terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Aposentadoria?

Tem coisa melhor do que começar o ano com festa? Nada melhor do que poder comemorar a vitória de alguém tão querida e tudo que eu queria era me divertir. E consegui, até onde lembro.
Existe uma coisa na astrologia chamada Inferno Astral, como não sou ninguém no que refere-se a astrologia, fui pesquisar um pouco. Ao que parece é um período um mês que antecede o nosso aniversário. Pelo que entendi, nessa fase é possível que aconteçam muitas coisas pois trata-se de um momento de fechamento de um ciclo da sua vida. Como se fosse zerar e começar de novo, sei lá. Se isso for verdade mesmo, estou vivendo meu inferno astral agorinha e já já você vai concordar comigo.
Acho que já comentei aqui que eu odeio ficar no escuro, isto é, não saber das coisas, permanecer na ignorância. Sempre que passo da conta na delícia etílica esqueço algumas coisas, mas desta vez, olha... Estou de parabéns. Não lembro do que aconteceu após as 3 da manhã e tive sorte por estar entre pessoas amigas. Não lembro do final da festa, nem como entrei no carro, nem mesmo entrei em casa. Eu sempre critiquei as bebedeiras dos meus pais, mas nunca os vi no estado em que meu pai me viu. E isso tudo é vergonhoso. Eu não acho bonito e nem sei como dá para chegar nessa ponto de quase coma alcoólico. Não quero isso para mim.
Dessa vez foi tão pesado que eu realmente prefiro permanecer na ignorância. Se minha mente não aguentou salvar isso, vai ver foi um presente para minha moral.
Se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida de festas é que eu não sei brincar de open bar. Sei lá, acho que não tenho maturidade suficiente para lidar com tanta bebida disponível.
A cada dia que passa mais me convenço que essa vida de festa e álcool combinados não combina comigo. Até hoje tais excessos não me trouxeram nada de bom realmente, só uma puta ressaca moral no dia seguinte.
Talvez eu seja mesmo uma garota de algumas taças de vinho, apenas. 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Passos para conquistar qualquer mulher

Hoje, passeando pela infinidade de vídeos disponíveis no YouTube (vários deles são perda de tempo, é fato), acabei esbarrando em um bem interessante. O protagonista do vídeo garantia que com apenas 3 dicas "infalíveis" era possível conquistar qualquer mulher via texto em redes sociais. Qualquer mulher. 
Veja só: a ideia do cara era despertar a curiosidade da mulher (o que não é muito difícil, já que nós somos curiosas por natureza) com uma frase-chave, algo que funcionaria com todas as mulheres do mundo, e depois de chamar atenção, prendê-la numa conversa iniciada com frases generalistas também. Por fim o cara consegue sair e pegar a mulher. Com menos de 24 horas de conversa espaçada. 
Ao final do vídeo o cara diz que depois que desenvolveu as técnicas tem qualquer mulher disponível a hora que quiser e mais, vende inclusive um curso onde ensina tooodas as técnicas par pegar mulher.
Agora eu pergunto: até que ponto 'pegar' mulher é tão importante assim? Quer dizer, uma coisa é o cara ser extremamente inseguro e precisar de ajuda para começar algo, outra coisa é fazer isso apenas pelo prazer pegar quantas mulheres quiser, quando quiser.
Eu sei que há caras escondidos por aí, com dificuldade para chegar na garota que se interessa, mas num vai nessa onda não... Sinceridade é o maior afrodisíaco para uma mulher. Vai por mim, além disso, seja mais que um cara generalista que diz a mesma coisa para todas as mulheres, gostamos de exclusividade ;). Por fim te aconselho a ser um cara divertido, se não der certo, pelo menos vocês terão dado algumas gargalhadas juntos. Boa sorte Homens (não moleques)!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Coisas que acontecem em dezembro

Sempre gostei dessa época do ano. Lembro-me que na infância ficava encantada com as luzes, os presentes, as histórias de natal, as festinhas... Tudo era tão encantador que ainda é.
Essa época me despertava (e desperta) um sentimento diferente, algo como uma transição. Fim de um ciclo, início de outro. Acabo ficando mais sensível e pensativa, o que me faz tomar algumas atitudes que não tomaria em outras épocas. Por exemplo: esse ano escrevi uma carta para aquele ex-sempre-grande-amor e realmente pretendo enviar ainda. A carta é simples mas bem sincera, quero por um fim nessa história toda. Além disso entrei em contato com aquele amigo, até então querido, que sumiu. Bom, fiz um tremendo papel de trouxa uma vez que fui falar com ele toda humilde e com boas intenções e ele me tratou com desdém e rispidez. Acontece, né?! eu tentei mas nem sempre as coisas saem como queremos. Doeu saber que toooda aquela amizade não passou de um belo 'Nada' para ele, mas prometi que não permitiria que isso me abalasse ou mudasse minha relação com meus amigos, e estou conseguindo cumprir bem. Outra novidade desse ano: manhã de natal, nublada e de temperatura estranhamente amena, ser surpreendida com abraço e beijos no pescoço estando nesse estado de abstinência, é um verdadeiro teste de residência. Sinceramente, foi difícil dizer "sai fora!" quando se quer o contrário.
Pois é, eu fico bem sensível nessa época e acabo esquecendo alguns limites. Quando dei por mim já estava dando abertura para mais beijos no pescoço e com dificuldade para manter os olhos abertos. Por sorte (ou não) a névoa passou e ele apenas riu (com o tempo que levei para mandá-lo se afastar, certamente).
Bom, mas quem recusaria tal tipo de presente numa manhã de véspera de natal?
Ah, outra coisa que me acontece muito no natal é sonhar *-*. Fico muito sonhadora e esperançosa, não que eu seja pouco no restante do ano, mas em dezembro eu fico uma verdadeira criança com relação a isso (e que bom!) No momento não sonho mais com brinquedos ou viagem para a disneylãndia, mas me encontro sonhando acordada (e estudando nas horas vagas) para uma prova muito importante, para cursar algo que quero muito. Se depender de energia positiva a vaga já é minha (Sorry, concorrência!).

Então é isso. Assim é assim que me sinto em dezembro. Espero que o Natal seja para a maioria das pessoas um momento de reflexão e de comunhão com aqueles que queremos bem. Que haja comemoração, festa e fartura na vidas doa menos afortunados (no que refere-se a bens materiais). Que aquele encanto infantil caia sobre todos e que a ideia de paz para o ano seguinte não seja só mais um desejo vazio. Feliz natal! (Muitos beijos no pescoço hahaha)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Bacharéis

Eu juro que não estava prestando atenção na conversa daquela senhora com o fotógrafo, juro. Mas ficar sentada diante uma tela escolhendo fotos me distraía vez por outra, ainda mais porque não levei meus fones.
Olhar aquelas fotos me fazia lembrar dos momentos exatos do flashes e ora eu ri, ora enchi os olhos com tudo que estava diante de mim. Mas a voz daquela senhora preenchia a pequena sala sem som e foi inevitável não ouvir. Pelo que pude notar ela estava resolvendo umas fotos do filho que estava terminando Direito na mesma faculdade que me formei. Ela disse ainda que queria que incluíssem o Victor nos demais eventos mas que não era mais possível. O fotógrafo sugeriu que ela falasse com o pessoal da comissão. Ele disse que o presidente da comissão era um ótimo rapaz, muito simpático e desenrolado que talvez pudesse ajudá-la. O presidente da comissão era aquele cara. Sim, aqueeele cara. Quando o fotógrafo disse o nome dele, L., eu logo liguei os pontos e percebi que era o mesmo cara que entrou naquela faculdade na mesma época que eu, que ia e voltava das aulas comigo, que ia estudar na biblioteca a noite só pra me fazer companhia.
Passou um filme rápido na minha cabeça e eu ri. De todos os assuntos, de todas as pessoas, logo o nome dele foi dito ali, e tão bem falado. Eu sei que tudo que o fotógrafo disse é verdade, L. sempre foi um cara fantástico, alguém que faz bem ter por perto.
Percebi que o tal Victor, filho daquela senhora, era também colega de turma daquele que um dia foi meu melhor amigo. Por má vontade ou ironia do destino nos perdemos um do outro e a amizade se foi. Agora dois dos caras mais importantes da minha vida estão se formando naquilo que escolheram desde a infância (lembro dos dois falando que seriam juízes na época em que aprendíamos expressões numéricas). Fico muito feliz por eles mas lamento que tenhamos nos afastado tanto e não poder estar com vocês agora. Lembro que fizemos vários planos quando entramos na faculdade, pensando nesse tempo que estamos, nas comemorações, nas músicas...
Espero, profundamente ouvir mais vezes os nomes de vocês por aí, assim como hoje, aleatoriamente. Quero ouvir as pessoas falando bem de vocês, de como são profissionais excepcionais e pessoas tão boas quando eu sei que são. Que o futuro de vocês seja cheio de luz e que sejam profissionais comprometidos com a verdade e a justiça. Espero que consigam ser juízes ou desembargadores, eu sei que podem. Os amo, viu?! Sucesso!

domingo, 29 de novembro de 2015

Bebo porquê... Porquê... Ora, porque sim!

Meu primeiro pensamento do dia foi "nunca mais beberei". Sentia-me tonta e sem apetite, ou seja, a velha ressaca, uma lembrança que extrapolei na noite anterior.
Tenho um suave probleminha quando bebo: esqueço algumas coisas que faço ou digo e geralmente são coisas que eu não faria ou diria em um estado normal. Claro que os amigos me zoam por isso e acabo com uma ressaca moral também, mas já não me importo com esse tipo de coisa. Não tanto quanto antes pelo menos. 
E assim passei o dia me perguntando porque raios bebo. 
O álcool sempre foi presente na minha casa e na história da minha família. Meus pais bebem desde que me entendo por gente. As vezes é irritante e por mais que tentemos não acreditar, a verdade é que meu pai é um alcoolista e isso já se tornou um problema de saúde na minha casa. Meus tios bebem, um deles, inclusive, foi uma vítima fatal do alcoolismo e não pode acompanhar o crescimento de sua filha. Meus avós também bebiam e, atualmente alguns primos também bebem. Enfim o álcool faz parte, mas isso não é o meu motivo. Achei que fosse, mas não é. A maioria dos meus irmãos cresceram no mesmo meio e são aversos ao consumo de álcool e fico realmente feliz por isso.
Por quê bebo? Já passa do meio dia e a resposta não me vem. Talvez lembrado do começo possa responder.
Lembro que durante o ensino médio umas amigas e eu íamos estudar e acabávamos provando as bebidas que nossos pais armazenavam em casa por pura curiosidade de saber o que os atraía tanto no álcool. O gosto era horrível e queimava a garganta enquanto descia, ainda assim continuamos para provar uns aos outros que éramos resistentes (coisa de moleques, concordo). Nessa brincadeira de quem aguenta mais vieram vários porres e ressacas violentas, mas sobrevivemos para contar histórias (as melhores por sinal). Depois de passar muita vergonha e de, de certa forma, envergonhar meus pais, tornei-me mais moderada quando aos efeitos do álcool em mim.
Passei um bom tempo sem beber e então voltei, só que desta vez mais regrada e seletiva. Não saio bebendo qualquer coisa ou com qualquer pessoa. Meu nível de consumo de álcool depende de onde e com quem estou. Hoje me sinto mais responsável e consciente de tudo com relação ao álcool e isso com consegui conquistar depois de quebrar muito a cara (e a moral).
Mas então, por quê bebo? 
Acho que descobri.
Quando bebo descanso a mente, dou folga à algumas partes do meu cérebro que trabalham incessantemente. Eu penso demais, em tudo, à todo momento. As vezes viajo muito em meus pensamentos, passo muito tempo com ideias fixas e por vezes já me perguntei se tenho algum problema por ser assim. Quando bebo me desligo um pouco. Perco metade dos meus inúmeros filtros. Quando bebo meus riso fica mais solto, meu corpo fica mais leve e eu danço sem me importar com o que falarão, fico mais engraçada e faço piadas ridículas. Aliás, falo o que me vem a boca antes mesmo de pensar sobre. Beijo sem me importar se estão olhando... Me permito fazer tudo que meus mil pensamentos não deixam. 
Eu sei que isso as vezes é mal interpretado, me traz alguns vexames mas, como posso ficar realmente chateada se fui eu mesma? Quando bebo sinto-me mais eu porque não me sinto oprimida nem do lado de fora nem no de dentro. Só penso em me divertir e por isso mesmo hei de continuar, sem tornar isso um vício mas me permitindo ser uma versão minha sem filtros de vez em quando.
Por isso bebo. 
E assim vou vivendo até mudar de opinião.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Luz que me traz paz



As vezes vejo umas pessoas tão más (isto é, em situações tão complicadas) que penso em ajudar. Conversar, fazer rir, essas coisas, tenho esse dom, vai por mim. Eu tenho uma queda pelos que precisam de algum apoio, principalmente pelos fracos, excluídos e oprimidos. Não me pergunte como ou porque exatamente, nem eu sei. Apenas sei que sinto muita empatia e tudo que quero é colocar no colo, tirar toda a dor dali até que não sobre mais nenhum problema pelo caminho. Acho que é algo que sempre esteve comigo. 
Sempre gostei de pensar que posso fazer diferença na vida das pessoas. Que posso ser alguém que melhore a vida deles de alguma forma. Isso é tão presente na minha personalidade que escolhi minha profissão com esse propósito: ajudar, fazer diferença, melhorar vidas. Não poderia ser diferente no resto da minha vida não é?

Acho que gosto de cuidar, cresci cuidando. Ser cuidada é um pouco estranho pra mim, mesmo que esse cuidado venha dos meus pais inclusive. Mas lá em casa sempre fomos assim: gostamos de cuidar e de ajudar, tanto uns aos outros como aos que nos rodeiam, Somos assim. Acho que este foi um dos melhores ensinamentos que meus pais me passaram. Desde sempre os vi doar alimentos, roupas, oferecer empregos e fazer favores. Acho que a gentileza mais sincera que podemos fazer é para àqueles que não possuem bens ou influência, sabe? Pessoas simples que não nos oferecem (e sem esperar) nada em troca, nada além de um sorriso, amizade e gratidão. Aquele super clichê "Gentileza gera gentileza" é o mais correto que há.  
Fazer o bem à alguém sem pedir nada em troca me causa uma sensação tão boa! É como se uma luz crescesse dentro de mim, sinto-me grande, bem e em paz. É tão bom receber o sorriso acompanhado de "obrigadx" que torna-se um vício (um vício muito bom, diga-se de passagem). E não pense que gosto de ver os outros em situações ruins só para poder ajudar, pelo contrário: Quero todo mundo bem para que possam ajudar outras pessoas. O que quero para mim, quero para todo o universo. 

(Bem sonhadora né?! Eu sei, eu sei... Mas o que será de nós nesse mundo sem os sonhos?)

Filhos? Melhor não, obrigada!

Eu acho que seria uma boa mãe. 
É, acho que eu seria sim. Seria daquelas que conversa numa boa, sem diminuir os filhos contando com o grande argumento "eu-sou-sua-mãe-ponto". Iria brincar como se tivesse a mesma idade, estimular a leitura e, principalmente, ajudaria a desenvolver o pensamento crítico e reflexivo. Acho que eu conseguiria formar homens e mulheres de bem e de valores afinal.
Mas não, decidi há algum tempo que não quero filhos. Se eu encontrar algum cara que me faça querer dividir a vida com ele, espero que também não queira espalhar seus genes por aí. Não é uma questão egoísta, eu até queria mesmo ter algumas crias (isso mesmo, no plural, todo mundo tem que ter irmãos), mas acho injusto e desumano condenar alguém propositalmente para viver nesse mundo. Temo o que será da minha vida nos próximos anos: Escassez de água, empregos, calor excessivo, violência crescente, descaso com educação e saúde, fanatismo, corrupção, alienação... São tantos absurdos que não consigo aceitar uma "mini-mim" solta e desprotegida por aí, sem a liberdade de ser feliz como se deve ser. Quero que este Ser seja tão feliz que não quero que venha e encontre esse mundo doente de tudo.

Parece que abriram a caixa de Pandora e perderam a tampa. 
Ter filhos é de uma responsabilidade tão grande que desde já não cabe em mim, não posso garantir liberdade, segurança e saúde para uma pessoinha nesse mundo que vivemos, infelizmente. Nessas horas penso em meus sobrinhos, nos filhos dos meus primos e nos dos meus amigos... Quero tanto bem a essas crianças que sou/serei uma tia fantástica. Todo amor, carinho e proteção que não usarei com os filhos que não espero ter será revertido para esses anjinhos que não saíram de mim mas que também serão motivos dos meus sorrisos.
Sei que ser mãe não é só parir. É criar, cuidar, proteger, pensando assim já poderia ter vários filhos mas, acredito que gerar um ser é uma experiência à parte. Saber que fecundei, desenvolvi, pari, eduquei e vi crescer uma criança que saiu de mim é algo que não posso sequer imaginar a sensação. Saber que o mundo que estamos deixando para as próximas gerações é tão caótico e absurdo que não posso conceber a ideia de passar meu DNA, o DNA da minha família à diante. No que depender de mim, acaba aqui. Vou cuidar dos meus sobrinhos (de sangue ou postiços), vou criar animais, talvez até adote algumas crianças que não tiveram culpa por nascer e por algum motivo não terem pais para cuidar delas. Vou orar para que o mundo seja um lugar melhor, não para mim, mas para os pequenos que estão vindo. Que o universo conspire à favor deles. Amém.

domingo, 22 de novembro de 2015

Me encontra ou deixa eu te encontrar

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E sabe o que é mais engraçado? Pensar em você antes de dormir. 
Tá, não exatamente você, porque não sei quem és, mas fico imaginando quem será, se gosta de séries, se prefere praia ou campo, gatos ou cachorros. Fico imaginando se você também gosta de O teatro mágico e se é fã de Legião. Fico tentando imaginar como você é ou que tipo de perfume deve usar, afim de facilitar minha busca. Imagina só nos encontrarmos em um lugar bem corriqueiro e rolar aquela frase "cara, sabia que você gostava disso!"
Será que vamos ter afinidade imediata ou isso virá com o tempo? Não sei, são tantas questões que passo um bom tempo batendo esse papo com meu travesseiro, pensando se você também pensa em me encontrar por ai, Será que já nos encontramos em sonho? Será que já nos cruzamos por ai?
Será que demorará para nos encontramos de verdade?


"Mas se você me ver, pode acenar pra mim
Já pensou que louco te encontrar assim?
Eu vou na boa, vou na fé, sei que vou te encontrar
E quando eu te encontrar nós vamos comemorar
Me encontra ou deixa eu te encontrar"
Me encontra - CBJr.

domingo, 15 de novembro de 2015

Liberdade, igualdade, fraternidade

Hoje acordei com uma sensação estranha. Não sei explicar bem como era, mas havia medo de perda, um medo muito forte, o sangue esfriou e senti algo esquisito em todas as minhas terminações nervosas. Ligo a televisão e encontro notícias absurdas, já a internet é mais explicita ainda e me mostra imagens que eu jamais gostaria de ver na minha vida. Rio tomado por lama, caos instalado em ruas, índios queimados, intolerâncias das mais diversas, fugas pela vida, armas nas mãos... vidas marcadas e destruídas. 
Isso me aflige tanto! Fico imaginando em quão absurdo a falta de amor ao próximo tem espalhado pelo mundo. Somos armas, tecnologia de ponta autodestrutiva, suicidas. A humanidade ao longo dos anos mostra cada vez mais que não precisamos de profecias, ETs, desastres naturais para o fim da nossa espécie, nós mesmo somos capazes de fazer isso. As vezes me irrito com a preocupação excessiva dos meus pais, mas em momentos de reflexão como esse percebo que isso tudo é um medo real, um reflexo causado pelas notícias com que nos bombardeiam diariamente. Há medo e sair e ser assaltada, estuprada, há medo do preconceito, há medo da morte. Isso tudo é real e impossível fingir que não é conosco. Pelo egoísmo a humanidade é capaz de matar friamente pessoas (sem se quer saber quem são ou suas histórias) apenas por estarem e determinado lugar ou terem um cultura diferente. Pela intolerância a humanidade é capaz de apedrejar, torturar e matar uma dezena ou milhares de pessoas apenas por não pensarem da mesma forma, ou deixar uma cidade inteira sem água para favorecer negócios particulares. 
Eu, que sempre considerei o lema francês como o mais fantástico do mundo, fico me perguntando onde foi que a humanidade se perdeu, quando foi que ela desenvolveu essa maldade tão... tão... não consigo encontrar uma palavra adequada para o que é isso. Mas ai eu se surpreendo com a resposta que me veio em seguida: desde sempre. Desde que o mundo é mundo a humanidade é o que é. Até mesmo a Bíblia mostra isso ao relatar a história de Caim e Abel, um irmão que mata o outro por ciúmes, o primeiro homicídio da nossa humanidade e depois disso não parou por ai. Depois disso vimos guerras por poder, poses através de mentiras, roubo de pobres para tornar uma minoria mais rica. 
Em dias como este sinto-me mal por ser parte dessa humanidade, tão triste que me cresce a certeza que não quero ter filhos. O sonho de (quase) toda mulher é ser mãe, eu já tive esse sonho também, ver a junção de partes do homem que amarei e minhas em um só ser, traços meus e dele em um serzinho que eu geraria em meu ventre mas, há alguns anos comecei a refletir mais sobre as notícias que leio e vejo. As pessoas parecem amortecidas com tudo isso e parecem achar normal, mas eu não acho, e digo mais: Não acho justo gerar uma criança e apresentar-lhe um mundo que ela não possa apreciar. Não quero que uma parte de minha já nasça com a sensação de medo e insegurança, que não possa confiar nos colegas de escola, que não possa brincar na praia devido ao risco de sequestro ou ataque de tubarão. Medo, medo, medo. Não quero entregar uma parte de mim para esse mundo tão caótico e cheio de ódio, egoísmo e maldade. Eu já amo demais esse pequeno ser para condená-lo à uma vida tão restrita.
Toda a lamentação que possamos sentir não seria suficiente, jamais conseguirei expressar o que sinto com toda a devastação que, infelizmente, somos capazes de causar. Nos destruímos, destruímos nossa terra, os animais e já não há valores suficientes para nos redimir. Não há respeito pela vida nem lágrimas suficientes para chorar tantas dores e tragédias protagonizadas por nós, e dói muito admitir isso, 
Liberté, Egalité, Fraternité.
Liberdade, Igualdade, Fraternidade, esse foi o lema da Revolução Francesa. O mundo precisa entender a significância dessas três palavras. Cada um deve ser livre para ser o que quiser e pensar como quiser; toda e qualquer pessoa deve ser respeitada por suas ações e escolhas, desde que isso não machuque ninguém; todos devemos nos respeitar como irmãos e não fazer nada mais, nada menos que o que gostaríamos para nós mesmo.
Não é porque o ataque terrorista à França me chocou que eu sinto menos pelo Rio Doce, ou pelas pessoas que morrem diariamente vitimas da violência, pelos refugiados da Síria espalhados pelo mundo ou pelos que passam fome. Isso tudo se acumula em mim em uma mistura de impotência, dor e raiva. Acontece que dói mais por ser algo muito direto. Pessoas de carne e osso levantando armas e bombas para matar outras pessoa de carne e osso. Pessoas que olham diretamente o sangue de outra pessoa abandonar seus vasos sanguíneos e espalharem-se em paredes e calçadas, líquido este tão vermelho quanto o sangue do atirador. Isso me choca profundamente, nem falo só da França, falo também dos mortos pelo tráfico, pelo descaso com saúde, pelas mortes gratuitas. Não adianta mudar sua foto do facebook, isso não é solidariedade. Solidariedade a fazer realmente algo a respeito.
Já não tenho esperanças que o mundo possa ser um lugar melhor, mas fazer o bem ao próximo é uma forma de ser melhor. Diariamente tento expandir meus valores, ser melhor e me cercar de gente assim. Gente que ame, que sorria e faça sorrir, gente que ainda sente inquietude quando ver absurdos, gente que faz sua parte para viver numa sociedade melhor. Eu sei que é um trabalho de formiguinha mas precisamos começar de algum lugar. Mudar a nós mesmos, mudar nosso bairro, a cidade. Não sei quando, mas um dia, talvez um dia, essas mudanças positivas possam nos tornar seres um pouco menos humanos. Quem sabe temos a sorte de ser um pouco como alguns animais, tipo os cachorros. Poderíamos aprender muito sobre o amor genuíno com eles.

Faço de mim
Casa de sentimentos bons
Onde a má fé não faz morada
E a maldade não se cria

Me cerco de boas intencões
E amigos de nobres corações
Que sopram e abrem portões
Com chave que não se copia

Observo a mim mesmo em silêncio
Porque é nele onde mais e melhor se diz
Me ensino a ser mais tolerante, não julgar ninguém
E com isso ser mais feliz

Sendo aquele que sempre traz amor
Sendo aquele que sempre traz sorrisos
E permanecendo tranquilo aonde for
Paciente, confiante, intuitivo

Faço de mim
Parte do segredo do universo
Junto à todas as outras coisas as quais
Admiro e converso

Preencho meu peito com luz
Alimento o corpo e a alma
Percebo que no não-possuir
Encontram-se a paz e a calma

E sigo por aí viajante
Habitante de um lar sem muros
O passado eu deixei nesse instante
E com ele meus planos futuros
Pra seguir

Sendo aquele que sempre traz amor
Sendo aquele que sempre traz sorrisos
E permanecendo tranquilo aonde for
Paciente, confiante, intuitivo



Morada - Forfun


quarta-feira, 11 de novembro de 2015

B-day!


Rá! Eu sei que não é hoje mas, bem, me deu vontade de tentar te escrever alguma coisa, já que nunca te escrevi nada, então vai ser isso mesmo (espero que saia algo bom que possa ser enviado).
Essa é uma amizade recente e uma feliz surpresa (tá, não tão surpresa assim). Mesmo convivendo diariamente durante alguns anos nunca fomos próximos e essa proximidade só veio assim, no fim do ciclo, porém creio que seja uma daquelas permanentes, sabe?! Não sei... desde sempre achei que poderíamos ser bons amigos devido as afinidades óbvias: Temos um gosto musical muito foda e só isso já bastaria para sermos "BFF" hahaha. Admiro bastante sua visão de mundo e a forma que tenta levar a vida, de forma justa, leve e cheia de amigos. Não sei praticamente nada de sua vida, suas histórias, medos, neuras... mas sei que você tem um riso frouxo (rir até do vento que passa), sei também que você é um tipo de amigo que todo mundo precisa ter e, principalmente, que você é um cara que merece todo tipo de felicidade que o universo possa oferecer por ter esse caráter, essa postura ética e até mesmo pela tão falada cara de pau!
No dia do meu aniversário eu tenho o hábito de fugir um pouco da correria e comemorações (também porque não gosto muito de comemorar) e paro para refletir. Penso no ano tooodo que passou, as coisas que aconteceram, coisa que eu queria que acontecesse, enfim uma retrospectiva. Depois eu faço um plano mental para o novo momento da minha vida: minhas metas, desejos e pedidos de bênçãos. Se um conselho for bem-vindo, te presenteio com esse, é um exercício muito bom viu?!
No dia de hoje, com esse novo ciclo que se inicia na sua vida, te desejo nada menos que bons amigos, motivos para se manter a fé, gargalhadas de fazer chorar (e a barriga doer de tanto rir e, no seu caso, acrescente ficar vermelho também), amor, viagens inesquecíveis e crescimento (sempre ascendendo!). Continue sendo o bem, levando a luz ou se preferir o contrário sendo a luz, levando o bem.
Fique bem, comemore!

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Sincera como não se pode ser


"Ontem à noite eu conheci uma guria
Que eu já conhecia de outros carnavais
Com outras fantasias
Ela apareceu, parecia tão sozinha
Parecia que era minha aquela solidão"
Piano Bar - Engenheiros do Hawaii

Ah, Senhora, minha cabeça roda só de pensar em toda essa situação que você está. Evitei te falar muitas das minhas opiniões por não querer ser pessimista ou me meter demais na sua vida (sei que já tem muita gente fazendo isso e eu não queria ser mais uma). Sempre tive uma admiração ímpar por sua força e determinação, com todos os obstáculos e desafios você conseguiu terminar o curso que sempre quis e tem condições de trilhar caminhos brilhantes. Você tem um brilho próprio, a capacidade de levar alegria e causar sorrisos até nos rostos mais carrancudos que aparecerem no seu caminho. Você tem um coração enorme e isso é indiscutível. Mas tem um probleminha: Não sabe o que é ser dona de si.
"Eu rabisco o sol que a chuva apagou
Quero que saibas que me lembro
Queria até que pudesses me ver

És parte ainda do que me faz forte

E, pra ser honesto

Só um pouquinho infeliz"



Giz - Renato Russo
Eu nunca ousaria dizer que sua mãe não te ama com tudo que pode e que não te apoiou em tudo, É impossível. Ela é una mulher que a vida obrigou a ser forte e criar sozinha três filhos. Ela quer e sempre quererá o melhor para você. Mas acontece que no processo ela acabou se apegando a vocês (em especial, a você) com tudo que pode e controlar seus passos e seus caminhos é quase que uma função permanente na vida dela. Você nunca pode experimentar nada novo sem a supervisão dela (não esqueço que ela nunca te deixou visitar minha casa, nem com meus pais falando diretamente com ela). Ela teme muito te perder e por isso te prende. Não quer te ver voar para longe dela. Por nada. Ai aparece esse homem. Vocês se apaixonam e você (sabe se lá como) consegue ir para perto dele. Viajou para o outro lado do pais por ele e agora está em uma das situações mais complicadas que já te vi.
Eu nunca te disse isso mas, acho que você anseia desesperadamente por liberdade, a tal ponto que deseja se casar em tempo recorde. Acho que é para se libertar da sua mãe e sei que o casamento é por conta da religião. Mas vai com calma amiga, pensa que eu esqueci daquele gastrônomo? Não digo que é a mesma situação agora, mas bem que parece. Eu queria te dizer que você não pode pensar casar para se libertar, porquê na real, não vai ser livre assim. Você vai mudar de um tipo de controle para outro. Vai passar da sua mãe para ele e nunca saberá o que é ter uma vida sua de verdade.
Eu queria que antes de casar você soubesse o que é ter uma casa sua, onde você pudesse arrumar do seu jeito, pudesse impor seus horários e suas regras e decidisse quem entra ou saí da sua casa e da sua vida. Eu queria que você tivesse a sensação de sair sem ter a obrigação de pedir permissão, avisar para onde vai, com quem e o horário que volta. Eu queria que você estudasse e fizesse algo por você e não pela obrigação de fazer os outros felizes através de suas conquista. Eu queria tanto que você soubesse o que é receber seus amigos em casa e decidir sair de repente com eles, conversar no volume que quiser, sem filtro nem nada. Queria que você conhecesse novas lugares, cidades e pessoas. Queria que você voasse até perceber que não há limites para suas asas. 
Queria tanto que você soubesse o prazer que é cortar o cabelo do jeito que você quiser e perceber o black te cai bem e os cachos podem te deixar linda também, você ia amar isso, vai por mim. Queria que você fosse você mesma e tivesse certeza de quem é afinal. Tenho certeza que você seria muito mais feliz num casamento se tivesse essas experiências antes. Acho que você se sentiria mais segura em casar, se prender â alguém pelo prazer da companhia e não pela obrigação determinada pela aliança. Sabe, se tivesse esse tipo de vivência você teria uma nova maturidade emocional e estaria pronta para a vida à dois. Como você pode ser metade de alguém se não sabe o que é ser inteira? Como pode se entregar em uma história se se quer pode fazer uma viagem de dois dias? Diga-me, minha amiga, como você pretende construir um futuro se o seu presente é tão incerto e atrelado a opinião alheia?

"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim."

Chico Xavier
Você deve seguir rumo a sua felicidade, fazer o que você quer, mas o que você realmente quer fazer? O que você gostaria de fazer se não houvesse a interferência de sua mãe, sua irmã, seu namorado, seus amigos e os não~tão-amigos que te rodeiam? O que faria se fosse só você e você?
Foi uma loucura você ir para tão longe tendo essa estabilidade de castelo de areia mas, você pode consertar as coisas, eu sei que você pode assumir o controle de sua vida. Você. Pode. Acredite nisso também. Torço por cada vitória sua. Te desejo tantas coisas boas quanto desejo para mim. Eu sei que você vai dar a volta e descobrir como é bom ter uma vida e como a liberdade cai bem nas pessoas alegres ;)

sábado, 31 de outubro de 2015

Parede em branco

Eu sei que esse momento pede que eu seja dinâmica, competitiva, que "mostre serviço". Eu sei que todo mundo tá correndo atrás do seu espaço no mercado de trabalho e que todos estão se capacitando, fazendo sua clientela e seu nome. Eu sei de tudo isso e enquanto o mundo corre contra o tempo eu quero paciência, calmaria.
Aham, tô ligada que o mundo não pára para que eu conserte minha vida e que enquanto eu fico aqui encarando essas paredes meus colegas estão correndo atrás dos seus futuros, coisa que, inclusive, eu deveria está fazendo, mas como posso pensar no futuro se meu passado ainda se faz presente e o presente é uma desordem total? Como posso avançar uma casa se me sinto estancada?
Eu nunca parei, sempre fui uma pessoa elétrica que nunca para de estudar, sair com os amigos, cantar, escrever... sempre estou fazendo um milhão de coisas, quase sempre ao mesmo tempo, mas estando nesse momento de transição eu me dei o direito de parar. Me permiti parar para refletir e respirar e acho que foi a melhor coisa que fiz em anos.
Hoje acordei e dei uma boa olhada ao meu redor, vi duas pilhas de roupas no canto do quarto e penteadeira bagunçada, havia louça na pia da cozinha, sandálias e tênis na sala junto com bolsas e livros por todo o espaço. Os móveis estavam cheios de poeira e casa precisava ser pelo menos varrida há umas duas semanas. Vi que minha casa precisava de mim e estava tão bagunçada quanto eu.
Aquela desordem me incomodou e eu nem sabia desde quando aquilo estava assim então comecei a fazer o que precisava ser feito. Era um trabalho de formiguinha mas eu também não estava com pressa. Levei meu tempo para colocar cada coisa em seu lugar.
Comecei pela sala. Sendo minha casa tão pequena este espaço acaba sendo o multifuncional e ponto de recepção e reuniões com amigos, é o primeiro ambiente da casa. Tirei os objetos da estante, limpei cada peça, mudei os móveis de lugar, mudei tudo de lugar e depois limpei cada pedaço do chão e das paredes. Percebi a sala maior, ficou tudo muito mais claro e eu acabei ganhando uma enorme parede totalmente branca, que parecia estar esperando ser ornamentada e ganhar vida.
A cozinha foi a parte mais fácil. Lavar, organizar cada coisa em seu lugar, reabastecer os armários, isso me deu muito tempo para divagar em meus pensamentos e colocar algumas coisas no lugar. Depois das compras a casa parecia ser habitada novamente (por pessoas, não vampiros). De lá segui para o mais difícil: o quarto. Lá não havia só roupa espalhada, haviam lembranças. Respirei fundo e comecei.
Coloquei toda a roupa suja no cesto da lavanderia, toques os lençóis, organizei meus cremes, perfumes e bijuterias; abri o guarda-roupas e organizei as peças lá dentro. Abri algumas caixas escondidas e lá estavam, as lembranças. Havia um monte de coisa desorganizada, muitas que nem precisavam estar mais aqui. Olhei cada peça, cada papel, cada carta, cada foto. Haviam texto que escrevi e outros que recebi. Os que escrevi me lembraram quem fui, quem eu queria ser e quem eu era agora, vi que mudei muito (envelheci bastante com o processo). Revi tudo, lembrei dos detalhes da época... Algumas pareciam tão surreis, como se nunca tivessem existido, mas as recordações estavam ali, para provar que eram verdades em algum momento. Vi algumas fotos de pessoas que pareciam ser amigas, outras de pessoas que eu nem achava que era amigas mas que estão comigo até hoje. Vi fotos minhas da infância e ri do meu sorriso de criança. Eu era uma criança meiga e fofa, afinal, quem diria?! Revi o rosto dele em algumas fotos, fazia tanto tempo que não o via! E sabe o que acabei percebendo? Que já não havia emoção ao olhar o rosto dele. A lembrança era viva, a foto foi tirada no dia da pré estreia de um filme que fomos assistir. Durante toda a sessão trocamos carinhos, sorrisos e ele fazia questão de me dar pipoca na boca a todo instante. Ele era um bom cara. Guardei a foto.
                 "Tem umas coisas que a gente vai deixando de ser e nem percebe." 
                                                     Caio Fernando Abreu

Após duas horas apenas com aquela caixa, joguei muita coisa fora, partes da minha história que não se encaixavam mais. A caixa ficou meio cheia (ou meio vazia?), abrindo espaço para novas partes de minha história que estão por vir e isso me fez sorrir. Limpei tudo e olhei para o quarto, estava visivelmente mais leve e alegre e eu também me sentia assim.
Por fim lavei o banheiro e, após, me dei ao prazer de tomar um belo banho sem pressa (desculpa Terra, economizei o máximo que pude). Lavei e hidratei o cabelo e o rosto. esfoliei a pele, usei meu óleo de banho favorito. Ao sair da banho, ainda enrolada em uma toalha com cabelo pingando, olhei para minha casa: limpa, simples, organizada e apresentável. Era um espaço aconchegante e que me fazia sentir bem por estar aqui.
Enquanto penteava os cabelos, batendo aquele papo com meus cachos, percebi que minha casa é um reflexo de mim. Eu estava uma bagunça ambulante, me sentia mal e não tinha vontade de fazer nada. Colocar as coisas no lugar em minha casa me deram tempo e estímulo para colocar as coisas no lugar dentro de mim, faz algum sentido? Simultaneamente a ordem veio, junto com a alegria e leveza. Sinto me, pronta para sair por essa porta e seguir as metas que tracei há não muito tempo, sinto que posso fazer muitas coisas e viver tantas outras,
Agora só uma coisa me incomoda: aquela parede branca pedindo para ser alegrada. Seria ela meu novo estado de espírito? Uma tela prontinha para receber histórias, cores e amores? Ainda não decidi se colocarei prateiras coloridas, fotos ou uma pintura bem viva. Talvez todos.
Agora minha casa está pronta para receber amigos e família, agora eu estou pronta para receber sorrisos e afetos. E que venham os amores!





"Eu hoje joguei tanta coisa fora
Eu vi o meu passado passar por mim
Cartas e fotografias gente que foi embora
A casa fica bem melhor assim"

Tendo a lua - Herbert Vianna

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Por mais pessoas que façam sentir (e não sentido)




"Se fiquei esperando meu amor passar. 

Já me basta que estava então longe de sereno.
E fiquei tanto tempo duvidando de mim. 
Por fazer amor e por fazer sentido."
Legião Urbana




Com esse mundo tão caótico e caminhando para ficar cada vez pior, encontrar pessoas que sentem algo é quase como acertar os números da loteria, sério, as pessoas perecem estar amortecidas com tanto absurdo, tanta dor, traumas e medos.
Há um tempo que agora parece muito distante, eu achava que sentir era coisa de gente fraca. Amor, paixão e medo não existiam para mim, ou pelo menos não deveriam existir. Minha vida era uma loucura naquela época e para uma adolescente vivendo em uma fase conturbada na família o não-sentir era a melhor opção para manter a sanidade (e as coisas funcionando em casa).
Mas o tempo passou e a evolução veio. Pude ver que sentir é na verdade um presente, mesmo que seja triste, mesmo que seja dramático, enquanto eu tiver emoções e puder senti-las estarei feliz. Isso atesta que ainda estou vivia e querendo viver mais. Sabe, as artes de modo geral (incluindo a linda sétima arte) são um verdadeiro presente para nossa existência. Através delas podemos encontrar partes adormecidas ou até inexistentes dentro de nós. Me sinto bem ao ler um texto ou livro que consiga transformar palavras em sorrisos, lágrimas, raiva, angústia, felicidade. Me encanta o poder que algumas pessoas tem de tocar outras com sua arte, seja ela qual for. É simplesmente mágico sentir através do prisma de outro alguém. Agora mesmo sentada nesse carro, olhando a vegetação nativa que passa veloz pela janela e ouvindo essa música com guitarras e tambores sinto felicidade e paz. Uma paz tão branda que parece que tocará a todos aqui, quem sabem até toque as pessoas nos outros carros que passam por nós, como se não houvesse um fim para ela.
Fazer sentir não é uma exclusividade dos artistas, não mesmo. Algumas pessoas tem o poder de nos fazer isto apenas com gestos simples. Uma amizade sincera, um abraço acolhedor, tudo isso nos faz sentir únicos e quero me cercar de gente assim, quem sabe até um amor. Não que eu passarei a vida esperando alguém perfeito mas, ficaria bem feliz se algum dia alguém me fizesse sentir só por ser quem é. Que me aqueça meu peito com um sorriso, sabe? Que me faça sentir como se os pés não tocassem o chão ao ouvir sua voz e as vísceras resolvessem dançar ao simples encontro dos olhos.
Me encantaria esbarrar com alguém em um lugar simples e corriqueiro e ali, entre prateleiras de supermercado por exemplo, eu consiga ver algo a mais em algum desconhecido e assim, torná-lo alguém para mim e vice-versa. Ter alguém que te faça sentir sem que precise mover céus e terras para isso deve ser gratificante, um verdadeiro presente.
Não que eu vá esperar eternamente mas seria bom que viesse por aqui algum dia, assim, só por vir mesmo. Até lá vou sentindo com as minhas artes, meus amigos, minhas paixões. Que venha o amor para fazer-me sentir mais. (Mais o quê? Descobrirei em breve!)
Com esse mundo tão caótico e caminhando para ficar cada vez pior, encontrar pessoas que sentem algo é quase como acertar os números da loteria.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Preciso me encontrar

Há muito tempo não me sinto tão bem, porém ainda não encontrei a paz que tanto busco. É certo que reencontrar àquela que tanto amei e ainda descobrir uma filha adorável foi um enorme presente em minha vida sem lembranças.
Não sei quem fui, não sei se tenho família. As memórias vêm das mesma forma que se vão, mas sempre lembro dela, minha amada. Não lembro bem como nos conhecemos nem quando, mas sei do que sentimos e isso é suficiente para que eu acredite nas palavras que ela me diz, embora eu ainda creia que há muito para lembrar, há muitas brechas, lacunas vazias.
Passei muito tempo em uma prisão requintada. Havia salas arejadas e limpas, jardins, porém eu não podia sair e era altamente medicado. Não lembro quanto tempo passei ali nem da vida que um dia devo ter tido. 
Consegui, após várias tentativas frustadas, sair daquele lugar mas, agora olhando essas grades enquanto caminho por este jardim tudo que sinto é o desejo de fuga. Não sei para onde mas preciso está do outro lado deste portão alto e enferrujado com correntes e cadeados enormes, querem me prender de novo.
Andando por entre as árvores, mato e folhas secas andei sem rumo, perdido em pensamentos tentando juntar as peças, tentando lembrar da minha vida, sinto que tenho tanto a lembrar...  
À frente encontrei uma lápide, não parecia abandonada embora estivesse tão longe de qualquer lugar. Havia um nome, duas datas e uma foto emoldurada. Sentei-me. Olhei a foto de um jovem, com barba e me vieram lembranças: aqueles rapaz com uma moça, ele argumentando com sua mãe sobre seu amor mesmo sendo tão moço e o mesmo rapaz sofrendo um acidente. As lembranças eram tão fortes e os sentimentos tão intensos que me pus a chorar. Ali, diante da lápide com meu nome (ainda que não soubesse se esse era mesmo meu sobrenome) eu chorei. Chorei por mim, por quem fui, quem era e por não poder ser quem eu queria. Aquela lápide era minha e tudo que eu queria eram as lembranças que parecem jazer ali. Senti raiva, angústia, medo, dor... era tanta coisa que as lágrimas acabaram sendo bem vindas. Ao menos eu descobri um sobrenome e lembrei alguns acontecimentos importantes ainda que dolorosos.
Sinto que cada vez mais me aproximo da junção deste quebra-cabeças que tanto me atormenta. Um homem sem memória alguma não tem raízes, não sabe quem é e nem mesmo para onde vai. Só quero me encontrar, me entender. Sentir paz.


*Inspirado em uma cena da novela "Além do tempo" 
exibido em 07.08.2015 pela rede globo."


"Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Depois que me encontrar"

Preciso me encontrar - Cartola

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Véia

Conheci muita gente durante a graduação. Gente de vários lugares, várias histórias e sotaques. No meio do curso apareceu uma mulher, um pouco mais velha que a maioria das pessoas da turma (tinha quase o dobro da minha e idade) e com uma vasta experiência de vida. Quando todos pensávamos em respostas óbvias para certos problemas ela vinha com uma visão completamente diferente, um ângulo que poucos utilizavam. Ela quase sempre era do contra mas na maioria das ocasiões pensava e defendia o melhor para pessoas que não estavam presentes mas era as mais interessadas: o paciente e sua família. Nós que escolhemos cuidar do próximo temos que ter essa visão geral, do melhor pro próximo, mas muitos se alienam com pensamentos egoístas de notas e reconhecimento. 
A visão humana sempre foi o que mais admirei na Véia (apelidos que pode não parecer, mas é bem carinhoso sim). Isso e sua força de vontade incomparável. Ela teve muitas oportunidades de abandonar seus objetivos mas mesmo assim foi em frente e nunca baixou a cabeça para ninguém. Atrevida que só ela, sempre defendeu as causas que achava justas e isso fez dela uma pessoa única. Alguém que de fato sabe o que é olhar para o próximo como se olhasse para sua mãe, filha ou neto. Alguém que quero levar sempre comigo como um modelo de amor ao próximo.
Faz pouco tempo que findou-se a convivência diária e já sinto saudade dela. Dela e de mais um monte de gente. Mas acredito que pessoas assim são sempre presentes, nas lembranças, em algum gesto. Sempre lembro dos meus amigos mas dela eu lembro sempre que vejo a almofadinha verde que fica frequentemente sobre minha cama. Um objeto cheio de significado e carinho, Uma lembrança que a faz sempre presente.