segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Sobre um cara que floresce


Lembro-me que na época em que o download virou febre eu trocava muitas músicas com meus amigos. Entre essas trocas uma amiga me veio com a Banda Eva. Sim, eu já havia ouvido há muito tempo, na época da Ivete, uma vez que meu pai tinha um disco em casa, porém as músicas que ela me indicou eram cantadas por um cara, um tal de Saulo Fernandes. Nunca tinha ouvido falar, mas gostei das músicas. Montei uma playlist com umas onze, doze músicas e ouvi por um tempo. Eram boas mas não me tornei fã.
Depois desse primeiro contato, já esbarrei com a voz de Saulo outras vezes, por indicações de outros e fazendo parte da minha trilha sonora em momentos específicos, mas foi o Baiuno que me aproximou de vez. Esse álbum traz muito mais que música, Traz a essência de Saulo e da Bahia, ou vice-versa, tanto faz. Há beleza branda, simplicidade, pureza, alegria, luz e amor, muito amor. É simplesmente lindo e eu, como fã assumida de música boa brasileira, não pude resistir e me apaixonei logo nos primeiros acordes. Para completar vi alguns vídeos de músicas, shows e entrevistas de Saulo e constatei que ele é um cara especial.
Na maioria das vezes usava roupas largas em tons claros e chinelos. Falando ele mais parecia declamando poesia: baixo, suave, sem pressa e carregado de sotaque. Um cara simples, humilde, mais que tudo isso um cara humano. Não, eu não sou tiete, não sei da história dele, muito menos de todas as música, álbuns e agenda de show. Sei muito pouco na verdade, mas me encanta a leveza dele e principalmente sua sensibilidade. Ele sente muito tudo ao seu redor e consegue filtrar e canalizar sentimentos bons através de sua música. E num mundo como o nosso, sentir é algo tão raro que impressiona. Hoje em dia a grande maioria da população está completamente insensível as dores do próximo e aos absurdos causados pela falta de respeito e amor. 
Saulo mostra, sem querer (ou querendo mesmo), que o mundo tem jeito. Mostra que amar seu povo e suas raízes te fazem entender muito mais de si e do mundo que você está. Mostra que o saber, educação e gentileza fazem diferença e que o bem que você faz sempre volta pra você. O universo realmente presenteou o nosso povo quando nos enviou um cara com tanta alegria, sensibilidade e simplicidade justamente nessa época de novinhas recalcadas, falsetes, menor de idade matando por trocado e político com amnesia absurda.
Nosso país tem sim músicos fantásticos mas conheço poucos caras, com a projeção dele, tão simples. A maioria ou torna-se soberbo por saber que é bom ou que compõe duas ou três músicas de sucesso e já se consideram melhores que Cartola ou Caymmi.
Amo música e sempre que posso procuro saber sobre seus compositores, cantores, a história. O processo que há por trás da criação me encanta tanto quanto ou mais que a composição em si. A essência das pessoas me fascina, acho que já comentei isso aqui. É compreender o lado de dentro.
Ir a um show de Saulo e vê sua luz brilhar de perto, vê ele fazendo aquela mágica de levar amor e leveza através da voz me encantou demais. Repetiu o coro em favor da alegria. Fez florescer sorrisos. Onde ele estiver haverá carnaval.

É um grande orgulho (e alívio) saber que existe pessoas como ele, tão singulares e diversificadas ao mesmo tempo. 
É tempo de se fazer prece ao coração.
Enraizar e emanar o bem. 
Levar luz.
Axé!

Por onde for floresça
Serena que nem água de poço

Risque a palavra feia

E que não falte fé

Converse com o céu

E convença o universo

A girar no seu tempo

Por onde o vento assoviar



Navegue em maré que flui
Como cafuné em silêncio
Ama o sol que é tão bonito
E ainda acredita no mundo



Que o amor é a melhor companhia

E a luz do abraço cresceu o desejo

De eternizar a respiração

Por onde for... será seguro
Estarei com você
E tudo que a gente aprendeu é liberdade
Por onde for... leve seu guia... o coração
Floresça - Saulo

Axé: saudação utilizada para desejar votos de felicidade e boas energias.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

A noite

Qual é o peso da culpa que eu carrego nos braços
Me entorta as costas e dá um cansaço
A maldade do tempo fez eu me afastar de você

Te contei tantos segredos que já não eram só meus
Rimas de um velho diário que nunca me pertenceu
Entre palavras não ditas, tantas palavras de amor
Essa paixão é antiga e o tempo nunca passou

E quando chega a noite e eu não consigo dormir
Meu coração acelera e eu sozinha aqui
Eu mudo o lado da cama, eu ligo a televisão
Olhos nos olhos no espelho e o telefone na minha mão


Tiê



domingo, 13 de setembro de 2015

Madrugada


São 3h52 minutos. Olho pro lado e levando assustada. Ando descalça pelo corredor do prédio e observo que o carro vermelho ainda está lá embaixo. Será que tem alguém no carro? Ao olhar para o fim da escada vejo um jovem casal. A garota que hoje veste calça de moletom e regata bem cavada azul é minha irmã mais nova. Ela está com a mão nas costas do rapaz, alisando como se o consolidando enquanto ele passa a mão nos olhos quando me vê no topo da escada. Alerto-a sobre o horário, afinal, o dia começa cedo para ela amanhã, embora ache que ela não se importa muito com isso agora.
Há menos de um mês soube que minha irmã está praticamente namorando, pela terceira vez. A diferença é que agora ambos moram na mesma cidade e nossos pais sequer sabem da existência do rapaz, o que faz de mim a grande pessoa responsável e que os acoberta. Acontece que isso já está me deixando doida.
Sabe, ela chegou bem cedo na minha vida e foi minha primeira representação e entendimento do que é amizade. Embora nunca a tenha chamado de amiga, ela é minha irmã e isso basta. Supre a palavra amiga. Eu sei que muita gente talvez não entenda ou não teve a oportunidade de ter uma amiga oriunda dos mesmos pais e morando na mesma casa (quem nunca sonhou em morar com sua melhor amiga?). Eu tive esse presente da vida. Sempre cuidamos uma da outra, desde sempre dividimos brinquedos e preocupações (antes era o esconder o vaso que quebramos jogando bola, hoje é para esconder o namorado, sabe como é, tudo evoluiu), dividimos músicas e ídolos. Com o tempo aceitei que dividíssemos os amigos externos; dividimos roupas, sapatos, sonhos e domingos. Somos assim, sempre fomos.
Agora, namorando novamente vejo que ela não se importar com o cansaço dos longos dias após dois cursos, com a alimentação desregulada. Vejo que mesmo exausta ela não se importa em passar das 4 da manhã, nem que seja só conversando com ele. Me preocupa porque ela não parece muito preocupada com si e me sinto na obrigação de cuidar dela, afinal sempre cuidamos uma da outra. Queria que ela entendesse que pode ficar com ele o tempo que quiser, desde que não se ponha e situação complicada, que não prejudique o sono ou estudos.
Não sei, mas desde ela saiu da casa dos nossos pais e veio morar comigo, me sinto meio que mãe dela. Sou a figura para quem ela diz os horários, pede dinheiro, conta como foi o dia e pede a toalha quando a esquece na hora do banho.
Além de mãe, irmã e amiga. São muitas funções e atribuições entre duas pessoas e, não que eu achei que todo mundo é secretamente devasso, mas confesso que quando a encontrei na escada esperei ver qualquer coisa mais obscena, menos vê-los conversando tão amigavelmente. As 4h da manhã? Nunquinha!
Tudo que quero é que ela seja responsável e feliz. Meu coração de mãe/irmã/amiga não aguenta fortes emoções ainda.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Sábado à Noite

        

O sábado mais esperado dos ano enfim chegou. Seria minha noite. Casa cheia de amigos e família, riso e brincadeiras livres. Aproximando-se do horário nos arrumamos e fomos todos para o local (que estava muito lindo, vale lembrar),
Sai de casa com um pensamento fixo de comemorar e me divertir. Minha felicidade era enorme, não parava de dançar ou rir. Além disso bebi. Talvez tenha bebido um pouco demais, confesso. Dancei sem me importar quem estava perto, entrei nas rodas de dança alheias e no meio dessa diversão toda um amigo me chamou para dançar.
Que mal teria dançar com um amigo? Nós, particularmente, já fomos a várias festas juntos, já dançamos, fomos à praia e tivemos almoços de domingo com minha família. Bons amigos. Não grudados, não conversando todos os dias, mas uma relação saudável de amizade. Mesmo com um dos dois bastante alcoolizando, nunca havia rolado nenhum clima. Até agora.
Dessa vez eu já havia passado da minha cota há muito tempo e já não tinha uma consciência funcionando bem, coisas do álcool. Até agora não sei bem o que aconteceu, tudo que eu lembro é que ele me chamou p dançar e eu estava rindo muito porque estava errando todos os passos (e ele dança muito, dançava em quadrilha e tudo). Aí lembro que ele foi virando o rosto, fez cócegas e eu virei e pronto. Eis o beijo.
E pelo que me lembro (e principalmente pelo que me contaram) não foi um beijinho qualquer, foi O Beijo. Alguns disseram que foi intenso e apaixonado, outros disseram que foi indecente e imoral. Qual o certo? Quem vai saber? Ali houve um momento, um momento intenso e tal, mas nada além disso, nada de paixão, muito menos amor. Pelo menos não de minha parte. Também nunca notei nenhum sinal ou gesto diferente por parte dele, então creio que foi um momento para ambos. Somos pessoas que aproveitam bem os momentos, foi isso. E outra, eu nunca soube dar beijinhos fofinhos e tal, sempre fui assim: tudo ou nada.
Sai de casa com a intenção de me disvertir, mas não era plano beijá-lo ou qualquer outro. Agora cada amigo que encontro conta uma versão por mesmo episódio. Uns dizem que foi absurdo, outros que formamos um casal bonitinho. Tá, tudo bem que a mãe dele me adora e meus pais também gostam dele, mas foi só um beijo. Um beijo bom e intenso, ok, mas apenas um beijo.


Passa segunda, terça e quarta-feira
Nem aí!
E na quinta e na sexta o tempo parece,
repe...tir
Quando o sol do último dia
ameaça se despedir
E que o povo põe uma roupa e sai pra se distrair

Todo mundo espera alguma coisa
De um sábado à noite
Bem no fundo, todo mundo quer zoar
Todo mundo sonha em ter
Uma vida boa
Sábado à noite tudo pode mudar

Sábado à noite - Lulu Santos

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Nosso Lar


Eu estava dentro de um ônibus, ouvindo músicas que suaves, olhando ora para minhas unhas dos pés pintadas de vermelho, ora para a paisagem passageira na janela. Cheiro de chuva molhando o verde e a terra. Cheiro bom que lembra pureza e simplicidade. Fecho os olhos para apreciar mais este cheiro e penso em como mudei desde que te conheci. Você despertou um romantismo que eu não sabia que podia existir em mim. Descobri que posso passar horas conversando com você ou em silêncio apreciando músicas e ainda assim nos gostarmos cada vez mais. Sinto que posso ser ou tentar qualquer coisa com você do meu lado, pois a paz e confiança que você me transmite é... difícil de explicar. Você me traz paz com apenas um olhar, o abraço então... Lugar a prova das maldades do mundo. Eu não sei explicar o que é você na minha vida, se é algo permanente ou passageiro, mas sinto que estamos bem assim. Enquanto nós durarmos quero ser sua casa de bons sentimentos e você será minha morada de paz.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

À minha consciência

Há exatamente uma semana te deixamos em um aeroporto, para que você fosse para longe de todos nós. Lógico que doeu, antes que você fale algo. A amizade que firmamos ao longo desses últimos anos foi/é muito forte. Não sou muito do tipo de me abrir e escancarar meus problemas e neuras, mas você me inspira confiança sabe? Sei que com você, tudo estará guardado e a recíproca é verdadeira.
Bom, voltando ao aeroporto, tentei com todas as forças ser forte e não deixar as teimosas lágrimas caírem enquanto estivesse na sua frente, afinal, partir nesse momento foi muito mais doloroso para você do que para os que ficaram. Tentei muito porque se minhas lágrimas caíssem as suas as acompanhariam e logo todos estariam chorando e nunca mais pararíamos de chorar pela saudade que já é grande.
Minha consciência voou para longe, buscando segurança, paz e um novo começo. Um novo cenário para os próximos capítulos da sua história que um dia ainda hei de colocar num livro impresso, para que todos que o leiam saibam do tamanho da sua força e reconheçam a grandeza que há em seu ser, que mesmo depois de tantas adversidades, mesmo depois de tantos obstáculos e perigos, ainda assim, sonha com dias melhores com a esperança de uma criança.
Eu queria poder estar com você hoje, conhecer essa nova cidade e comemorar o inicio desse novo ciclo de 365 dias em sua vida. Queria fazer uma espécie de ritual para deixar tudo de ruim para trás e começar uma nova história. Poderia ser escrever o que foi ruim num caderno, arrancar a folha, queimar e escrever as metas e sonhos em uma nova folha. Mas estamos em fusos diferentes até, muito longe para uma visita de cortesia sem um breve preparo financeiro antes, coisas da vida né?! Partiu ficar rica para te visitar!
Gostaria de desejar pessoalmente, em meio a um abraço, que você encontre a paz que tanto busca, que cresça profissionalmente onde quer que esteja, que esbarre com seu príncipe tupi (ou Tikuna, Kikama ou Cambeba, enfim, você entendeu) e que nesse encontro casual se encontrem e se reconheçam de fato. Que você tenha muitos momentos de alegria, mas encontre a real felicidade. Que as próximas lágrimas sejam apenas de alegria ou de tanto rir. Que você volte para nos visitar em breve. E que marquemos logo nosso mochilão.
Sabe, mesmo tendo consciência da sua ausência e do tamanho da distância, não consigo me entristecer, sei que foi a melhor escolha e sei que ainda vamos nos encontrar pela vida. E nesse encontro seremos as mesmas garotas do interior da graduação. Será como se não estivéssemos separadas por tanto tempo.
Só consigo pensar em coisas boas para sua vida: Banho de chuva e cachoeira, aventura, amigos de verdade, paz de espirito, amor (amor meeeeesmo)! Ah e nada de desmaios por ser contrariada, viu?! Controle-se, Mana!

Feliz aniversário, Iracema, Muita luz para sua jornada minha amiga, nos vemos nas próximas esquinas.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Nem vem, nem passa

Quando começamos a nos falar, em janeiro, não achei que isso renderia tanto tempo, mesmo sem nos ver e com uma conversa tão pouco frequente. Tá, tudo bem que nossas vidas são corridas, mas o que dificulta mesmo são os desencontros causados principalmente por vivermos em cidades diferentes.
Poderíamos ter nos visto pelo menos umas 15 vezes de janeiro para cá, mas por N motivos não rolou. É bem verdade que estou morta de curiosidade para ver esse sorriso de perto e rir com as histórias que dividiremos. Já tenho até cogitado fazer uns cursos de final de semana na sua cidade, só para estar ai perto.
Não sei se perderemos o contato de novo, mas se formos eu queria pelo menos te conhecer antes. Acho que se isso tem rendido por tanto tempo, é por algum motivo. Acho que temos que nos ver, nem que seja só uma vez.
Não sei de onde isso vem nem mesmo para onde vai, mas sinceramente quero saber. A ideia tem me animado. Bastante.
Prometo que dessa vez não vou te enrolar como já fiz com outros, até porque você não é do tipo que se enrola. Já vi que você é muito mais decidido do que eu e isso me agrada ao mesmo tempo que me assusta um pouco. Fico sem saídas assim.
Se não for pedir muito, fique um pouco mais.

De você sei quase nada
Pra onde vai ou por que veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho

Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso
Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo

Noite alta que revele
Um passeio pela pele
Dia claro madrugada
De nós dois não sei mais nada
Quase nada - Zeca Baleiro

Outra velinha!

Não, eu não esqueci seu aniversário. Seria até impossível, afinal, tenho essa data como importante há uns 17 anos.
Uaaaau pensando assim parece tanto tempo né? E de fato é. Nesse meio tempo, brincamos de boneca, estudamos (e continuamos estudando), viajamos, rimos, engordamos, emagrecemos (amém!), conhecemos várias pessoas, mas uma coisa não mudou: nossa amizade.
Tá, tudo bem, ela não é a mesma dos tempos de escola, nem poderia, afinal seguimos rumos um pouco diferente mas mesmo assim hoje nossas vidas estão até parecidas: moramos na mesma cidade de novo e acabamos cursando a mesma graduação.
Estudamos juntas durante, o quê, uns 9 anos? Mais ou menos isso né? Consegue lembrar de quantas vezes fizemos trabalhos, estudamos, assistimos filmes ou comemos os bolos da sua mãe? Nem eu. Foram muitas vezes. E mesmo depois que você foi embora, ainda mantivemos nosso contato com hooooras de ligações, cheias de cantorias.
Passamos por muita coisa chata também, tipo as depressões das nossas mães, e contamos com nosso apoio mútuo e incondicional. É por causa dessas e outras que tenho você como uma irmã, ainda com o afastamento.
Poderíamos passar meses sem nos falar mas mesmo assim te contaria toda minha vida, tal com nos velhos tempos, por que confio em você. Confio e quero teu bem tanto quanto quero o meu. Quero ver sua felicidade e sucesso tanto quanto quero o meu. E acho que você merece mesmo isso tudo e muito mais.
Ainda espero a próxima tarde brincando com sua cadelinha e cantando ao violão. Ainda quero fazer uma pós graduação com você e ainda aguardo sua ilustríssima visita na minha cidade viu?! Fique bem minha amiga e feliz aniversário, um novo ciclo se inicia, aproveite muito para refletir, sorrir, estudar, namorar, viajar e ser feliz.
E não, você não está velha para essas emoções, porque se estiver, eu também tô.

Muita luz, fique bem.

domingo, 30 de agosto de 2015

Ai quem me dera voltar pros braços do meu xodó

Era um sábado à noite de agosto maravilhoso. Eu estava radiantemente feliz e queria mesmo era comemorar. E foi o que fiz. Juntei alguns amigos e fui para uma balada. O que ia rolar? Tributo ao saudoso Luiz Gonzaga. Momento perfeito para dançar à dois, se eu soubesse, claro.
Mas como eu não sou besta nem nada, estava aceitando aulas de xote. Eu dancei só por um tempo até um cara me olhar. Coisa linda, mas sabe quem me chamou pra dançar? Pois é, o amigo dele.
Ele era um cara bonito também. Magro (do tipo fortinho, sabe?!), uma barba impecável, um sorriso de menino e os olhos que ficavam puxadinhos quando ele sorria. Ah, ele também era muito cheiroso e bem alto. Alto mesmo. Eu, chamada de chaveirinho com meus suaves 1,50 de altura, dançando com um cara de 1,80. Ainda com salto alto, a diferença era gritante. Por causa disso ele ficava numa posição bem estranha para ficar perto de mim o máximo possível e eu toda esticada. Deve ter sido uma cena engraçada, de fato.
E estávamos não só dançando, segundo me contaram, demos um show. Eu explico. Ele era um cara muito engraçado e cantava muito mal, por conta disso rimos muito e logo as bocas se encontraram. Depois desse encontro não queriam mais se afastar, nem deviam. A sincronia era tamanha que nossos corpos estavam totalmente colados e até conseguíamos dançar (mesmo que nenhum dos dois soubesse). E aquela barba? Ela me causavam uns arrepios delicioooosos (só de lembrar viajo no tempo!). Nossos beijos eram intermináveis (não gosto de beijos curtos, me parecem sem entrega alguma, gosto de beijos de verdade, intensos. E pelo que vi, ele também).
Mesmo adorando beijos assim quanto tentava me afastar, ora para provocar, ora para respirar, ele simplesmente não soltava! E eu, com minha flexibilidade, me afastava o quanto podia, quase chegando ao chão. Isso chamou muita atenção dos que estavam perto. Em outra época eu certamente odiaria ser o foco de tantos holofotes mas, naquele momento eu estava sendo feliz e não me importei com as opiniões e olhares atravessados, nem na hora, nem depois... nem mesmo agora para ser franca.
Odeio descrever os beijos mas o dele merece ser analisado: era intenso, muito forte (sério, fiquei até com alguns hematomas nos lábios), tinha uma ótima pegada e mesclava entre o suave também. Por vezes me beijou com carinho o rosto e em seguida descia pro pescoço, me deixando (obviamente) maluca. Sem contar que pegava meu cabelo a partir da nuca de um jeito que me fazia perder levemente os sentidos (por sorte ele estava me segurando, eu poderia ter bambeado um pouco mais).
Ouvir Gonzaga na voz grave e desafinada dele era uma delicia, uma delicia engraçada, concordo, mas ainda era uma delícia. E riamos juntos quando ele errava a letra, logo em seguida eu cantava junto e não demorava para o próximo beijo demorado começar.
Mas não pense que só beijamos, rimos e dançamos. Ainda conseguimos conversar um pouco, mesmo com toda a evidente atração física. Entre um beijo com mordida e outro descobri algumas coisas sobre ele e vice-versa. Não sei durante quantas músicas ficamos juntos mas foram muitas que pareceram voar.
Eu nunca tinha tido uma ligação tão rápida e intensa (porém efêmera) assim. Nem mesmo tinha encontrado um cara tão alto que me interessasse, muito menos de barba.
Infelizmente não o encontrei mais desde então, porém não hesitaria em repetir se tivesse oportunidade, mesmo que nossas colunas tenham nos lembrado dos nossos esforços no dia seguinte, tenho certeza que valeu. Pelo menos para mim, né?! Pouco importa o que disseram ou pensaram, quando lembro dele só consigo sorrir, tem coisa melhor que isso?

Um beijo demorado para você, moço alto, bonito e desafinado!

"Porém se a gente vive a sonhar
Com alguém que se deseja rever
Saudade, entonce, aí é ruim
Eu tiro isso por mim (...)
Ai quem me dera voltar
Pros braços do meu xodó
Saudade assim faz roer
E amarga qui nem jiló
Mas ninguém pode dizer
Que me viu triste a chorar
Saudade, o meu remédio é cantar"
Qui nem jiló - Luiz Gonzaga

quinta-feira, 23 de julho de 2015


"Chegaste, e desde logo foi verão.
Teresa ainda não sabe se é um bom livro. Jamais saberá. Jamais terá critérios para avaliar aquilo que ela mesma escreve, Mas tampouco se deixará oscilar demais com o que os outros dirão. Isso porque suas próprias palavras ficam, para ela, num lugar um tanto quanto inacessível. Teresa dificilmente será uma boa leitora de Teresa."

Adriana Lisboa, em Um beijo de colombina

Traduzindo pensamentos soltos


Nestes dias tenho pensado muito a respeito da minha “solteirice crônica”, sabe como é, vejo o amigos casando, tendo seus filhos, romance nas novelas, filmes, livros... não que eu me sinta amarga por ser uma “4ever alone”, não é isso. Eu gosto da minha companhia, minhas músicas e pensamentos me fazem bem demais, só que as vezes faz falta sim alguém para rir junto, fazer alguns planos, curtir momentos à dois, essas coisas.
Entre um devaneio e outro me deparei com um pensamento solto que talvez faça sentido, talvez o que melhor responda essa solteirice até hoje. Cada vez que penso nessa teoria tenho mais certeza que está certa, e realmente quero acredita que sim. A teoria é: Não sou uma garota de paixões, sou de amores. Pronto, falei. Depois dessa nem adianta argumentar mais né, é oficial agora: sou uma romântica brega. É isso, tô leve.
Paixão é bom, aquele friozinho, a loucura do sentimento mas, eu gosto de "coisas concretas". Não quero uma paixão passageira, quero um amor que permaneça por um bom tempo e, como amores são raros, espero pacientemente. Um saco esperar, confesso, mas também não me animo para investir em uma relação que claramente não me levará a lugar algum; quero um amor que me tire os pés do chão e ao mesmo tempo me apare caso eu voe alto demais e caia.  Eu sei que muita gente espera a vida toda e nunca encontra, isso é realmente difícil, uma busca para a vida toda, o bilhete  de um milhão de euros (que vale mais que dólares), mas eu estou disposta a tentar, já tô nessa há um tempo, né, o que são mais alguns meses ou anos?!

Nota 1: E eu, com esse ar de cética, estou mais romântica do que as personagens do Nichollas Sparks. Deve ser esse clima romântico, de todo mundo encontrando pares (ainda que passageiros). Tô esperando o meu também.

(Nota 2: Môbem, vê se não demora muito mais, tá?!)


sábado, 11 de julho de 2015

Fotografia

O que vai ficar na fotografia
São os laços invisíveis que havia

As cores, figuras, motivos
O sol passando sobre os amigos
Histórias, bebidas, sorrisos
E afeto em frente ao mar

Quando as sombras vão ficando compridas
Enchendo a casa de silêncio e preguiça
Nessas horas é que Deus deixa pistas
Pra eu ser feliz

Leoni

As cartas que eu não mando

(...) Faz tempo que eu me perdi de você
Guardo pra te dar
as cartas que eu não mando
Conto por contar
Eu deixo em algum canto

Leoni

Os caras e Eu

Nunca fui boa em flertes. Nos tempos de escola, vi vários amigos paquerando e desde ali já percebi que não possuía a arte do flerte. Acho que por isso mesmo "demorei" um pouco para começar a namorar e todos os caras da minha vida vinham do convívio, dos ciclos de amizades.
Não sei, até hoje, fazer jogos de sedução. Pra falar a verdade, sempre achei perigoso esse lance de brincar de amor, apesar de ser aparentemente fria, não gosto de brincar com sentimentos.
Não me envolvi com muitos caras na vida, certamente bem menos que várias meninas de 13 anos que vejo por ai. Tive envolvimentos físicos e (principalmente) emocionais, e cada um teve sua trilha sonora na minha vida: Legião Urbana, Seu Jorge, Cássia Eller, Dorgival Dantas (haja coração!) Leoni, Djavan, O Teatro Mágico, Asa de Águia, Caetano Veloso, Engenheiros do Hawaii... todos embalaram momentos e histórias. Nem todos chegaram a um envolvimento pleno, aliás, talvez apenas um, ou nenhum.
Com esses caras aprendi muito pois, como eram meus amigos, convivíamos sem expectativas um no outro e acabavam surgindo as semelhanças e afinidades; O interesse nunca era imediato, crescia o tempo e proporcionalmente á admiração, talvez por isso tenham sido tão marcantes: era mais que aparência, muito mais. Agora, pensando em todos eles, vejo que nenhum deles era do tipo modelo, do tipo de academia, não estavam nos padrões de beleza. Todos magricelos (exceto um, que era gordinho :D), a maioria branco como velas, fora as peculiaridades de cada um (escoliose, sorriso torto, extremamente alto...), o que me atraiu em cada um deles não foi o que eu via com os olhos, era o que eu sentia com eles, o que eu ouvia, eu gostei do espírito, da essência deles. Era algo forte, coisa de ligação de mentes, intenso.
Nunca consegui me ligar apenas pela capa, eu preciso saber do conteúdo e depois, quero saber o que os levou àquele estado. Toda pessoa é o resultado das situações que vivenciou e o que fez com elas. Eu, como uma pessoa analítica que sou, gosto de entender, compreender o processo me encanta muito mais que o resultado final. Antes de me apaixonar por esses caras eu os admirei pelo que eram. Pelo que seria e pelo que poderia ser e não foram. 
O primeiro, era autêntico, despojado e amigo de todos. Era um cara muito mais maduro que os 12 anos que tinha, o mais velho da turma. Apesar da vida confortável não foi fácil encarar o divórcio dos pais e se tornar o homem da casa aos 9, tendo ainda dois irmãos menores para "cuidar e proteger". Tinha um lindo sorriso metálico (quando ele tirou o aparelho ficou melhor ainda). Era louco por rock e foi graças a ele que conheci a Legião Urbana, minha banda preferida até hoje. A legião e as letras do Renato me ensinaram muito sobre pensamento crítico e isso me ajudou muito a encarar a adolescência.
Depois do cara mais velho que não me deu bola, a história se inverteu: um cara mais novo surgiu. Doido por animais e calmaria, aprendi tanto sobre cuidado ao próximo! Aprendi como um carinho as vezes cai bem (Sábio Caetano!). Ele chegava assim, do nada, me abraçando, fazendo cafuné, massagem (que mãos!). Era um rapaz lindo, de coração tão puro e com um enorme abraço de urso! Vivia me mandando músicas e pedindo indicação de livros que, surpreendentemente, lia mesmo e vinha conversar sobre eles depois. Passávamos tardes e tardes juntos na janela do meu quarto, em silêncio, apreciando o sol se pôr.
Em paralelo a este, surgiu um mais velho que eu. Ele era muito tímido e, como eu era também, mal nos olhávamos. Era estranho, mas só depois que me mudei criamos vínculos, a distância mesmo, e descobrimos tantas afinidades. Me acordava com mensagens e trechos de músicas (iluminavam meus dias). Passamos longas madrugadas conversando sobre tudo e nada, rindo e discutindo também. Este eu fiz sofrer. Nunca foi minha intenção, sempre fui sincera quanto aos meus sentimentos, deveria ter me afastado mas já tinha tanto carinho por ele. Por fim ele se deu um tempo para organizar os sentimentos e ainda somos grandes amigos, conversamos sobre absolutamente tudo e mesmo assim, sempre há algo novo para aprender com ele e sobre ele.
Este outro rapaz, surgiu quando nem sabíamos andar, e esteve sempre ali, pertinho, sempre dividindo seus brinquedos e lanche, até que quando crescemos veio dividir comigo beijos e segredos. Eramos tão amigos que podíamos completar qualquer história que o outro começasse. Tínhamos músicas, viagens, sonhos e festas juntos (tentou me ensinar a dançar, sem muito sucesso, porém nos aproveitamos das "aulas"). Aprendi muito, ele me abriu um mundo de possibilidades quando entrou dessa outra forma em minha vida. Uma pena estarmos em momentos diferentes da vida quando esse sentimento surgiu, poderíamos ter sido um casal bem bacana.
Até agora, depois dele "os outros são os outros e só". Ainda assim, com estes aprendi mais sobre mim. Me entendi mais, foram experiências as vezes nem tão agradáveis, mas que sem elas eu não teria tantas certezas sobre o que eu quero para mim, para minha vida, e o que eu espero ou não do cara que ficará no meu lado quando nos encontrarmos pela vida.
Agora estou numa fase de sonhos e dúvidas. Sonhar com alguém aparentemente tão "sua pessoa" e tão perto é meio perturbador, até onde a realidade se confunde com o sonho? Até onde pode-se confiar nos "sinais"?
Sou muito feliz pelos caras que surgiram na minha vida e contribuíram para a formação da mulher que sou hoje, sinto que estou cada vez mais pronta para viver uma histórica com o tal cara certo, O cara, se é que me entendem.

"Me espera amor que estou chegando
Depois do inverno é a vida em cores
Espera amor nossa temporada das flores"
Temporada das flores - Leoni

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Deixa o beijo durar seu tempo

Estava em um sono profundo quando aquele reggae invadiu meu sonho, foi ficando alto, alto, cada vez mais alto, enchendo todo o quarto, até que me acordou. Era o toque de chamadas do meu celular, mas ainda estava escuro, era madrugada. O visor mostrava o nome de quem estava do outro lado. De todas as pessoas do mundo não esperava uma ligação dele. Uma hora dessas. Será que estava tudo bem?
- Alô, aconteceu alguma coisa? Você está bem? - Me adiantei.
- Oi, estou bem. Preciso falar com você, pessoalmente. Posso ir aí?
- Agora? É sério isso? São... - tentei olhar a hora no visor do celular, fazendo careta para proteger meus olhos devido a claridade advinda da tela em contraste  com o breu do meu quarto - ...são 4h35! Tem certeza que não pode esperar até um horário, convencional, tipo depois das 9h?
- Por favor, é importante. Além do mais, você já acordou mesmo, eu sei que não conseguirá dormir tão cedo. - Droga, ele me conhece! 
- tá, tá, venha.
Isso sim era estranho. Ele? Nem éramos tão amigos assim. Será que ele bebeu? Ou era uma brincadeira?
Mandei várias mensagens, sem sucesso. Ele já estava dirigindo à caminho pelo visto. 
Levantei, vesti uma roupa decente, tirei as meias (que foi? faz frio em junho!) e resolvi passar um café, afinal, não dá para ter uma conversa uma hora dessas sem café, né?!
Nem bem coloquei a água no fogo, ele manda uma mensagem. "Cheguei. Vem abrir o portão." Desci.
O semblante dele era de alguém abatido e ansioso. Parecia ter passado a noite acordado. O cabelo estava bagunçado, a camisa avessada, parecendo que saiu sem se importar com detalhes, o que era algo quase preocupante, se consideramos que ele é um perfeccionista nato. Ele não é um metrossexual mas gosta de vestir-se bem e o cabelo está sempre penteado. Carrega sempre consigo uma correntinha de prata, presente da sua avó,  (e lá está ela!). Ele é um pouco mais alto que eu, de modo que preciso me por na ponta dos pés para abraçá-lo rapidamente. Antes de entrarmos pude ver que estava tudo bem, sem fraturas, sem hemorragia ou sinais de embriaguez. Ainda assim, algo não fazia sentido. 
Já dentro do apartamento, ele estava inquieto, mexendo as mãos incessantemente. Enquanto o café não estava pronto, ofereci-lhe um copo com água. 
- Eu não sei como dizer isso, então... lá vai: Tenho pensado muito em você, e acho que estou apaixonado. 
Ele jogou assim, enquanto eu trazia o copo. Sentei-me na cadeira mais próxima e tomei a água que era para ele. Oi? Como assim? Que zueira é essa tão cedo? Ok, tudo bem que tínhamos várias afinidades, mas paixão? Não sei quanto tempo fiquei parada olhando para ele, mas pareceu muito porque ele ficou ainda mais inquieto e eu já havia bebido toda a água. Senti-me obrigada a falar algo.
- Então... Desde quando?
Ele deu um suspiro aliviado: - Bom, eu percebi isso há um tempo, depois que retornamos o contato foi ainda mais evidente mas, foi quando nos afastamos novamente que percebi saudade. Ai te liguei e cá estou.
Eu não podia negar uma felicidade crescente. Desde que nos conhecemos percebi nossas afinidades, e elas não paravam de surgir: Músicas, valores, costumes, religião, opiniões... Era absurdamente impossível haver alguém tão parecido comigo que não fosse o espelho (mas ai é aparência física e nisso somos indiscutivelmente bem diferentes). Imaginei se algum dia eu teria coragem de falar algo ou se ele perceberia (ponto para ele). Voltei a falar, quase sem pensar:
- E se eu disser que também já havia notado isso tudo e que acho que poderíamos combinar, seria algo muito clichê e previsível para o momento?
Os olhos dele brilharam imediatamente com isso e ele emendou:
- Seria, mas honestamente, não me importo, e até gosto. Você quer tentar? - Fingi ponderar a pergunta por alguns segundos.
- Sim, eu quero
Ele abriu lentamente aquele sorriso grande e lindo de criança vendo presentes de natal, não aguento aquele sorriso! Ri junto e quando vi estávamos nos beijando no meio da sala pequena e silenciosa. 
Olhando assim de longe até que ficávamos bem juntos: ele relativamente alto, cabelos escuros e bagunçados e com a pele levemente mais clara que a minha. Um cara normal por fora; eu, uma pequena-grande mulher, com cachos soltos (que ele adora que eu sei), pele escura e óculos fundo de garrafa. E ali, no meio da sala percebi que a felicidade nos caia bem.
Não sei quanto tempo durou aquele (fantástico) beijo. Já dizia Saulo "Deixa o beijo durar seu tempo" e nós deixamos de bom grado. "Acordamos" com um cheiro esquisito vindo da cozinha... Ai meu Deus, o café!
Rimos mais um pouco e desistimos do café, eu nem queria café mesmo. Quem precisa de café? ele me olhou e disse: Se o primeiro beijo foi assim, não posso esperar pelos próximos!
Quando nos aproximamos, ouvi um bip-bip incessante. Ele sumiu, o café sumiu e lá estava eu deitada na minha cama. Conferi o celular: 7H e nenhuma chamada, nenhuma mensagem, nada que concretizasse que aquilo foi real. Nada. No fim das contas foi apenas mais uma das cruéis peças que minha mente me prega. Poxa, bem que poderia pegar mais leve da próxima vez! Agora estou sonhando acordada, imaginando as  infinitas possibilidades de continuação para aquele sonho, pensando seriamente nisso de declaração, se realmente combinaríamos e se o nosso beijo seria tão bom quanto o que eu provei. 
Será?