Muitas coisas tem acontecido do lado de cá, muitas mudanças e novos percursos.
domingo, 11 de agosto de 2024
Cais sobre caos - Gragoatá
Rasa corredeira
Nunca foi de descansar
De por ordem às flores no quintal
Cama pra quem deita
Chão pra quem quisesse andar
De subir ladeira em carnaval
De viver
E sonhar
E sentir
Pra lembrar
E doce é a ilusão
Quando o tempo é só algodão
Pele de praieira
O pé que é de buscar o mar
Na juventude a desaguar
Céu de lua cheia
Isca de Iemanjá
Ela era de se enfeitar
De crescer e chorar
E sorrir pra cantar
Que estranha é a razão
Quando a vida e só coração
Distante do que fez entregue ao tempo rei
Força de quem não dá mais sob mas
Preta filha do sol
Mãe, tia, irmã menor
Porto que sempre traz
Cais sobre caos
sexta-feira, 17 de novembro de 2023
Velhinho
...e enquanto andava de moto na praia ao fim de tarde, viu uma sombra e o reconheceu: cabelo branco, baixinho, calça social, camisa de botão. Era o vô. E isso a espantou tremendamente, uma vez que ele falecera no dia anterior.
Afligiu-se em mostrar o que estava vendo ao seu acompanhante, mas o avó, que em vida andava devagarinho, começou a andar rápido, cada vez mais rápido, ate que passou a ser um vulto luminoso. A roupa tornou-se mais clara, tornou-se mais alto, jovem. Por fim correu até sumir. Estava livre.
Havia se libertado da dor, dos aparelhos, amarras, hospital. Estava livre da doença e confusão mental. Era o fim da solidão e confusão mental.
Ela fora dormir pedindo a Deus consolo por sua perda e recebeu esse sonho como presente e seu coração parou de chorar, pelo menos naquele momento.
segunda-feira, 31 de julho de 2023
Conto de dor
segunda-feira, 7 de setembro de 2020
Ato de indepedência
No dia de hoje se comemora nesta República Federativa o dia da declaração da independência do Brasil do Império Português. O feriado trouxe tantas reflexões e questionamentos sobre tantas coisas que acontecem no Brasil. Temos passado por tantas situações tristes, absurdas, que as vezes nem sentimos mais o peso desse ano. como uma anestesia geral. Outras vezes sentimos (e muito) o fardo de sermos filhos dessa terra. O fato é: tá foda viver no Brasil.
Mais ainda se pensar que essas são questões comuns a todos e que cada pessoa ainda é um universo. Cada um tem suas questões para lidar, aprender e dar mais um passo em sua evolução. Coloca tudo isso junto e... eis-me aqui.
Há dias em que tudo me irrita e entristece de modo que sinto uma densa energia ao meu redor. Sinto palpitação, sinto raiva. Tem dia que ligo o foda-se... por meia hora. Não consigo ficar alheia, sinto muito tudo que se passa comigo, com as pessoas próximas e com o lugar que vivo. As vezes tento nem pensar profundamente em nada (de tão cheia de tudo) e seguir fazendo o que dá naquele momento, trabalhando o que o tem para hoje. Nem mesmo escrever consigo (Isso aqui é um milagre em formada de palavras amontoadas e jogadas). Tem sido um paradoxo bizarro ter que escolher estar atenta para não ser alienada e desligar de tudo para preservar um pouco de saúde mental.
E exatamente pensando nela, e inspirada na data de hoje, resolvi resolvi declarar minha independência. Achei por bem começar as mudanças por mim, pelas energias que permito que me cheguem, pela energia que quero transmitir em tudo que faço e pela que quero atrair para minha vida e projetos.
Comecei me arrumando para ficar em casa mesmo, coloquei uma blusinha vermelha confortável, uma saia jeans florida que não usava há meses (ou anos) e arrumei o cabelo, sério, sentir como se fosse sair, me ver bonita já ajudou na animação. Amo ficar de pijama mas, dá também uma sensação de inércia e eu tô bem cansada disso nos últimos tempos. Coloquei minhas córneas de vidro e PÁ!, o mundo ficou mais bonito, mais nítido. Imediatamente eu queria ver tudo, ler tudo e aproveitar o máximo possível dessa visão. Sentindo-me uma vencedora ("só" por ter feito essas duas coisas) e produtiva, sentei frente a minha escrivaninha empoeirada (tadinha) e tomei notas e organizei meu planner já abandonado e esquecido. Passei horas e naquele cantinho.
Sentada ali e vendo tudo mais bonito resolvi deixar de seguir, pelo menos por um tempo, páginas e pessoas que me colocavam em vibrações negativas de raiva e tristeza ou que não somava em nada útil para mim, Senti leveza a cada unfollow dado. E lá se foram mais de 30 perfis em menos de 10 minutos.
Pensa que acabou? Nããão! Fiz cruzadinhas (amooo desde sempre) e li uns livros quase esquecidos na estante. Falando de livros aproveitei para comprar alguns. Eu sei que deveria evitar pois tenho algumas prateleiras cheias de livros nunca lidos ou terminados que compro muitas vezes por impulso mas dessa vez pensei bastante e só comprei livros com potencial de me trazer reflexões e edificar de alguma forma, isso por si só já é incentivo mais que suficiente e um válido investimento em mim mesma.
Por fim, fui fazer os afazeres de casa e resolvi abri uns podcasts (totalmente influenciada por uma amiga). Abracei esse mundo como quem rever um velho amigo e busquei temas que me ajudem no processo de autoconhecimento e de me entender como alguém nos meios que hábito, foi TÃO maravilhoso. Ouvi vários e entre eles descobri várias músicas novas que fiz questão de cantar alto pela casa.
No fim do dia refleti sobre tudo que tinha sentido e feito e notei que colocar os olhos do corpo e da mente para funcionarem faz mudanças positivas percepção do (meu) mundo. Lentes limpas trazem uma melhor imagem dos que se passa e do que pode ser feito.
Achei por bem começar as mudanças por mim, pelas energias que permito que me cheguem, pela energia que quero transmitir em tudo que faço e pela que quero atrair para minha vida e projetos. Se todos os dias serão assim, não sei, mas esse foi o meu primeiro ato consciente de independência nos últimos tempos.
segunda-feira, 25 de maio de 2020
O que eu quero antes dos 30 - 2 anos depois
sexta-feira, 15 de maio de 2020
Caminho das pedras
Cansada
quarta-feira, 21 de agosto de 2019
Estiagem
domingo, 9 de dezembro de 2018
O redator - Zimbra
Talvez você só queira ler depois
Não fiz tanta questão de ser direto assim
Talvez você perceba isso depois
Nos meios dessas linhas que eu já fiz
Seguiam pelas coisas que eu falei
Mas a metade mesmo diz
Que é tudo versificação
De alguma história que eu refiz
Como é que essas coisas funcionam
Evito de ter que pensar
Que as melhores frases se foram
E não voltarão pro lugar
Pro mesmo rascunho que entrega
Milhares das informações
Que nem todo mundo
Daria uma bela matéria no jornal
Na parte de entretenimento ou coisa assim
Já que você não chega até o final
Como é que essas coisas funcionam
Evito de ter que pensar
Que as melhores frases se foram
E não voltarão pro lugar
Pro mesmo rascunho que entrega
Milhares das informações
Que nem todo mundo se apega
Faz tempo que você não escreve
Eu sinto tanta falta de ler
Seus textos fabricados em série
Escreva alguma coisa, por favor, meu bem
E lembra de assinar no fim da folha
A primeira vez com ele
sábado, 27 de outubro de 2018
Ansiedade
sexta-feira, 26 de outubro de 2018
Merthiolate
sábado, 20 de outubro de 2018
A Raiva que deu
Ele me beijou e depois de um tempinho, eu cedi ao beijo e foi bom mas começou e me subir uma... uma raiva, e eu comecei a bater nele com uma almofada (e não só ficou por ai, boatos que teve até paus e pedras) por me fazer gostar tanto mesmo sendo tão diferentes um do outro. Ele, por sua vez não estava entendendo nada e só conseguia rir, porque eu estava engraçada (já ouvi isso outras vezes, que quando eu estou irritada fico engraçada pois começo a falar alto, gesticular demais...)
Na verdade, minha raiva maior era de mim mesmo, por estar numa situação desconfortável e não conseguir mudar ou sair. Não gosto de me sentir vulnerável e gostar dele faz isso comigo, me deixa de uma situação que eu não aceitaria de forma alguma em outros tempos, uma eu de uns anos atrás. E o que fiz com essa raiva? Dissipou mas a venda caída me deixa a cada dia um pouco mais desgostosa com tudo isso e as possibilidades de futuro com tamanhas diferenças.