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sexta-feira, 17 de novembro de 2023

Velhinho

 ...e enquanto andava de moto na praia ao fim de tarde, viu uma sombra e o reconheceu: cabelo branco, baixinho, calça social, camisa de botão. Era o vô. E isso a espantou tremendamente, uma vez que ele falecera no dia anterior. 

Afligiu-se em mostrar o que estava vendo ao seu acompanhante, mas o avô, que em vida andava devagarinho, começou a andar rápido, cada vez mais rápido, até que passou a ser um vulto luminoso. A roupa tornou-se mais clara, tornou-se mais alto, jovem. Por fim correu até sumir. Estava livre.

Havia se libertado da dor, dos aparelhos, das amarras, do hospital. Estava livre da doença. Era o fim da solidão e confusão mental.

Ela fora dormir pedindo a Deus consolo por sua perda e recebeu esse sonho como presente e seu coração parou de chorar, pelo menos naquele momento.

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Estiagem

Faz mais tempo do que eu gostaria de admitir, eu sei.
É amargo dizer mas, após os últimos acontecimentos, achei que escrever seria uma das coisas que amo e que eu não faria mais. Meu lado criativo se fechou e a fonte secou, mesmo tendo muito o que gritar, não conseguia. Nem torto, nem nada, nada mais saia de mim. Era triste sentir tudo acumulando sem um escape decente, com isso eu tive alguns surtos de tristeza profunda, euforia, muitas ideias soltas de uma vez só e nada de constância. Não me fazia bem, eu sentia e doía muito não ter a tão fiel companhia das palavras, minhas ou de outros autores que eu gostava de ler.
As vezes eu achava que me faltava fé, que as coisas precisavam de tempo para se ajustar e eu era impaciente, mas ai eu lembrava que já passei por tantas outras situações, piores até, e sempre pude contar com um bom livro, caderno e caneta. Outras vezes pensei que exigi muito de mim mesma ao dedicar por tanto tempo seguido à produção científica. Enfim, não saberei dizer tão cedo onde esta o X da questão, o fato é: nos últimos dias coisas que eram comuns em outros tempos ressurgiram, trazendo a sensação de algo inédito e me enchendo de uma esperança que eu jã nem lembrava. 
Eu nunca deixei de amar livros e por isso mesmo sempre passeava nas livrarias, admirava nas prateleiras alguns títulos e levava para casa na esperança de despertar a leitura de novo. Isso me rendeu uma estante cheia de livros não lidos em casa. Na última semana, no entanto, despretensiosamente foi avassalada por um livro nas primeiras linhas. Não me contive e levei para casa, em menos de duas horas, devorei. Devorei como a muito não fazia, como se estivesse num deserto e tivesse encontrado um incrível oásis. Era como se tivesse faminta por cada verbo, cada oração, cada jogo de palavras. E estava mesmo, mas só me dei conta do tamanho quando terminei o livro e vi que não lembrava da última vez que tinha lido um livro de uma vez e o quanto eu valorizava leituras instigantes, que me prendiam e me davam muitas ideias e mostravam que eu poderia pesquisar mais sobre alguns temas que traziam. 
Eu conhecia aquela onda quente. Explosão. Processo criativo.
Queria gritar pro mundo todo: Senhoras e senhores, voltei!, mas não era bem assim, não podia me antecipar dessa forma, afinal poderia ser só euforia. 
Peguei aquele livro que desde o ano passado havia iniciado leitura e não terminara. Não era um livro ruim: história envolvente, personagens cativantes, temática central atrativa, descrições detalhadas. Era tudo que eu apreciava em um livro. Ele era bom e eu que não estava tão bem assim. Aos poucos fui lendo e esta noite terminei. Nas últimas páginas eu estava tão emocionada por enfim estar terminando que chorei. Já chorei com outros livros mas dessa vez era diferente, não era pela história mas sim por está conseguindo virar a página, literalmente, desse meu período que apelidei "carinhosamente" de  Idade Média. Muitas coisas ficaram pelo caminho do ano passado para cá, muitas coisas inacabadas, esse livro era uma delas, a representação da minha leitura inexistente. O fim de um dos meus hobbies, uma das minhas válvulas de escape inoperante e aparentemente obsoleta, uma lembrança boa. Concluir esta leitura foi importante e marcante para mim, após tanto tempo, eu precisava disso. Chorei com o coração aquecido, por sentir que aos poucos as coisas vão se ajustando, um passinho por vez, sem afobação. Esse texto veio junto com o sentimento que me encheu, do ser capaz de. Capaz de terminar, capaz de escrever. Capaz. 
Meu bem e amigas, obrigada por sempre me incentivarem mesmo que eu resmungasse que não podia mais. Obrigada por acreditarem mais em mim do que eu mesma. Obrigada por dividirem a fé de vocês comigo quando estou sem.

Esse provavelmente não é o meu melhor texto, mas certamente é um dos importantes. Marca o fim de uma estiagem que eu nunca tinha passado no quesito Escrever. Vou chover ainda, preparar essa terra com paciência e só então florir. Com calma, em paz. 

quarta-feira, 11 de julho de 2018

O abraço dele

Há tempos quero escrever sobre esse que considero um tema muito importante. Sempre que eu o encontro, o abraço apertado e as vezes ele fica sem entender o porquê, fica preocupado achando que tô chorando desesperada ou coisa assim, mas não (nem sempre, pelo menos) é só porque eu gosto do abraço dele.
A gente mora longe e isso por si só já é motivo suficiente para abraçar apertado, de olho fechado quando encontra, mas acho que entendo o motivo da surpresa dele quando isso acontece. Quando nos conhecemos eu não era essa pessoa que agora escreve, acho que ontem mesmo eu não era essa, pois evoluo dia a dia. No início eu era uma pessoa muito desprendida, do tipo que acha que nunca vai se apaixonar ou desejar tão desesperadamente ter alguém por perto, um alguém específico, ah menina boba!, só achava mesmo. Hoje sente, sente tanto que quando encontra tal alguém, não solta.
Amo tanto abraçá-lo! Abraço quando o encontro, quando estamos dormindo, quando ele esta fazendo o almoço, no supermercado, parada de ônibus... Não sou louca mas, em minha defesa, ele tem um abraço com cara de casa, entende?!
Ao abraçá-lo eu sinto coisas tantas coisas boas que nem minha melhor descrição seria fiel ao que sinto: uma paz ao ouvir os batimentos dele (vantagem de ser uma pessoa compacta), conforto (ele é macio), uma paz tão grande que as vezes da vontade de chorar, como se eu tivesse andado muito e já perdido a esperança de chegar, então cheguei, entende? Como se eu ansiasse por esse momento a minha vida toda, mesmo que só tenham se passado algumas horas que o vi. Nesse mesmo abraço sinto segurança acolhimento, amor. São braços quentes que quero que estejam ao meu redor o máximo de tempo possível. Quero tanto que mesmo quando brigamos eu o puxo para perto de mim e enlaço os braços a minha cintura, mesmo dormindo eu o quero perto, quero o abraço, quero estar no meu melhor lugar, minha casa.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

"Quer casar comigo?"

Meu amor, eu te amo tanto e já to com tanta saudade! Imagina quando eu voltar mais tarde pro almoço e ter que comer sozinha (se eu fizer almoço). Você é tão bom (e isso nada tem a ver com emprego, qualificações profissionais ou formação) que as vezes acho que não mereço tanto. Você é honesto, justo, atencioso, perseverante, motivador, paciente, carinhoso e a cada dia me aproxima mais de Deus (vc e Ju), e isso é muito bom.
Cada dia te admiro mais por saber de tanta coisa que você passa/passou e ainda continuar sendo doce, como um menino. Meu menino.
Eu te amo muito e quero que continue contando comigo nessa fase difícil. Logo estaremos juntos agradecendo e comemorando suas conquistas que serão muitas e seguidas, muitas bençãos para nossa família. Eu sei que você vai passar por isso e será um novo homem num novo emprego, com uma nova visão do valor e importância dele em sua vida, será o melhor em qualquer coisa que for fazer. E vai estudar p ser cada vez melhor, por que vc merece, sua filha merece, sua mãe merece.
Eu amo muito você e responderia essa sua pergunta mil vezes até que seja a real-oficial, aquela acompanhada de um anel de noivado na mão direita e depois uma aliança na esquerda. Quero quero sua força motivadora todos os dias da minha vida e quero que a gente cresça junto, por que além de tudo você consegue me fazer rir, expressar sentimentos, faz com que eu me sinta bem para ser eu mesma (inclusive brega), me motiva quando eu me sinto cansada e desestimulados, me consola e chora comigo, ora por mim, ora comigo, por ser minha melhor companhia, seja para um filme no cinema ou para andar de busão com as passagens contadas.
O amo tanto que tantas linhas que escrevi e não consegui chegar na a expressar bem isso, não consigo te fazer entender o tamanho disso, só de pensar na dimensão... sinto uma coisa estranha no meio do peito e da vontade de chorar. É tão grande o que eu sinto e só aumenta!
Eu amo você todos os dias (até com raiva) e amo cada vez mais, meu amor.

domingo, 25 de março de 2018

Nota sobre despertar

Oi amor,

Sei que já faz um tempo que não te escrevo, também, com essa correria toda, sorte a nossa ainda nos vermos, com mais frequência até. Na estrada fiquei pensando sobre o início do dia então resolvi escrever.
Hoje, acordei várias vezes na madrugada, o que é incomum quando bebo alguma delícia etílica antes de dormir, mas acho que isso aconteceu porque você estava do outro lado da parede e eu queria estar lá, com você. Então fui, meio sonâmbula pouco antes de amanhecer e deitei, já me encolhendo perto de você. Eu gosto dos seus braços ao meu redor, teu queixo no meu pescoço, teu corpo colado no meu. Quando acordei, quando acordamos de verdade, fiquei pensando em como é bom acordar do nosso jeito. Como nos fortalecemos no bem que fazemos um ao outro e assim, nos preparamos para o dia, seja ele leve ou desafiador.
Eu amo tanto dormir e acordar com você que as vezes me pergunto se isso vai ser sempre assim, será que dá? Para sempre? Velhinhos e tudo? hahaha
Eu gosto dos seus braços ao meu redor, teu queixo no meu pescoço, teu corpo colado no meu. Eu gosto quando nossos corpos nos obrigam a acordar e por nosso bom-dia ser tão nosso. 

(Já) Estou com saudade.
Amo você. Muito.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Aconchego

Cheguei tão cansada da viagem que acabei dormindo sem estudar, jantar ou falar com ele.
Acordei na madrugada com sede e com a consciência pesada por não ter estudado. Fui beber água, fui ao banheiro e ao voltar para o  quarto e deitar, percebi a cama tão maior! Bateu saudade. Saudade dele, claro.
Inevitavelmente lembrei das noites anteriores nas quais dormimos dividindo um colchão pequeno e é tão engraçado perceber que, logo eu, que nunca gostei de grude, que nunca fui muito chegada a longos abraços apertados, me vejo assim: amando dormir junto dele, dormir enrolando braços e pernas,toda entrelaçada, tão juntos que mal se pode respirar. E eu me sinto bem, em casa, em paz.
É engraçado como eu gosto de estar entre os braços dele e como encontrei em seu peito o melhor lugar para tirar um cochilo: é macio, quentinho e eu fico ouvindo coração dele batendo numa sincronia certinha, sístole, diástole, sístole, diástole... Às vezes até nossas respirações se sincronizam e eu então percebo o quanto estamos cada vez mais alinhados.
Pensar nessa sincronia toda me faz pensar como tem acontecido tanta coisa em nossas vidas, tantas mudanças que eu não tenho escrito, não tenho conseguido pensado e quando lembro me assusto as vezes ("Como chegamos aqui?"). Não raramente me perco no quanto nos aproximamos, no quanto estamos bem e como eu gosto de estar com ele. Eu não imaginei em nenhum momento que ficar junto assim me faria tão bem e faria tanta falta também! Justo comigo, a rainha da independência, a aquariana livre, leve e solta nesse mundão, doida para voar.

Enfim, ao deita na cama tentei da melhor forma possível substitui-lo com um travesseiros e almofadas, mas nem deu, né?! Não tinha aquele aconchego, nada tinha o calor dele. Ai resolvi ligar e dizer isso, aposto que ele ia gostar de acordar no meio da madrugada assim. Ou talvez amanhã, meu sono está voltando.

*Durmo e sonho com ele, alguma coisa que não lembro, mas sei que ele estava. Como sei? Bom, ele foi a primeira pessoa que lembrei, antes mesmo de abrir os olhos e acordei leve. É, certamente ele estava por lá sim.

Nem preciso dizer que amo você né?!

sexta-feira, 21 de julho de 2017

"O que você sente quando te olho?"

A pergunta veio assim mesmo, do nada. Sabe que eu ainda não tinha pensado sobre isso?! É tanto que protelei a resposta, para poder pensar sobre, analisar de um, dois ou vários ângulos.
Passamos muito tempo longe e, honestamente, não me parece difícil. Sim, é foda às vezes, mas no geral levo bem, sem neuras porém, quando vai se aproximando o dia da viagem, fico um pouco ansiosa. Quando te encontro pronto, passou. Sei lá, estar perto de você causa uma certa agitação em mim (nem parece né?!, eu sei). Você tenta, sem sucesso, me fazer rir com piadas bestas que nem consegue terminar de contar antes de rir (e gosto quando rir, acho divertido) e acabo rindo, então meu riso, seu riso, tudo se mistura e eu fico ali, rindo como besta, ainda que tente o contrário.
Você tem hábito de me olhar já com um riso bobo e eu pergunto "Tá olhando o quê?". Fico me perguntando "Do que esse bocó tá rindo?", às vezes eu pergunto em voz alta mas nunca recebo resposta além de um "nada" risonho ¬¬. Eu não gosto de ser encarada, me incomoda mas, quando vem de você eu não ligo, as vezes até me agrado de um olhar de contemplação e felicidade que eu vejo ali naqueles olhos fundos e puxados.
Quando você me olha eu penso "o que estamos fazendo? Será que algum dia serei recíproca a tudo que ele sente?", "por quê estou rindo tanto?", "caramba, que cara sortudo!", "por quê tá demorando para me beijar?"
Quando você me olha fico feliz de te ter por perto comigo e para mim, por você sair de casa ao meio dia só para passar meia hora comigo (este pequeno ser andando de um lado para o outro arrumando uma mochila as pressas), fico feliz por saber que você se preocupa com meu bem estar e saber que eu me preocupo com você também, por saber que estou aqui para você. Quando nos olhamos eu sinto algo crescer entre nós (e não é um bloco de gelo) e isso me faz rir.
Na troca de olhares há incertezas, sim, mas há alegria, bastante, por isso não paro de rir, nem quero então pode continuar me olhando. :)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Eu escolhi você

Ó, só pra você saber, eu escolhi você.
E, por favor, não me venha com gracinhas falando daquela música da Clarice Falcão. Sério, aposto que você não acredita mas, sim, eu te escolhi. Fica quieto ai e me deixa ser fofa.
Quando aparecestes eu estava conhecendo outros caras, confesso. Nada grandioso, só passando tempo, afinal, eu não estava fazendo nada mesmo... Bom ai você apareceu, e eu ignorei educadamente. Uma, duas vezes. O terceiro "Oi" me deixou intrigada, como esse cara ainda insiste véi?! Vou ver qual a dele, pensei e foi o que fiz (e fico feliz por isso). Por que te escolhi? Você veio com aquela história que me observava desde os tempos de escola (isso já faz tanto tempo!) e eu achei tão estranho. E original. E criativo. E bonitinho (ainda que pudesse não ser verdade). Foi um elemento surpresa, sabe?! Eu não esperava algo assim e isso me despertou curiosidade. De cara achei você muito corajoso ou muito louco (ou um pouco dos dois), por que dizer coisas assim, numa primeira conversa... É de uma verdade tão crua que assusta pessoas que não estão muito afim de coisas sérias (como eu).
Ok, continuando... E ai, conversa vai, conversa vem, não demorou muito para que víssemos nossas diferenças ideológicas e eu gosto tanto de conversar sobre tudo, mas quando começávamos... não dava muito certo e por vezes achei que era hora de parar mas, porque continuei? Primeiro porque você é insistente/persistente e segundo porque acho que, podemos tentar nos ajustar. Não para caber um no outro, mas sim para somar, expandir horizontes para ideias e vivências novas a partir da tentativa de enxergar o mundo do outro, testar um novo ângulo. 
Eu escolho você, não por não ter outras opções, mas por achar que você é a melhor opção, agora. Por você ter essa paciência, essa sinceridade crua de criança, esse jeito todo sentimental que equilibra um pouco meu lado insensível (mais insensível que uma mula, não é mesmo?). Eu gosto da sua perseverança, essa coisa de achar que todas as coisas podem dar certo quando eu me estresso e quero jogar tudo pro ar (porque não tenho paciência mesmo). Eu gosto dessa mansidão que freia meus devaneios. Gosto do teu olhar forte que às vezes se faz pidão querendo beijo. 
Por que escolho você? Porque desde as primeiras conversas senti que deveria tentar, que poderia valer e até agora, não estou arrependida. Se estou apaixonada? Não, ainda não. Se quero que acabe? Não, pelo contrário: quero mais disso tudo, mais de você. Quero aprender a ser carinhosa e fofinha (kkkkkkkkkkkk). 
Vai me ajudar, pessoa?

Beijo!

P.S.: Ainda vai demorar muito? Tô com um pouquinho de saudade.
Sério, venha logo.

 P.S ²: essa última estrofe da música (defeitos, jeito torto, confusão...) combinada mais comigo do que com você.

Quem vive de princípios
Não tem meios, nem fins

Eu quebro as minhas leis
Pois só assim elas pertencem a mim



E eu que sempre fui da turma do talvez
Me joguei sem paraquedas no sim



E eu escolho você com todos seus defeitos
E esse jeito torto de ser
Eu escolho você, destino imperfeito
Todo carne, osso e confusão

Escolho você - Sandy

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Senta aqui, vamos falar sobre saudade

Ontem saudade foi o assunto que mais vi nas redes sociais, disseram que 30 de janeiro é o dia dela. Engraçado, um dia para lembrar a existência da saudade. Quem sente, sentiu ontem, sente hoje, sentirá amanhã... Não há dia, nem hora para a saudade. A safada chega quando bem quer, sem nem mesmo ser convidada.
Li muita citação bonitinha e fui dormir pensando sobre. Fiquei pensando, há tanta saudade nesse mundo e tanta ainda a ser. Eu tenho tanta saudade em mim que me admira não viver em nostalgia. Há saudade de momentos, sentimentos, pessoas, lugares, cheiros, sabores, sensações, músicas que ouve-se uma vez no rádio e nunca mais. Saudade daquele riso que veio do nada ou do arrepio em reação a um cheiro. Saudade do que não se viveu, do que não riu. Saudade de quem se foi e de quem virá.
É tanta saudade que pode caber em uma pessoa que me pergunto se isso significa que tem se vivido uma vida boa, com um passado bom de se lembrar ou se indica um presente mal vivido, sem sal. O que é a saudade? Tem remédio? Tem contra indicação? Ao persistirem os sintomas que médico deve ser consultado? 
Pensar sobre saudade dar margem a tantas perguntas... Saudade tem nome e endereço? (Sim! Ou pelo menos, quase sempre) Saudade mata se apertar demais? E por falar em saudade, quando é que ele vem? Tenho que o entregar uns tantos beijos que ainda não dei... 
Saudade é uma coisa que quando aperta só cessa com abraço apertado, demorado. Saudade nos leva, ainda que distantes, para onde queríamos estar. Essa tal saudade é coisa de gente que sente, sente muito e sente tudo. Gente doida, eu hein...

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Brotinho

Cada vez que te vejo é uma novidade. É como se estivéssemos aguando algo que só cresce, um brotinho de sentimentos bons. Dessa vez fomos para um show, e talvez tenha sido um dos nossos encontros mais longos. Pudemos passar bem mais tempo juntos e com isso percebi o quanto senti sua falta e o quanto eu estava feliz por estar com você (não conseguia parar de sorrir, caso não tenha percebido). Eu não queria me soltar de ti, o que é raro, uma vez que eu geralmente não gosto de grude. Geralmente. Não com você, pelo visto.
Dessa vez pude ver também que você também não conseguia manter as mãos (e lábios) longe de mim - e eu estava feliz com esse arranjo. Vi e senti o tanto de carinho que você me tem e só posso dizer que provavelmente é recíproco. As amigas dirão que é uma piada, que só eu poderia dizer "provavelmente" quando na verdade é algo óbvio, pra elas, mas, sei lá, não sou de muitas certezas, sabe como é, geralmente enjôo rápido. E por falar nelas, amigas, me desculpem, não consigo dar mais detalhes com relação ao último encontro. Não que eu não queira mas, quando procuro as palavras... elas simplesmente não vêm (veja só, logo eu que tenho essa relação de puro amor com as palavras!). Acho que, inconscientemente, quero guardar isso pra mim, entendem? Não é uma questão egoísta (eu acho), só não consigo descrever o quê senti ali, nem como. Acho que não encontraria as termos certos nem que fosse a própria Jane Austin, C. Lispector, Marchado de Assis, Mia Sheridan, G. Lacombe...
Em resumo, foi divertido, agradável e me deixou na expectativa de mais. Mais dos beijos (que variavam do carinhoso à quente) dos abraços, de presença... mais.

Poeminha

Veja bem
                    Meu 
                                bem,
não preciso de você 
para ser completa
em 
          nada, 
já sou inteira.
Mas te quero perto 
porque contigo 
eu trans
             bor
                    do
de sorrisos,
                 de amores, 
                                 de sentidos, 
                                              de sabores.


quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Assim, sei lá

Oi!
Olha esse vídeo, uma amiga me mandou e achei tão linda essa música, lembrei de você. Talvez por sua religião, bom, enfim, ouve aí.
Sei que eu sugeri que nos afastássemos mas não tem sido muito fácil do lado de cá, sei lá, me habituei ao teu bom-dia-bb. Acho que nunca comentei com você, com receio que se sentisse mal e tal mas, eu não gosto que me chamem por nada diminutivo: nem variações do meu nome ou que remetam a pequenices. Já sou naturalmente pequena e quando me chamam assim sinto-me ainda menor. Pouca gente eu deixo que me chamem assim, alguns parentes e amigos queridos porque sei que dizem em legítima demonstração de afeto e... você. Desde sempre e isso nunca me incomodou, pelo contrário, vindo de você eu até gosto e se não vem até faz falta.
Não vai acreditar, mas alguns parentes seus subiram no ônibus agora. Que coincidência! - mas poderia ser você.
Sim, pois é. Estou viajando hoje para fazer aquela prova. Desde quinta tento viajar e acontecem contratempos dos mais variados: fiquei doente do nada e fiquei boa do mesmo modo, pedi a hora, o carro quebrou... fico até pensando que por algum motivo não devo ir, queria ter comentado isso com você antes de ter saído, sei lá, agora a operadora não pega.
Eu queria ter te visto para aquela conversa. Queria ter te abraçado e tentado olhar nos teus olhos também, mas acho que não tenho essa maturidade e autocontrole todo não, antes de começar a falar já teria desistido.
Provavelmente isso de não querer mais tentar por causa de nossos posicionamentos ideológicos te pareça coisa de doida, e é. É que eu sinto que a troca mental é essencial em tudo, você precisa ver quando eu me empolgo em uma conversa, ganho a aparência de uma criança vendo presente de natal. Informações novas e diferentes, me encantam. Eu gosto das linhas de pensamentos exclusivas, do que mostra um ponto diferente entre os clássicos preto e branco. Isso tudo me atrai tanto! E eu queria que tivéssemos isso. Queria que trocássemos ideias sobre tudo e que você me encantasse com algo que eu nunca tenha pensado antes, e eu possa dizer "mas num é que faz sentido?" Queria que você dissesse: olha eu não estou muito certo disso mas vou ler em outras fontes de depois continuamos - e continuássemos de fato.
É difícil tudo isso. Talvez eu tenha te idealizado algo irreal por querer que funcionássemos e eu sinto muito por isso, por ter te esperançado um futuro mais duradouro.
(Essa coisa toda tá ficando meio bad. Nota mental: não enviar nem a pau)
Ainda assim, não consigo parar de falar contigo e você não deixa meus pensamentos, nem mesmo durante o sono. Será que isso passa? Porque tenho a sensação de estar tomando uma decisão errada? 
Vamos ver o que o Sr. Tempo faz.
Fique bem, beijo.

domingo, 13 de novembro de 2016

Nota de amorzinho

O dia de hoje foi, sem dúvida, contraditório. Como pode alegria e tristeza habitarem o mesmo ser ao mesmo tempo?
Você foi embora e a casa imediatamente tornou-se um vão... Tá tão vazio agora, é uma sensação tão estranha não te encontrar no sofá da sala me chamando de "meu amor", puxando o R dessa forma que eu achava irritante, com esse sotaque tão seu que até aprendi a gostar.
Apesar disso me alegro ao pensar nos nossos dias juntos. Vinte e um dias podem parecer nada mas nós dois sabemos que eles foram suficientes para nossas certezas em nosso amor e na veracidade dele.
Eu sei, a distância vai doer tanto aqui quanto aí, mas nós vamos superar essa "pequena barreira," afinal nós fomos escolhidos por Deus para viver essa história e Ele há de nos fortalecer para superarmos as adversidades.
Em breve estaremos juntos de novo, vamos ser fortes. Nos falamos mais tarde, assim como temos feitos todas as noites, desde que começamos a nos falar.
Fique bem, amo você!

Carta de até logo

Eu poderia te escrever um texto no computador e publicar, sei que leria. Mas por algum motivo acredito que esse modo tão milenar de comunicação é de uma cumplicidade e pessoalidade muito melhor. Aqui há minha letra cursiva e garranchuda, meu modo de terminar as linhas, minhas inúmeras vírgulas, expressões e erros.
Espero não chorar enquanto escrevo, até porque o papel entregaria. Não quero que fique melancólico também por que, como eu disse no texto da nossa colação de grau "o que pode parecer um ponto final é também um ponto de partida".  Esse é o ponto final de uma fase cheia de emoções, né amiga?! (Re)conhecermos amigos, perdemos pessoas, rimos, fomos muito felizes. Estivemos juntas em várias ocasiões. Mas o ciclo se encerra aqui. Que esse seja o ponto de partida seja escolhido por Deus para te guiar rumo à felicidade. Que em sua nova estrada você encontra paz e sossego, amigos (não melhores que eu, vale ressaltar), que você possa curtir sua família, que encontre um emprego bacana e tenha pacientes e colegas maravilhosos. Capacite-se muito! Aposto que vc ainda volta para ser professora da UFRN hahaha. Ah, e que você encontre O cara por lá, aqueeele cara dos sonhos, porque você merece um cara muito, muito legal e ele será um sortudo! (Se casar, quero ser madrinha!).
Quando a saudade tiver demais, não se acanhe, ligue a qualquer hora do dia ou da noite. Ou melhor ainda, venha nos ver ou nos chame pra passar uns dias aí. Tendo uma rede vou pra qualquer lugar. Ah, não esqueça dos nossos mochilões hein?! Quando encontrarmos nossos Caras vamos viajar muito. Ou sem eles também (quem precisa de homem pra viajar e se divertir?!)
Quero saber todos os detalhes da sua vida, tal como aconteceu ao longo desse ciclo. A tecnologia está aí pra isso e, você sabe, preciso de informações pra poder escrever meu livro, né?!
Só te desejo coisas boas, chega dessa coisa de filme de ação e suspense, passa ai pros filmes de romance e comédia. Muita luz pros próximos caminhos. Estarei aqui sempre que precisar ou não. Fique bem.
Sabe, acho que só existe uma partida sem volta, que é a morte. Enquanto estivermos vivas há a chance do reencontro e eu acredito que nos veremos em breve. Vai seu estranho sair sem minha consciência, mas sobreviveremos e nos encontraremos logo.
Beijo.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Quando a presença pesa mais

É interessante como me sinto bem perto de você.
Sei lá, eu gosto de estar, mesmo quando há silêncio sem fim. Nós nos olhamos, depois olhamos para os lados, rimos e continuamos ali, contidos no silêncio, no abraço, no carinho. Quando a gente não fica muito à vontade perto de alguém e falta assunto, rola um silêncio constrangedor, irritante e todo mundo busca algum assunto, qualquer um, para matar o silêncio. Eu não, eu amo silêncio. Nos falamos sempre mas quase não nos vemos e quando isso acontece eu quero sentir sua presença. Ficar abraçados, fazer carinho, mexer no cabelo um do outro... não precisamos de palavas para sentir presença.
Lembro de uma vez que saímos, acho que foi a primeira (e única) vez que saímos de verdade, sem a pressa, sem olhar a cada minuto pro relógio. Éramos só duas pessoas se encontrando para passar um bom tempo juntos numa tarde de sábado. Nesse dia eu estava mais à vontade que nunca, minhas roupas falavam por si: short, camiseta básica e chinela. Depois fiquei pensando "Sério que eu sai como se fosse no supermercado?", sim, sai. E não estava largadona por não me importar mas sim por me sentir à vontade ali, com você. Não tinha aquela sensação de causar uma boa impressão, nem seduzir, nem da nada assim, só me sentia bem de um jeito que não precisava ficar desconfortável de forma alguma, nem pensar em cabelo, salto ou maquiagem. Bem de um jeito que eu só fico perto dos amigos e família, ou seja, dos que quero e me fazem bem.
Não sei você, mas eu me sinto bem com o silêncio entre nós, dá uma sensação de estar em casa após um dia cansativo. Sabe aquela paz de enfim chegar em casa após um dia ralado no qual você acordou tarde, perdeu ônibus, levou puxão de orelha do chefe, ficarou até mais tarde no trabalho, pegou busão lotado na volta e ao fim do dia (enfim!) poder tomar um banho, comer, deitar e assistir sua série favorita? Então, é isso que sinto. E é engraçado sentir isso com você mesmo com todas nossas diferenças, nos conhecendo há tão pouco tempo e nos vendo menos ainda. Não sei, só... parece tão certo estar ali!
Não entendo essa coisa toda e isso de distância... não sei lidar, mas faz assim ó, me aluga teu abraço para eu morar um tempo lá? Coisa pouca, bem simples, nem vai atrapalhar. Prometo ser uma boa inquilina, pago direitinho e faço a manutenção do espaço.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Já nem sei se tem fim

Já passa da meia-noite, então já é segunda e eu estou aqui, escrevendo sobre você quando deveria está dormindo, já que amanhã é dia de trabalhar. Para falar a verdade, tenho pensado muito em você, há dias e é confuso por eu mesma ter sugerido que nos afastássemos, eu sei, não deveria te enviar nada disso porque se é confuso para mim, imagina para você. Não quero que pense que estou brincando com você, mas é que eu sou essa pessoa contraditória mesmo: o que eu penso, falo, sinto e faço quase nunca estão em concordância, pelo contrário, é cada um por si e isso dá uma confusão... te contar viu?!, mas, tenho trabalhado para não ser tããão assim. Por isso não falo com você sempre que penso, estaríamos nos falando o dia todo se assim fosse.
Eu não queria te escrever, nem pensar em você mas eu não controlo e uma coisa leva a outra. Eu sinto falta de dividir meus dias contigo, ainda que à distância, pois eu sabia que você estava ali para ouvir, opinar, apoiar e sei que você vai dizer que continua ai, mas se eu disse que devemos nos afastar então devo manter, pelo menos até que tenha certeza que podemos de fato tentar algo (isso se algum de nós não conhecer antes alguém que mude tudo). Disse-te que tenho o hábito de estragar as coisas né?! Pois bem.
Pensando analiticamente ainda acho que não combinamos tanto assim. Mas, pensando com carinho, até que poderíamos caso eu me esforçasse um pouquinho. Aliás, ambos. Acredito que tudo é uma questão de encarar que, sim, somos diferentes e ter disposição para tentar entender o lado do outro, entrar um pouco nesse mundo novo e permitir a entrada também. A troca é mútua, mas entenda, é difícil para mim isso, de abrir as portas do meu mundo. Me fiz uma pessoa meio dura, desconfiada de tudo, cética e nada disso combina com relacionamentos. Já disse que gosto de você? Certamente não vai acreditar, mas é verdade. Nem sei porquê mas, sei lá, só gosto. 
Sabe, tanta coisa que eu queria te dizer esses dias que mal nos falamos e é engraçado pensar em quanta coisa quero dividir com você: Queria te contar que mostrei aquele texto para minha avó e ela chorou de tanta felicidade; que se aquela prova que fiz fosse sobre você eu certamente teria conseguido a vaga, porque... eu só pensava em ti, lembrando das vezes que nos vimos e das suas piadas ridículas; que estou "montando" meu livro; que sinto falta do seu "bom dia bb"; queria te contar que já sonhei com você, não uma, nem duas mas várias vezes; te contar dos meus sonhos, projetos e metas; queria te mostrar uns trechos de um livro que eu amo e, quem sabe, te convencer a lê-lo; queria te contar das histórias dos tempos da faculdade, dos amigos que perdi, dos amores que passaram, das cicatrizes que carrego. Queria que soubesse que sempre leio nossas conversas e acordo ouvindo as músicas que você me mandou (inclusive, pode mandar mais se quiser), ah, que sinto falta dos teus abraços e carinhos. Queria dividir tudo isso e que você dividisse sua vida comigo também. Queria te ajudar a ser mais confiante, a resolver suas questões com seus amigos, entender seus pensamentos e te fazer bem.
Só queria te deixar ciente que eu pedi para nos afastarmos mas não consigo te afastar e nem sei se quero de verdade também. Aproveitando o ensejo, quero te deixar ciente que não precisa ficar esperando eu resolver minha vida, até porque nem sei como fazer isso, e que torço para que essa situação se resolva logo, seja lá como for, não gosto dessa sensação.
Provavelmente não te enviarei isso e talvez seja melhor assim, para não gerar expectativa (ou raiva mesmo rs).
Mas se eu enviar... desculpa não te deixar me esquecer.
Fique bem, sinto sua falta.
Beijo.
(E quando mando beijo é na boca mesmo)

sábado, 23 de julho de 2016

Bday da Lari!

Miiiiiga, sua louca!, como foi seu dia? 

Espero que tenha sido maravilhoso e cheio de risadas (ah, suas risadas!). Eu queria ter te escrito algo mais elaborado mais cedo, mas você sabe como tem sido meus dias, mesmo assim não podia deixar essa chance de rasgar seda e ser melosa passar, né?!
Você foi um dos melhores presentes que a faculdade me deu e eu agradeço sempre por isso, Sempre que começo a pirar você se torna aquela pessoa centrada e firme ao mesmo passo que me ajuda a voar. Você me ajuda a tornar minhas ideias loucas em realidade, você sonha comigo e o inverso também acontece. Já rimos até dar dor na barriga, já brigamos, já nos aperriamos e já choramos juntas. Juntas desde que nossos caminhos se cruzaram.
Durante a faculdade o apoio mútuo foi essencial para que pudéssemos ver, no dia da colação as lágrimas rolaram soltas pois descobrimos, enfim, o sabor da vitória. Sabe, encontrei em você mais uma irmã, uma pessoa confiável, amiga e incrível que consegue colocar qualquer pessoa para cima com sua gargalhada contagiante. 
Por falar nessa gargalhada... não sabe como eu sinto falta dela! Aliás, consegue ter ideia do quanto sinto sua falta, sua louca?! Que ideia é essa de ir pro outro lado do pais e não vir nos visitar ainda?! Quem te deu o cabimento de ir e sumir assim, hein?! 
Eu sei que essa cidade tem sido boa com você e é por isso que não te pediria para voltar. Ela te acolheu, te deu aquilo que você precisava, colocou pessoas boas em seu caminho e eu agradeço por tudo isso. De verdade, quero teu bem tanto quanto quero para mim, ou melhor, para meus irmãos e pais. Por esse querer bem tão grande não quero que você volte ainda, não para ficar, pois sei que você está gostando daí. Se está feliz, então eu também fico ainda que a distância, ainda que morrendo de saudade.
No dia de hoje, em especial, pedi várias vezes que você estivesse feliz, que encontrasse felicidade e paz de espírito. Pedi para que seus caminhos continuem sendo de luz e alegria, que sua gargalhada aqueça muitos corações gelados (ai e em qualquer lugar). Que conhecimento seja só mais umas das riquezas que você some. Que você continue sendo minha bandida, maléfica e de riso frouxo. Que tenha mais amigos ai (mas nenhum melhor que eu, que fique claro). Que você fique rica logo para podermos nos ver umas quatro vezes por ano, no mínimo!

Feliz aniversário minha amiga, um super abraço com riso, lágrimas e saudade (proporcional a força do abraço)
Venha logo.
Amo você, sua vaca.
(e sem choro, quero gargalhadas!)

domingo, 19 de junho de 2016

Piadinhas de Hipnos e Morfeu

Acordei me sentindo quente. Normal, já passava das 10 horas e aqui no nordeste tá quente mesmo. Mas não era apenas isso, tinha a ver com a piadinha sem graça que meu subconsciente fez te trazendo pro meu sonho. 
Já se somam duas noites de visitas suas e por mais que faça muito tempo, isso ainda me incomoda. Incomoda porque me afeta. Sabe, sonho mesmo é com o dia que sonhar, pensar ou falar sobre você não mexa tanto comigo. Eu não sei dar nome ao que tivemos mas sei que até hoje "isso" levanta voou das borboletas que tenho no estômago, as quais sempre pensei que morriam após 24 horas de vida. Imaginar te encontrar por acaso me causa aflição, tremor e um gelo que percorre toda minha coluna vertebral. Sonhar com você traz muitas lembranças, não que sejam ruins (de forma alguma) mas também não precisa ser tanto assim. Depois que acordo me sinto mal. Mal por isso tudo ainda parecer tão real. A vida segue, as coisas mudam e isso permanece. É frustrante!
Desde a última carta que fiz para você, já sonhei outras vezes mas me recusei a dar dimensão a isso, preferi abafar, sufocar e agora, depois desse sonho, sinto-me sufocada, prendendo a todo custo as tantas palavras que guardei para ti. Como se as imagens que vi fossem aquelas que eu queria ter visto, vivido. Como se com aqueles jeitos eu quisesse ter me comunicado, te falado nas entrelinhas.
Por falar nisso, recordo-me agora que recentemente, em uma aula, descobri que tenho alguma alteração na vesícula biliar sem nenhuma causa aparente. Estudando metafísica descobri ainda que as vezes algumas emoções afetam determinados órgãos. O desejo de falar algo e deixar a oportunidade passar afeta por exemplo, olha que interessante, afeta a vesícula biliar. Justo ela? Quando li pensei logo em você. Aliás, principalmente em você, tenho muita coisa guardada para falar pra muita gente, mas nesse quesito, meu caro, você ganha em disparado. Tanto pelo tempo quanto pela quantidade de palavras destinadas.
Queria ter deixado claro o quanto me sentia bem com você, o quanto eu gostava de você quando éramos criança, o quanto quis morar mais perto de você; depois morar em você, queria fazer minha casa no teu cangote, e dizer ainda o quanto eu tinha preguiça de sair dali.
Eu queria sentir menos, mas eu sinto muito.
Sinto tanto que sonho demonstrar "essa coisa" tão abertamente. No da última noite nós estávamos rindo, tranquilos nos abraçando de vez em quando e trocando carinho de dedo e olhares sem que nos importasse quem estava perto, olhando. Na última noite sonhei com os beijos que outrora foram reais e que já procurei em tantas bocas algum, unzinho se quer, melhor melhor que o seu. Nunca vou saber explicar aqueles beijos mas sempre tinha algo mais, sempre eram mais que apenas beijos. A melhor definição que encontrei é que "eram beijos do tipo que davam vontade de tirar a roupa". Simples assim. Intenso assim.
Depois do sonho acordei me sentindo quente, mas não era apenas pelo calor do nordeste. Hipnos e Morfeu te trouxeram pro meu sonho. Um me botou para dormir e o outro colocou você ali, só de pirraça para me perturbar.
Aliás, a culpa foi sua. E eu sinto muito por isso também.

*Na mitologia grega Hipnos é o deus do sono e Morfeu dos sonhos

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Tão Diferente


Hoje fui à um luau super animado numa das praias aqui da cidade (sim, moro numa cidade privilegiada com praias lindas, :*). O lugar era simples mas com visual deslumbrante: Ondas batendo forte (causando seu som característico ao quebrar), sol se pondo e lua surgindo, brisa do mar, bons amigos, música boa. Não tem como não ser bom, correto? Corretíssimo. O repertório era excelente e acabou me lembrando que a música é um portal poderoso. 
Através da música podemos recordar com precisão fatos, histórias, cheiros, sorrisos, sensações. No decorrer da apresentação cantei Primeiros Erros, do Capital Inicial, com um sorriso nos lábios recordando minhas amigas da 7ª série que quando se juntavam só queriam cantar essa música (uma delas extremamente engraçada nunca sabia a letra mas amava "cantar"). Lembrei de um olhar que pedia que eu dissesse que o queria como ele me queria enquanto cantava para mim Luz do Olhos, do Nando Reis. Naquela noite eu realmente queria dizer essas palavras para ele, mas não consegui nem naquele dia, nem depois. Provavelmente ele pense que nunca o quis de verdade, mesmo com a história que tivemos. Nessa música a sensação foi de reconhecimento de um erro e que cometi e também de perdão. Perdoei-me por isso, afinal, não há motivo para carregar um fardo assim. Já superei isso \o/ ~fazendo a dança da vitória~
Lembrei ainda de uma viagem "ducaralho" que fiz com uns amigos quando ele tocou uma do Natiruts. Fomos para uma casa de praia e tivemos um dos melhores feriados da minha vida: leve, divertido, simples e feliz (feliz demais). Deu mais saudade ainda dessa viagem porque aquele tempo passou e a vida de todos que estavam naquela casa de praia, cantando ao som do violão disputando redes, mudou. Hoje cada um seguiu seu caminho e voou para aquilo que acredita ser o melhor para sua vida (e desejo do fundo do coração que nesses voos encontremos a tal realização pessoal e profissional).
Quando o show estava acabando o artista tocou Por Enquanto, do Nando Reis (mas que se popularizou mesmo na voz da Cássia Eller). Ali foi para matar. Todo mundo cantou com vontade e de olhos fechados na maior parte da música, inclusive eu. Lembrei de tanta coisa, tanta gente. Lembrei dos meus amigos do ensino médio que adoravam matar aula para tocar violão na quadra da escola (esta música inclusive), lembrei da viagem de despedida na qual dissemos coisas lindas e sinceras uns para os outros. Nos divertimos, rimos e na volta para casa choramos muito, pois, mesmo que todos dissessem que seria para sempre, sabíamos que seria difícil com o novo ciclo que se iniciaria nas nossas vidas. 
Mas o que doeu mais ao ouvir por enquanto foi lembrar daquele que costumava ser meu melhor amigo. Mesmo com as discussões, com as opiniões contrárias, mesmo com as religiões distintas, éramos amigos e cuidávamos um do outro. De repente ficou tudo assim, tão diferente. Sim, com ele eu achava que a amizade seria realmente para sempre, que ele iria me ver apaixonada (do tipo brega mesmo) por um cara bacana, que me chamaria para ser sua madrinha de casamento e ele seria padrinho de batismo do meu primogênito. Eu acreditava que sentaríamos com os filhos na sala de estar em um belo fim de tarde e contaríamos as nossas histórias (contáveis) de adolescentes. Mas o pra sempre, sempre acaba. É verdade, o cantou me contou. Então sentada ali, olhando aquela lua e ouvindo a galera cantar em uma só voz o finalzinho da música ("Mesmo com tantos motivos pra deixar tudo como está e  nem desistir, nem tentar, agora tanto faz, estamos indo de volta pra casa") senti o olho marejar e a garganta apertar mas o sorriso também veio junto com a lembrança que a amizade foi sincera e recíproca até certo ponto, foi sim. 
E ao fim de tudo fiquei pensando como talento pode ser "palpável!". Um músico habilidoso munido "apenas" de voz e violão, cantando músicas escrita por compositores igualmente habilidosos formam um binômio potente capaz de tocar a região mais escondida do nosso âmago, mexer nas profundezas nos nossos pensamentos e fazer transbordar sensações e emoções. Eu poderia ir lá na frente cantar também, mas seria péssimo (sincero sim, mas com certeza péssimo), não sou artista da música. O artista, independentemente de sua área de atuação, tem esse dom de tocar as pessoas, de emocionar de levar vida. Isso é o que diferencia um artista de uma estrela: o poder sutil de sensibilizar multidões, e eu amo tudo aquilo que me faz sentir.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Bacharéis

Eu juro que não estava prestando atenção na conversa daquela senhora com o fotógrafo, juro. Mas ficar sentada diante uma tela escolhendo fotos me distraía vez por outra, ainda mais porque não levei meus fones.
Olhar aquelas fotos me fazia lembrar dos momentos exatos do flashes e ora eu ri, ora enchi os olhos com tudo que estava diante de mim. Mas a voz daquela senhora preenchia a pequena sala sem som e foi inevitável não ouvir. Pelo que pude notar ela estava resolvendo umas fotos do filho que estava terminando Direito na mesma faculdade que me formei. Ela disse ainda que queria que incluíssem o Victor nos demais eventos mas que não era mais possível. O fotógrafo sugeriu que ela falasse com o pessoal da comissão. Ele disse que o presidente da comissão era um ótimo rapaz, muito simpático e desenrolado que talvez pudesse ajudá-la. O presidente da comissão era aquele cara. Sim, aqueeele cara. Quando o fotógrafo disse o nome dele, L., eu logo liguei os pontos e percebi que era o mesmo cara que entrou naquela faculdade na mesma época que eu, que ia e voltava das aulas comigo, que ia estudar na biblioteca a noite só pra me fazer companhia.
Passou um filme rápido na minha cabeça e eu ri. De todos os assuntos, de todas as pessoas, logo o nome dele foi dito ali, e tão bem falado. Eu sei que tudo que o fotógrafo disse é verdade, L. sempre foi um cara fantástico, alguém que faz bem ter por perto.
Percebi que o tal Victor, filho daquela senhora, era também colega de turma daquele que um dia foi meu melhor amigo. Por má vontade ou ironia do destino nos perdemos um do outro e a amizade se foi. Agora dois dos caras mais importantes da minha vida estão se formando naquilo que escolheram desde a infância (lembro dos dois falando que seriam juízes na época em que aprendíamos expressões numéricas). Fico muito feliz por eles mas lamento que tenhamos nos afastado tanto e não poder estar com vocês agora. Lembro que fizemos vários planos quando entramos na faculdade, pensando nesse tempo que estamos, nas comemorações, nas músicas...
Espero, profundamente ouvir mais vezes os nomes de vocês por aí, assim como hoje, aleatoriamente. Quero ouvir as pessoas falando bem de vocês, de como são profissionais excepcionais e pessoas tão boas quando eu sei que são. Que o futuro de vocês seja cheio de luz e que sejam profissionais comprometidos com a verdade e a justiça. Espero que consigam ser juízes ou desembargadores, eu sei que podem. Os amo, viu?! Sucesso!