segunda-feira, 23 de março de 2026
Membro Fantasma
quinta-feira, 19 de março de 2026
Primeiro dia de aula
Esse mês as aulas recomeçaram, um semestre inteiro de oportunidades e novos conhecimentos. E eu voltei para a sala de aula, porém dessa vez não sou só aluna. Sou professora, e pensa numa viagem! Tem sido uma experiência interessante e também desafiadora. Tenho me observado e aprendido mais sobre mim mesma. Eu falo rápido, simplifico muito, sou exigente. Tem sido um grande exercício de autoconhecimento, como tudo que eu faço e me envolvo, tudo diz sobre mim também.
Dar aulas exige que eu estude mais, leia e aprenda sobre muito mais do que o que eu planejo falar na sala de aula, pois as vezes a dúvida não é necessariamente sobre o conteúdo que ministro. Nunca me sinto realmente pronta para estar na sala de aula e sempre saio com a sensação que posso e preciso melhorar mais. Cobro-me ciente que estou em sala de aula há menos de 15 dias.
Estou cheia de planos, acho que agora o mestrado vem. Gosto da sala de aula, de falar, ensinar, aprender com o processo. Será que um dia me acostumo com o pronome "Professora"?
"Quem eu sou para você?"
Sim, ele teve a audácia de perguntar. Depois de tudo. E eu respondi:
Acho que você foi uma pessoa bem importante no meu caminhar. O primeiro o qual permiti que me conhecesse com toda a bagunça que era/sou e na minha vida como estava/é. Eu me permiti, a partir de sua chegada, me colocar no lugar desconhecido e desconfortável que pode ser estar em um relacionamento. Não quero com isso dizer que relacionamentos são ruins mas sim que viver um tem desconforto. Desconforto em mudar para haver equilíbrio, de entender o outro por mais que não faça sentido na própria perspectiva, mudar por realmente precisar mudar mas só o contato com o outro tornar isso evidente.
Eu permiti que entrasse em minha vida, despi minha alma e isso é muito importante, era algo muito difícil para mim. Você foi uma pessoa importante na minha vida. Importante até mesmo por quebrar toda essa confiança e espaço conquistado e construído no decorrer dos anos. Ninguém poderia me magoar tanto sem que tivesse permissão de me conhecer tão de perto.
E agora eu sinceramente não sei se você pode continuar sendo alguém importante ou se deve ter o reconhecimento da relevância e ficar no passado, como parte da minha história
Pensando na alma e na confiança me veio uma analogia simples mas bem eficaz para exemplificar isso:
É como se eu tivesse um cristal enorme, muito reluzente e frágil. Carreguei a vida toda com muito cuidado. Vc chegou, achou bonito e pediu para ver. Com desconfiança deixei que visse, mas na minha mão. Vc continuou ali, pedindo para segurar, ressaltando que era capaz e tomaria cuidado, até que um dia, enfim, deixei. Mas ficava de olho a todo instante, atenta e sempre avisava “cuidado para não cair”, “está seguro?”, “se vc quiser descansar me avisa e me devolve”, mas você não soltava e seguimos.
Com o passar do tempo eu fui deixando cada vez mais tempo você com esse cristal e já não ficava tão atenta. Você começou a deixar numa mesinha, numa cadeira, um dia até caiu de leve, mas por sorte não quebrou. Outro dia você até arriscou fazer embaixadinha e olha só, parece que não era tão frágil assim. Talvez tentasse chutar qualquer dia desses e brincar de bola. Quem sabe? Com tudo isso, você talvez tenha esquecido o valor daquilo, sobretudo para mim.
Um dia vc estava distraído e sem perceber, deixou cair. Dessa vez quebrou. Nem você acreditou, como pode, não quebrou com uma queda, nem embaixadinha, como quebrou de forma tão simples?
Eu sei que você sente saudade e quer que eu diga o mesmo. Acho que sinto falta da certeza no futuro que eu achava que tinha com você. Eu sei que com essas perguntas você busca algum tipo de certeza que há sentimentos, que o ajude, mas é que eu não tenho que te dar certezas e segurança quando você as tirou de mim. A gente teria muito custo com nossos sonhos? Sim, mas estaríamos juntos. O mundo caminha para o fim? Sim, mas estaríamos juntos. A gente está envelhecendo? Sim, mas estávamos juntos. E agora, agora não há certezas para o futuro. Você espera que eu sinta saudade mas eu sinto... Vazio.
Um imenso vazio.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
33 anos
Domingo foi meu aniversário, eu não pensei em comemoração nem nada do tipo. Pensei em ir nunca cafeteria charmosinha, a noite comprar algumas bebidas e relaxar em casa, afinal eu estava de plantão no dia anterior e geralmente me sinto energeticamente esgotada no pós.
Só não esperava passar num velório. Mas foi isso que aconteceu.
Uma amada tia-avó se foi, levando muita sabedoria, bondade e fé. Considerando que tenho estado entre vida e morte constantemente devido ao meu trabalho nos últimos anos, achei um simbolismo interessante celebrar mais um ano de vida, lembrando que a morte pode estar logo ali. E não falo isso com pesar ou morbidez, mas sim como um lembrete do quão precioso é nosso tempo aqui, o quanto sou afortunada em gozar da vida com saúde e consciência do privilégio de estar aqui.
Tem uma música de Raul Seixas que diz:
"Vou te encontrar vestida de cetim
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho
Que eu quero e não desejo, mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida"
E o que seria de nossa vida sem o lembrete que ela acaba? Que valor daríamos a essa passagem se ela fosse eterna? No velório da minha tia-avó eu celebrei em mim a vida dela, lembrei de suas histórias, sua presença e honrei a forma que viveu e morreu. No velório da minha tia-avó revi pessoas que há muitos anos não via, consolei parentes e recebi abraços e felicitações por mais um ano. Fiquei a maior parte do tempo imersa em meus pensamentos e memórias.
Trinta e três anos, tanta coisa aconteceu nessa caminhada e parece que ela está só começando, Ainda vou fazer muitas coisas e sonhar novos sonhos e viver outras vidas nesta mesma vida, até que meu chamado venha.
quinta-feira, 13 de novembro de 2025
domingo, 11 de agosto de 2024
Cais sobre caos - Gragoatá
Rasa corredeira
Nunca foi de descansar
De por ordem às flores no quintal
Cama pra quem deita
Chão pra quem quisesse andar
De subir ladeira em carnaval
De viver
E sonhar
E sentir
Pra lembrar
E doce é a ilusão
Quando o tempo é só algodão
Pele de praieira
O pé que é de buscar o mar
Na juventude a desaguar
Céu de lua cheia
Isca de Iemanjá
Ela era de se enfeitar
De crescer e chorar
E sorrir pra cantar
Que estranha é a razão
Quando a vida e só coração
Distante do que fez entregue ao tempo rei
Força de quem não dá mais sob mas
Preta filha do sol
Mãe, tia, irmã menor
Porto que sempre traz
Cais sobre caos
sexta-feira, 17 de novembro de 2023
Velhinho
...e enquanto andava de moto na praia ao fim de tarde, viu uma sombra e o reconheceu: cabelo branco, baixinho, calça social, camisa de botão. Era o vô. E isso a espantou tremendamente, uma vez que ele falecera no dia anterior.
Afligiu-se em mostrar o que estava vendo ao seu acompanhante, mas o avô, que em vida andava devagarinho, começou a andar rápido, cada vez mais rápido, até que passou a ser um vulto luminoso. A roupa tornou-se mais clara, tornou-se mais alto, jovem. Por fim correu até sumir. Estava livre.
Havia se libertado da dor, dos aparelhos, das amarras, do hospital. Estava livre da doença. Era o fim da solidão e confusão mental.
Ela fora dormir pedindo a Deus consolo por sua perda e recebeu esse sonho como presente e seu coração parou de chorar, pelo menos naquele momento.
segunda-feira, 31 de julho de 2023
Conto de dor
segunda-feira, 7 de setembro de 2020
Ato de indepedência
No dia de hoje se comemora nesta República Federativa o dia da declaração da independência do Brasil do Império Português. O feriado trouxe tantas reflexões e questionamentos sobre tantas coisas que acontecem no Brasil. Temos passado por tantas situações tristes, absurdas, que as vezes nem sentimos mais o peso desse ano. como uma anestesia geral. Outras vezes sentimos (e muito) o fardo de sermos filhos dessa terra. O fato é: tá foda viver no Brasil.
Mais ainda se pensar que essas são questões comuns a todos e que cada pessoa ainda é um universo. Cada um tem suas questões para lidar, aprender e dar mais um passo em sua evolução. Coloca tudo isso junto e... eis-me aqui.
Há dias em que tudo me irrita e entristece de modo que sinto uma densa energia ao meu redor. Sinto palpitação, sinto raiva. Tem dia que ligo o foda-se... por meia hora. Não consigo ficar alheia, sinto muito tudo que se passa comigo, com as pessoas próximas e com o lugar que vivo. As vezes tento nem pensar profundamente em nada (de tão cheia de tudo) e seguir fazendo o que dá naquele momento, trabalhando o que o tem para hoje. Nem mesmo escrever consigo (Isso aqui é um milagre em formada de palavras amontoadas e jogadas). Tem sido um paradoxo bizarro ter que escolher estar atenta para não ser alienada e desligar de tudo para preservar um pouco de saúde mental.
E exatamente pensando nela, e inspirada na data de hoje, resolvi resolvi declarar minha independência. Achei por bem começar as mudanças por mim, pelas energias que permito que me cheguem, pela energia que quero transmitir em tudo que faço e pela que quero atrair para minha vida e projetos.
Comecei me arrumando para ficar em casa mesmo, coloquei uma blusinha vermelha confortável, uma saia jeans florida que não usava há meses (ou anos) e arrumei o cabelo, sério, sentir como se fosse sair, me ver bonita já ajudou na animação. Amo ficar de pijama mas, dá também uma sensação de inércia e eu tô bem cansada disso nos últimos tempos. Coloquei minhas córneas de vidro e PÁ!, o mundo ficou mais bonito, mais nítido. Imediatamente eu queria ver tudo, ler tudo e aproveitar o máximo possível dessa visão. Sentindo-me uma vencedora ("só" por ter feito essas duas coisas) e produtiva, sentei frente a minha escrivaninha empoeirada (tadinha) e tomei notas e organizei meu planner já abandonado e esquecido. Passei horas e naquele cantinho.
Sentada ali e vendo tudo mais bonito resolvi deixar de seguir, pelo menos por um tempo, páginas e pessoas que me colocavam em vibrações negativas de raiva e tristeza ou que não somava em nada útil para mim, Senti leveza a cada unfollow dado. E lá se foram mais de 30 perfis em menos de 10 minutos.
Pensa que acabou? Nããão! Fiz cruzadinhas (amooo desde sempre) e li uns livros quase esquecidos na estante. Falando de livros aproveitei para comprar alguns. Eu sei que deveria evitar pois tenho algumas prateleiras cheias de livros nunca lidos ou terminados que compro muitas vezes por impulso mas dessa vez pensei bastante e só comprei livros com potencial de me trazer reflexões e edificar de alguma forma, isso por si só já é incentivo mais que suficiente e um válido investimento em mim mesma.
Por fim, fui fazer os afazeres de casa e resolvi abri uns podcasts (totalmente influenciada por uma amiga). Abracei esse mundo como quem rever um velho amigo e busquei temas que me ajudem no processo de autoconhecimento e de me entender como alguém nos meios que hábito, foi TÃO maravilhoso. Ouvi vários e entre eles descobri várias músicas novas que fiz questão de cantar alto pela casa.
No fim do dia refleti sobre tudo que tinha sentido e feito e notei que colocar os olhos do corpo e da mente para funcionarem faz mudanças positivas percepção do (meu) mundo. Lentes limpas trazem uma melhor imagem dos que se passa e do que pode ser feito.
Achei por bem começar as mudanças por mim, pelas energias que permito que me cheguem, pela energia que quero transmitir em tudo que faço e pela que quero atrair para minha vida e projetos. Se todos os dias serão assim, não sei, mas esse foi o meu primeiro ato consciente de independência nos últimos tempos.
segunda-feira, 25 de maio de 2020
O que eu quero antes dos 30 - 2 anos depois
sexta-feira, 15 de maio de 2020
Caminho das pedras
Cansada
quarta-feira, 21 de agosto de 2019
Estiagem
domingo, 9 de dezembro de 2018
O redator - Zimbra
Talvez você só queira ler depois
Não fiz tanta questão de ser direto assim
Talvez você perceba isso depois
Nos meios dessas linhas que eu já fiz
Seguiam pelas coisas que eu falei
Mas a metade mesmo diz
Que é tudo versificação
De alguma história que eu refiz
Como é que essas coisas funcionam
Evito de ter que pensar
Que as melhores frases se foram
E não voltarão pro lugar
Pro mesmo rascunho que entrega
Milhares das informações
Que nem todo mundo
Daria uma bela matéria no jornal
Na parte de entretenimento ou coisa assim
Já que você não chega até o final
Como é que essas coisas funcionam
Evito de ter que pensar
Que as melhores frases se foram
E não voltarão pro lugar
Pro mesmo rascunho que entrega
Milhares das informações
Que nem todo mundo se apega
Faz tempo que você não escreve
Eu sinto tanta falta de ler
Seus textos fabricados em série
Escreva alguma coisa, por favor, meu bem
E lembra de assinar no fim da folha