentalmente, era isso mesmo. 3 anos. Três anos que eu havia estragado tudo sem nenhuma explicação decente. Ah, quanta besteira eu havia feito, logo com ele que tanto me fez bem. Depois de alguns segundos que mais pareceram horas respondi: "é, eu sei. Tenho muito a conversar com você sobre aquilo tudo, mas agora não é momento, mas tenha em mente que eu sinto muito por tudo e que foi uma grande confusão. Você deve está sóbrio, então depois a gente vai conversar sobre tudo isso, tudo bem?".
Dez minutos depois, dois irmãos dele chegaram, me agradeceram e o levaram, passaram no barzinho e levaram o carro dele também. Daí não vi mais nenhum dos três...


Duas semanas depois, dei de cara com ele na frente da minha sala de aula. Perguntei se estava tudo bem com ele e se tinha acontecido alguma coisa, ele respondeu com um olhar profundo e depois disse "a gente ainda tem que conversar". Ele lembrou disso?

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Tudo me faz lembrar Você

Um fim de semana livre
Sair daqui, sair de mim
Uma tarde pela areia
Tudo me faz lembrar você
Descer montanhas
As curvas da estrada
Alegria, o olhar de uma criança
A ternura, atos de esperança
Tudo me faz lembrar você
Um perfume bom
Propagandas de batom
Fantasias pra usar no carnaval
Roupa branca balançando no varal
Tudo me faz lembrar você
Cigarros e lábios, labirintos átomos
Mudanças de tom, refrões de amor
Janelas e espelhos
Reflexos e canteiros de girassóis
Se confundem com você o tempo inteiro
E até hoje não houve um só dia
Em que eu não me lembrasse
Daqueles nossos dias
E até hoje não houve um só dia
Em que eu não me lembrasse de você


Jota Quest