quarta-feira, 11 de maio de 2016

Que o teu afeto me afetou é fato

Me. Lasquei.
Sabe quando você conhece um cara super gente boa que surgiu assim, do nada, quando você já não tinha a menor vontade de abrir sua vida para alguém entrar? E ele veio com uma história bem diferente de tudo que já ouviu e isso despertou, e muito, sua curiosidade. É nessa hora que você pensa: Me lasquei.
Sabe quando o papo flui mesmo quando você ver um monte de diferenças contrastantes e ainda assim vocês preferem seguir? E quando riem muito quando encontram semelhanças? Pois é, me lasquei.
Aí um belo dia ele começa a te colocar apelidos, um mais engraçado e original que o outro e, ao invés de achar isso tudo tosco, você simplesmente ama? Em contra partida você começa a sentir uma vontade louca de mandar mensagens aleatórias durante o decorrer do dia? Então, me lasquei.
Sabe quando mesmo sendo uma pessoa super reservada você sente vontade de dividir histórias e opiniões e percebe no outro o interesse por tudo que você fala? E já começa a se ver mandando para ele trechos daquelas músicas que achavas brega antigamente?
E quando você fica imaginando como deve ter sido a infância e adolescência e vai anotando mentalmente várias perguntas para fazer na próxima conversa? Ou quando você fica esperando ele mandar uma mensagem e quando manda já te deixa rindo boba (o que também acontece quando você "acidentalmente" abre a janela e reler a última conversa que tiveram?) É isso ai amigas, podem rir, já sinto que me lasquei.

E sabe porque estou ainda mais lascada? Porque quero continuar assim. Aliás, quero mais de tudo isso e saber até onde essa história vai. Estou ainda mais lascada por estar gostando disso isso, porque é algo diferente pra mim também. Sabe por que mais estou lascada? Aqui no nordeste usamos muito essa expressão quando nos metemos em situações complicadas e, muitas vezes, ruins.
Porque eu consideraria isso tudo ruim? Porque gosto daquilo que posso controlar, gosto quando tenho controle de todas as variáveis que possam influenciar nas minhas ações. Quando entram os sentimentos, acabou, lá se foi o controle. Sentimentos são variáveis que não posso controlar, aí eu fico confusa porque razão e emoção, tico e teco, quase nunca se batem.

E sabe o que mais? Esses dois nunca se bateram por aqui mesmo, então que seja! 
Que venha a loucura, a viagem. 
Que venha o que causa taquicardia e mãos trêmulas, quero inclusive em doses duplas ou triplas disso ai, seja lá o que isso for,


A razão é como uma equação 
De matemática, tira a prática
De sermos um pouco mais de nós!
Que o teu afeto me afetou é fato.

 O teatro mágico

domingo, 6 de março de 2016

Representatividade, Empoderamento e bem-estar

Semana passada eu estava andando com minha mãe no centro e passamos por duas crianças que me chamaram atenção pela forma que me olharam. Naquele mesmo dia eu havia recebido vários olhares diferentes por causa, do meu cabelo black ou do meu batom roxo, não sei bem. Alguns olhavam com admiração outros com desdém, quem se importa, não é mesmo? Bom, mas voltando às crianças que me chamaram atenção.
Era uma menina que parecia ter uns 11 anos e um menino menor, talvez mais novo. Pareciam ser irmãos, O menino olhou para mim rapidamente e depois voltou o olhar, só que dessa vez com surpresa e algo a mais nos olhos que estavam 3 vezes mais abertos que da primeira vez. Ele puxou o braço da irmã e  tentou apontar em minha direção discretamente, sem sucesso, como se tentasse lembrar de uma palavra. Ela disse sem rodeios, "é black power!" e ele repetiu a palavra como e a saboreasse "black pooower... que legal!"
Eram duas crianças, com uniforme de escola pública e negras. Eu fiquei tão feliz com essa situação que comentei com minha mãe e ela respondeu "eles apontaram pro seu cabelo e você acha isso bonito?". é claro que eu acho! Sabe quantas influências negras ou que usem cabelo afro tem por ai? As crianças praticamente não têm personagem que as represente, que elas se identifiquem e assim, acabam achando que sua cor, seu cabelo é feio e que precisam mudar para serem aceitas nos grupos ou no mercado de trabalho posteriormente. 
Eu mesma não me identificava com as princesas da Disney. Gostava da Jasmine, do Aladdin, porque ela era o que mais se aproximava do que eu era, mas nunca tive uma boneca dela. Ou de alguma negrinha crespa. Meus bebês eram brancos de olhos azuis e cabelos loirinhos, loirinhos. É por essas e outras que sim, sim eu fico feliz que aquelas crianças olharam apontando pro meu cabelo. Acho que ali elas sentiram uma espécie de empatia, representatividade ou quem sabe, uma admiração por um cabelo semelhante ao delas, que todos dizem que é feio e que precisa ser alisado ou preso.
Re-pre-sen-ta-ti-vi-da-de, palavra grande, né? Tudo bem, combina com seu significado. Poder causar essa sensação em alguém é incrível, é uma forma de ajudar no empoderamento e empoderar é coisa séria. E se eu puder fazer isso apenas sendo quem sou e assumindo minhas características, mundo, se prepara porque eu não vou parar!

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Dia desses sai apressada para resolver umas coisas. Ao chegar na parada, que estava relativamente cheia vi várias pessoas se espremendo querendo uma sombrinha para esperar seus ônibus. Tinha um cara de camisa preta, calça jeans, óculos escuro e adivinha, black power. O dele era bem maior que o meu. Mesmo estando lotada, não tinha ninguém do lado do cara. Fiquei me perguntando se era coincidência ou preconceito mesmo, sei lá, vai saber. Eu sentei do lado dele e esperei meu ônibus.
Ele pegou o mesmo ônibus que eu e desceu na mesma parada também. Ele estava no assento à minha frente então pude observar as pessoas olhando para ele, mas principalmente as manias que ele tinha com o cabelo. Notei que eu também tenho a maioria deles. Fiquei pensando "Então todos agem assim? hahaha pensei que eu fosse exclusiva!", ao mesmo tempo fiquei feliz por ver que não estou só e a cada dia que passa vejo mais e mais gente feliz com sua essência, aceitando seus cabelos e características tais como são. :)  
Claro,  somos mais que só cabelo, mas esse é um passo.

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Ano passado, estava voltando do estágio com uma amiga, comentando sobre planos, viagens e outras amenidades e no caminho passaram por mim uma negra com traças e mais a frente uma outra com dreads curtos. Notei que quando elas me viram sustentaram o olhar no meu cabelo, na época longos cachos, perguntei se minha amiga tinha visto e ela negou, mas eu fiquei pensando nisso e passei a observar melhor. Com o passar das semanas notei que isso sempre acontecia quando alguém com cabelo afro passava por mim: sustentávamos o olhar com um suave sorriso ali. Era como se naquele olhar disséssemos um para o outro "Você é lind@", "Seu cabelo é lindo, não acredite em que diz que ele não é", "Parabéns por manter sua essência!". É algo nosso e até hoje se mantem, cada vez mais evidente para mim, o que enche meu peito de alegria.

Negros, negras, resistam aos padrões que nos excluem, somos todos lindos cada um a sua maneira. Resistam. Vamos viver e mostrar para todos a delícia que é ser negr@!

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Girassol

Ah menina, muitas lágrimas ainda cairão até que a vida esteja do jeito que você sempre desejou, Aliás, desconfio que a vida nunca é do jeito que sonhamos na infância/adolescência, sabe?! Do lado de cá, "vida adulta", as coisas são meio burocráticas e a gente aprende a moldar situações até que estejam no ponto de nos fazer feliz. Não perfeito, mas feliz.
Olha menina, você ainda vai ver que ser dona de um nariz requer muito mais do que ter um nariz. Requer responsabilidades e coragem, muita coragem. É possível que você ainda demore a entender isso, o que te levará a bater de frente com alguns muros antiiigos, mas que depois você entenderá o valor e importância deles.
Sabe, espero que em breve você descubra que chorar não soluciona nada, mas ajuda a extravasar as emoções. Por isso chore está noite até que o sono venha. Não te perguntarei o motivo das lágrimas, embora tenha ideia do que seja, mas prometo te levantar desse chão, lavar seu rosto e te cobrir com uma coberta quentinha com poderes medicinais e protetora contra as dores do mundo. Verdade, juro.
Amanhã, junto com o sol, surgirá uma nova oportunidade, cheia de frases clichês te lembrando que poderá ser um dia melhor. Saia desse quarto, não se esconda da luz, você não é dessas. Você é tal qual um girassol. É, um girassol, menina! 
Essa flor exalta alegria e beleza, só de olhar para ele dá vontade de sorrir. Além disso ela, dizem, acompanha a luz solar. Inclina-se para onde houver luz, onde houver vida. 
É possível que ainda venham muitos dias de sombras e lágrimas, mas isso passará. Sempre passa, nada é para sempre nessa vida. Nem as coisas boas, nem ruins. Nada é, tudo está. Você ainda vai mandar nesse nariz, vai ser dona da sua vida, vai agradecer esse momento ruim e sorrir muito, inclusive de toda essa situação

Seja como um girassol, 
minha flor, 
minha irmã.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

And I'm feeling good

A viagem, assim como foi para chegar aqui, será longa até chegar em casa. Tem gente que odeia viagens longas, pelo cansaço e desconforto que causam, pela possibilidade de dividir poltronas com desconhecidos... essas coisas. Viajar é sair da nossa zona de conforto e eu costumo gostar. Me dá a possibilidade de passar um bom tempo comigo mesma, sem o peso na consciência gritando que eu deveria está fazendo algo produtivo; ali não há muito o que fazer além de ler, ouvir música, pensar ou dormir. 

E eu faço tudo isso.
Consegui sentar numa janela e por um milagre não há ninguém ao meu lado, então posso me esticar para ficar mais a vontade nas duas poltronas. O ônibus também é bom, as poltronas são confortáveis e há ar condicionado. Serão boas 6 horas até chegar em casa. 
Ligo os celular tocando as músicas no modo aleatório e me divirto ouvindo músicas que há muito não ouvia. Músicas suaves, dançantes, rocks, sambas e até mesmo as internacionais que eu geralmente evito por gostar de cantar mas não saber - mantenho-as no celular pelos ritmos que me fascinam. Fico feliz por ter tanta memória, quase toda ocupada por músicas. 
Entre as letras, melodias e arranjos viajo nas paisagens e em pensamentos. Nunca havia viajado por esses lados e chega a ser estranho constatar que meu pequeno estado é na verdade tão grande assim. Passo por rios, pontes, cidades e entre uma parada e outra esculto sotaques diferentes. Como deixamos de conhecer nossas origens, não é mesmo? Há ainda tantas cidades aqui que eu se quer sei o nome! Passando por esses interiores acabo passeando um pouco em meu interior também. Olhando por essa janela vejo como as coisas estão mudando, como tenho crescido e sonhado. Penso na prova que fiz no dia interior, na importância que ela teria para o início da minha carreira e em como fui mal. Penso no plano B, plano C e em como as coisas estão acontecendo rápido em 2016. O ano começou tão diferente, tão cheio de metas e mudanças internas que acabam refletindo em mudanças externas, como meu corte de cabelo, por exemplo. 
Em dezembro cortei cerca de 2/3 do meu cabelo. Aquele cabelão que sonhei ter por tanto tempo já não combinava comigo, acho que mudei durante o processo de crescimento, devo ter crescido de outras formas também. O cabelo carregava alguns pesos que eu queria me livrar então optei pelo ato mais rápido e impactante: tesoura nele. Obviamente foi um susto para os outros, mas eu já me via diferente no espelho, nos textos e gestos e ter uma imagem que combinasse com a pessoa que vejo refletida, aqui mesmo nessa janela, era algo que eu precisava. E foi bom, me sinto tão eu agora, tão cheia de mim!
Como que atendendo a um pedido que eu nem tinha feito, meu celular enche meus ouvidos com a voz do Machael Dublé ("Birds flying high you know how I feel, Sun in the sky you know how I feel, Breeze driftin' on by you know how I feel") cantando a música Feeling good, da grande artista Nina Simone. Cada vez que esse jazz sobe, os metais tocando alto, a voz potente, meu coração bate feliz e o arrepio é inevitável. A letra me toca por exatamente por interpretar o que eu estou sentindo, And I'm feeling good.
Não me controlo e danço desajeitada, ali mesmo, em minha poltrona na janela, do lado do sol e com a cortina aberta.  Fecho os olhos e sinto os raios de sol (o sol que me faltava), a música balança meu corpo de uma forma que não consigo evitar (nem quero, nem tento), o sorriso vem e eu canto. Balançando a cabeça no ritmo da música e tentando não encher demais os pulmões para não gritar. Paro de pensar e me permito apenas sentir. And I'm feeling good.

It's a new dawn
It's a new day
It's a new life
For me
And I'm feeling good

("É um novo amanhecer, é um novo dia, é uma nova vida para mim, e estou me sentindo bem")


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Tão Diferente


Hoje fui à um luau super animado numa das praias aqui da cidade (sim, moro numa cidade privilegiada com praias lindas, :*). O lugar era simples mas com visual deslumbrante: Ondas batendo forte (causando seu som característico ao quebrar), sol se pondo e lua surgindo, brisa do mar, bons amigos, música boa. Não tem como não ser bom, correto? Corretíssimo. O repertório era excelente e acabou me lembrando que a música é um portal poderoso. 
Através da música podemos recordar com precisão fatos, histórias, cheiros, sorrisos, sensações. No decorrer da apresentação cantei Primeiros Erros, do Capital Inicial, com um sorriso nos lábios recordando minhas amigas da 7ª série que quando se juntavam só queriam cantar essa música (uma delas extremamente engraçada nunca sabia a letra mas amava "cantar"). Lembrei de um olhar que pedia que eu dissesse que o queria como ele me queria enquanto cantava para mim Luz do Olhos, do Nando Reis. Naquela noite eu realmente queria dizer essas palavras para ele, mas não consegui nem naquele dia, nem depois. Provavelmente ele pense que nunca o quis de verdade, mesmo com a história que tivemos. Nessa música a sensação foi de reconhecimento de um erro e que cometi e também de perdão. Perdoei-me por isso, afinal, não há motivo para carregar um fardo assim. Já superei isso \o/ ~fazendo a dança da vitória~
Lembrei ainda de uma viagem "ducaralho" que fiz com uns amigos quando ele tocou uma do Natiruts. Fomos para uma casa de praia e tivemos um dos melhores feriados da minha vida: leve, divertido, simples e feliz (feliz demais). Deu mais saudade ainda dessa viagem porque aquele tempo passou e a vida de todos que estavam naquela casa de praia, cantando ao som do violão disputando redes, mudou. Hoje cada um seguiu seu caminho e voou para aquilo que acredita ser o melhor para sua vida (e desejo do fundo do coração que nesses voos encontremos a tal realização pessoal e profissional).
Quando o show estava acabando o artista tocou Por Enquanto, do Nando Reis (mas que se popularizou mesmo na voz da Cássia Eller). Ali foi para matar. Todo mundo cantou com vontade e de olhos fechados na maior parte da música, inclusive eu. Lembrei de tanta coisa, tanta gente. Lembrei dos meus amigos do ensino médio que adoravam matar aula para tocar violão na quadra da escola (esta música inclusive), lembrei da viagem de despedida na qual dissemos coisas lindas e sinceras uns para os outros. Nos divertimos, rimos e na volta para casa choramos muito, pois, mesmo que todos dissessem que seria para sempre, sabíamos que seria difícil com o novo ciclo que se iniciaria nas nossas vidas. 
Mas o que doeu mais ao ouvir por enquanto foi lembrar daquele que costumava ser meu melhor amigo. Mesmo com as discussões, com as opiniões contrárias, mesmo com as religiões distintas, éramos amigos e cuidávamos um do outro. De repente ficou tudo assim, tão diferente. Sim, com ele eu achava que a amizade seria realmente para sempre, que ele iria me ver apaixonada (do tipo brega mesmo) por um cara bacana, que me chamaria para ser sua madrinha de casamento e ele seria padrinho de batismo do meu primogênito. Eu acreditava que sentaríamos com os filhos na sala de estar em um belo fim de tarde e contaríamos as nossas histórias (contáveis) de adolescentes. Mas o pra sempre, sempre acaba. É verdade, o cantou me contou. Então sentada ali, olhando aquela lua e ouvindo a galera cantar em uma só voz o finalzinho da música ("Mesmo com tantos motivos pra deixar tudo como está e  nem desistir, nem tentar, agora tanto faz, estamos indo de volta pra casa") senti o olho marejar e a garganta apertar mas o sorriso também veio junto com a lembrança que a amizade foi sincera e recíproca até certo ponto, foi sim. 
E ao fim de tudo fiquei pensando como talento pode ser "palpável!". Um músico habilidoso munido "apenas" de voz e violão, cantando músicas escrita por compositores igualmente habilidosos formam um binômio potente capaz de tocar a região mais escondida do nosso âmago, mexer nas profundezas nos nossos pensamentos e fazer transbordar sensações e emoções. Eu poderia ir lá na frente cantar também, mas seria péssimo (sincero sim, mas com certeza péssimo), não sou artista da música. O artista, independentemente de sua área de atuação, tem esse dom de tocar as pessoas, de emocionar de levar vida. Isso é o que diferencia um artista de uma estrela: o poder sutil de sensibilizar multidões, e eu amo tudo aquilo que me faz sentir.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Epílogo


Oi moço, como vai? Espero que bem.

Se você está lendo esse e-mail agora significa que venci algumas batalhas internas ou surtei de vez.  Aliás, mesmo assim ainda há possibilidades de não ser lido:

(1) ele pode ser encaminhado diretamente para a lixeira e não ser visto ou (2) talvez esse endereço de e-mail não seja mais utilizado.
Ainda assim me sinto bem em enviar, mesmo que não seja lido me dá uma falsa sensação de que foi só pelo fato de ter sido enviado.
Bom, vamos direto ao ponto: perdemos o contato há muito tempo e por vezes pensei se deveria, de fato, retomá-lo. Talvez devêssemos deixar por isso mesmo. Acontece que, isso tem me incomodado ao longo do tempo. Bom, toda aquela história que que passou me pareceu sem ponto final. Tive brevemente contato com o restante da sua família depois de toda a confusão, menos com você.
Quero que saiba que sinto muito por tudo. De verdade, tenho consciente que vacilei com todos. Naquela época muitas coisas aconteciam em minha vida e eu não soube conduzir tudo. Não espero que isso mude muita coisa, mas que pelo menos possa ser o início do fim de possíveis mágoas que eu possa ter deixado. 
Sinto-me um tanto patética por entrar em contato depois de tanto tempo (e dessa forma) mas não tive muitas opções, afinal.
Então é isso, posso falar mais a respeito se for do seu interesse, só queria que soubesse que não fiz nada por mal, apenas não soube lidar com a situação e falhei pela falta de diálogo.


Desejo muita luz, sucesso e felicidade. Fique bem. 
Como diria Caetano, 
um abraçaço!


OBS.: Esse e-mail, escrito há meses e nunca de fato enviado, trouxe-me, após escrito, uma sensação de leveza, como se tirasse um fardo de dentro de mim, foi um alívio e foi sincero, Pensei realmente em enviar mas soube que você estava feliz e eu também estou feliz, então porquê trazer essa história agora, não é mesmo? Com este e-mail encerro as cartas para Aqueeele Cara. Novas cartas serão escritas para outros corações e outros caras. A vida segue, as pessoas mudam. Nada é, tudo está. Felicidades, meu querido!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Mulher de verdade

Ela acorda cedo mesmo sem a menor necessidade e apesar de estar com mil e um problemas na cabeça, já começa o dia cantando, acreditando que será melhor que ontem. Ela faz questão de rir e quem a vê assim não imagina o que se passa do lado de dentro dela. Saber o que acontece ali é para poucos, um seleto grupo que conseguiu atravessar as barreiras que ela pôs ano a ano, tombo a tombo, tapa a tapa. Acredita que se abater não é uma opção e que tudo é fase. Nada é, tudo está. Esse é seu lema, o carrega na pele inclusive, em um lugar estratégico sempre a lembrando que tudo nessa vida é passageiro, inclusive ela. Está a passeio, só de passagem. Ela sabe que tudo é modificável e assim ela segue. Segue sorrindo fazendo piada de si e de todos, correndo atrás das oportunidades de crescer, interior e materialmente também, por quê não?
Apesar de pensar muito em tudo (e em nada também) cansou de focar nos pontos que não deram certo. O que passou, passou e se insistir no assunto o mantra mental "foda-se" surge para resolver o impasse interno. Pronto, já foi. 
Ela é calma, paciente e gosta de ajudar, sente-se bem sabendo que pode ser o refúgio de alguém, um momento de paz em meio ao caos. Esquece-se de seus e apropria-se dos problemas dos outros, não adianta discutir, ela sempre foi assim e seguirá com essa síndrome de Gabriela (Eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim). Cuida dos seus irmãos como se fosse mãe. E por falar em filhos, não pretende ter filhos de seu ventre, muito menos mudar seu estado civil por pressão da família ou sociedade. Casar só se for porque encontrou alguém com quem queira dividir uma parte de sua vida e não porque dizem que ela está ficando velha, "passando da idade" ou "precisando de um marido para começar uma família", nada disso, aliás, nem gosta desse termo ]'casamento', prefere encontrar "alguém para caminhar junto". Ela é livre e respeita seu estado de espírito, gosta de ser assim, desprendida e leve. Não tem amarras, nem nos braços nem nos cabelos, os cachos dançam soltos ao sabor do vento.
Seu objetivo na vida? Aprender. Aprender a cair, levantar, ouvir, falar, discordar, pensar, saborear, amar, levar sorriso e ser feliz, Uma longa lista de verbos que a enche de vida e de si.

1+1=Nós

Lembro da primeira vez que nos vimos, você era a criatura mais estranha que eu já tinha visto, parecia deslocado entre todas aquelas pessoas, com um cabelo bagunçado, evidentemente estranhando as cores no novo uniforme, mas gostei de alguma coisa em você. Não sabia o quê exatamente mas sabe como é, eu gosto de estranhezas. Talvez fosse o contraste da pele com o cabelo ou os olhos claros que vez por outra brilhavam enquanto você ria sozinho de alguma coisa, como se só você ouvisse uma piada hilária. Sujeito esquisito.
Com o tempo fui vendo várias afinidades entre nós e suas estranhezas foram se tornando interessantes para mim e isso me encanta até hoje. Você não é o cara que eu diria "nossa, que gato é esse hein?!" de primeira e sabe o quanto sou exigente com beleza. Tem que ter, não tem jeito. Gosto muito mais das belezas que só se vê com o passar do tempo e não as imediatas ao encontro. Você se tornou lindo para mim pois fui conhecendo o que há de mais belo em você: sua essência, seja Menino-Homem ou Homem-Menino.
Resultado de imagem para love kissOlha rapaz, vamos ser francos aqui, não sou boa em dar rodeios. Eu acho que a gente tem tudo a ver. ou vai dizer que nunca notou? Observo isso há um tempo e nossos amigos (e aposto que você) também.
As músicas que você gosta estão na minha playlist há anos. Apesar de nunca ter sonhado ser uma princesa da Disney, amo aqueles filmes (e descobri que você também). E o amor por séries? Fala sério, poderíamos passar dias e dias assistindo Vikings, Prison Break ou Game of Thrones facilmente. Ou quem sabe ainda conversar por horas a fio sobre os mais diversos temas. É claro que a gente tem tudo a ver, tão certo quanto 1+1= 2.
Somos do verão, do carnaval e fãs de música boa, do soul ao xote. Somos cores vivas e vibrantes, luzes flutuantes que faíscam no caos. Rimos de tudo, somos felizes. Somos livres. Meu cachorro te ama, sua mãe me adora, nossos irmãos são melhores amigos. Não vê? Meu riso é mais solto com você por perto e sua gargalhada ecoa muito mais (acompanhada dessa convinha que me mata!). Eu poderia ainda falar o quanto amo sua forma de ver o mundo, seu posicionamento em questões polêmicas, seu caráter, sua cultura... Ah, fala sério, a descoberta das ondas gravitacionais é irrelevante se comparada com o que temos aqui cara, vai por mim, a felicidade combina muito com a gente assim junto.
Todo mundo diz que nós dois somos feitos muito pra nós dois, e quem pode discordar disso?



terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Desejos

Todo final/início de ano é assim: reflito sobre o que se passou no ano, revejo o que quero manter ou não em minha vida, revejo as metas que traçei, se consegui realizá-las ou não e por fim, traço novas metas. Metas nos movem. A partir delas traçamos a rota para alcançar nossos sonhos e eu sou feita de sonhos.
Para esse ano eu desejo ir mais longe dentro da profissão que escolhi. Quero estudar mais, trabalhar mais e contribuir para a melhoria no mundo de várias pessoas (isso me faz tão bem!).
Quero também cuidar não só dos outros, mas também de mim. Parar o álcool que não me faz bem, melhorar minha alimentação, fazer execícios, ler. 
Ah, outra coisa que eu sinto falta é mais fé. Preciso rever e reencontrar a minha. E nem falo de religião, mas de fé mesmo. "Tô precisando da fé mais que dá razão" (Saulo).
E que mal faria alguém para assistir séries comigo hein?! Alguém para enviar frases bregas e um novo destinatário para essas cartas não seria nada mal.
São tantos sonhos, tantos desejos que as vezes me pergunto se dá para fazer isso tudo. E tenho a resposta: dá sim. Querendo dá. E eu quero.
Quero finalizar o ano com a sensação de que foi melhor do que eu esperava e que eu possa me sentir muito mais abençoada do que mereço. Quero poder realizar os desejos que ainda nem sei que tenho, eu sei que é possível.

Aposentadoria?

Tem coisa melhor do que começar o ano com festa? Nada melhor do que poder comemorar a vitória de alguém tão querida e tudo que eu queria era me divertir. E consegui, até onde lembro.
Existe uma coisa na astrologia chamada Inferno Astral, como não sou ninguém no que refere-se a astrologia, fui pesquisar um pouco. Ao que parece é um período um mês que antecede o nosso aniversário. Pelo que entendi, nessa fase é possível que aconteçam muitas coisas pois trata-se de um momento de fechamento de um ciclo da sua vida. Como se fosse zerar e começar de novo, sei lá. Se isso for verdade mesmo, estou vivendo meu inferno astral agorinha e já já você vai concordar comigo.
Acho que já comentei aqui que eu odeio ficar no escuro, isto é, não saber das coisas, permanecer na ignorância. Sempre que passo da conta na delícia etílica esqueço algumas coisas, mas desta vez, olha... Estou de parabéns. Não lembro do que aconteceu após as 3 da manhã e tive sorte por estar entre pessoas amigas. Não lembro do final da festa, nem como entrei no carro, nem mesmo entrei em casa. Eu sempre critiquei as bebedeiras dos meus pais, mas nunca os vi no estado em que meu pai me viu. E isso tudo é vergonhoso. Eu não acho bonito e nem sei como dá para chegar nessa ponto de quase coma alcoólico. Não quero isso para mim.
Dessa vez foi tão pesado que eu realmente prefiro permanecer na ignorância. Se minha mente não aguentou salvar isso, vai ver foi um presente para minha moral.
Se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida de festas é que eu não sei brincar de open bar. Sei lá, acho que não tenho maturidade suficiente para lidar com tanta bebida disponível.
A cada dia que passa mais me convenço que essa vida de festa e álcool combinados não combina comigo. Até hoje tais excessos não me trouxeram nada de bom realmente, só uma puta ressaca moral no dia seguinte.
Talvez eu seja mesmo uma garota de algumas taças de vinho, apenas. 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Passos para conquistar qualquer mulher

Hoje, passeando pela infinidade de vídeos disponíveis no YouTube (vários deles são perda de tempo, é fato), acabei esbarrando em um bem interessante. O protagonista do vídeo garantia que com apenas 3 dicas "infalíveis" era possível conquistar qualquer mulher via texto em redes sociais. Qualquer mulher. 
Veja só: a ideia do cara era despertar a curiosidade da mulher (o que não é muito difícil, já que nós somos curiosas por natureza) com uma frase-chave, algo que funcionaria com todas as mulheres do mundo, e depois de chamar atenção, prendê-la numa conversa iniciada com frases generalistas também. Por fim o cara consegue sair e pegar a mulher. Com menos de 24 horas de conversa espaçada. 
Ao final do vídeo o cara diz que depois que desenvolveu as técnicas tem qualquer mulher disponível a hora que quiser e mais, vende inclusive um curso onde ensina tooodas as técnicas par pegar mulher.
Agora eu pergunto: até que ponto 'pegar' mulher é tão importante assim? Quer dizer, uma coisa é o cara ser extremamente inseguro e precisar de ajuda para começar algo, outra coisa é fazer isso apenas pelo prazer pegar quantas mulheres quiser, quando quiser.
Eu sei que há caras escondidos por aí, com dificuldade para chegar na garota que se interessa, mas num vai nessa onda não... Sinceridade é o maior afrodisíaco para uma mulher. Vai por mim, além disso, seja mais que um cara generalista que diz a mesma coisa para todas as mulheres, gostamos de exclusividade ;). Por fim te aconselho a ser um cara divertido, se não der certo, pelo menos vocês terão dado algumas gargalhadas juntos. Boa sorte Homens (não moleques)!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Coisas que acontecem em dezembro

Sempre gostei dessa época do ano. Lembro-me que na infância ficava encantada com as luzes, os presentes, as histórias de natal, as festinhas... Tudo era tão encantador que ainda é.
Essa época me despertava (e desperta) um sentimento diferente, algo como uma transição. Fim de um ciclo, início de outro. Acabo ficando mais sensível e pensativa, o que me faz tomar algumas atitudes que não tomaria em outras épocas. Por exemplo: esse ano escrevi uma carta para aquele ex-sempre-grande-amor e realmente pretendo enviar ainda. A carta é simples mas bem sincera, quero por um fim nessa história toda. Além disso entrei em contato com aquele amigo, até então querido, que sumiu. Bom, fiz um tremendo papel de trouxa uma vez que fui falar com ele toda humilde e com boas intenções e ele me tratou com desdém e rispidez. Acontece, né?! eu tentei mas nem sempre as coisas saem como queremos. Doeu saber que toooda aquela amizade não passou de um belo 'Nada' para ele, mas prometi que não permitiria que isso me abalasse ou mudasse minha relação com meus amigos, e estou conseguindo cumprir bem. Outra novidade desse ano: manhã de natal, nublada e de temperatura estranhamente amena, ser surpreendida com abraço e beijos no pescoço estando nesse estado de abstinência, é um verdadeiro teste de residência. Sinceramente, foi difícil dizer "sai fora!" quando se quer o contrário.
Pois é, eu fico bem sensível nessa época e acabo esquecendo alguns limites. Quando dei por mim já estava dando abertura para mais beijos no pescoço e com dificuldade para manter os olhos abertos. Por sorte (ou não) a névoa passou e ele apenas riu (com o tempo que levei para mandá-lo se afastar, certamente).
Bom, mas quem recusaria tal tipo de presente numa manhã de véspera de natal?
Ah, outra coisa que me acontece muito no natal é sonhar *-*. Fico muito sonhadora e esperançosa, não que eu seja pouco no restante do ano, mas em dezembro eu fico uma verdadeira criança com relação a isso (e que bom!) No momento não sonho mais com brinquedos ou viagem para a disneylãndia, mas me encontro sonhando acordada (e estudando nas horas vagas) para uma prova muito importante, para cursar algo que quero muito. Se depender de energia positiva a vaga já é minha (Sorry, concorrência!).

Então é isso. Assim é assim que me sinto em dezembro. Espero que o Natal seja para a maioria das pessoas um momento de reflexão e de comunhão com aqueles que queremos bem. Que haja comemoração, festa e fartura na vidas doa menos afortunados (no que refere-se a bens materiais). Que aquele encanto infantil caia sobre todos e que a ideia de paz para o ano seguinte não seja só mais um desejo vazio. Feliz natal! (Muitos beijos no pescoço hahaha)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Bacharéis

Eu juro que não estava prestando atenção na conversa daquela senhora com o fotógrafo, juro. Mas ficar sentada diante uma tela escolhendo fotos me distraía vez por outra, ainda mais porque não levei meus fones.
Olhar aquelas fotos me fazia lembrar dos momentos exatos do flashes e ora eu ri, ora enchi os olhos com tudo que estava diante de mim. Mas a voz daquela senhora preenchia a pequena sala sem som e foi inevitável não ouvir. Pelo que pude notar ela estava resolvendo umas fotos do filho que estava terminando Direito na mesma faculdade que me formei. Ela disse ainda que queria que incluíssem o Victor nos demais eventos mas que não era mais possível. O fotógrafo sugeriu que ela falasse com o pessoal da comissão. Ele disse que o presidente da comissão era um ótimo rapaz, muito simpático e desenrolado que talvez pudesse ajudá-la. O presidente da comissão era aquele cara. Sim, aqueeele cara. Quando o fotógrafo disse o nome dele, L., eu logo liguei os pontos e percebi que era o mesmo cara que entrou naquela faculdade na mesma época que eu, que ia e voltava das aulas comigo, que ia estudar na biblioteca a noite só pra me fazer companhia.
Passou um filme rápido na minha cabeça e eu ri. De todos os assuntos, de todas as pessoas, logo o nome dele foi dito ali, e tão bem falado. Eu sei que tudo que o fotógrafo disse é verdade, L. sempre foi um cara fantástico, alguém que faz bem ter por perto.
Percebi que o tal Victor, filho daquela senhora, era também colega de turma daquele que um dia foi meu melhor amigo. Por má vontade ou ironia do destino nos perdemos um do outro e a amizade se foi. Agora dois dos caras mais importantes da minha vida estão se formando naquilo que escolheram desde a infância (lembro dos dois falando que seriam juízes na época em que aprendíamos expressões numéricas). Fico muito feliz por eles mas lamento que tenhamos nos afastado tanto e não poder estar com vocês agora. Lembro que fizemos vários planos quando entramos na faculdade, pensando nesse tempo que estamos, nas comemorações, nas músicas...
Espero, profundamente ouvir mais vezes os nomes de vocês por aí, assim como hoje, aleatoriamente. Quero ouvir as pessoas falando bem de vocês, de como são profissionais excepcionais e pessoas tão boas quando eu sei que são. Que o futuro de vocês seja cheio de luz e que sejam profissionais comprometidos com a verdade e a justiça. Espero que consigam ser juízes ou desembargadores, eu sei que podem. Os amo, viu?! Sucesso!

domingo, 29 de novembro de 2015

Bebo porquê... Porquê... Ora, porque sim!

Meu primeiro pensamento do dia foi "nunca mais beberei". Sentia-me tonta e sem apetite, ou seja, a velha ressaca, uma lembrança que extrapolei na noite anterior.
Tenho um suave probleminha quando bebo: esqueço algumas coisas que faço ou digo e geralmente são coisas que eu não faria ou diria em um estado normal. Claro que os amigos me zoam por isso e acabo com uma ressaca moral também, mas já não me importo com esse tipo de coisa. Não tanto quanto antes pelo menos. 
E assim passei o dia me perguntando porque raios bebo. 
O álcool sempre foi presente na minha casa e na história da minha família. Meus pais bebem desde que me entendo por gente. As vezes é irritante e por mais que tentemos não acreditar, a verdade é que meu pai é um alcoolista e isso já se tornou um problema de saúde na minha casa. Meus tios bebem, um deles, inclusive, foi uma vítima fatal do alcoolismo e não pode acompanhar o crescimento de sua filha. Meus avós também bebiam e, atualmente alguns primos também bebem. Enfim o álcool faz parte, mas isso não é o meu motivo. Achei que fosse, mas não é. A maioria dos meus irmãos cresceram no mesmo meio e são aversos ao consumo de álcool e fico realmente feliz por isso.
Por quê bebo? Já passa do meio dia e a resposta não me vem. Talvez lembrado do começo possa responder.
Lembro que durante o ensino médio umas amigas e eu íamos estudar e acabávamos provando as bebidas que nossos pais armazenavam em casa por pura curiosidade de saber o que os atraía tanto no álcool. O gosto era horrível e queimava a garganta enquanto descia, ainda assim continuamos para provar uns aos outros que éramos resistentes (coisa de moleques, concordo). Nessa brincadeira de quem aguenta mais vieram vários porres e ressacas violentas, mas sobrevivemos para contar histórias (as melhores por sinal). Depois de passar muita vergonha e de, de certa forma, envergonhar meus pais, tornei-me mais moderada quando aos efeitos do álcool em mim.
Passei um bom tempo sem beber e então voltei, só que desta vez mais regrada e seletiva. Não saio bebendo qualquer coisa ou com qualquer pessoa. Meu nível de consumo de álcool depende de onde e com quem estou. Hoje me sinto mais responsável e consciente de tudo com relação ao álcool e isso com consegui conquistar depois de quebrar muito a cara (e a moral).
Mas então, por quê bebo? 
Acho que descobri.
Quando bebo descanso a mente, dou folga à algumas partes do meu cérebro que trabalham incessantemente. Eu penso demais, em tudo, à todo momento. As vezes viajo muito em meus pensamentos, passo muito tempo com ideias fixas e por vezes já me perguntei se tenho algum problema por ser assim. Quando bebo me desligo um pouco. Perco metade dos meus inúmeros filtros. Quando bebo meus riso fica mais solto, meu corpo fica mais leve e eu danço sem me importar com o que falarão, fico mais engraçada e faço piadas ridículas. Aliás, falo o que me vem a boca antes mesmo de pensar sobre. Beijo sem me importar se estão olhando... Me permito fazer tudo que meus mil pensamentos não deixam. 
Eu sei que isso as vezes é mal interpretado, me traz alguns vexames mas, como posso ficar realmente chateada se fui eu mesma? Quando bebo sinto-me mais eu porque não me sinto oprimida nem do lado de fora nem no de dentro. Só penso em me divertir e por isso mesmo hei de continuar, sem tornar isso um vício mas me permitindo ser uma versão minha sem filtros de vez em quando.
Por isso bebo. 
E assim vou vivendo até mudar de opinião.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Luz que me traz paz



As vezes vejo umas pessoas tão más (isto é, em situações tão complicadas) que penso em ajudar. Conversar, fazer rir, essas coisas, tenho esse dom, vai por mim. Eu tenho uma queda pelos que precisam de algum apoio, principalmente pelos fracos, excluídos e oprimidos. Não me pergunte como ou porque exatamente, nem eu sei. Apenas sei que sinto muita empatia e tudo que quero é colocar no colo, tirar toda a dor dali até que não sobre mais nenhum problema pelo caminho. Acho que é algo que sempre esteve comigo. 
Sempre gostei de pensar que posso fazer diferença na vida das pessoas. Que posso ser alguém que melhore a vida deles de alguma forma. Isso é tão presente na minha personalidade que escolhi minha profissão com esse propósito: ajudar, fazer diferença, melhorar vidas. Não poderia ser diferente no resto da minha vida não é?

Acho que gosto de cuidar, cresci cuidando. Ser cuidada é um pouco estranho pra mim, mesmo que esse cuidado venha dos meus pais inclusive. Mas lá em casa sempre fomos assim: gostamos de cuidar e de ajudar, tanto uns aos outros como aos que nos rodeiam, Somos assim. Acho que este foi um dos melhores ensinamentos que meus pais me passaram. Desde sempre os vi doar alimentos, roupas, oferecer empregos e fazer favores. Acho que a gentileza mais sincera que podemos fazer é para àqueles que não possuem bens ou influência, sabe? Pessoas simples que não nos oferecem (e sem esperar) nada em troca, nada além de um sorriso, amizade e gratidão. Aquele super clichê "Gentileza gera gentileza" é o mais correto que há.  
Fazer o bem à alguém sem pedir nada em troca me causa uma sensação tão boa! É como se uma luz crescesse dentro de mim, sinto-me grande, bem e em paz. É tão bom receber o sorriso acompanhado de "obrigadx" que torna-se um vício (um vício muito bom, diga-se de passagem). E não pense que gosto de ver os outros em situações ruins só para poder ajudar, pelo contrário: Quero todo mundo bem para que possam ajudar outras pessoas. O que quero para mim, quero para todo o universo. 

(Bem sonhadora né?! Eu sei, eu sei... Mas o que será de nós nesse mundo sem os sonhos?)