quarta-feira, 25 de março de 2026

Tá nas bases

Hoje sai de casa com muitas missões, muitas burocracias a resolver e umas coisas para comprar. Tratei de vestir uma roupa coringa e confortável (aquele macacão verde lindo!), arrumei o cabelo e fiz uma maquiagem bem básica. Olhei no espelho e aprovei o resultado, lembrei da última vez que usei esse macacão e o sorriso sumiu por alguns microssegundos.

Enfim, segui com minhas coisinhas e enfim chegou o momento das compras. Gosto muito da sensação de gastar meu suado dinheiro. Não por simplesmente gastar, mas por ter condições de comprar o que quero/preciso na hora da minha vontade/necessidade. Entrei em uma loja, bem serelepe, com óculos escuros, fone no ouvido ouvindo Metal contra as nuvens, da Legião Urbana e bolsa pendurada até que uma (des)querida confundiu-me com uma funcionária (queria saber onde tinha alguma coisa). Mesmo eu estando de óculos, bolsa e com uma roupa que nada tinha a ver com o uniforme da loja. 

Sabe o nome disso? Racismo estrutural. Não foi a primeira, nem a última. Mais um “caso isolado”.

O racismo estrutural é uma forma de descriminação enraizada na sociedade que normaliza desigualdades raciais através de práticas políticas, econômicas, jurídicas e sociais. Ele funciona como a engrenagem base da organização social, favorecendo um grupo racial e prejudicando outros, sendo um fenômeno coletivo e sistêmico, não apenas individual. Assim disse o Google. Na prática, isso diz que corpos negros são vistos como subservientes com muita naturalidade. A tal mulher provavelmente não pensou antes de perguntar pelo item que buscava no impacto da frase, não pensou em porquê achou que eu, com aquela skin, poderia ser uma funcionaria disponível a servi-la. 

Eu já passei por isso outras vezes, nem teria como contar quantas, mas essa foi a primeira vez que eu respondi. Quando ela perguntou eu estava em movimento e não parei para responder, mas disse "não, estou com bolsa e de óculos, tenho cara de está trabalhando aqui?" não olhei para trás nem esperei resposta, mas espero ter devolvido o desconforto.

Espero que da próxima vez (por que sempre tem a próxima) eu consiga responder melhor. 

Espero que demore mais até a próxima vez.

Espero que meus filhos não passem por isso (ou sejam melhores de resposta do que eu).


"(...) vi meu povo se apavorar
E às vezes eu sinto que nada que eu tente fazer vai mudar
Autoestima é tipo confiança, só se quebra uma vez
Tô juntando os cacos (...)
Sou antigo na arte de nascer das cinza
Tanto quanto um bom motorista é na arte de fazer baliza
Eu tô na arte de fazer"
Corra - Djonga 


Com a fé de quem olha do banco a cena
Do gol que nós mais precisava na trave
A felicidade do branco é plena
A pé, trilha em brasa e barranco, que pena
Se até pra sonhar tem entrave
A felicidade do branco é plena
A felicidade do preto é quase

Olhei no espelho, Ícaro me encarou
Cuidado, não voa tão perto do Sol
Eles num guenta te ver livre, imagina te ver rei
O abutre quer te ver de algema pra dizer: Ó, num falei?!

No fim das conta é tudo Ismália, Ismália
Quis tocar o céu, mas terminou no chão

Ela quis ser chamada de morena
Que isso camufla o abismo entre si e a humanidade plena
A raiva insufla, pensa nesse esquema
A ideia imunda, tudo inunda
A dor profunda é que todo mundo é meu tema
Paisinho de bosta, a mídia gosta
Deixou a falha e quer medalha de quem corre com fratura exposta
Apunhalado pelas costa
Esquartejado pelo imposto imposta
E como analgésico nós posta que
Um dia vai tá nos conforme
Que um diploma é uma alforria
Minha cor não é um uniforme
Hashtags PretoNoTopo, bravo!
80 tiros te lembram que existe pele alva e pele alvo
Quem disparou usava farda (mais uma vez)
Quem te acusou, nem lá num tava (banda de espírito de porco)
Porque um corpo preto morto é tipo os hit das parada
Todo mundo vê, mas essa porra não diz nada

Olhei no espelho, Ícaro me encarou
Cuidado, não voa tão perto do Sol
Eles num guenta te ver livre, imagina te ver rei
O abutre quer te ver drogado pra dizer: Ó, num falei?!


No fim das conta é tudo Ismália, Ismália
Quis tocar o céu, mas terminou no chão
Ter pele escura é ser Ismália, Ismália
Quis tocar o céu, mas terminou no chão
(Terminou no chão)

Primeiro, sequestra eles, rouba eles, mente sobre eles
Nega o Deus deles, ofende, separa eles
Se algum sonho ousa correr, cê para ele
E manda eles debater com a bala que vara eles, mano
Infelizmente onde se sente o Sol mais quente
O lacre ainda tá presente só no caixão dos adolescente
Quis ser estrela e virou medalha num boçal
Que coincidentemente tem a cor que matou seu ancestral
Um primeiro salário
Duas fardas policiais
Três no banco traseiro
Da cor dos quatro Racionais
Cinco vida interrompida
Moleques de ouro e bronze
Tiros e tiros e tiros
Os menino levou 111 (Ismália)
Quem disparou usava farda (meu crime é minha cor)
Quem te acusou nem lá num tava (eu sou um não lugar)
É a desunião dos preto, junto à visão sagaz
De quem tem tudo, menos cor, onde a cor importa demais

"Quando Ismália enlouqueceu
Pôs-se na torre a sonhar
Viu uma Lua no céu
Viu outra Lua no mar
No sonho em que se perdeu
Banhou-se toda em luar
Queria subir ao céu
Queria descer ao mar
E, num desvario seu
Na torre, pôs-se a cantar
Estava perto do céu
Estava longe do mar
E, como um anjo
Pendeu as asas para voar 
Queria a Lua do céu
Queria a Lua do mar
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par
Sua alma subiu ao céu
Seu corpo desceu ao mar"

Olhei no espelho, Ícaro me encarou
Cuidado, não voa tão perto do Sol
Eles num guenta te ver livre, imagina te ver rei
O abutre quer te ver no lixo pra dizer: Ó, num falei?!

No fim das conta é tudo Ismália, Ismália
Quis tocar o céu, mas terminou no chão
Ter pele escura é ser Ismália, Ismália


Ismália - Emicida

segunda-feira, 23 de março de 2026

Cores

Dia cheio. Acordar cedo, espalhar currículos. Após alguns meses do fim do curso ela precisava de um emprego, As contas já se acumulavam e se não houvesse um saldo positivo em sua conta teria que devolver o apartamento e voltar para a casa dos pais. Era o fim, atestado de derrota. 
Vestiu sua roupa mais social e saiu. Não que tenha sido difícil, afinal ela só tem um par de roupas desse tipo, na maior parte do tempo prefere roupas alternativas e confortáveis. Passou a manhã inteira entregando suas qualificações digitadas e devidamente impressas para pessoas de setores burocráticos que se quer sorriam, pessoas automáticas que poderiam parecer qualquer coisa, menos pessoas.
Ao fim do dia estava suada, cansada e com fome, mas ainda conseguiu sorrir ao lembrar das histórias que uma senhorinha dividiu com ela no ônibus. Não sabia porquê, mas desconhecidos adoravam conversar com ela, como se precisassem falar com alguém que não as julgue, alguém de fora de suas vidas. Como uma boa ouvinte e observadora do comportamento humanos, guardava seus fones e dava uma de psicóloga.
Ainda rindo da briga que a senhora contou que teve com uma vendedora, entrou na padaria e na fila do queijo notou alguém rindo também em sua direção. Ficou imediatamente sem graça por aquele estranho ter notado sua cara de (provavelmente) lerda em meio a um devaneio. Mais que isso, o dito cujo era o novo vizinho dela e nunca tinham se falado. Ele quebrou o gelo com o bom e velho "Oi" acompanhado de um sorriso devastador "será que ele usou aparelho? Aposto que fez clareamento", pensou ela. Ele se ofereceu para levar suas sacolas e o que mais ela poderia fazer se não aceitar estando tão cansada e de saltos? 

(Escrito em 18/06/2018 e ficou aqui esquecido, provavelmente tinha uma continuação que nunca veio. Vou publicar para que não seja esquecido de novo. Quem quiser dar ideia de continuação, comenta comigo!)

Caravaggio com colar de Gandhi - Baco Exu do Blues

 Ah
Nem as drogas têm o gosto de antes
Eu sou a nova tropicália em fragrâncias
Um baiano com o cheiro arrogante
Caravaggio desenhando com um colar de Gandhy
Eu amo vencer, eu não sou corajoso
Eu só não vou me permitir a perder pro medo
Eu puxo o arco mesmo se isso ferir meu dedo
Um jovem Odé dança e ri banhado de sangue (sangue)
Como vulcão adormecido
Eles acham que não vão ser destruídos por minha ira
Espera eu ser pai de menina pra ver se desenvolvo empatia pelo mundo
Estou a segundos de explodir essa merda
O homem é seu próprio demônio
Eu ando dormindo sem sonho
Há algumas semanas, aí meu lado ruim desperta
O Jordan protegendo o tendão de Aquiles
Foda-se (foda-se), ninguém me acerta
Ainda lutamos por um mundo onde seremos livres
Põe o gelo do hematoma no copo do drink
Só se envenena água parada, então se movimente
Enfrente o que tiver na sua frente
Derrotas são passageiras, desistir que é pra sempre
Então foda-se
Coloquei um espelho no final do abismo
Criei o infinito, espero que Deus perdoe o destino
Memórias são feitas por problemas físicos
O perdão é irmão do impossível
O inferno é um copo de cólera, bebemos sem brinde
As paredes não aguentam mais murros
Me soltaram no ringue
Não deixe sua fera interna com fome
A faca que divide o pão também tira a vida da carne
A guerra precisa de arte
Quando eu escrevo, Apollo dança com Ares
Sem ódio, a beleza não existe
Qual o nome da sua Helena de Tróia?
Não confunda o fim com imortalidade
Não seja burro, com o tempo, todos são esquecíveis
Existem coisas que você não vai contar pros seus filhos
Ah, sou cruel igual o dinheiro, Casa Branca pra mim é terreiro
Esses gringos colonos ainda procuram tempero
Dendê não se vende, não desistimos, ainda estamos aqui (aqui, aqui)
Ainda lutamos por um mundo onde seremos livres
Põe o gelo do hematoma no copo do drink
Só se envenena água parada, então se movimente
Enfrente o que tiver na sua frente
Derrotas são passageiras, desistir que é pra sempre
Então foda-se



Membro Fantasma

Socorro
Não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar
Nem pra rir
Socorro
Alguma alma, mesmo que penada
Me empreste suas penas
Já não sinto amor, nem dor
Já não sinto nada
Socorro, alguém me dê um coração
Que esse já não bate nem apanha
Por favor!
Uma emoção pequena, qualquer coisa!
Qualquer coisa que se sinta
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva
Lembrei dessa música do Antunes outro dia, tem quase 30 anos que foi lançada, mas nunca me fez tanto sentido. Eu gostava, ouvia mas só agora eu de fato a sinto. Com tudo que tem acontecido, sinto esta com dificuldade de expressar e perceber sensações e sentimentos. Como se em uma realidade paralela eu estivesse sentido o baque de um término, em outra realidade tenho que me dedicar ao meu novo trabalho, sem perder de vista o trabalho que já tinha antes e me preparar para um concurso muito criterioso. São situações adversas que não se conversam e eu preciso escolher uma para viver. Claro que estou indo na via do trabalho e dos meus projetos, mas sinto está distante de uma parte de mim mesma, que sofre, que não está sendo devidamente acolhida por mim mesma. 
Mas eu não vivo em mundos paralelos. Só me é disponibilizado este mundo, essa vida e essa realidade onde tudo ocorre ao mesmo tempo, sem pausa, sem vírgula e sem horário pro chorinho que se acumula num ritmo de conta-gotas.
É uma sensação estranha, um vazio difícil de explicar. Algo me foi tirado, não, arrancado, de forma brusca, sem anestesia, sem preparação. Lembra-me a síndrome do membro fantasma,, muito relatada por pessoas que sofreram amputação de algum membro. Essas pessoas sentem o membro, dor no local que não mais existe, formigamento. O cérebro continua processando sinais da área ausente, gerando essas sensações reais de dor, queimação e presença, ainda que ausentes.
No meio de tudo isso, a sensação que me dá é que minha cabeça é um grande carrossel, que não para de girar, só que gira cada vez mais rápido pois a alavanca quebrou. Gira, gira, mais rápido, mais rápido. Além da questão emocional, do misto de sensações em aprender e ensinar, das obrigações, existe ainda a burocracia, a parte chata. Papel, banco, decisões palpáveis, e por mais que se diga "pense no que você sente", "no que você quer", eu também tenho que pensar na burocracia que esta sentadinha no meu colo esperando a vez dela de ter minha atenção. E o carrossel não para de girar.

quinta-feira, 19 de março de 2026

Primeiro dia de aula

Esse mês as aulas recomeçaram, um semestre inteiro de oportunidades e novos conhecimentos. E eu voltei para a sala de aula, porém dessa vez não sou só aluna. Sou professora, e pensa numa viagem! Tem sido uma experiência interessante e também desafiadora. Tenho me observado e aprendido mais sobre mim mesma. Eu falo rápido, simplifico muito, sou exigente. Tem sido um grande exercício de autoconhecimento, como tudo que eu faço e me envolvo, tudo diz sobre mim também.

Dar aulas exige que eu estude mais, leia e aprenda sobre muito mais do que o que eu planejo falar na sala de aula, pois as vezes a dúvida não é necessariamente sobre o conteúdo que ministro. Nunca me sinto realmente pronta para estar na sala de aula e sempre saio com a sensação que posso e preciso melhorar mais. Cobro-me ciente que estou em sala de aula há menos de 15 dias.

Estou cheia de planos, acho que agora o mestrado vem. Gosto da sala de aula, de falar, ensinar, aprender com o processo. Será que um dia me acostumo com o pronome "Professora"?

"Quem eu sou para você?"

 Sim, ele teve a audácia de perguntar. Depois de tudo. E eu respondi:

Acho que você foi uma pessoa bem importante no meu caminhar. O primeiro o qual permiti que me conhecesse com toda a bagunça que era/sou e na minha vida como estava/é. Eu me permiti, a partir de sua chegada, me colocar no lugar desconhecido e desconfortável que pode ser estar em um relacionamento. Não quero com isso dizer que relacionamentos são ruins mas sim que viver um tem desconforto. Desconforto em mudar para haver equilíbrio, de entender o outro por mais que não faça sentido na própria perspectiva, mudar por realmente precisar mudar mas só o contato com o outro tornar isso evidente. 

Eu permiti que entrasse em minha vida, despi minha alma e isso é muito importante, era algo muito difícil para mim. Você foi uma pessoa importante na minha vida. Importante até mesmo por quebrar toda essa confiança e espaço conquistado e construído no decorrer dos anos. Ninguém poderia me magoar tanto sem que tivesse permissão de me conhecer tão de perto.

E agora eu sinceramente não sei se você pode continuar sendo alguém importante ou se deve ter o reconhecimento da relevância e ficar no passado, como parte da minha história

Pensando na alma e na confiança me veio uma analogia simples mas bem eficaz para exemplificar isso: 

É como se eu tivesse um cristal enorme, muito reluzente e frágil. Carreguei a vida toda com muito cuidado. Vc chegou, achou bonito e pediu para ver. Com desconfiança deixei que visse, mas na minha mão. Vc continuou ali, pedindo para segurar, ressaltando que era capaz e tomaria cuidado, até que um dia, enfim, deixei. Mas ficava de olho a todo instante, atenta e sempre avisava “cuidado para não cair”, “está seguro?”, “se vc quiser descansar me avisa e me devolve”, mas você não soltava e seguimos. 

Com o passar do tempo eu fui deixando cada vez mais tempo você com esse cristal e já não ficava tão atenta. Você começou a deixar numa mesinha, numa cadeira, um dia até caiu de leve, mas por sorte não quebrou. Outro dia você até arriscou fazer embaixadinha e olha só, parece que não era tão frágil assim. Talvez tentasse chutar qualquer dia desses e brincar de bola. Quem sabe? Com tudo isso, você talvez tenha esquecido o valor daquilo, sobretudo para mim. 

Um dia vc estava distraído e sem perceber, deixou cair. Dessa vez quebrou. Nem você acreditou, como pode, não quebrou com uma queda, nem embaixadinha, como quebrou de forma tão simples?

Eu sei que você sente saudade e quer que eu diga o mesmo. Acho que sinto falta da certeza no futuro que eu achava que tinha com você. Eu sei que com essas perguntas você busca algum tipo de certeza que há sentimentos, que o ajude, mas é que eu não tenho que te dar certezas e segurança quando você as tirou de mim. A gente teria muito custo com nossos sonhos? Sim, mas estaríamos juntos. O mundo caminha para o fim? Sim, mas estaríamos juntos. A gente está envelhecendo? Sim, mas estávamos juntos. E agora, agora não há certezas para o futuro. Você espera que eu sinta saudade mas eu sinto... Vazio. 

Um imenso vazio.


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

33 anos

Domingo foi meu aniversário, eu não pensei em comemoração nem nada do tipo. Pensei em ir nunca cafeteria charmosinha, a noite comprar algumas bebidas e relaxar em casa, afinal eu estava de plantão no dia anterior e geralmente me sinto energeticamente esgotada no pós.

Só não esperava passar num velório. Mas foi isso que aconteceu.

Uma amada tia-avó se foi, levando muita sabedoria, bondade e fé. Considerando que tenho estado entre vida e morte constantemente devido ao meu trabalho nos últimos anos, achei um simbolismo interessante celebrar mais um ano de vida, lembrando que a morte pode estar logo ali. E não falo isso com pesar ou morbidez, mas sim como um lembrete do quão precioso é nosso tempo aqui, o quanto sou afortunada em gozar da vida com saúde e consciência do privilégio de estar aqui.

Tem uma música de Raul Seixas que diz:

"Vou te encontrar vestida de cetim 
Pois em qualquer lugar esperas só por mim 
E no teu beijo provar o gosto estranho 
Que eu quero e não desejo, mas tenho que encontrar 
Vem, mas demore a chegar 
Eu te detesto e amo morte, morte, morte 
Que talvez seja o segredo desta vida"

E o que seria de nossa vida sem o lembrete que ela acaba? Que valor daríamos a essa passagem se ela fosse eterna? No velório da minha tia-avó eu celebrei em mim a vida dela, lembrei de suas histórias, sua presença e honrei a forma que viveu e morreu. No velório da minha tia-avó revi pessoas que há muitos anos não via, consolei parentes e recebi abraços e felicitações por mais um ano. Fiquei a maior parte do tempo imersa em meus pensamentos e memórias. 

Trinta e três anos, tanta coisa aconteceu nessa caminhada e parece que ela está só começando, Ainda vou fazer muitas coisas e sonhar novos sonhos e viver outras vidas nesta mesma vida, até que meu chamado venha.

Jesus morreu aos 33 e eu de alguma forma morro para recomeçar, iniciar um novo ciclo da minha jornada. Na numerologia, o número 33 é um número Mestre, conhecido como o "mestre professor" ou "Mestre do amor e da cura" (muito a ver com Jesus, né?!). Ele representa o potencial máximo de altruísmo, compaixão e iluminação espiritual, combinando a criatividade do 3 com a capacidade de cura e serviço.
É isso que me espera? Abraço com coragem e empolgação a nova etapa, com todos os desafios e belezas que a acompanham.

"É tão bonito quando a gente pisa firme
Nessas linhas que estão nas palmas de nossas mãos
É tão bonito quando a gente vai à vida
Nos caminhos onde bate, bem mais forte o coração"
Caminhos do coração - Gonzaguinha