terça-feira, 31 de julho de 2018

Casa

Acordei no horário habitual, li algumas notícias e levantei para me cuidar para ir pro trabalho e resolvi caprichar um pouco, só para chegar diferente. 
Coloquei uma playlist que gosto e deixei no aleatório, até que tocou aquela música, aquela, e me trouxe a discussão de ontem com meu namorado por causa da minha mãe, da discussão com ela há alguns dias, e do tempo ruim.
Trata-se de uma música cristã que questiona Deus como pode nos amar tanto mesmo sendo o que somos. Ela sempre me emociona muito e hoje não foi diferente, fui as lágrimas.
Lembrei do tempo que frequentava casa dEle como visitante, claro. Nunca foi minha morada também. Lembro que no tempo ruim eu gostava de ir lá, orava, chorava, cantava e me sentia bem, preparada para a semana pelo menos. Minhas válvulas de escape já não eram suficientes e eu me sentia uma senhora de 89 anos quando tinha apenas 15, 16, cansada como se carregasse o mundo nas costas (e era mais ou menos isso mesmo, meu mundo, o que eu conhecia, dependia muito de mim). 
Em casa haviam muitos problemas e cada um lidava como conseguia, eu assumi características permanentes como um ar de independência que chega a incomodar e dificultou algumas coisas na minha vida. Como não teria essa característica se eu tinha q assumir responsabilidades, se não tinha como contar com outros, para quem justificar? Pai, mãe? Não eram opções. Irmãos mais novos? Eu era a referência...
Frequentar a casa dEle me fez bem e eu até chamava minha família e até que eles foram algumas vezes, mas... o problema do meu pai com álcool me afastou de lá. 
Ele começou a ficar diferente, querendo ser todo certo mas n conseguiu vencer o vício então deixou de frequentar. Na igreja começaram a me perguntar por ele, porque ele não estava indo e até comentando que o haviam visto (eu bem sei o estado que ele estava quando o viam baseando-me pela forma que ele chegava em casa) aí eu parei de ir. Não quero parecer ingrata após ser acolhida mas  sentia-me envergonhada por ele ter chamado tanta atenção e logo saiu, por todos olharem para mim perguntando por ele.
Passei muito tempo sem entrar em uma igreja novamente e das vezes que entrei não me senti bem como antes. Não culpo minha família também, eu não quis mais ir no fim das contas, mas, ali na cozinha ouvindo aquela música enquanto fazia vitamina e chorava me lembrou da igreja e da sensação de estar lá e me senti abraçada a todo instante. Acolhida, consolada em paz. Mesmo que tivesse que voltar correndo para casa ou passar a noite acordada num hospital, imaginando uma diferente, ou lembrando coisas.
O que somos hoje é consequência de uma série de erros e acertos, escolhas, pessoas e situações. 
Como pode me amar, Deus?
Fui para o trabalho pensativa e acho que agora, após escrever, acalmarei um pouco minha mente.

 A música: 

Como pode me amar, Deus?
Conhecendo o meu pecado
Sabendo o que eu faço de errado
Como pode me amar assim?

Como pode me amar, Deus?
Sabendo que eu sou falho
E que o meu coração já não bate
Mais como já bateu?

Como pode me amar, Deus?
Sabendo que eu fugiria
Se a porta estivesse aberta
Como pode em mim confiar?

E ainda me pega quando estou caindo
E me abraça quando estou chorando
E segura as minhas mãos
E me leva pra perto das chamas de amor
Que ardem em Teu coração e não se podem conter

Como uma flecha que estoura em meu peito
E me traz de joelhos enquanto eu choro
Tenha o meu coração
Minh'alma soluça
Quando eu percebo o contato de Seus olhos com os meus

Como pode me amar, Deus?
Sabendo o que eu diria
Sabendo que eu me frustraria
Como pode me amar assim?

Como pode me amar, Deus?
Sabendo que eu Te culparia
Pelo que não foi como eu queria
Como pode me amar assim?

Como pode me amar, Deus?
Sabendo que eu me fecharia
Quando Você quisesse entrar
Como pode em mim confiar?

E ainda me pega quando estou caindo
E me abraça quando estou chorando
E segura as minhas mãos
E me leva pra perto das chamas de amor
Que ardem em Teu coração e não se podem conter

Como uma flecha que estoura em meu peito
E me traz de joelhos enquanto eu choro
Tenha o meu coração
Minh'alma soluça
Quando eu percebo o contato de Seus olhos com os meus

Me leva pra casa
Eu quero voltar
Pois longe de Ti
Não é o meu lugar

Eu corro depressa
Pra Te encontrar
De braços abertos
Como alguém que esqueceu

Me leva pra casa
Eu quero voltar
Pois longe de Ti
Não é o meu lugar

Eu corro depressa
Pra Te encontrar
De braços abertos
Em meu lugar

Me Leva Pra Casa - Israel Subirá

Adulteci?

A palavra é nova, o corretor do google não reconhece mas o significado não é difícil de imaginar. Em essência a maioria das pessoas acima de 20 anos, entende.

Adultecência é uma fase da amadurecência que vem depois da adolescência, compreendeu? Parece nome de doença, mas não é. Adultecer significa acordar já pensando no almoço e já ir tirando algo para descongelar porque o dia vai ser corrido; é sentar para calcular as contas do mês, fazer planilha e planejar a semana; é acordar uma hora mais cedo para escrever um texto como esse e ainda tomar café durante o processo para não se atrasar; adultecer significa que, não importa o quanto você chore, mês que vem as contas chegarão, bonitinhas como sempre.

Eu adulteci? Sim, e foi tão natural que mal me dei conta. Custei a entender que isso chegaria e depois que era real, que almejei isso minha infância inteira e agora uma das minhas metas e ter uma casa ampla e planejada com um jardim e varanda gourmet.

Adultecer é compreender os esforços dos nossos pais, é valorizar as coisas pequenas não pelo valor em si mas pela representação dos nossos esforços. Se orgulhar de um carro velho ou apartamento pequeno? Só entenderão os que sabem quanto custa cada horinha trabalhada num mês.

Mas calma, adultecer não é só labuta, desculpa me expressar assim. Também tem várias partes agradáveis, a maioria na realidade é boa. Liberdade para fazer escolhas de acordo com o quanto você está disposto a se esforçar por aquilo, encontrar paz em uma tarde para hobbies ou em ouvir uma musica boa, cozinhando na sua casinha que tem sua cara. É uma delicia saber que os esforços até aqui lhe proporcionaram momentos assim, de alegria e plenitude, momentos que só lhe resta o sentimento de gratidão à tudo, inclusive aqueles perrengues para ir para a faculdade em dia de chuva e perder o ônibus, ou chorar por uma nota baixa, ou ter que aguentar aquele colega de trabalho chato.

Adultecer é atingir uma maturidade que te permite aproveitar mais a vida, a vida que construiu para si e se alegrar com cada pedaço dessa construção.

Não posso negar que foi e ainda está sendo ralado, tem dia que eu só queria sentar na frente da tv e assistir desenhos, mas não consigo imaginar alcançar o que tenho e ainda quero ter sem essa maturidade que venho conquistando. Na real só consigo agradecer por ter chegado até aqui bem e disposta a continuar em ascensão. Rumo a melhor idade!

(Ó Pai, agradeço por me permitir crescer à tua sombra, de acordo com seus planos que sempre são melhores que os meus [não canso de repetir]. Posso não ser filha mas sou uma criatura muito obediente. Obrigada!)


quarta-feira, 11 de julho de 2018

O abraço dele

Há tempos quero escrever sobre esse que considero um tema muito importante. Sempre que eu o encontro, o abraço apertado e as vezes ele fica sem entender o porquê, fica preocupado achando que tô chorando desesperada ou coisa assim, mas não (nem sempre, pelo menos) é só porque eu gosto do abraço dele.
A gente mora longe e isso por si só já é motivo suficiente para abraçar apertado, de olho fechado quando encontra, mas acho que entendo o motivo da surpresa dele quando isso acontece. Quando nos conhecemos eu não era essa pessoa que agora escreve, acho que ontem mesmo eu não era essa, pois evoluo dia a dia. No início eu era uma pessoa muito desprendida, do tipo que acha que nunca vai se apaixonar ou desejar tão desesperadamente ter alguém por perto, um alguém específico, ah menina boba!, só achava mesmo. Hoje sente, sente tanto que quando encontra tal alguém, não solta.
Amo tanto abraçá-lo! Abraço quando o encontro, quando estamos dormindo, quando ele esta fazendo o almoço, no supermercado, parada de ônibus... Não sou louca mas, em minha defesa, ele tem um abraço com cara de casa, entende?!
Ao abraçá-lo eu sinto coisas tantas coisas boas que nem minha melhor descrição seria fiel ao que sinto: uma paz ao ouvir os batimentos dele (vantagem de ser uma pessoa compacta), conforto (ele é macio), uma paz tão grande que as vezes da vontade de chorar, como se eu tivesse andado muito e já perdido a esperança de chegar, então cheguei, entende? Como se eu ansiasse por esse momento a minha vida toda, mesmo que só tenham se passado algumas horas que o vi. Nesse mesmo abraço sinto segurança acolhimento, amor. São braços quentes que quero que estejam ao meu redor o máximo de tempo possível. Quero tanto que mesmo quando brigamos eu o puxo para perto de mim e enlaço os braços a minha cintura, mesmo dormindo eu o quero perto, quero o abraço, quero estar no meu melhor lugar, minha casa.

Prelúdio

Eu sem você
sou só desamor
um barco sem mar
um campo sem flor
Tristeza que vai
tristeza que vem
Sem você meu amor eu não sou
ninguém

Samba em prelúdio - Vinícius de Moraes


Eu tenho me sentido assim, como o Vinícius cantou há tantos anos, com relação à escrita. Ultimamente, sucumbida em uma rotina de trabalho, nas preocupações cotidianas, não consigo me dedicar a este que é muito mais que um hobbie, é minha terapia, meu momento de organizar as ideias, os sentimentos.
Tenho estado um tanto perdida, um misto de "hein?!" com "O que está acontecendo?!", nem sei mais escrever, não me sinto segura para tal e procrastino tanto! Há tantos assuntos relevantes para mim que não saíram da minha cabeça ainda... Tanto a dizer, refletir, desenvolver!
Fico na expectativa de logo mais ter algum tempo e me organizar melhor para ter uma rotina mais flexível para ter meu tempo de fato, mas vejo que quanto mais o tempo passa mais isso parece distante de uma realidade palpável. Isso me entristece tanto, fico perdida "Um barco sem mar, um campo sem flor". 
Quem sabe, depois desse, eu consiga empurrar mias algumas palavras, frases, parágrafos para fora (esses cativos de mim). Preciso gritar o que não cabe.
Espero conseguir.
Veremos. 

sábado, 30 de junho de 2018

Nota para não esquecer

Possíveis planos profissionais para 2019:

- Passar num concurso 30 ou 40H/semana;
- Consultório;
- Atender a domicílio;
- Dar aulas em faculdade ou ser preceptora;
- Ministrar capacitações e palestras voltados a educação permanente em saúde;
- Mestrado;
- Fazer 2 ou 3 cursos de extensão durante o ano;
- Residência;
- Escrever mais;
- Trabalhar em clínica.

domingo, 24 de junho de 2018

Ela e Eu por mim



É engraçado como começou isso tudo. Lembro que a conhecia da escola e até estudamos numa mesma turma por vários anos e, mesmo tendo amigos em comum e frequentando os mesmo lugares, só nos aproximamos no último ano da escola e isso só cresceu quando acabou, o que também é curioso já que a tendência é se afastar depois que a rotina muda, os hábitos, ares. Mas nós não, somos do ar e isso nos une, quero dizer a astrologia foi um dos assuntos que nos trouxe para perto uma da outra, assim como música, vinhos, escrita, livros, mar, fotos, crises existenciais e conversas profundas noite a dentro. 
Na escola não éramos amigas. Ela era do tipo popular enquanto eu tentava passar despercebida, mas confesso que sempre achei que seria uma amizade interessante porque eu curtia as ideias dela, a vibe. Ela parecia ter uns pontos de vistas mais elaborados que o resto da turma e dava para imaginar as conversas indo longe a partir daquele ponto. Hoje em dia somos amigas do tipo “muito amigas”, do tipo que conversa sobre cada acontecimento relevante não importa o dia nem a hora. Do tipo que eu considero a voz dela como a da minha consciência e, se eu tiver meio desorientada falo com ela, o que ela aconselhar eu faço sem questionar o que é interessante porque sou do tipo rebelde e questionadora, mas não com ela. Por que eu confio, sabe? Acho que ela me conhece como poucas pessoas, pois tem uma sensibilidade aguçada (acho que é esse Marte, mercúrio...) tem interesse. Ela funciona como um diário que fala e anda, qualquer coisa de mim, acredite, ela sabe. E minhas viagens, ela entende (nem eu sei como, já que nem sempre eu mesma entendo).Mesmo com a rotina diferente, mesmo com profissões diferentes e morando e cidades diferentes, somos amigas-irmãs.
Da escola para cá muita coisa aconteceu, muita coisa mudou. Hoje eu consigo ser mais aberta, sincera, contar mais com as pessoas. Hoje eu a vejo feliz apesar dos perrengues, vejo a mulher forte, que ela sempre foi, enfrentando um leão por dia e rindo. Vejo ela ficar cada vez mais serena e em paz com sua espiritualidade e é feliz ver isso pois eu acompanhei uma parte de seus obstáculos até aqui, e sei que não foi fácil. Espero estar presente em mais momentos, seja para comemorar ou para consolar, chorar junto, porque somos assim: estamos e somos uma para a outra, não importa o dia ou hora.
Gratidão a Deus e a vida por ter alguém assim no meu caminho, na minha história. Amo você, viu?! 💗
O outro texto, na versão dela, está aqui!

P.S.: Amiga, desculpa a demora, no WhatsApp o porquê.
P.S 2: Sou muito sem jeito para falar de mim, cês entendem, né?!

terça-feira, 19 de junho de 2018

Variações do mesmo tema

Ooooi!

A partir de hoje estarei alimentando um novo marcador Variações do mesmo tema em conjunto com a Liz, do Fazendo Morada
Funcionará assim: Escolheremos títulos/temas para escrevermos, cada uma a partir de seu ponto de vista, sem muita conversa a respeito previamente, e depois colocaremos o link do texto da outra nos comentários, assim podem ler um e em seguida já ver o próximo. Nossa intenção é comparar nossos pontos de vista, não de forma competitiva para ver quem é melhor ou pior e sim para visualizar as diferenças de acordo com a história e experiências de vida de cada uma porque, ter a mesma idade, nascer na mesma cidade, ter amigos em comum, gostos comuns, signos do ar e etc, não é suficiente para prever certos posicionamentos a respeito de algo.
Então é isso, espero que esse marcador seja muito alimentado e que sempre seja uma experiência interessantes descobrir coisas novas, tanto em mim quanto nela.

Ótima leitura a todos, ótima escrita para nós!


segunda-feira, 18 de junho de 2018

"Quer casar comigo?"

Meu amor, eu te amo tanto e já to com tanta saudade! Imagina quando eu voltar mais tarde pro almoço e ter que comer sozinha (se eu fizer almoço). Você é tão bom (e isso nada tem a ver com emprego, qualificações profissionais ou formação) que as vezes acho que não mereço tanto. Você é honesto, justo, atencioso, perseverante, motivador, paciente, carinhoso e a cada dia me aproxima mais de Deus (vc e Ju), e isso é muito bom.
Cada dia te admiro mais por saber de tanta coisa que você passa/passou e ainda continuar sendo doce, como um menino. Meu menino.
Eu te amo muito e quero que continue contando comigo nessa fase difícil. Logo estaremos juntos agradecendo e comemorando suas conquistas que serão muitas e seguidas, muitas bençãos para nossa família. Eu sei que você vai passar por isso e será um novo homem num novo emprego, com uma nova visão do valor e importância dele em sua vida, será o melhor em qualquer coisa que for fazer. E vai estudar p ser cada vez melhor, por que vc merece, sua filha merece, sua mãe merece.
Eu amo muito você e responderia essa sua pergunta mil vezes até que seja a real-oficial, aquela acompanhada de um anel de noivado na mão direita e depois uma aliança na esquerda. Quero quero sua força motivadora todos os dias da minha vida e quero que a gente cresça junto, por que além de tudo você consegue me fazer rir, expressar sentimentos, faz com que eu me sinta bem para ser eu mesma (inclusive brega), me motiva quando eu me sinto cansada e desestimulados, me consola e chora comigo, ora por mim, ora comigo, por ser minha melhor companhia, seja para um filme no cinema ou para andar de busão com as passagens contadas.
O amo tanto que tantas linhas que escrevi e não consegui chegar na a expressar bem isso, não consigo te fazer entender o tamanho disso, só de pensar na dimensão... sinto uma coisa estranha no meio do peito e da vontade de chorar. É tão grande o que eu sinto e só aumenta!
Eu amo você todos os dias (até com raiva) e amo cada vez mais, meu amor.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Casamento não

Hoje amanheci com a garganta doendo, como se estivesse em processo inflamatório, o que é curioso visto que tenho me sentido bem, sem febre ou dor de cabeça, me alimentado bem, comendo frutas ricas em vitamina C inclusive. Na verdade eu até sei o que pode estar causando tais sintomas, viva a metafísica!
Foi a conversa antes de dormir, claro.
Porque o assunto casamento é tão recorrente e causa tanto reboliço? É sempre assim! Eu já disse que não pretendo tal ato mas confesso que posso parecer confusa quando digo que gosto das cerimônias em si, gosto de casamentos (dos outros).
Fui comentar que serei madrinha de mais uma amiga, que dei um empurrãozinho fundamental digamos assim, aí o assunto veio todo novamente.
Eu não sou contra o casamento de modo geral, não saio por aí esbravejando "não sejam idiotas, casar não presta, só perda de tempo!" só não acho que isso seja para mim  isso me faz pensar se eu realmente não quero casar ou se não quero casar com esse tal que tem passado uma temporada em meu coração. 
Antes de conhecê-lo lembro que já não queria, estava me curando de alguns processos e talvez está tenha sido uma consequência mas, antes desses processos, em um tempo que parece outra vida, eu queria casar. 
Casar num lugar bonito, com muitas cores, um dia de alegria, celebração, união. Um dia, que seria um dos mais lindos da vida, que duraria para sempre em minha memória, com a família lá, amigos, depois fotos, discurso, choro dança, festa, vida... Amor! Eu estaria tão feliz que ia ficar com os músculos da face doídos de tanto sorrir e gargalhar, aquela  gargalhada gostosa de fazer chorar, sabe?! E depois isso um casamento tranquilo, feliz e próspero.
Hoje, não sei. Quando penso em casar com este rapaz só me vem à mente uma ida ao cartório no intervalo do almoço, usando jeans e camiseta (tá, pode ser uma camisa de botão) para deixar minha certidão de nascimento e pegar uma de união estável ou coisa assim. Algo abominavelmente sem graça para uma sonhadora como eu. Não sei se isso é o que se chama de maturidade, rabugem ou só não gostar dele. Será que isso é crescer ou dá para ter um romance de “adolescente” na “fase adulta”? Não consigo visualizar diferente e quando tento colocar isso num lugar bonito, tipo uma praia, me vejo séria, rezando para acabar logo a cerimônia, sem dança. Não é feliz e isso me entristece de um jeito que ainda não sei explicar mas dói e cria um nó na garganta, uma vontade de chorar, gritar e depois calar sem forças para sair do lugar.
Eu não sei se algum dia casarei, muito menos se casarei com ele mas, ideializar isso na minha mente é incômodo de modo que prefiro evitar se quiser continuar relacionamento que estamos. Mas aí mora o perigo: será que espero que esse desejo floresça ou estou apenas empurrando um problema com a barriga por puro comodismo ou covardia?

domingo, 25 de março de 2018

Nota sobre despertar

Oi amor,

Sei que já faz um tempo que não te escrevo, também, com essa correria toda, sorte a nossa ainda nos vermos, com mais frequência até. Na estrada fiquei pensando sobre o início do dia então resolvi escrever.
Hoje, acordei várias vezes na madrugada, o que é incomum quando bebo alguma delícia etílica antes de dormir, mas acho que isso aconteceu porque você estava do outro lado da parede e eu queria estar lá, com você. Então fui, meio sonâmbula pouco antes de amanhecer e deitei, já me encolhendo perto de você. Eu gosto dos seus braços ao meu redor, teu queixo no meu pescoço, teu corpo colado no meu. Quando acordei, quando acordamos de verdade, fiquei pensando em como é bom acordar do nosso jeito. Como nos fortalecemos no bem que fazemos um ao outro e assim, nos preparamos para o dia, seja ele leve ou desafiador.
Eu amo tanto dormir e acordar com você que as vezes me pergunto se isso vai ser sempre assim, será que dá? Para sempre? Velhinhos e tudo? hahaha
Eu gosto dos seus braços ao meu redor, teu queixo no meu pescoço, teu corpo colado no meu. Eu gosto quando nossos corpos nos obrigam a acordar e por nosso bom-dia ser tão nosso. 

(Já) Estou com saudade.
Amo você. Muito.

sábado, 24 de fevereiro de 2018

O que eu quero antes dos 30

A ideia veio de uma amiga e eu me empolguei na hora com a pergunta, primeiro porque eu gosto de pensar na vida, traçar metas, planejar. Segundo por que amo listas. Então, vamos?
Quantas vezes na vida perdemos uma oportunidade por não estarmos prontos para ela? Traçar metas é mais que sonhar, é dá subsidio aos sonhos para que eles sejam projetos. Projetos realizáveis. E eu amo isso. Amo ter uma lista de coisas tracejadas por já ter realizado, cumprido e é por isso que estou sentada aqui agora, para traçar alguns planos para os meus próximos 5 anos. Graças a Deus, já alcancei algumas coisas que eu queria para minha vida quando mais nova, então acho que estou no caminho.

Em 5 anos quero:
- Estar concursada;
- Ter meu próprio negócio;
(com esses dois já dar para ter a sonhada estabilidade financeira, né?!) 
- Fazer meu curso de microfisioterapia;
- Fazer cursos na minha área, pelo menos um por ano;
- Mais uma pós graduação ou mestrado;
- Ter minha casa/apartamento projetado, com móveis sob medida, varanda com plantinhas, piso porcelanato, uma adega com os mais variados vinhos, cozinha com cooktop e panelas antiaderentes da polishop kkkkk, tudo bem lindo *-*;
- Fazer viagens para lugares novos, uma ou duas vezes por ano e pelo menos uma grande e inesquecível viagem;
- Aprender idiomas. Português e mais um ou dois (Não me julgue! Vai dizer que sabe usar aquelas orações subordinadas?! Seeeei...)
- Estar no casamento das minhas amigas, se possível como madrinha;
- Casar? Será? Pode ser, né?! É uma boa ter alguém por perto para dividir a vida
- Ser mãe de uns 3 ou 4 bebês de 4 patas *-*
- Falar nisso... ser mãe já não me parece algo tão absurdo, mas veja bem, realmente não é uma das minhas metas de vida, eu já falei sobre isso aqui. Porém... Se algum dia eu ficar doida e tiver um, que seja antes dos 30, ah! e ele(a) não poderá ser filho(a) único(a), porque acho crianças assim muito sós e ter irmãos é uma verdadeira benção por inúmeras razões.
- Me envolver ativamente em algum projeto social, tenho algumas ideias já mas não defini bem ainda, espero firmar e executar as ideias até os 30.
- Escrever e publicar um livro, nem que seja uma tiragem baixa, só pros meus fãs de carteirinha (ler-se amigos e família).
- Poder olhar essa lista e ver os itens riscados por estarem cumpridos.

É isso, vou ficar voltando aqui de vez em quando para rever os itens e se possível marcar como feito. E você, o que quer antes dos 30?

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Aconchego

Cheguei tão cansada da viagem que acabei dormindo sem estudar, jantar ou falar com ele.
Acordei na madrugada com sede e com a consciência pesada por não ter estudado. Fui beber água, fui ao banheiro e ao voltar para o  quarto e deitar, percebi a cama tão maior! Bateu saudade. Saudade dele, claro.
Inevitavelmente lembrei das noites anteriores nas quais dormimos dividindo um colchão pequeno e é tão engraçado perceber que, logo eu, que nunca gostei de grude, que nunca fui muito chegada a longos abraços apertados, me vejo assim: amando dormir junto dele, dormir enrolando braços e pernas,toda entrelaçada, tão juntos que mal se pode respirar. E eu me sinto bem, em casa, em paz.
É engraçado como eu gosto de estar entre os braços dele e como encontrei em seu peito o melhor lugar para tirar um cochilo: é macio, quentinho e eu fico ouvindo coração dele batendo numa sincronia certinha, sístole, diástole, sístole, diástole... Às vezes até nossas respirações se sincronizam e eu então percebo o quanto estamos cada vez mais alinhados.
Pensar nessa sincronia toda me faz pensar como tem acontecido tanta coisa em nossas vidas, tantas mudanças que eu não tenho escrito, não tenho conseguido pensado e quando lembro me assusto as vezes ("Como chegamos aqui?"). Não raramente me perco no quanto nos aproximamos, no quanto estamos bem e como eu gosto de estar com ele. Eu não imaginei em nenhum momento que ficar junto assim me faria tão bem e faria tanta falta também! Justo comigo, a rainha da independência, a aquariana livre, leve e solta nesse mundão, doida para voar.

Enfim, ao deita na cama tentei da melhor forma possível substitui-lo com um travesseiros e almofadas, mas nem deu, né?! Não tinha aquele aconchego, nada tinha o calor dele. Ai resolvi ligar e dizer isso, aposto que ele ia gostar de acordar no meio da madrugada assim. Ou talvez amanhã, meu sono está voltando.

*Durmo e sonho com ele, alguma coisa que não lembro, mas sei que ele estava. Como sei? Bom, ele foi a primeira pessoa que lembrei, antes mesmo de abrir os olhos e acordei leve. É, certamente ele estava por lá sim.

Nem preciso dizer que amo você né?!

sábado, 18 de novembro de 2017

Rainha das limonadas

Há alguns anos falei aqui como era difícil ser a Pedra, a Rocha da casa, que aguenta tudo, por todos. Na época eu estava no meio do furacão que durou alguns anos da minha vida, os que deveria ser os mais divertidos - infância II e adolescência.
Hoje em dia eu tenho esse assunto como um passado; chato, doloroso e importante passado e falar dele ainda é algo que requer organização das ideias, embora eu esteja me saindo relativamente bem ao longo das tentativas.
Quando eu tinha uns 10 ou 11 anos fiquei sabendo, sem entender bem, que minha mãe não estava feliz no seu trabalho, já tinha um tempo, e estava sendo acompanhada por psicólogo e psiquiatra, fazia terapias individuais e grupais. Pouco tempo depois eu aprendi o que era assédio moral e que ela passava por isso com sua chefe. Uns dois anos mais tarde, quando minha avó paterna faleceu, aprendi o que era depressão, TOC e bipolaridade. E medo.
Eu tinha muito medo: medo de perder a pessoa que mais amo dessa vida, medo de sair de casa e acontecer alguma coisa, medo das variações de humor, medo do conteúdo das próximas frases, medo de perder a paciência e falar ou fazer o que não deveria... era tanto medo que tirava-me o sono, a paz. Eu tinha pesadelos constantemente e não queria sair de casa, ou se saia era com pressa para voltar, porque eu tinha que pelo menos ficar de olho, por perto, atenta (sempre alerta!). Isso na adolescência é um saco porque é nessa época que você, geralmente, vai descobrindo as coisas da vida, é quando você apronta e faz as histórias que contará para as próximas gerações. Eu não, não tenho muito para contar. Naquela época eu mal via minha mãe, ela dormia o dia todo, quer dizer, vivia dopada, e quando acordava era madrugada. Andava pela casa toda e só nos via dormindo. Ela, que costumava fazer nosso café só voltou com a prática anos depois e mesmo hoje em dia, com todos crescidos e independentes, ela faz questão de preparar.
Bom, mas voltando àquele tempo, sem entrar mais em tantos detalhes, essa fase foi difícil para todos: meu pai se jogou com vontade na bebida, minha irmã arranjou mil e uma ocupações, meu irmão, na época uma criancinha passava o dia assistindo ou jogando e, a medida que foi crescendo foi tomando várias responsabilidades para si e hoje parece um velho: não sai de casa, poucos amigos, mania de limpeza e organização. Cada um procurou sua válvula de escape, sua forma de se adaptar e levar a vida até que as coisas melhorassem. Aposto que você está se perguntando por mim, o que esta que vos fala fez: Arranjei minha válvula também, ué: me lancei nos fones, livros e cadernos. Passei a escrever tudo que sentia, refletia ou queria sentir. Inventei histórias, criei novos meios, novos finais e, na boa, acho que não escrevo tão ruim (hoje em dia, pelo menos). Ah, além de arranjar minha válvula e acabei virando pedra, digamos assim, porque né, vamos combinar, era foda, muito difícil encontrar um pontinho de equilíbrio então eu não deixava ninguém mais entrar na minha vida (de problema e choro já bastavam os meus, né mores?!).
Há um tempo, li um texto que dizia que, para se relacionar, as pessoas precisam baixar a guarda, afinal, se você não precisa de ninguém (nunca, para nada) por quê alguém vai querer está perto de você? Autossuficiência em relacionamento é furada pois você se torna uma pessoa que nunca encontrar alguém a sua altura. Sabe que eu achei interessante e até concordei?! Não tinha pensado nisso, mas faz bastante sentido e me identifiquei. Sei lá, pensei na minha vida. Bom, eu me fiz (ou fui feita) dura. Penso que precisei o ser. Era isso ou isso. Sentir medo e pedir colo para a mamãe? Orientação do papai? Nem pensar. Alguém brigou comigo na escola, chorar por isso? Não mesmo (dá teus pulos, garotinha!).
Na falta, eu tinha que me virar e ainda ser essa pessoa pros meus irmãos mais novos. Eu acho que virei uma pessoa que não precisa, emocionalmente de ninguém, criei várias barreiras, cascas e foi isso. Me viro como dá, aprendi a usar os limões que a vida me trouxe, sou a rainha das limonadas (e caipiroskas também).
Alguém tinha que segurar as ponta né, então eu fui. Por mim e por eles. No meio do processo ouvi muita coisa injusta, palavras ásperas carregadas de raiva, do tipo que magoa mesmo e dói sempre que lembrada (por isso bloqueei-as). Chorei quieta e sozinha várias vezes, procurando/pedindo soluções/direções. 
Hoje as coisas são mais "leves". Hoje eu já falo mais sobre isso, procuro textos e filmes emocionais exatamente para isso: para sentir, não ser mais tão dura. Tenho praticado essa coisa de permissão também. Me deixar precisar, querer, não ser uma pedra. Ser mais flor. Kkkkk pode rir, é engraçado. Não sei ser fofa, nem meiga, nem carinhosa. Não cresci assim, segui mais a linha do "ser forte, resiliente, cuidadosa e protetora", mas estou tentando ser mais carinhosa, embora seja um desastre nisso. Atualmente, quando vejo que temos mais dias bons que o contrário, quando a vejo rir não tenho mais medo que após a euforia venha a tristeza profunda e amarga. Hoje sorrio e respiro orgulhosa e aliviada por termos saindo daquela, por ela ter vencido, por estar ali, rindo tanto que chega a chorar.
Sim, hoje estamos bem.

P.S.: Foi um verdadeiro "parto" escrever esse texto. Parir cada frase dessas, que me lembram essa fase. Cada letrinha foi carregada de incontáveis memórias. Por sorte os partos não trazem só dor, há principalmente a alegria do novo, do nascimento, da mudança. Uma nova perspectiva, um novo ciclo se iniciando.

sábado, 28 de outubro de 2017

Tentando explicar

- Por que você não diz que me ama se o sente?

- Porque não posso.

- Por que não pode?

- Porque não.

- Poxa, tenta explicar pelo menos.


(Respira profundamente) 

- Porque não posso dizer algo assim quando penso frequentemente em terminar. Penso que ex é alguém do passado, que passou e não existe isso de ser só amigos em nome dos bons tempos. Não. Existe. Amigos dá para ter aos montes e ainda arranjar uma dúzia novinha. Você foi ainda mais longe, não tem amizade mas tem uma criança, o que leva a um vínculo para o resto da vida com a digníssima ex esposa.
(Inspira profundamente de novo porque percebe que falou tudo em uma única expiração) 
Eu nunca quis algo assim para minha vida e não vejo-me adaptando a isso, também não vejo como você poderia não ter esse contato porque é impossível. Não é uma realidade que eu me sinta à vontade, de boas e quero que entenda que por isso que a tal frase nunca vem, acredito que as vezes verbalizar em alto e bom som tornam as coisas muito concretas e, você sabe posso ir a qualquer momento e pode ser uma merda porque nos gostamos então não posso dizer que o amo e na semana seguinte, por exemplo, te tornar um ex, e você já sabe o que penso sobre ex.
Entenda que aguentar algo e ficar remoendo não é mais algo natural para mim. Frequentemente penso que  não posso mais ficar no meio disso porque não há forma de ser diferente, aí fico porque gosto de você mas isso fica guardado em mim, me incomodando, acumulando. Veja bem, eu acho muito mais digno levantar da mesa e bater a porta ao sair quando algo não está bom para mim e é isso que sempre faço. E é o que penso em fazer quase sempre.
Pronto, falei.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Tem que ser inteiro e não pela metade


Hoje acordei assim, sei lá, "bugada". Não sei. Na verdade fui dormir assim.
Fico pensando em como tudo está e como você vai me ganhando mesmo que eu dificulte todo o processo. E eu vejo o quanto você é  bom e não tem culpa dessas peças que a vida nos prega mas a cada mês eu sinto isso (e não é TPM). Eu não consigo me sentir à vontade com alguém do seu passado tão presente, tão futuro. Tão mais fixo do que eu. E por isso eu tento a todo custo colocar na minha cabeça que não devo me preocupar com isso, que sou passageira, que logo seremos só um capítulo na história um do outro. Nada é, tudo está.
Eu tento com tudo que posso guardar partes de mim: histórias, amigos, família, declarações importantes. Eu tento propositalmente não ser inteira, enquanto você se dar com tudo que pode. Eu queria que fosse pouco menos assim atencioso, preocupado, persistente, presente, carinhoso. Eu queria que você tivesse uns defeitos mais gritantes, suficientes para eu usar como armadura para sair daqui. Não consigo e sinto que a cada dia você arranca mais um pedacinho de mim e isso vai tomando proporções que fogem ao meu controle cético. 
Eu entendo seu lado e que você precisa e deveria ser tão amado quando ama. Eu queria não ser assim, queria aceitar tudo de forma amena, leve. Eu compreendo tudo, toda a situação mas, não consigo me sentir bem com tudo isso, por mais que eu esteja tentando. 
E não digo as coisas que sinto para que, caso o fim chegue logo, não doa tanto em nós. Evito que você conheça todos e tudo de mim para que não doa tanto em nós. 
Eu sou tão distante para não doer tanto em mim.
Uma covarde, eu sei, eu sei. Mas você já viu quantas vezes eu tentei seguir sem você? Quantas vezes argumentei e ainda assim você aparece com essa mania de querer consertar tudo com paciência... ai eu não aguento. Na verdade você conserta tudo enquanto desmonta minhas armaduras e armadilhas.
Preciso que me deixe ir, não consigo ir sozinha. Além disso, eu não sou a melhor pessoa para você, eu sou metade e você inteiro. E sou ausências e você presente. Você é do "eu te amo" e eu "uhum, eu sei".
Ainda que eu sinta, não posso dizer, não é justo quando eu penso dia-a-dia em terminar ao passo que me vejo fazendo planos e te incluindo em conversas. Para o nosso problema não há solução que venha se não por uma mudança em mim, a qual tento há meses e nada progride. A única parte em nós que me faz mal poderia ser a que nos afastaria?


Essa não é mais uma carta de amor
São pensamentos soltos traduzidos em palavras
Pra que você possa entender
O que eu também não entendo
Amar não é ter que ter sempre certeza
É aceitar que ninguém é perfeito pra ninguém
É poder ser você mesmo e não precisar fingir
É tentar esquecer e não conseguir fugir, fugir
Já pensei em te largar
Já olhei tantas vezes pro lado
Mas quando penso em alguém é por você que fecho os olhos


O que eu também não entendo - Jota Quest