Domingo foi meu aniversário, eu não pensei em comemoração nem nada do tipo. Pensei em ir nunca cafeteria charmosinha, a noite comprar algumas bebidas e relaxar em casa, afinal eu estava de plantão no dia anterior e geralmente me sinto energeticamente esgotada no pós.
Só não esperava passar num velório. Mas foi isso que aconteceu.
Uma amada tia-avó se foi, levando muita sabedoria, bondade e fé. Considerando que tenho estado entre vida e morte constantemente devido ao meu trabalho nos últimos anos, achei um simbolismo interessante celebrar mais um ano de vida, lembrando que a morte pode estar logo ali. E não falo isso com pesar ou morbidez, mas sim como um lembrete do quão precioso é nosso tempo aqui, o quanto sou afortunada em gozar da vida com saúde e consciência do privilégio de estar aqui.
Tem uma música de Raul Seixas que diz:
"Vou te encontrar vestida de cetim
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho
Que eu quero e não desejo, mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida"
E o que seria de nossa vida sem o lembrete que ela acaba? Que valor daríamos a essa passagem se ela fosse eterna? No velório da minha tia-avó eu celebrei em mim a vida dela, lembrei de suas histórias, sua presença e honrei a forma que viveu e morreu. No velório da minha tia-avó revi pessoas que há muitos anos não via, consolei parentes e recebi abraços e felicitações por mais um ano. Fiquei a maior parte do tempo imersa em meus pensamentos e memórias.
Trinta e três anos, tanta coisa aconteceu nessa caminhada e parece que ela está só começando, Ainda vou fazer muitas coisas e sonhar novos sonhos e viver outras vidas nesta mesma vida, até que meu chamado venha.
Nenhum comentário:
Postar um comentário