segunda-feira, 23 de março de 2026

Cores

Dia cheio. Acordar cedo, espalhar currículos. Após alguns meses do fim do curso ela precisava de um emprego, As contas já se acumulavam e se não houvesse um saldo positivo em sua conta teria que devolver o apartamento e voltar para a casa dos pais. Era o fim, atestado de derrota. 
Vestiu sua roupa mais social e saiu. Não que tenha sido difícil, afinal ela só tem um par de roupas desse tipo, na maior parte do tempo prefere roupas alternativas e confortáveis. Passou a manhã inteira entregando suas qualificações digitadas e devidamente impressas para pessoas de setores burocráticos que se quer sorriam, pessoas automáticas que poderiam parecer qualquer coisa, menos pessoas.
Ao fim do dia estava suada, cansada e com fome, mas ainda conseguiu sorrir ao lembrar das histórias que uma senhorinha dividiu com ela no ônibus. Não sabia porquê, mas desconhecidos adoravam conversar com ela, como se precisassem falar com alguém que não as julgue, alguém de fora de suas vidas. Como uma boa ouvinte e observadora do comportamento humanos, guardava seus fones e dava uma de psicóloga.
Ainda rindo da briga que a senhora contou que teve com uma vendedora, entrou na padaria e na fila do queijo notou alguém rindo também em sua direção. Ficou imediatamente sem graça por aquele estranho ter notado sua cara de (provavelmente) lerda em meio a um devaneio. Mais que isso, o dito cujo era o novo vizinho dela e nunca tinham se falado. Ele quebrou o gelo com o bom e velho "Oi" acompanhado de um sorriso devastador "será que ele usou aparelho? Aposto que fez clareamento", pensou ela. Ele se ofereceu para levar suas sacolas e o que mais ela poderia fazer se não aceitar estando tão cansada e de saltos? 

(Escrito em 18/06/2018 e ficou aqui esquecido, provavelmente tinha uma continuação que nunca veio. Vou publicar para que não seja esquecido de novo. Quem quiser dar ideia de continuação, comenta comigo!)

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