domingo, 30 de agosto de 2015

Ai quem me dera voltar pros braços do meu xodó

Era um sábado à noite de agosto maravilhoso. Eu estava radiantemente feliz e queria mesmo era comemorar. E foi o que fiz. Juntei alguns amigos e fui para uma balada. O que ia rolar? Tributo ao saudoso Luiz Gonzaga. Momento perfeito para dançar à dois, se eu soubesse, claro.
Mas como eu não sou besta nem nada, estava aceitando aulas de xote. Eu dancei só por um tempo até um cara me olhar. Coisa linda, mas sabe quem me chamou pra dançar? Pois é, o amigo dele.
Ele era um cara bonito também. Magro (do tipo fortinho, sabe?!), uma barba impecável, um sorriso de menino e os olhos que ficavam puxadinhos quando ele sorria. Ah, ele também era muito cheiroso e bem alto. Alto mesmo. Eu, chamada de chaveirinho com meus suaves 1,50 de altura, dançando com um cara de 1,80. Ainda com salto alto, a diferença era gritante. Por causa disso ele ficava numa posição bem estranha para ficar perto de mim o máximo possível e eu toda esticada. Deve ter sido uma cena engraçada, de fato.
E estávamos não só dançando, segundo me contaram, demos um show. Eu explico. Ele era um cara muito engraçado e cantava muito mal, por conta disso rimos muito e logo as bocas se encontraram. Depois desse encontro não queriam mais se afastar, nem deviam. A sincronia era tamanha que nossos corpos estavam totalmente colados e até conseguíamos dançar (mesmo que nenhum dos dois soubesse). E aquela barba? Ela me causavam uns arrepios delicioooosos (só de lembrar viajo no tempo!). Nossos beijos eram intermináveis (não gosto de beijos curtos, me parecem sem entrega alguma, gosto de beijos de verdade, intensos. E pelo que vi, ele também).
Mesmo adorando beijos assim quanto tentava me afastar, ora para provocar, ora para respirar, ele simplesmente não soltava! E eu, com minha flexibilidade, me afastava o quanto podia, quase chegando ao chão. Isso chamou muita atenção dos que estavam perto. Em outra época eu certamente odiaria ser o foco de tantos holofotes mas, naquele momento eu estava sendo feliz e não me importei com as opiniões e olhares atravessados, nem na hora, nem depois... nem mesmo agora para ser franca.
Odeio descrever os beijos mas o dele merece ser analisado: era intenso, muito forte (sério, fiquei até com alguns hematomas nos lábios), tinha uma ótima pegada e mesclava entre o suave também. Por vezes me beijou com carinho o rosto e em seguida descia pro pescoço, me deixando (obviamente) maluca. Sem contar que pegava meu cabelo a partir da nuca de um jeito que me fazia perder levemente os sentidos (por sorte ele estava me segurando, eu poderia ter bambeado um pouco mais).
Ouvir Gonzaga na voz grave e desafinada dele era uma delicia, uma delicia engraçada, concordo, mas ainda era uma delícia. E riamos juntos quando ele errava a letra, logo em seguida eu cantava junto e não demorava para o próximo beijo demorado começar.
Mas não pense que só beijamos, rimos e dançamos. Ainda conseguimos conversar um pouco, mesmo com toda a evidente atração física. Entre um beijo com mordida e outro descobri algumas coisas sobre ele e vice-versa. Não sei durante quantas músicas ficamos juntos mas foram muitas que pareceram voar.
Eu nunca tinha tido uma ligação tão rápida e intensa (porém efêmera) assim. Nem mesmo tinha encontrado um cara tão alto que me interessasse, muito menos de barba.
Infelizmente não o encontrei mais desde então, porém não hesitaria em repetir se tivesse oportunidade, mesmo que nossas colunas tenham nos lembrado dos nossos esforços no dia seguinte, tenho certeza que valeu. Pelo menos para mim, né?! Pouco importa o que disseram ou pensaram, quando lembro dele só consigo sorrir, tem coisa melhor que isso?

Um beijo demorado para você, moço alto, bonito e desafinado!

"Porém se a gente vive a sonhar
Com alguém que se deseja rever
Saudade, entonce, aí é ruim
Eu tiro isso por mim (...)
Ai quem me dera voltar
Pros braços do meu xodó
Saudade assim faz roer
E amarga qui nem jiló
Mas ninguém pode dizer
Que me viu triste a chorar
Saudade, o meu remédio é cantar"
Qui nem jiló - Luiz Gonzaga

quinta-feira, 23 de julho de 2015


"Chegaste, e desde logo foi verão.
Teresa ainda não sabe se é um bom livro. Jamais saberá. Jamais terá critérios para avaliar aquilo que ela mesma escreve, Mas tampouco se deixará oscilar demais com o que os outros dirão. Isso porque suas próprias palavras ficam, para ela, num lugar um tanto quanto inacessível. Teresa dificilmente será uma boa leitora de Teresa."

Adriana Lisboa, em Um beijo de colombina

Traduzindo pensamentos soltos


Nestes dias tenho pensado muito a respeito da minha “solteirice crônica”, sabe como é, vejo o amigos casando, tendo seus filhos, romance nas novelas, filmes, livros... não que eu me sinta amarga por ser uma “4ever alone”, não é isso. Eu gosto da minha companhia, minhas músicas e pensamentos me fazem bem demais, só que as vezes faz falta sim alguém para rir junto, fazer alguns planos, curtir momentos à dois, essas coisas.
Entre um devaneio e outro me deparei com um pensamento solto que talvez faça sentido, talvez o que melhor responda essa solteirice até hoje. Cada vez que penso nessa teoria tenho mais certeza que está certa, e realmente quero acredita que sim. A teoria é: Não sou uma garota de paixões, sou de amores. Pronto, falei. Depois dessa nem adianta argumentar mais né, é oficial agora: sou uma romântica brega. É isso, tô leve.
Paixão é bom, aquele friozinho, a loucura do sentimento mas, eu gosto de "coisas concretas". Não quero uma paixão passageira, quero um amor que permaneça por um bom tempo e, como amores são raros, espero pacientemente. Um saco esperar, confesso, mas também não me animo para investir em uma relação que claramente não me levará a lugar algum; quero um amor que me tire os pés do chão e ao mesmo tempo me apare caso eu voe alto demais e caia.  Eu sei que muita gente espera a vida toda e nunca encontra, isso é realmente difícil, uma busca para a vida toda, o bilhete  de um milhão de euros (que vale mais que dólares), mas eu estou disposta a tentar, já tô nessa há um tempo, né, o que são mais alguns meses ou anos?!

Nota 1: E eu, com esse ar de cética, estou mais romântica do que as personagens do Nichollas Sparks. Deve ser esse clima romântico, de todo mundo encontrando pares (ainda que passageiros). Tô esperando o meu também.

(Nota 2: Môbem, vê se não demora muito mais, tá?!)


sábado, 11 de julho de 2015

Fotografia

O que vai ficar na fotografia
São os laços invisíveis que havia

As cores, figuras, motivos
O sol passando sobre os amigos
Histórias, bebidas, sorrisos
E afeto em frente ao mar

Quando as sombras vão ficando compridas
Enchendo a casa de silêncio e preguiça
Nessas horas é que Deus deixa pistas
Pra eu ser feliz

Leoni

As cartas que eu não mando

(...) Faz tempo que eu me perdi de você
Guardo pra te dar
as cartas que eu não mando
Conto por contar
Eu deixo em algum canto

Leoni

Os caras e Eu

Nunca fui boa em flertes. Nos tempos de escola, vi vários amigos paquerando e desde ali já percebi que não possuía a arte do flerte. Acho que por isso mesmo "demorei" um pouco para começar a namorar e todos os caras da minha vida vinham do convívio, dos ciclos de amizades.
Não sei, até hoje, fazer jogos de sedução. Pra falar a verdade, sempre achei perigoso esse lance de brincar de amor, apesar de ser aparentemente fria, não gosto de brincar com sentimentos.
Não me envolvi com muitos caras na vida, certamente bem menos que várias meninas de 13 anos que vejo por ai. Tive envolvimentos físicos e (principalmente) emocionais, e cada um teve sua trilha sonora na minha vida: Legião Urbana, Seu Jorge, Cássia Eller, Dorgival Dantas (haja coração!) Leoni, Djavan, O Teatro Mágico, Asa de Águia, Caetano Veloso, Engenheiros do Hawaii... todos embalaram momentos e histórias. Nem todos chegaram a um envolvimento pleno, aliás, talvez apenas um, ou nenhum.
Com esses caras aprendi muito pois, como eram meus amigos, convivíamos sem expectativas um no outro e acabavam surgindo as semelhanças e afinidades; O interesse nunca era imediato, crescia o tempo e proporcionalmente á admiração, talvez por isso tenham sido tão marcantes: era mais que aparência, muito mais. Agora, pensando em todos eles, vejo que nenhum deles era do tipo modelo, do tipo de academia, não estavam nos padrões de beleza. Todos magricelos (exceto um, que era gordinho :D), a maioria branco como velas, fora as peculiaridades de cada um (escoliose, sorriso torto, extremamente alto...), o que me atraiu em cada um deles não foi o que eu via com os olhos, era o que eu sentia com eles, o que eu ouvia, eu gostei do espírito, da essência deles. Era algo forte, coisa de ligação de mentes, intenso.
Nunca consegui me ligar apenas pela capa, eu preciso saber do conteúdo e depois, quero saber o que os levou àquele estado. Toda pessoa é o resultado das situações que vivenciou e o que fez com elas. Eu, como uma pessoa analítica que sou, gosto de entender, compreender o processo me encanta muito mais que o resultado final. Antes de me apaixonar por esses caras eu os admirei pelo que eram. Pelo que seria e pelo que poderia ser e não foram. 
O primeiro, era autêntico, despojado e amigo de todos. Era um cara muito mais maduro que os 12 anos que tinha, o mais velho da turma. Apesar da vida confortável não foi fácil encarar o divórcio dos pais e se tornar o homem da casa aos 9, tendo ainda dois irmãos menores para "cuidar e proteger". Tinha um lindo sorriso metálico (quando ele tirou o aparelho ficou melhor ainda). Era louco por rock e foi graças a ele que conheci a Legião Urbana, minha banda preferida até hoje. A legião e as letras do Renato me ensinaram muito sobre pensamento crítico e isso me ajudou muito a encarar a adolescência.
Depois do cara mais velho que não me deu bola, a história se inverteu: um cara mais novo surgiu. Doido por animais e calmaria, aprendi tanto sobre cuidado ao próximo! Aprendi como um carinho as vezes cai bem (Sábio Caetano!). Ele chegava assim, do nada, me abraçando, fazendo cafuné, massagem (que mãos!). Era um rapaz lindo, de coração tão puro e com um enorme abraço de urso! Vivia me mandando músicas e pedindo indicação de livros que, surpreendentemente, lia mesmo e vinha conversar sobre eles depois. Passávamos tardes e tardes juntos na janela do meu quarto, em silêncio, apreciando o sol se pôr.
Em paralelo a este, surgiu um mais velho que eu. Ele era muito tímido e, como eu era também, mal nos olhávamos. Era estranho, mas só depois que me mudei criamos vínculos, a distância mesmo, e descobrimos tantas afinidades. Me acordava com mensagens e trechos de músicas (iluminavam meus dias). Passamos longas madrugadas conversando sobre tudo e nada, rindo e discutindo também. Este eu fiz sofrer. Nunca foi minha intenção, sempre fui sincera quanto aos meus sentimentos, deveria ter me afastado mas já tinha tanto carinho por ele. Por fim ele se deu um tempo para organizar os sentimentos e ainda somos grandes amigos, conversamos sobre absolutamente tudo e mesmo assim, sempre há algo novo para aprender com ele e sobre ele.
Este outro rapaz, surgiu quando nem sabíamos andar, e esteve sempre ali, pertinho, sempre dividindo seus brinquedos e lanche, até que quando crescemos veio dividir comigo beijos e segredos. Eramos tão amigos que podíamos completar qualquer história que o outro começasse. Tínhamos músicas, viagens, sonhos e festas juntos (tentou me ensinar a dançar, sem muito sucesso, porém nos aproveitamos das "aulas"). Aprendi muito, ele me abriu um mundo de possibilidades quando entrou dessa outra forma em minha vida. Uma pena estarmos em momentos diferentes da vida quando esse sentimento surgiu, poderíamos ter sido um casal bem bacana.
Até agora, depois dele "os outros são os outros e só". Ainda assim, com estes aprendi mais sobre mim. Me entendi mais, foram experiências as vezes nem tão agradáveis, mas que sem elas eu não teria tantas certezas sobre o que eu quero para mim, para minha vida, e o que eu espero ou não do cara que ficará no meu lado quando nos encontrarmos pela vida.
Agora estou numa fase de sonhos e dúvidas. Sonhar com alguém aparentemente tão "sua pessoa" e tão perto é meio perturbador, até onde a realidade se confunde com o sonho? Até onde pode-se confiar nos "sinais"?
Sou muito feliz pelos caras que surgiram na minha vida e contribuíram para a formação da mulher que sou hoje, sinto que estou cada vez mais pronta para viver uma histórica com o tal cara certo, O cara, se é que me entendem.

"Me espera amor que estou chegando
Depois do inverno é a vida em cores
Espera amor nossa temporada das flores"
Temporada das flores - Leoni

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Deixa o beijo durar seu tempo

Estava em um sono profundo quando aquele reggae invadiu meu sonho, foi ficando alto, alto, cada vez mais alto, enchendo todo o quarto, até que me acordou. Era o toque de chamadas do meu celular, mas ainda estava escuro, era madrugada. O visor mostrava o nome de quem estava do outro lado. De todas as pessoas do mundo não esperava uma ligação dele. Uma hora dessas. Será que estava tudo bem?
- Alô, aconteceu alguma coisa? Você está bem? - Me adiantei.
- Oi, estou bem. Preciso falar com você, pessoalmente. Posso ir aí?
- Agora? É sério isso? São... - tentei olhar a hora no visor do celular, fazendo careta para proteger meus olhos devido a claridade advinda da tela em contraste  com o breu do meu quarto - ...são 4h35! Tem certeza que não pode esperar até um horário, convencional, tipo depois das 9h?
- Por favor, é importante. Além do mais, você já acordou mesmo, eu sei que não conseguirá dormir tão cedo. - Droga, ele me conhece! 
- tá, tá, venha.
Isso sim era estranho. Ele? Nem éramos tão amigos assim. Será que ele bebeu? Ou era uma brincadeira?
Mandei várias mensagens, sem sucesso. Ele já estava dirigindo à caminho pelo visto. 
Levantei, vesti uma roupa decente, tirei as meias (que foi? faz frio em junho!) e resolvi passar um café, afinal, não dá para ter uma conversa uma hora dessas sem café, né?!
Nem bem coloquei a água no fogo, ele manda uma mensagem. "Cheguei. Vem abrir o portão." Desci.
O semblante dele era de alguém abatido e ansioso. Parecia ter passado a noite acordado. O cabelo estava bagunçado, a camisa avessada, parecendo que saiu sem se importar com detalhes, o que era algo quase preocupante, se consideramos que ele é um perfeccionista nato. Ele não é um metrossexual mas gosta de vestir-se bem e o cabelo está sempre penteado. Carrega sempre consigo uma correntinha de prata, presente da sua avó,  (e lá está ela!). Ele é um pouco mais alto que eu, de modo que preciso me por na ponta dos pés para abraçá-lo rapidamente. Antes de entrarmos pude ver que estava tudo bem, sem fraturas, sem hemorragia ou sinais de embriaguez. Ainda assim, algo não fazia sentido. 
Já dentro do apartamento, ele estava inquieto, mexendo as mãos incessantemente. Enquanto o café não estava pronto, ofereci-lhe um copo com água. 
- Eu não sei como dizer isso, então... lá vai: Tenho pensado muito em você, e acho que estou apaixonado. 
Ele jogou assim, enquanto eu trazia o copo. Sentei-me na cadeira mais próxima e tomei a água que era para ele. Oi? Como assim? Que zueira é essa tão cedo? Ok, tudo bem que tínhamos várias afinidades, mas paixão? Não sei quanto tempo fiquei parada olhando para ele, mas pareceu muito porque ele ficou ainda mais inquieto e eu já havia bebido toda a água. Senti-me obrigada a falar algo.
- Então... Desde quando?
Ele deu um suspiro aliviado: - Bom, eu percebi isso há um tempo, depois que retornamos o contato foi ainda mais evidente mas, foi quando nos afastamos novamente que percebi saudade. Ai te liguei e cá estou.
Eu não podia negar uma felicidade crescente. Desde que nos conhecemos percebi nossas afinidades, e elas não paravam de surgir: Músicas, valores, costumes, religião, opiniões... Era absurdamente impossível haver alguém tão parecido comigo que não fosse o espelho (mas ai é aparência física e nisso somos indiscutivelmente bem diferentes). Imaginei se algum dia eu teria coragem de falar algo ou se ele perceberia (ponto para ele). Voltei a falar, quase sem pensar:
- E se eu disser que também já havia notado isso tudo e que acho que poderíamos combinar, seria algo muito clichê e previsível para o momento?
Os olhos dele brilharam imediatamente com isso e ele emendou:
- Seria, mas honestamente, não me importo, e até gosto. Você quer tentar? - Fingi ponderar a pergunta por alguns segundos.
- Sim, eu quero
Ele abriu lentamente aquele sorriso grande e lindo de criança vendo presentes de natal, não aguento aquele sorriso! Ri junto e quando vi estávamos nos beijando no meio da sala pequena e silenciosa. 
Olhando assim de longe até que ficávamos bem juntos: ele relativamente alto, cabelos escuros e bagunçados e com a pele levemente mais clara que a minha. Um cara normal por fora; eu, uma pequena-grande mulher, com cachos soltos (que ele adora que eu sei), pele escura e óculos fundo de garrafa. E ali, no meio da sala percebi que a felicidade nos caia bem.
Não sei quanto tempo durou aquele (fantástico) beijo. Já dizia Saulo "Deixa o beijo durar seu tempo" e nós deixamos de bom grado. "Acordamos" com um cheiro esquisito vindo da cozinha... Ai meu Deus, o café!
Rimos mais um pouco e desistimos do café, eu nem queria café mesmo. Quem precisa de café? ele me olhou e disse: Se o primeiro beijo foi assim, não posso esperar pelos próximos!
Quando nos aproximamos, ouvi um bip-bip incessante. Ele sumiu, o café sumiu e lá estava eu deitada na minha cama. Conferi o celular: 7H e nenhuma chamada, nenhuma mensagem, nada que concretizasse que aquilo foi real. Nada. No fim das contas foi apenas mais uma das cruéis peças que minha mente me prega. Poxa, bem que poderia pegar mais leve da próxima vez! Agora estou sonhando acordada, imaginando as  infinitas possibilidades de continuação para aquele sonho, pensando seriamente nisso de declaração, se realmente combinaríamos e se o nosso beijo seria tão bom quanto o que eu provei. 
Será?

terça-feira, 30 de junho de 2015

Resposta atrasada

Certo dia, entre amigos , me senti desrespeitada. De imediato fiquei sem ação, sem palavras. Apei o dia refletindo sobre aqui o que me fwa sentir muita raiva e revolta, de modo que não consegui articular palavras adequadas para uma resposta merecedora.
Como sempre acontece comigo, a resposta só veio depois de uns dias  e isso faz com que eu engula esse sentimento ruim e o guarde até sabe lá Deus quando.
Naquele momento eu deveria te exposto minha indignação, minha falta de compreensão diante de tamanho absurdo. Deveria ter perguntado: "hey, otário, me explica porque ela merece mais respeito do que eu. É porquê tem um namorado? Porque é cristã? Porque não fala palavrões? Porque eu devo ser menos respeitada que ela? Não entendi qual a sua... Sou menos garota que ela, mais vulgar, qual é? Esse decote sugere que você deve apertar meus peitos?" isso teria levado a um entendimento rápido da questão que se passava e seria resolvido ali mesmo, sem que eu tivesse a chance de pensar e ficar com essa raiva. Agora, há o risco de ela ir e vim a qualquer momento, sem aviso nem hora marcada e, hoje em dia já não sei esconder o que sinto, sou transparente. Posso até não falar com palavras, mas meu corpo, olhar, expressão... Todos falam e gritam aquilo que sinto.

domingo, 28 de junho de 2015

Fé e religião

Esses tempos de debates religioso, leis contra a intolerância religiosa e afins me trazem algumas reflexões. Sempre fui uma curiosa e apaixonada por saberes e culturas. Por causa disso já visitei catedrais, templos, igrejas históricas católicas, igrejas evangélicas, centros espíritas... E mais um monte! Fora os livros, claro. Sempre me interessou muito compreender as religiões que nos cercam e as que agem no mundo (inclusive o islã, óbvio). Acho que procurei muito, tanto para saber quando para descobrir se me achava em algumas delas, uma vez que já me senti estranha por não ter religião alguma. 
Na minha casa meus pais sempre foram muito abertos com religião, não nos forçaram a ir ao catecismo, nem a participar de nada de igreja, então crescemos com a visão ampla de todas as possibilidades. Tentei me achar de várias formas, mas até aqui, nada.
Sabe, cada religião tem sua forma de ver e apresentar o mundo para aqueles que as sigam, isso é fato. Acontece que sou pensante, nunca fui de aceitar um "porque sim" sem questionar, sem entender o porquê, é da minha natureza querer entender, o que não é muito fácil, principalmente no cristianismo. Não creio em santos, nem brux@s, não entendo datas festivas (católicas) ou as restrições (principalmente das protestantes), pouca coisa sei sobre o budismo, não entendo o poder das encruzilhadas nem das simpatias. 
Posso está falando absurdo aqui mas a verdade é que eu sempre acreditei em Deus mas não como o descrevem por ai, não o que está no livro sagrado cristão. Acredito que Deus é um ser humilde e simples, que deseja apenas que amemos uns aos outros; um ser que não exige um ele com E maiúsculo. Não é egocêntrico e por isso mesmo é um ser superior. Que não está só no céu, mas na terra, nos rios, mares, ar e no meio de nós. Ele se mistura para pregar o amor, trazer luz e paz de espírito. Eu acredito num ser maior que esse templos grandiosos, cheios de engravatados e suas esposas com jóias e perfumes caros, Deus é mais que isso, mais que tudo isso. 
Independentemente da religião, se todos buscam a paz, o bem e sem ferir ninguém no caminho de sua busca, não importa a religião ou senhor que seguem (e servem). O bem e o amor são essenciais. Não importa se você vai rezar, orar ou oferecer,  tudo é válido se você crer que aquilo é bom, que é para o bem e que não fere ninguém.
Em minha busca não encontrei uma religião que eu consiga seguir, que eu confie que poderei ser eu e pensar livremente estando com ela. Continuarei crendo no meu Deus e com fé em mim, nas minhas escolhas, nos meus caminhos e minha capacidade de resistir e superar. Até lá, sigo com bons amigos buscando o crescimento, formas de praticar o bem, levando luz e alegria para os outros sem me importar com suas religiões (ou ausência dela).
Creio que o mundo pode ser um lugar melhor se algum dia as pessoas se preocuparem menos em criticar e tentar mudar a religião do outro e se unirem por causas maiores e mais urgentes como a fome, abandono, saúde, violência... Tenho fé em mim. Ainda tenho fé na humanidade.




"Não é preciso que a bondade se mostre; mas sim é preciso que se deixe ver." 
(Platão)

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Fazer o bem


Outro dia, em mais uma das minhas várias observações do comportamento humano, percebi que a lei que vem predominando é a do "deixa se virar". Por exemplo, se tem alguém que precisa de ajuda mas nem sempre fez por merecê-la, simplesmente dizem, deixa se virar. Isso não me faz o menor sentido. Se eu posso ajudar porquê não fazê-lo? Nesse mesmo dia recebi ajuda duas vezes de pessoas desconhecidas, sem se quer pedir, mas de fato precisei então porque me negar ajudar se o mundo vem me ajudando dia a dia? 
Todo o bem que fazermos volta para nós, mas não é pensando no retorno que devemos ser solidários. Precisamos compreender que somos uma célula, parte de algo maior e mais lindo, precisamos entender aquele velho jargão que "juntos somos mais fortes". E somos mesmo. O apoio é essencial para o crescimento do grupo (seja ele qual for) e pessoal também. Faz bem fazer o bem. Saber que ajudou alguém, ainda que com um gesto simples nos enche de orgulho e aquece o coração, todo mundo deveria tentar.

É preciso entender que a raiz de todo o bem é o amor ao próximo, é fazer aquilo que você gostaria que fizessem (ou não fizessem) por você. Enquanto não compreendermos que precisamos nos unir e nos ajudar as coisas não vão mudar. Vamos continuar vendo de braços cruzados absurdos acontecerem sem fazer nada. As pessoas não são más, elas só estão perdidas. Ouvi isso em uma música de Criolo e desde então nunca saiu da minha cabeça e eu acredito nessas palavras. Acho que o bem pode mudar as pessoas e as pessoas podem mudar o mundo. Pode ser um sonho ingênio, utopia, sei lá...chame como quiser, mas é preciso ter fé e crê em coisas maiores se quisermos enfrentar esse mundo doente no qual vivemos. 
Seja a luz para alguém no escuro, seja a mão que ajuda alguém a levantar, seja a pessoa que diz "vai dar certo" para um desesperançoso, dê abraços apertados e sorrisos calorosos. Seja luz, leve amor. Ou o contrário: seja amor, leve luz.

sábado, 13 de junho de 2015

Coisa de preto


Hoje acordei com vontade de ser ainda mais negra. Após ouvir uma história africana e ter pesquisado um pouco mais no dia anterior (coisa de curiosa, não consigo me contentar com pouca informação) me vi cheia de sentimento pela mãe de todas as nações.
Ler a respeito das expressões, religião, costumes... Como é rico esse continente! Me enche de orgulho e tristeza. Se por um lado amo tê-lo em minha essência, através dos meus ancestrais, sinto muito por eles terem vindos cheios vigor e traficados, vindos à força para uma terra nova, sendo obrigados a trabalhar, esquecer sua língua, seus costumes e sendo maltratados. Dói imaginar o quanto sofreram, o quanto meu sangue foi derramado e quantas lágrimas ficaram pelo caminho. Dói ver que mesmo após tantos anos a população negra ainda é marginalizada e sofre tanto preconceito e racismo.
Nesse dia saí de casa com meu melhor turbante, com uma amarração diferente, coloquei brincos grandes e um batom vermelho. Nos fones ouvi uma playlist cheia de reggae, rap, samba e soul. Delícia de música. No caminho vi muita gente me olhar como se fosse coisa de outro mundo. Engraçado, um "pano" na cabeça chamar tanta atenção assim. Chega a ser cômico ver que a cultura negra é tão incomum e que elementos europeus ou norte-americanos fazem mais sentido por aqui. 
Que viagem! A umbanda e candomblé serem tratados de forma tão pejorativa por todos, inclusive negros, devido a falta de saber, de conhecimento da própria história, a história do povo que de fato construiu esse país juntamente com os índios.
Acordei orgulhosa de ser quem sou. Feliz pela cor, pelo gingado, pelo cabelo, pela capacidade natural de superação. Coisa de preto (e todo mundo tem).
Quero mais cabelo crespo nas ruas, quero cachos livres das chapinhas, alisamentos e a porra toda. Quero cores, tambores, (capoeira!) riso solto e orgulho das nossas raízes. Quero respeito e expansão da cultura afrodescendente. Resistência. 
Axé!

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Acasos (?)

Acordei correndo, mais uma vez atrasada. Por sorte não trabalho hoje (folga no meio da semana, uhu!). Desde que consegui (enfim) tirar minha habilitação, meu despertador deixou de funcionar, é impressionante como consigo perder a hora! Hoje marquei de ir para a praia com as meninas, e sabendo que elas são tão atrasadas quanto eu, é capaz de eu chegar antes delas. 
Começa a tocar uma música MA-RA-VI-LHO-SA no som e eu me empolgo, como sempre. Acontece que eu sou do tipo que fechas os olhinhos quando canta empolga, algo não muito bacana de se fazer quando se está dirigindo. Não deu outra, o sinal abre e quando vou trocar a marcha, sei lá o que acontece, e o carro morre. Nisso o carro que vinha atrás, bate. Ah, lá se vai minha manhã na praia.
Desço descalça e com um vestidinho de praia branco, que por sorte não é transparente, imediatamente paro ao olhar para a cara do furioso (e agora confuso) homem que bateu na traseira do meu pequeno cherry vermelho.
Ele usava um terno cinza muito bem passado, um relógio bonito e uma barba cerrada bem cuidada, dirigia um C4 e ainda usava aquele perfume. Poderia não o ter reconhecido, se não fossem os olhos puxados e os dentes levemente tortos que ele não corrigiu. Agora, me olhando a raiva sumiu um pouco e deu espaço ao espanto e curiosidade. Despertamos do transe com as buzinas e logo fizemos o que qualquer pessoa envolvida numa batida faz: discutimos. Eu começo;
- Ah, maravilha! Bom dia para você também!
- Você não viu que o sinal abriu, qual o seu problema?
- Bom, o carro estancou. Isso acontece. Você, com pressa quis passar por cima. Deu no que deu. E agora, como resolvemos? Meu seguro cobre esse tipo de coisa.
- O meu também
Ótimo então, problema resolvido, certo? Cada um conserta o seu e fim de papo. Agora, eu preciso correr.
- Vai trabalhar assim? - disse ele sorrindo debochado e com malícia 
- Ha-ha, engraçadinho. Tenho folga hoje, um pequeno privilégio, e estou indo a praia.
Ele riu mais ainda e disse: - Bom, acho que você vai atrasar um pouco mais. Olha, o pneu furou.
Era tudo que eu não precisava agora. Além de está ali, falando com ele depois de anos como se nada tivesse acontecido, ainda tinha que trocar pneu. Eu nunca troquei pneu na vida!
Ok, ok eu aprendi isso na auto escola, não deve ser tão difícil assim: step, macaco, chaves, tudo bem.
Comecei a abrir a mala e tirar o material, totalmente desajustada. 
- O que foi, não tem mais o que fazer não? - Perguntei ao ouvir uma gargalhada dele.
- Tenho, e muita, mas eu precisava ver você tentar fazer isso. Vai, sai daí. - E veio jogando o paletó em cima de mim, dirigindo-se para a troca de pneu.
Enquanto ele cuidava do pneu, peguei minha bolsa, procurei o celular e avisei que iria demorar (se ainda fosse) e expliquei por alto a situação.
Ao terminar de trocar o bendito pneu, ele estava todo sujo e decidiu avisar que não poderia ir ao trabalho naquela manhã. Fiz o mínimo que podia fazer.
- Muito obrigada, acho que eu teria demorado um pouco mais para fazer isso,
- Um pouco? Você não teria feito, admita.
- Qual é? Vai tripudiar agora? Bom, muito obrigada! Como já perdi minha praia e você o trabalho, aceita sair desse sol e tomar uma água pelo menos? 
- É, pode ser. - Disse olhando para o relógio.
Não muito longe dali havia um quiosque e umas mesinhas. Pedi uma água de cocô e ele uma coca. Quebrei o silêncio chato.
- Hey, soube da OAB, parabéns! - ele ficou visivelmente surpreso, mas tentou desfaçar.
- As mães trocaram informações né?
- Bem, sim, mas quando ela me contou eu já sabia. Vi a lista no dia que saiu.
- Viu? Porque?
- Oxi, lembrei que você faria esse ano e você não é a única pessoa que conheço que faz direito!
- Desculpa, é que eu não esperava... Já faz tanto tempo que nos afastamos.
- Faz mesmo, mas nem por isso sou alheia a vocês. Lembro dos aniversários, torço pelas conquistas... Só não estou perto. A vida tem dessas.
Longo silêncio. Ele recomeça.
- Me conte, como você está? Me atualize.
- Estou bem, tenho dois empregos, estou terminando minha especialização e pretendo começar meu mestrado ano que vem. Depois da formatura fiz um estágio voluntário e intercâmbio. Moro só, quer dizer, com meus filhos, duas cadelinhas lindas.
- Você com cachorro, intercâmbio? Uau, agora fiquei impressionado!
- hahaha, besta! Você não sabe como mudei.
- Curioso eu já estou. - ele ficou sério - O que aconteceu naquela época?
Eu sabia do que ele falava e tentei escolher as palavras. Por mais que eu tivesse ensaiado esse momento durante anos, elas nunca vinham de iguais. Cada tentativa um texto novo.
- Aquele foi um tempo complicado, Era um período de transição e muita coisa estava acontecendo ao mesmo tempo. Eu não soube me organizar em meio a tudo isso. Acabou que te deixar de lado pareceu a melhor opção no memento, mas não foi fácil. E talvez nem tenha sido a melhor.
- Pareceu fácil.
- Mas não foi. Acha que não sei dos erros que cometi?  Sei de todos e sinto muito. Não sou tão insensível, afinal. As coisas não saíram como eu esperava. Tudo virou uma confusão sem tamanho e por isso hoje estamos como estamos, conversando como desconhecidos. E nem precisa dizer, eu sei que boa parte da culpa foi minha. Veja bem, não toda. Você deveria se posto no meu lugar uma vez ou outra. Eu sei que você fez bem mais que sua parte para as coisas darem certo... Só que não era o meu momento, eu não estava em ordem com meus pensamentos e sentimentos.
- E agora?
- Agora estou. E já faz um tempo.
- Eu passei meses tentando entender o que aconteceu. Você nunca falava nada e agora falou mais frases juntas do que consegui ouvir sair de uma vez só de você desde que nos conhecemos, e isso é muito tempo, você sabe. Eu passei dias e noites reavaliando tudo que lembrava até encontrar pontos negativos, coisas que eu tenha feito para te afastar, mas não achei. Acabei desencadeando uma raiva que já não cabia em mim. Vê você em qualquer lugar me irritava, pela mágoa que você deixou. Perfeito eu sei que não sou, mas fui um cara legal com você, - tentei falar, mas ele não deixou, estava botando pra fora anos de mágoa acumulada então deixei que falasse. Ele precisava daquilo tanto quanto eu no fim das contas.- não merecia que você resolvesse pular fora, sem uma breve explicação ao menos. Acho que merecíamos um fim mais amigável. Me senti um cachorro velho e de rua. - Ele suspirou profundamente e continuou - Se você não estava bem era só falar. Você só precisava conversar comigo, eu poderia ter ajudado, ter entendido. Acha que eu consigo adivinhar? Esse era o maior problema: você nunca falava, guardava tudo para si, e eu ficava de fora tentando consertar tudo que eu conseguia ver mas, você nunca me deixou ultrapassar suas barreiras, te entender de fato. Acho que eu estive sozinho desde o começo, tentando (em vão) nos fazer funcionar.
Eu não podia descordar de nenhuma palavra, afinal ele estava certo mesmo. Nunca fiz nada por nós. Após um longo silêncio falei:
- Eu sinto muito por tudo, de verdade. Tudo me serviu como um aprendizado e se não tivesse passado por tudo isso não seria quem sou. Espero que o mal que te causei não tenha te tornado um homem frio ou insensível. Espero que não tenha se fechado. Como disse, eu mudei muito, mas uma coisa que se mantem é minha paixão pela literatura, que você nunca soube. Ler e escreve é um binômio que me fascina e me ajudar a entender o mundo externo e interno. Ao longo desses anos escrevi muito sobre nós e sobre você.
- Como é a história? hahaha (Essa frase é muito a cara dele!)
- É são cartas, pensamentos soltos... besteiras minhas.
- Eu gostaria de ler.
- Eu também gostaria que você lesse. Quem sabe um dia.
Conversamos sobre amenidades até que o tempo voou e a vida de gente grande nos chamou. Trocamos contatos e saímos com a certeza de enfim ter nos livrado das mágoas e virado uma página, além da promessa vaga de um reencontro.
Eu sabia que não ia acontecer, ou pelo menos achava que não, até chegar em casa e vê o paletó dele no banco de trás.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

A saudade que não cessa

Ai, aí, você não sabe como foi estar aqui hoje, comemorando nossas conquistas, sem você presente. Estar nesse lugar que você tanto amava, com pessoas tão queridas por você dói e chega a causar a queda de duas ou três lágrimas.
Você sempre nos dizia para ter calma e esperar pois os bons dias logo chegaria. Bem, eles enfim chegaram, mas estamos sem você para comemorar junto conosco.
Aquele lugar não teve a mesma luz que a comemoração anterior; não te ouvir brincar comigo por minha distração deixou um silêncio no ar e a sensação de que algo está faltando. Falta você. Faz muita falta, não só para mim, mas também para muita gente que encontrou em você uma palavra amiga, um gesto de carinho e apoio. Faltou você no primeiro dia do início do nosso esperando fim, a conclusão de um ciclo que iniciou-se há mais de  quatro anos, uma época tão esperada.
Eu sei que onde quer que você esteja, está feliz por nós e nos abraça em silêncio e diz "olha aí, eu não disse? Tudo vai dá certo, está dando. Tenha um pouco mais de paciência e isso passará. Aí você vai comemorar e poderá fazer aquele monte de coisa que você me disse que faria". Sim, meu amigo, farei sim, correrei atrás dos meus sonhos e buscarei ajudar muitas pessoas dentro daquilo que acredito e me preparei para fazer durante esses anos. 
Esteja onde estiver, receba meu obrigada mais sincero por todo o apoio incondicional e por ter me ensinado em tão pouco tempo que ajudar o próximo faz muito bem pro nosso espírito, que quem dá o bem, recebe o bem em dobro e que nada é, tudo está.

Palavras inquietas

Oi, como vai? 

Você não sabe como foi difícil tentar não te escrever mais uma carta. Resisti em quanto pude, mas a verdade é que eu já não podia aprisionar essas palavras que são tão suas quanto minhas. 
Ontem saiu o resultado de uma prova importante que há anos você se preparava para fazer, desde o nosso tempo e agora vi que você passou. Não sabes o quanto fico orgulhosa por você! 
Sempre soube do seu esforço e dedicação para alcançar seus objetivos e sei também da sua ganância e desejo de reconhecimento. Sei que vai chegar exatamente onde queres na vida, pois, você sempre batalhou por seus sonhos. Queria poder te abraçar e comemorar junto mais essa conquista mas esse  (nosso) tempo já passou. Um tempo que não devia ter existido, se é que de fato existiu, vai saber.
Pensar nisso me fez lembrar de você naquela época: sempre focado nos estudos, sempre dando orgulho a sua mãe e mesmo cursando duas graduações como um CDF conseguia me fazer bem e até saia com os amigos de vez em quando. Um menino prodígio.
Soube também, através das nossas mães, que você passou com pontuação máxima e quase cai da cadeira, tamanha minha necessidade ficar em pé, como se eu fosse correr ao teu encontro para te parabenizar. Não fiz isso mas mentalmente fiz. Sorri por tua vitória e pedi silenciosamente por sucesso em seus caminhos. Que sejam prósperos e que te levem a felicidade e grandes realizações.
Fiquem bem, muita luz.

domingo, 7 de junho de 2015

Não sei ser morna

Minha gente, pessoas queridas, vocês precisam aprender: eu sou esquisita. Já tentei não o ser e isso não funcionou. Hoje em dia até acho bom, me sinto livre para ser a estranha que sou sem dever explicações. Mas nem todos sabem, nem todos entendem então preciso dizer que quando eu me afasto, realmente quero me afastar. Isso não é uma forma de pedir adulação ou chamar atenção. Só quero ficar só, na minha. Quando estou irritada fico extremamente chata e por isso prefiro ficar só. É um ciclo. Basta me deixar com meus pensamentos e minhas músicas que eu logo volto ao "normal" (o que é normal?). Como não sei guardar coisas ruins, logo melhoro e já esqueço.
É que não sei ser morna: ou quente ou fria. Não sei fingir estar bem, sou autêntica e extremista, ou 8 ou 80, sabe?! Desde sempre fui esse redemoinho de emoções gritantes que me fazem essa estranha oscilante que sou. Mas não é de todo ruim e sempre há um motivo, nem que seja um pensamento, uma manchete na TV, um fato aparentemente banal e despercebido em uma roda de amigos, mas sempre há. Mas, como disse, basta me deixar em paz. Logo passa.

"É só hoje e isso passa
Só me deixe aqui quieto
Isso passa
Amanhã é um outro dia
Não é?"
A via láctea - Renato Russo